"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



domingo, 31 de dezembro de 2017

felicidade


é não caber em si, nem nesse mundo pequeno, de tão gigante.

Desejo que todo mundo doladaí perca o equilíbrio e as rédeas, de tão feliz!


#a culpa é do Cabral?!?


“EBENÉZER! - Até aqui nos ajudou o Senhor!” 

I Samuel 7.12

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017


Mesmo num ano difícil como esse em que a humanidade virou do avesso e a república está em chamas, ainda resta esperança, na vida, no amor, na poesia, nos amigos, em nós.

das resoluções de ano novo: alimentação saudável


Tarefa fácil, claro! 
Alface e pepino são realmente tão deliciosos quanto uma picanha gordurosa. Ainda mais quando a picanha é preparada pelo meubem

Com certeza, essa não uma resolução factível, mas vou tentar.

Vou comer à vontade, para celebrar a virada do ano e nos outros dias vou maneirar.

Pretendo mudar, radicalmente, minha alimentação depois da Páscoa. 
Pensando bem, tem o aniversário do Neckyr, depois o meu, depois, num passe de mágica, tem Natal e Ano Novo outra vez.
Incrível como o Ano Novo fica velho rapidinho, né?

Voltando à minha resolução, o dicionário Michaelis tem duas definições interessantes para a palavra saudável: a primeira diz “bom ou conveniente para a saúde”, enquanto a segunda diz “que dá alegria”.

Nesse caso, o melhor mesmo é fazer meu estômago feliz.



“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.” 

Isaías 53:6

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

das resoluções de ano novo


Dezembro: mês das comemorações de fim de ano, da correria de compra de presentes e… das Resoluções de Ano Novo.

O interessante é que, no próximo revéillon, as mesmas promessas voltarão, sem vergonha na cara, agregando mais algumas outras.

Todo ano é a mesma coisa. Como um bom político, já que estou no meio, prometo um monte de coisas que, tenho certeza, não vou cumprir.
Já virou um ritual, fazer promessas para o ano que vem e postergar para o próximo e próximo ano.
Boa parte das minhas resoluções de ano novo já morrem nas suas primeiras semanas (ou dias) de vida.

Ano novo, vida nova (não aguento ouvir esse chavão!) e… resoluções antigas.

E lá vou eu, listar as minhas promessas de ano novo, que na verdade são de anos velhos.

ano novo


Toda a vez que um ano se inicia, é a mesma coisa: votos de saúde, paz, felicidade, alegria, sucesso, sorte e amor. E a velha frase “que todos os seus sonhos se realizem esse ano.” Curioso, não?!?

“Que todos os seus sonhos se realizem esse ano.” Eu não acredito nisso. O que seria um sonho? Algo que surge enquanto as pessoas dormem? Algo que não tem denominação específica? Uma meta que queremos alcançar? Qual é o fundamento básico de um sonho? Pra mim, sonho é sonho. O sonho acontece enquanto dormimos. Depois vem a parte ruim: acordamos. E aí? Vimos que tudo não passou de um sonho.

Claro, os sonhos são importantes. Freud achava isso. Muita gente também. Mas mais importante do que um sonho, é uma meta. Por isso prefiro as frases “que você consiga atingir todos os seus objetivos”, “que você concretize todos os seus projetos”, “que você realize todos os seus desejos”.

Agora tem gente que vai dizer “sonho e desejo” não são a mesma coisa? Não, não são. Desejo é instintivo, vem de dentro, lá das profundezas de nós mesmos. Sonho... bem, eu já falei...

Desejo que as pessoas realizem seus desejos, planos, metas e objetivos em 2018. Mas que nunca parem de sonhar também...



“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” 

(2 Timóteo 3:16)

terça-feira, 26 de dezembro de 2017


#dias melhores virão?!?

resoluções de Ano Novo?


Quem nunca fez uma, que atire a primeira promessa. Todos nós já fizemos e certamente vamos continuar fazendo. Afinal, o começo do ano é uma oportunidade ideal para renovarmos aquelas juras que provavelmente nunca cumpriremos, já que Resoluções de Ano Novo são criaturas com uma expectativa de vida bem baixa: poucas conseguem chegar vivas ao final de janeiro, e somente uma ou outra sobrevive ao carnaval.

