"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



terça-feira, 30 de setembro de 2014


bem assim...

Os homens só confessam seus problemas aos amigos quando a casa caiu, quando o casamento desmoronou, quando o fim está sacramentado.
Nada mais pode ser feito, estão oficializando a notícia.

Os amigos são solicitados para socorrer a fossa, não como prevenção da dor; são requisitados para beber as mágoas: dividir o uísque da solidão, a cerveja do desamparo, o conhaque do ressentimento.

Muito distinto do ritmo feminino, que presta uma consultoria permanente às amigas durante os atritos do casamento.

O homem procura seu amigo para esquecer um amor rompido, a mulher procura sua amiga para salvar o amor em apuros.

Sim, por que você acha que sua mulher discute tão bem, tão senhora de si?
Ela está preparada para a DR, recapitulou o que precisava dizer e como dizer com suas amigas, levantou os pontos negativos e os positivos das exigências, assimilou o contraditório com a versão e experiência de suas confidentes.
Na refrega sentimental, ela antecipa suas respostas, não é verdade?
Ela desarma suas opiniões, não é verdade?
Não fica impressionado com o poder e a velocidade do raciocínio dela, o quanto é adulta e equilibrada, enquanto você, do outro lado, espuma raiva, infantilidade e insegurança?

É que ela teve a humildade de pedir opinião para suas colegas, com o objetivo de evitar injustiças. Formou um ibope das diferenças e das dificuldades e carrega as informações privilegiadas para dentro de sua casa.
Não é curioso que antes de uma conversa séria sua esposa ou namorada tenha saído com as melhores amigas na noite anterior?
Elas treinaram o discurso do qual seria vítima. Vírgula por vírgula. Ponto por ponto.
Sua cara-metade chega para o papo com uma oratória de Angela Merkel, uma firmeza de Oprah. É impossível contê-la.

Compreenda que uma mulher jamais toma alguma decisão sozinha. Ela é uma multidão. Ela é um conselho de leitor. Ela é uma reunião ministerial.
São três ou quatro mentalidades pensando ao mesmo tempo em sua cabeça. É como jogar xadrez com um computador. Não tem chance. O que ela fala é absolutamente lindo, honesto, real, comovente, por várias perspectivas. O que resta fazer é pedir desculpa, mesmo que desprovido de culpa.

Já fiquei abobado em várias DRs, exclamando para mim mesmo: – Como ela domina nosso relacionamento, como tem consciência de tudo!
Minha vontade era cumprimentá-la, elogiar o desempenho, assim como um time juvenil leva goleada de uma equipe profissional e ainda quer autógrafos ao final.

Hoje absorvi a lição. Nunca mais o amadorismo. Não brigo com a minha esposa sem antes consultar meus comparsas. Formamos a Liga de Justiça. Meus improvisos são bem ensaiados.


Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.

Isaías 41:10

segunda-feira, 29 de setembro de 2014


neah?!?

Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder.

(Efésios 6:10)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

aff...


Sem net

terça-feira, 23 de setembro de 2014


domingo, 21 de setembro de 2014


Conservo algumas pistas sobre a acidentada existência masculina. Pistas!, pois não tenho caminho, só o morto tem.

Antecipo uma delas. Na ausência de culpa, o homem reage mansamente quando sua mulher mexe no seu e-mail, no seu celular ou revista sua carteira. Não fará drama, não subirá no palanque para prometer pena de morte. Ficará ofendido, claro, mas não acabará com o relacionamento, muito menos despejará frases cortantes como “não dá mais”. Acompanhará o que ela tem a dizer e tratará de explicar ponto a ponto, redimindo enganos e distorções.

Marido inocente tem paciência. É incrível, sente-se feliz pela rara chance de exibir a ficha limpa e protagonizar merchandising da aliança. Desenvolverá uma generosidade imprevisível, vai dar colo ao choro e pedir que ela esqueça o desentendimento.

