"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



terça-feira, 27 de junho de 2017





Eu te desejo felicidade. 
Amanheci assim, com uma vontade enorme de te ver muito feliz. 
Vontade de te ver -sempre- bem. 
Desejei mais que a mim, que a tua vida fosse car(regada) de coisas lindas. De sorrisos. De quem te faça bem. De quem te dê amor. 

Soprei ao vento uma porção de coisas boas pra você. 
Espero que chegue até aí.


O sol está brilhando muito claro porque hoje é seu aniversário.
Nesses dias ele quase cega e quem é cego quase enxerga.

(Arnaldo Antunes)

fome é outra coisa


Quando ele cozinha, é imagem icônica, quase esfinge.
Algumas vezes, é ele mesmo, em outras não é ninguém.
Seu compromisso nunca é com a nutrição, é o desejo que o seduz.
Nada acrescenta sem antes envolver no côncavo de suas mãos. Precisa sentir a textura, a forma, a temperatura.
É um alquimista sensorial. Faz de seu ofício um despertar de sensações.

Depura, reduz, mistura. Ultrapassa o paladar.
Sua pretensão é provocar espasmos, encantamentos, fragmentar a respiração, parar o tempo.
Sabe que o segredo é avivar os sentidos. Devolver prazeres tão esquecidos.
Aplacar a fome é consequência.
Todas elas.

Pertence às pessoas e precisa quase nada além disso.
É bruxo, holístico, e cozinhar é sempre encurtar o caminho até o outro.
Longe de ser cartesiano, faz do seu ofício sempre uma presença inefável.

Aprendera faz tempo que vontade de comer se mata fácil, com a boca.
Mas não satisfaz.
Não a ele.
O negócio dele é satisfazer a fome.
E fome, fome é outra coisa.
É algo bem maior...

Solange Maia

“Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação.” 

1 Pedro 2:2

quinta-feira, 22 de junho de 2017


“Ainda bem que em português ser e estar não são a mesma coisa. 
Eu quase sempre estou muitas coisas que nunca quero ser.”


#egocentrismo


“Mais que qualquer outra invenção humana, o humor permite que nos elevemos acima de nossas circunstâncias, ainda que por alguns segundos. É um truque essencial a arte de viver.”

__Viktor Frankl


“Quando a situação for boa, desfrute-a.
Quando a situação for ruim, transforme-a.
Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se.”

__Viktor Frankl

“A relva murcha, e as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre.”

(Isaías 40:8)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

soneto ao inverno


Inverno, doce inverno das manhãs
Translúcidas, tardias e distantes
Propício ao sentimento das irmãs
E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfiguras as maçãs
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas
Alma do céu? o amor das coisas várias
Fez-te migrar - inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias
Preservador de santas e de estrelas...
Que importa a noite lúgubre escondê-las?

Londres, 1939

enjoada



Sentir-se descalça no corpo todo.
Acho que isso é paz.

/Danielle Manhães/

guerra dos sexos, ainda?


Acho que estamos todos de acordo: o mundo melhorou muito depois que as mulheres passaram a trabalhar, a ganhar seu dinheiro, a ser donas dos seus desejos, a ter filhos se quiserem, a reivindicar salários equivalentes, a denunciar maus-tratos e a se unir umas às outras para não se deixarem reduzir por atitudes machistas. Não foram elas apenas que ganharam com isso, mas a sociedade inteira, incluindo os homens, já que eles deixaram de dividir a vida com um bibelô para dividir com uma parceira muito mais realizada e interessante.

No entanto, esse vigor libertário pode, às vezes, nos fazer estacionar, mesmo quando parece um avanço. Foi o que percebi ao assistir ao novo clipe da descolada Karol Conka. Ela acaba de lançar uma música convocando os homens a fazerem sexo oral em suas garotas. A causa é boa (aliás, é ótima). Se os rappers falam abertamente de sexo em suas letras, por que Karol Conka não poderia? Tanto pode que foi lá e fez. Aliás, o nome da música é Lalá. Lá mesmo.

Segundo Karol, em nota de divulgação, o clipe “mostra o universo feminino de uma maneira doce e ao mesmo tempo divertida”.

Pois me deu medo desta nossa nova doçura. “Moleque mimado bolado que agora chora/só porque eu mandei ajoelhar e fazer um lalá por várias horas”.