Isso não vale para absolutamente todas as Resoluções de Ano Novo, mas certamente se aplica a maior parte delas. Muitas podem até se tornar realidade, mas a maioria mesmo nunca deixa de ser promessa; são apenas símbolos do desejo de que o ano seja melhor que o anterior. Eu mesmo, nos quase quarenta Anos Novos que vivi, não cumpri a maioria das minhas resoluções. Aliás, existem alguns tipos de Resoluções de Ano Novo que parecem ter sido feitos justamente para não serem cumpridas.

Para observamos alguns deles, basta escolher uma família qualquer no primeiro dia do ano. De preferência, após o almoço, quando estão reunidos na sala, conversando preguiçosamente. Todos comeram bem, beberam bastante, o tio derrubou molho na camisa branca e as crianças brigaram pela última coxa do peru. Agora, todos estão na sala conversando, menos o avô que foi deitar e o neto mais velho, que está mais afastado folheando um livro.

Ainda não estão falando sobre suas resoluções para o próximo ano, mas isso vai acontecer no próximo parágrafo, com uma tia puxando o assunto. Toda família tem uma tia que puxa esse tipo de conversa, e o mesmo acontece com a família que estamos observando. 
Assim, a tia desta família dá um último gole no café e, aproveitando um momento de silêncio, anuncia sua declaração de Ano Novo:

– A partir de segunda-feira eu vou começar o regime. E este ano irei à academia todos os dias, diz a tia, torcendo para que ninguém se lembre de que, meia hora atrás, ela estava comendo seu terceiro prato de lombo com maionese.

– Mãe, você fala isso todo ano, responde sua filha, deitada no tapete da sala.
– Desta vez eu estou falando sério. Este ano vou levar a sério.
– Você também fala isso todo ano.

E era verdade. Nos últimos dez anos, a tia havia afirmado que iria levar a dieta e o regime em todos eles. Este é o primeiro tipo de Resolução de Ano Novo: a promessa que é feita religiosamente todo ano. E toda vez que ela é feita, vem acompanhada da frase “este ano vou levar a sério”. 

Outro exemplo desta categoria? O clássico “este ano vou parar de fumar”.

Mas vamos voltar à sala. Incomodada com a resposta da filha, a tia resolve fazer com que o foco da conversa não seja mais sua lendária dieta anual que não dura nem quinze dias, e pergunta:

– E você, Marcela? Qual vai ser sua resolução para este ano?
– Arrumar um namorado, responde a garota, depois de pensar uns instantes.
– Isso não depende de você, interrompe um dos primos.

O primo tem razão. Afinal, esta é a segunda categoria das Resoluções de Ano Novo: prometer fazer algo que não se faz sozinho, pois normalmente depende de a) outra pessoa, b) do destino, c) do acaso, d) de todos os anteriores. 

“Começar a namorar” é o segundo exemplo mais famoso desta categoria. O primeiro é o clássico “este ano vou ficar rico” -- que sempre é prometido por pessoas aparentemente incapazes de escolher “este ano vou guardar dinheiro” como resolução e que normalmente já começam a pensar no 13º ainda no primeiro semestre.

– Claro que depende. Eu preciso estar aberta a um relacionamento.
– Mas não é apenas isso. Para namorar, você precisa encontrar alguém.
– Eu sei.
– E este alguém precisa querer namorar.
– Sim, eu sei disso, Fernando.
– Aliás, este alguém precisa não apenas querer namorar, mas querer namorar você.
– Nossa, Fernando, como você é chato! Eu sei de tudo isso! Minha resolução de Ano Novo deveria ser não falar mais com você!
– Isso também não depende apenas de você. Depende também de mim.
–Você é muito chato! Já que você sabe tanto sobre resoluções de Ano Novo, qual é a sua?

Fernando, sentado no canto da sala, se endireita na cadeira, como quem vai fazer uma revelação importante. Espera alguns segundos e avisa que:

– Este ano eu vou arrumar um emprego.

Ele mal consegue terminar a frase, já que todos caem na risada.
– Do que vocês estão rindo?

Quem responde é seu irmão.
– É claro que você vai arrumar um emprego! No dia que você tomou bomba na faculdade, a mãe disse que se você não começar a trabalhar ela vai te colocar para fora de casa!

Aqui vemos que Fernando usou o terceiro tipo das Resoluções de Ano Novo: prometer algo que terá que ser feito de qualquer jeito.