Ele é uma fera apenas quando sabe que tem alguma coisa de errado. Ao aprontar e fazer jogo duplo. Ao manter mensagens duvidosas e insinuações comprometedoras das outras. Não está magoado porque ela fuçou seus pertences (já perdoou a mãe por procurar toco de maconha em suas roupas), mas porque é bem provável que ela encontrou uma prova.

O pânico é a manifestação do crime. Tentará reverter sua posição defensiva em alucinado ataque, encenará a sina de vítima, com a ladainha de que viver assim é doentio ou de que amor nada é longe da confiança.

Quem não deve não teme e paga antecipado. Homem culpado é mais afetado do que mulher histérica. Uma ópera de leques e bufos. Negará antes mesmo de ouvir tudo. Ameaçará antes mesmo de sustentar o contraditório.

O infiel também experimenta uma TPM. Já entra em crise perto da data de receber a fatura do cartão de crédito e da conta do celular. Muda a respiração com o barulho do torpedo. Sofre muito antes de tudo eclodir, cheira a comida com medo de se entregar diante de silêncios demorados. Exagera nos modos e nas portas batendo. Não quer conversar, quer sair logo de perto. De tanto adiantar explicações desde que acorda, sofre de um cansaço mental. É a primeira vez que ela toca no assunto, porém é a centésima que ele pensa.

Homem que traiu age como se ele fosse o corno. Troca os papéis. Como está enganando em segredo, intui que será enganado sem perceber. Delira que ela é igualmente dissimulada. Por receio da vingança, toca o terror a cada questionamento. É a criatura mais possessiva que existe, conhece com domínio suas versões falsas e projeta na companhia as escapadas que vive criando.

Sujeito de consciência tranquila não se apavora com a crise, respeita os despachos da esquina. Pega emprestada uma vela para iluminar a próxima briga.




Presta atenção em tudo que a gente faz
Já somos mais felizes que muitos casais
Desapega do medo e deixa acontecer
Eu tenho uma proposta pra te fazer 

Eu, você, dois filhos e um cachorro
Um edredom, um filme bom no frio de agosto
E aí, cê topa?

(Cê topa? - Luan Santana)

Não matarás!

Exôdo 20:13

sexta-feira, 19 de setembro de 2014


então...

da necessidade de desejar


Todos sentem necessidade de amar, e esta necessidade geralmente é satisfeita quando encontramos o objeto de nosso amor e com ele mantemos uma relação frequente e feliz.

Pois bem.

Enquanto vamos juntinhos à feira escolher frutas e verduras, enquanto mandamos consertar a infiltração do banheiro e enquanto vemos televisão sentados lado a lado no sofá, o que fazemos com nossa necessidade de desejar?

Lendo Alain de Botton, um escritor inglês, deparei-me com essa questão: amor e desejo podem ser conciliáveis no início de uma relação, mas despedem-se ao longo do convívio.
Só por um milagre você vai ouvir seu coração batendo acelerado ao ver seu marido chegando do trabalho, depois de vê-lo fazendo a mesma coisa há cinco, dez, quinze anos.
Ao ouvir a voz dela no telefone, você também não sentirá nenhum friozinho na barriga, ainda mais se o que ela tem para dizer é “não chegue tarde hoje que vamos jantar na mamãe”.

Você ama o seu namorado, você ama a sua mulher. Mais que isso: você os tem. Mas a gente só deseja aquilo que não tem. O problema da infidelidade passa por aqui.
Muitos acreditam que a pessoa que foi infiel não ama mais seu parceiro: não é verdade.
Ama e tem atração física, inclusive, mas não consegue mais desejá-lo, porque já o tem.
Fica então aquele vácuo, aquela lacuna, aquela maldita vontade de novamente desejar alguém e ser desejado, o que só é possível entre pessoas que ainda não se conquistaram.

Não é preciso arranjar um amante para resolver o problema. Há recursos outros: flertes virtuais, fantasias eróticas, paqueras inconseqüentes. Tem muita gente aí fora a fim de entrar nesse jogo sem se envolver, sem colocar em risco o amor conquistado, porque sabe que a troca não compensa.