Outra doçura: “É inacreditável, eles ficam sem ação/quando a gente sabe o que quer e mete a pressão”.

Não convém reproduzir os outros versos, ou convém e eu é que sou fresca, mas prefiro que você mesmo dê um Google e me ajude a responder: é revide? Lutar pelos mesmos direitos significaria tratar os homens como objetos sexuais, justamente o que tanto lutamos para nos livrar? Basta pesquisar as letras cantadas por MC Lan, Bonde da Stronda ou o Rodo da Bahia para ver com que doçura os rappers falam das “mina”. É a mesma ordem de comando, a mesma petulância. Mandar ajoelhar. Meter pressão. Não era isso que eu imaginava ao defender a igualdade entre os gêneros.

Escrevi sobre sexo semanas atrás, destacando a importância de não fazermos julgamentos morais entre quatro paredes – é intimidade privada entre adultos. Mas levar a subjugação para as paradas de sucesso é confiar demais no discernimento de boa parte da garotada que poderá acreditar que prazer é algo a ser dado na marra.

Karol Conka é uma voz importante no cenário musical e político, uma mulher posicionada, que não se deixa intimidar por preconceitos. Necessária. Mas não consigo aplaudir esse discurso “I got the power” que me lembra muito o jeito estúpido com que já fomos tratadas. Antes, eles nos dominavam, agora nós os dominamos. E o fim da guerra dos sexos fica pra próxima encarnação.


Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.
Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.

1 João 2:15,16

terça-feira, 20 de junho de 2017

escolhas


Sempre nos ensinam que a vida depende em boa parte de escolhas nossas. Isso também “depende”. Pois, se nasço branco e rico, negro e pobre, branco e doente, negro e saudável, oriental e talentoso, oriental e enfezado, se nasço no Norte mais pobre ou no Sul mais progressista, aqui no estranho Brasil ou em algum lugar muito carente da África mais remota, se meu pai é inuit num dos Polos ou banqueiro em Nova York, e assim por diante, digamos que a minha escolha não há de pesar tanto.

Essa é a base. Mas depois, aí vem o dilema – porque a gente não gosta de dilemas, que provocam escolhas. Depois das condições, não escolhidas, em que nascemos, vem um longo trajeto em que podemos seguidamente tomar decisões: droga ou trabalho, estudo ou boa vida, honra ou malandragem, afeto ou futilidade... enfim. Nada é perfeito.

Escolhas são aflição. Ofereçam ao seu pet um biscoito e um naco de carne, e ele poderá hesitar, perplexo: animais de estimação têm expressões assustadoramente humanas. Para os humanos, as escolhas são as mais diferentes e até absurdas: que roupa usar, no meu closet do tamanho de um bom quarto normal? Que arma vou usar no próximo assalto? Quem vou assaltar? O que vou comprar com o dinheirinho que me resta: remédio ou comida? Para onde devo me mudar? Por que me mudar?

Ainda falando de gente: existe um número imenso de alunos e professores que preferem uma aula bem digerida, nada de provocações por parte do mestre, pois os alunos podem exercer sua perigosa inteligência, sua inquietante liberdade, e argumentar, discutir... Talvez sejamos simplesmente preguiçosos, comodistas, lerdos. Queremos boa vida, nada de caminho pedregoso ou esburacado, nada de pais que impõem limite, professores ou patrões exigentes.

Pode ser delicioso ser filhinho do papai ou da mamãe, e não me refiro só à casa paterna, mas à vida em geral, também à profissão, aos estudos. Escolher é muito chato. Mas a vida não dá colo: passa muita rasteira, exige humildade, personalidade e resistência. Por outro lado – isso me provaram muitos jovens e alunos –, que alegria descobrir o próprio poder de decisão.

Crescer dói, e não só nos ossos infantis com a dita “dor de crescimento”. Dói na alma: “viver é lutar”, disse o poeta brasileiro ao filho, e é, sim. Mas tem umas compensações, como perceber que não somos totalmente ignorantes, incapazes e dependentes.

Descobrir que nosso trabalho, por mais simples que seja, tem importância, isto é, nós temos importância. Descobrir que somos necessários também para pessoas que nos amam, amigos, família, parceiros. Talvez essa seja a base de todo tipo de felicidade, que para mim é sentir-se bem na própria pele – mesmo fora dos grandes entusiasmos policromados: saber-se apreciado, profissional ou pessoalmente.