– Esse moleque nunca vai entrar na linha! Quem fala agora é o pai de Fernando.
– Vai sim. E vai este ano. Vai ser a minha resolução de Ano Novo. E vai ser a sua também!, diz a mãe de Fernando, para o marido.

Este é o quarto tipo de Resoluções de Ano Novo: aquela em que outra pessoa escolhe a promessa por você.

Todos ficam em silêncio por alguns instantes. 
A tia aproveita para ir até a cozinha, já que como seu regime começa somente na próxima segunda-feira, um pedaço de bomba de chocolate não vai matar ninguém. É seguida pelo marido que, em dúvida se anunciava sua resolução para o próximo ano (beber menos) ou ver se sobrou cerveja na geladeira, escolheu a segunda alternativa. Assim, quem volta ao assunto é Roberta, outra prima, que está num banquinho perto da janela:

– Este ano eu quero mesmo é ser feliz!

Rob Gordon

Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem...

Mateus 5:44

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017



Essa luz, é claro que é Jesus!

[ Luz divina / Roberto Carlos ]

Uma das histórias mais bonitas do meu pai, aconteceu numa tarde chuvosa.

Nós estávamos em casa, quando alguém veio nos avisar:
“Dona Ana, a senhora vai ter que buscar o Seu Natinho, porque ele tá bêbado demais, ele não consegue voltar pra casa. Tá caído lá na padaria,
lá na frente, lá no centro”.

Eu me recordo que eu era muito pequenininho.
Imediatamente, eu já me levantei, pronto para resolver a situação, sabe?

Fui eu, minha mãe e um irmão meu, mais velho.
E eu me recordo, gente, que quando nós chegamos lá, meu pai estava caído, na sarjeta mesmo.
A bicicletinha dele, ele era pedreiro, né ? Tava caída assim, de lado, e ele na sarjeta.

Tinha chovido, e aquele barro que forma quando você tem uma enxurrada, ele ali, misturado.

Eu me lembro que o primeiro sentimento que me veio, foi de vergonha.
Eu tinha medo que algum colega meu pudesse passar, pudesse ver meu pai naquela situação.

Eu me lembro que nós tiramos ele ali, com pressa, muita pressa.
Levamos ele pra casa, demos um banho nele, pra que ele pudesse voltar a ser meu pai.

Meu pai foi um homem muito trabalhador, muito justo, muito honesto.
Mas viveu, num determinado momento da vida, o problema do álcool.
Superou, graças a Deus, morreu sem o problema.

Mas aquela tarde fica registrada na minha memória, de um jeito muito intenso, porque ela representa pra mim uma das aulas de teologia que a faculdade não me deu.

É bonito você reconhecer o amor que você tem por uma pessoa, no momento em que ela está no podium.
É fácil amar uma pessoa no momento da vitória, no momento em que há razões para ser amada.
Mas no momento em que o outro faz tudo errado e mesmo assim o seu coração se mobiliza, para continuar elegendo como seu...

Eu aprendi que Deus é assim.
Que mesmo no momento da nossa sarjeta, a predileção dele por nós não passa, não termina.
Porque o amor que Deus tem por nós, não passa pela lógica da utilidade, do mérito.
Passa pela lógica do significado.
Não é mérito, não precisa ter.

Depois de tanto tempo vivido, eu identifico que o sentimento que me ocorre, que me ocorreu naquele momento, não era de vergonha, era de indignação!
Porque a indignação é você ver a pessoa certa, no lugar errado.

E eu como padre, hoje, compreendo que o essencial da minha vida, da minha evangelização, consiste, justamente, em descobrir e ficar indignado com as realidades que eu encontro quando vejo pessoas certas, nas situações erradas.
E, para mim, o processo religioso vale, na vida, justamente para isso: Pra nos retirar da sarjeta, pra lavar a nossa alma e nos devolver a dignidade perdida.


Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.
Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta:
“A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel que significa Deus conosco”.

Mateus 1:21-23

domingo, 24 de dezembro de 2017

então é natal


Natal é tempo de dividir.
Dividir presentes, alegrias e emoções.

Natal é tempo de somar.
Somar a harmonia, a solidariedade e a paz.

Natal é tempo de multiplicar.
Multiplicar beijos, carinhos e mimos.

Natal é tempo de diminuir.
Diminuir a distância, a saudade e a diferença.

Um Feliz Natal para todos vocês. E que 2018 traga mais alegria, esperança, sonho, realidade, amor, saúde, sucesso e verdade.


“Que você, nesse Natal
entenda o real sentido da data
que veio ao mundo um homem bom, destemido
e que o dono da festa
não pode ser esquecido

Olhe, repare,
vindo lá do Polo Norte
num trenó cheio de luz
papel Noel é lembrado
muito mais do que Jesus

Ôh balança incoerente
onde um saco de presente
pesa mais do que a cruz

Eu sei, eu sei que dar presente é bom
mas bom mesmo é ser presente
ser amigo, ser parceiro
ser o abraço mais quente
e permitir que nossos olhos
não enxerguem só a gente

Que você, nesse momento
faça uma reflexão
independente de crença
de fé
de religião
pratique o bem sem parar
pois não adianta orar
se não existir ação

Alimente um faminto
que vive no meio da rua
agasalhe um indigente
coberto só pela lua
sua parte é ajudar
e o mundo pode mudar
cada um fazendo a sua

Abrace um desconhecido
perdoe quem lhe feriu
se esforce para reerguer
um amigo que caiu e
tente dar esperança
para alguém que desistiu

Convença!
Convença quem está triste
que vale a pena sorrir
aconselhe quem parou
que ainda dá pra seguir
e praquele que errou
dá tempo de corrigir

Faça o bem, meu povo
faça o bem por qualquer um
sem perguntar o porque
Parece fora de moda
soa meio que clichê
mas quando se ajuda alguém
o ajudado é você

Que você possa ser bom
começando de janeiro
e que esse sentimento
seja firme e verdadeiro
que a gente viva o Natal
todo o ano, o ano inteiro.”

Bráulio Bessa


Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. 

Isaías  9:6

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017


Mas para que se perceba o verão há que se abrir as janelas do corpo: quando pela manhã o suor ainda é virgem e o cansaço não embruteceu as retinas do sonho. 
Mesmo que o dia irrompa agressivo e o sol inclemente de luz tanta, no silêncio, pode-se deixar guiar até ao barulho das fontes, até ao sussurro das ondas.

A alegria quer a gente muito alerta pro que possa desaguar turvo bem no meio da esperança cristalina. (É por contágio que as coisas boas nascem e as não tão boas também. E é de inanição que as coisas vivas morrem, principalmente).

Há poesia que nasce da dor e poeta que se acostuma com ela.
Tem gente que passa a vida esperando um milagre... enquanto alguém os escreve.


“Não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe.”


Disse-me ainda: “Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida.”

Apocalipse 21:6

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017


Dias melhores VERÃO!

paixão, esse amor lacrimogêneo


Eu que chamei tantas vezes de amor essa força bruta e avassaladora. Onde nada poderia ser simples ou menos tumultuado porque precisava tirar o fôlego, a razão e toda a minha inteligência emocional.

Eu que chamei de amor essa coisa opressora que turvava a mente e embargava a voz com frases aflitas. Essa coisa quase injusta, pois me tornava absolutamente impotente diante de uma escolha.

Eu que chamei de amor essa explosão indomável, esse estado de urgência, essa descaracterização de mim mesma: vivia um estado de transbordamento que fazia com que me sentisse mais miserável do que plena. Sentia uma espécie de desejo onde o limite era sempre doloroso. Estava submetida a uma profusão de sentimentos incolonizáveis que faziam de mim mais vigilante que atenta, mais traída do que distraída.

Eu que chamei de amor essa embriaguez de estar tão escravizada que tentava apoderar-me não do Outro, mas da liberdade dele. Eu que não queria habitar seu coração, mas dominar os seus pensamentos. Eu que deixava de ser amante de alguém para me tornar súdita de um sentimento.

Eu que chamei de amor esse desconforto quase adorado e seu efeito lacrimogêneo: vulgarmente conhecido como paixão.


“Quando tiraram os pontos de minha mão
operada, por entre os dedos, gritei.
Dei gritos de dor, e de cólera, pois
a dor parece uma ofensa à nossa integridade
física.
Mas não fui tola.
Aproveitei a dor e dei gritos pelo passado
e pelo presente.
Até pelo futuro gritei, meu Deus.”