E todos somos. Nem precisam ser coisas grandiosas, ao contrário: o bom, o positivo, pode ser muito pequeno, e ainda assim essencial, como permitir-se ser amado, ser estimado, ser escolhido, ser eficiente. Mesmo que apenas (apenas?) para limpar a rua, trocar a atadura, estimular alguém, fazer alguém pensar por si, e saber-se capaz de fazer suas próprias escolhas.



“Pequena é a abelha entre os seres alados: o que produz, entretanto, é o que há de mais doce.”

Eclesiástico, 11 - Bíblia Católica

domingo, 18 de junho de 2017

soneto de separação




De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


bem-me-quer, mal-me-quer


Quantos e-mails escrevi e não enviei?

Quantas mensagens pensei, suspirei, coloquei a mão direita na consciência e a mão esquerda no coração e deletei?

Quantas cartas feitas longamente, dolorosamente e, ao cabo, desisti da palavra?

Quantas declarações, juras, perdões, explicações e retratações nunca encontraram o seu destino e a paz do outro lado?

Quantas vezes escrevi e desisti, apontei o lápis da pupila, gastei os punhos e recuei, vi que as frases não fariam efeito, o que foi dito pessoalmente não vingaria na tinta e na tela?

Quantas madrugadas passei em claro escolhendo os vocábulos, e não fui melhor que o silêncio?

Quantos momentos a esperança não falou mais alto e declinei de acrescentar qualquer sopro de gentileza em uma relação?

Quantos tormentos desapareceram com as fotografias verbais e a minha esperança? 

Quantos escritos  - intuo que inúmeros, dezenas  - que joguei fora por me enxergar inteiramente desanimado para qualquer tentativa?

Quantos WhatsApps estive digitando sem fim e não apareceu o que desejo dizer para o contato?

Escrever e apagar, ensaiar e cancelar, bailar com o corpo encostado no verbo e esconder o rosto no travesseiro.

Ainda questiono se não ter mandado nada em horas cruciais da minha existência foi coragem ou covardia - às vezes covardia é falar de menos e não expor o que se está passando, às vezes covardia é falar demais e machucar sob o pretexto da sinceridade.

Guardo sérias dúvidas se responder não seria uma vaidade do sofrimento, pois não tem graça sofrer sozinho e cultivamos uma esquisita mania de arrumar culpados para aquilo que não deu certo.

Eu também raciocino que não adianta escrever para ofender ou por se sentir ofendido, porque o destinatário somente lerá as primeiras linhas e deduzirá o resto.

Quantos novos eus surgiriam se teclasse enviar, se insistisse na fúria e na paixão, se fosse menos cerebral e mais sanguíneo?

Quantas confissões coloquei no papel e afastei repentinamente dos olhos alheios?

Quantas mentiras desfrutei da chance de desmanchar e me retrai na culpa e não despachei adiante?

Quantos textos desesperados que jamais sairão do bloco de notas, quantos arquivos moribundos, salvos com nomes esdrúxulos, estão abandonados na pasta Meus Documentos?

Quantos desentendimentos e ódios poderia desatar se confiasse no destino, mas quantos igualmente escândalos e barracos teria provocado com a cabeça quente?

Mal-me-quer, bem-me-quer, nunca preveremos qual será o preconceito que emergirá das verdades. As opiniões mudam conforme os pecados.

O que acredito é que para algum lugar vão as cartas que redigimos  e não mandamos. Elas devem ficar registradas em um ponto remoto de nossa memória, de nossa carne, de nossa carnação, em algum lugar dos desacontecimentos acontecidos. 

Alguém lê. Mesmo que seja Deus. Mesmo que seja a minha versão  avançada no inconsciente.

Só não enviei por um motivo, uma crença na vida: ninguém tem a obrigação de me amar. E pressionar e convencer são ações que apagam todo o charme espontâneo do amor.


Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se.

Provérbios 25:28

sábado, 17 de junho de 2017

depois dos 40


Depois dos 40 anos, o pensamento feminino muda, desembaraça.

O sexo não é mais performance, exaustão, é fazer o que se gosta e do jeito que gosta. É aproveitar dez minutos com a intensidade de uma noite inteira, é reconhecer o rosto do próprio desejo no primeiro suspiro, é optar pela submissão por puro prazer, sem entrar na neurose da disputa ou do controle.

A mulher de 40 não diminui o ritmo da intimidade. Pode ler um livro com a intensidade de uma transa. Pode assistir um filme com a intensidade de uma transa. Pode conversar com a intensidade de uma transa. Ela não tem um momento para a sensualidade, a sensualidade é todo momento.

Tomar o café da manhã não é apenas um desjejum, tem a sua identidade, o seu ritual, um refinamento da história de seus sabores. Tomar o café da manhã com uma mulher de 40 anos é participar de sua memória, de suas escolhas.

Ela não precisa mais provar nada. Já sofreu separações, e tem consciência de que suporta o sofrimento. Já superou dissidências familiares, e tem consciência de que a oposição é provisória. Já recebeu fora, deu fora, entende que o amor é pontualidade e que não deve decidir pelo outro ou amar pelos dois.

A mulher de 40 anos, cansada das aparências, cometerá excessos perfeitos. É mais louca do que a loucura porque não se recrimina de véspera. É ainda mais sábia do que a sabedoria porque não guarda culpa para o dia seguinte.

A beleza se torna também um estado de espírito, um brilho nos olhos, o temperamento. A beleza é resultado da elegância das ideias, não somente do corpo e dos traços físicos.

Encontrou a suavidade dentro da serenidade. A suavidade que é segurança apaixonada, confiança curiosa.

O riso não é mais bobo, mas atento e misterioso, demonstrando a glória de estar inteira para acolher a alegria improvisada, longe da idealização, dentro das possibilidades.

Não existe roteiro a ser cumprido, mapa de intenções e requisitos.

Há a leveza de não explicar mais a vida. A leveza de perguntar para se descobrir diferente, em vez de questionar para confirmar expectativas.

Ser tia ou mãe, ser solteira ou casada não cria angústia. Os papéis sociais foram queimados com os rascunhos.

A mulher de 40 é a felicidade de não ter sido. É a felicidade daquilo que deixou para trás, daquilo que negou, daquilo que viu que era dispensável, daquilo que percebeu que não trazia esperança.

Seu charme vai decorrer mais da sensibilidade do que de suas roupas. O que ilumina sua pele é o amor a si, sua educação, sua expressividade ao falar.

A beleza está acrescida de caráter. Do destemor que enfrenta os problemas, da facilidade que sai da crise.

A beleza é vaidosa da linguagem, do bom humor. A beleza é vaidosa da inteligência, da gentileza.

Depois dos 40 anos não há depois, é tudo agora.

                                                                                                        #adaptado

Será que existe mesmo a tão falada crise dos sete anos? Corro risco? O sete dá mesmo azar para os casamentos?

Li, outro dia, sobre um político alemão que sugeriu uma mudança na lei dos casamentos: eles só durariam sete anos. 
Depois disso, os casais teriam o direito de renovar – ou não.

Um dos filmes mais famosos de Marilyn Monroe, O pecado mora ao lado (aquele da famosa cena em que o respiradouro levanta a saia da estrela), se chama, no original, The seven year itch. Na tradução, “a coceira dos sete anos”. 
Seria aquele momento em que os casais começariam a ter vontade de separar – ou de trair.

Se é tudo invenção, por que a lenda cresceu tanto?

Na semana passada completei sete anos de casada. É meu segundo casamento. O primeiro terminou com… sete anos.

Uma sábia amiga– há quinze com seu maridão – disse que já viu, sim, muitos casamentos irem por água abaixo aos sete anos.
E me aconselhou: faça uma viagem, redecore a casa, tenha um filho.

Como ainda falta um bom tempo para as minhas férias e já estou muito bem, obrigada, com dois filhos e uma enteada, convoquei pedreiro e marceneiro!

Amanhã eles começam a quebrar tudo!

__Martha Mendonça

Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. 
Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. 

(2 Coríntios 4:17-18)

quinta-feira, 15 de junho de 2017


empatia


As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.

Nada impede?

Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada, que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho.

Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima. Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido.

E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se empilham: políticos corruptos, empresários que só visam ao lucro sem respeitar a legislação, pessoas que “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas “coisinhas” que se faz no automático sem pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia. Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos.

Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma corrente de acertos e de responsabilidade – colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.


Quando tenho que enfrentar uma situação muito difícil, digo incansavelmente pra mim mesma:
Hoje eu vou apenas
sobreviver a isto.
Amanhã eu simplesmente
vou viver sem isto.
O que não posso mais
é me livrar dos dias
por causa disto.
Entrego, aceito e agradeço.