“Sempre tem um por-do-sol esperando pra ser visto.”


#bem que a gente tenta mudar de vida


Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?’ Ele responderá: “Digo a verdade: O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo”.

Mateus 25:44-45

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

bondade repentina


por Pedro Gabriel

Algo estranho acontece todo final de ano: as pessoas ficam simpáticas. Do nada. Corrigindo: as pessoas que não tinham o hábito de praticar gestos gentis se veem automaticamente entupidas de uma bondade jamais vista. Com direito a brilho nos olhos, sorriso de orelha a orelha e braços mais abertos que os do Cristo. 
Desde 1984, quando nasci, sou testemunha viva desse fenômeno. Não costuma durar muito tempo – geralmente chega na segunda quinzena de dezembro e se estica até o primeiro amanhecer de janeiro.

A sensação que eu tenho é que todo mundo se matriculou ao mesmo tempo em aulas de ioga. Intensivão de pensamentos positivos ohmmmmmm; supletivo de postura bacanuda perante o amor ao próximo ohmmmmmm; hora extra pelo futuro da Mãe Natureza ohmmmmmm… 
Seria lindo se não fosse perecível. Aquela mesma pessoa que ontem te xingava nas redes sociais hoje compartilha freneticamente as atualizações do seu mural. 
E tem mais: comenta com um coraçãozinho fofo e até dá uma curtida na foto da sua árvore de Natal recém-montada. 
(...)
Ah, como eu amo essa época!

Mas cuidado, praticante do bem diário: essas pessoas tocadas pela bondade repentina podem voltar ao normal a qualquer momento. 
Num mundo onde a concorrência é cada vez mais maldosa, ser bom, infelizmente, virou um diferencial. 
Isso sempre me incomodou. 
Não gostaria que a gentileza fosse um item de supermercado, posicionado estrategicamente na prateleira mais alta, com código de barras e prazo de validade – uma espécie de panetone a ser consumido imediatamente.

Que em 2018 todo mês seja dezembro.


o tempo, amigo feroz


É uma das esquisitices do nosso tempo que na época em que mais tempo vivemos haja tanta dificuldade em relação ao que se convencionou chamar velhice. Palavras significam emoções e conceitos, portanto também preconceitos. Por isso, quero falar de minha implicância com a implicância que temos com os vocábulos - e a realidade - velho, velhice.

E, como gosto de historinhas, algumas, como esta, reais, lembro um episódio com Tônia Carrero, ainda uma linda mulher aos oitenta anos, na casa de minha comadre Mafalda Verissimo. De repente, alguém lhe perguntou: "Tônia, chegando aos oitenta, como você lida com a velhice?". Nós todos gelamos, mas ela, em pé no meio da sala, possivelmente com um cálice de champanhe na mão, respondeu sem hesitar: "Ora, eu acho ótimo. Porque a alternativa seria a morte".

A presença de Tônia era sempre uma festa naqueles tempos. E nós, eu então com mal uns cinquenta, achei maravilhosa aquela presença de espírito, e aquele pensamento. Naturalmente, nem ela, nem ninguém gostaria de envelhecer com as doenças, perdas e fragilidades que tantas vezes nos acompanham quando o número de anos cresce assustadoramente. Mas que, pelo menos, não sejamos velhos chatos e sombrios, eternamente reclamando de tudo e de todos.

Quando não pudermos mais realizar negócios, viajar a países distantes ou dar caminhadas, poderemos ainda exercer afetos, agregar pessoas, ler bons livros, observar a humanidade que nos cerca, eventualmente lhe dar abrigo e colo. Para isso, não é necessário ser jovem, belo (significando carnes firmes e pele de seda...) ou ágil, mas ainda lúcido.

Ter adquirido uma relativa sabedoria e um sensato otimismo - coisas que podem melhorar. A mim, o que me aborrece é o preconceito evidente com que cercamos velho, velhice, como se fossem uma enfermidade, um incômodo para os outros, a demência inevitável, a chateação: “Ah, tenho de ligar para a mamãe, poxa, tenho de visitar o velho”.

Isso não é apenas grosseria, mas grave pobreza emocional. Viver deveria ser poder celebrar sempre mais um dia: o nosso, e dos que amamos. E, em momentos de dor indizível, redobrar sem espalhafato, com delicadeza, o amor de que somos capazes.