“Estabelecerei paz na terra, e dormireis seguros, e não haverá quem vos espante...”

Levítico 26:6a

quarta-feira, 14 de junho de 2017




Quando eu era bem pequenininha,
minha avó gostava de explicar e responder as tantas
perguntas de menina-que-descobre-a-vida que eu fazia.
Lembro que me disse um dia, com os olhos molhados
de dor e saudade, que é pro céu que vão os que amamos.
Desde então, sempre que chove, eu penso:
“é amor chorando”.

/ por Larissa Minghin /

eu penso em feijoada, caldos, vinho, fondue, lareira...


“Quando a manhã ainda é cedo, se parece igual a uma borboleta leve. 
O que há de mais leve que uma borboleta. 
Borboleta é a pétala que voa.”


“Escolha quem te olha por dentro. O corpo tem prazo de validade, a alma não.”


A Escritura nos lembra que Deus guarda nossas lágrimas em uma garrafa. 
Somos informados no Salmo 56:8: “Registra, tu mesmo, o meu lamento; recolhe as minhas lágrimas em teu odre; acaso não estão anotadas em teu livro?”.

terça-feira, 13 de junho de 2017



“Sempre faço o que não consigo fazer
para aprender o que não sei.”


“Certo dia olhei para o céu esperando ver um
milagre ou sinal de Deus.
Então percebi que tudo ao meu redor era um milagre.
O costume havia me cegado.”


Passando o fervor dos casais apaixonados, 13 de junho é o dia em que as mulheres solteiras oram para Santo Antônio trazer o amor de suas vidas. Mas você sabe por que Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro?

Batizado de Fernando Bulhões, Santo Antônio era um frade franciscano, nascido em 1195, em Portugal, mas viveu parte de sua vida em Pádua, na Itália. Apesar de não ter em seus sermões, nada específico sobre casamentos, Santo Antônio ficou conhecido como o santo que ajuda mulheres a encontrarem um marido, por conta da ajuda que dava a moças humildes para conseguirem um dote e um enxoval para o casamento.

Reza a lenda que, certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia pagar seu dote para se casar. Desesperada, a jovem – ajoelhada aos pés da imagem de Santo Antônio – pediu com fé a ajuda do Santo que, milagrosamente, lhe entregou um bilhete e disse para procurar um determinado comerciante. O bilhete dizia que o comerciante desse à moça moedas de prata equivalentes ao peso do papel. Obviamente, o homem não se importou, achando que o peso daquele bilhete era insignificante. Mas, para sua surpresa, foram necessários 400 escudos da prata para que a balança atingisse o equilíbrio. Nesse momento, o comerciante se lembrou que outrora havia prometido 400 escudos de prata ao Santo, e nunca havia cumprido a promessa. Santo Antônio resolveu fazer a cobrança daquele modo maravilhoso. A jovem moça pôde, assim, casar-se de acordo com o costume da época e, a partir daí, Santo Antônio recebeu – entre outras atribuições – a de “O Santo Casamenteiro”.

Outra história que envolve a fama de Santo Antônio é a de que uma moça muito bonita, que havia perdido as esperanças de arranjar um marido, apegou-se a Santo Antônio. Dizem que a mulher adquiriu uma imagem do santo e colocou-a em um pequeno oratório. Todos os dias, a jovem colhia flores e as oferecia a Santo Antônio sempre pedindo que este lhe trouxesse um marido.
Mas, passaram-se semanas, meses, anos… e nada do noivo aparecer.
Então, tomada pelo desgosto e pela ingratidão do santo, ela atira a imagem pela janela.
Neste exato momento, passava um jovem cavalheiro que é atingido pela imagem do Santo. Ele apanha a imagem e vai entregar à jovem, que se apaixona por ele e atribui a sua chegada a fé por Santo Antônio.

A partir daí, as moças solteiras que querem casar começaram a fazer orações pedindo ajuda ao santo e cultuando sua imagem. 

Entre as simpatias mais populares, acredita-se que as jovens devem comprar uma pequena imagem do Santo e tirar o Menino Jesus do colo, dizendo que só o devolverá quando conseguir encontrar o amor, ou ainda, virar o Santo Antônio de cabeça para baixo.