Amor é jóia rara, o resto é diversão. Mas uma diversão que precisa ter seu espaço, até para salvar o amor do cansaço. Necessidade de amar x necessidade de desejar. Os conservadores temem reconhecer as diferenças entre uma e outra. Os galinhas agarram-se a essa justificativa. E os moderados tratam de administrar essa arapuca.


... ao anoitecer, pode vir o choro, 
mas a alegria vem pela manhã.

Sl 30.5

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

o Rafael está de parabéns


Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora...
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.

Deixaria para você se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.

__Mahatma Gandhi

Dedé, 
O que eu realmente quero que você saiba é que não importa o tempo que passe, o que aconteça ou o que a vida nos ensine. Não interessa quem somos ou quem vamos nos tornar. O que vale é o que carregamos dentro de nós. 
E você, guarde isso na memória para todo o sempre.

Feliz aniversário e parabéns por ser tão especial e tão querido!


meio assim



Então tem essa coisa de Roberto Carlos sempre nas minhas aflições de fim de tarde. Passo o dia gargalhando e depois uma saudade de qualquer coisa me agarra. E o tom melancólico do momento-mergulho-o-que-estou-fazendo-da-minha-própria-existência. Percebo: minha nau é frágil. Todo discurso do tá-tudo-bem-sempre-ou-nem-tá-tão-bom-mas-vai-melhorar-logo, cadê? Minhas angústias já não cabem numa “hashtag”.

Então tem a música, tanta coisa pra ler e escrever e um monte de gente legal pra abraçar. Mas por que essa tarde em fiapinhos de agonia na garganta? E as noites balbuciando suas imensidões de todos-os-travesseiros-só-pra-mim desatando vontades de choros que eu meu recuso a adjetivar.

Então tá todo mundo meio fodido: de grana, de amor, da garganta, de saudade. E eu fico desejando “bom dia” torcendo para que isto retorne-em-dobro-deus-me-ouça. E fico alisando a superfície das coisas querendo me apegar a elas como quem não-tá-mais-se-importando-se-o-mundo-vai-explodir. Para que pensar tanto no que sinto e sentir tanto o que eu penso? 

Então tá tudo-meio-assim-assado, bobagens bobagens bobagens e café gelado. E eu sentindo essa porra taquicardiando o meu peito e esse coração ardido, confrangido, sem o rosto do sujeito: dor que nem tá sabendo doer direito. 

Então tá tudo tão Roberto Carlos e que tudo-o-mais-vá-pro-inferno nesses últimos suspiros do inverno.


Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes.

Jeremias 33:3

quarta-feira, 17 de setembro de 2014


Cada pessoa tem, dentro de si, um segredo, um mistério. 
Cada burrinho pedrês tem, dentro de si, um cavalo selvagem. Cada pato doméstico tem, dentro de si, um ganso selvagem. 
Cada velho tem, dentro de si, uma criança que deseja brincar.
...
“Se eu esquecer o meu nome e se os outros não exigirem que eu continue a ser quem sempre fui, então alguma coisa nova poderá nascer da velha: uma fonte no deserto. 
Afinal de contas, esta é a suprema promessa do evangelho: que os velhos nascerão de novo e virarão crianças.”




O amor mata. Principalmente os outros de inveja.



Meu amor,
Eu nunca me desfiz de nós.


Desatamos, apenas.

Pinte uma alegria no rosto e sorria em alta definição. 
A vida é muito rara para se desperdiçar sorrisos. 



Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, 
e elas me conhecem a mim.


João 10:14

terça-feira, 16 de setembro de 2014



Hoje é seu aniversário e pela primeira vez não vou poder te abraçar, mas saiba que mesmo longe, o meu pensamento está em você. 

Além do telefonema, pensei em te enviar uma mensagem por e-mail ou celular, mas as opções me pareciam frias demais.

Então, fiz uma oração. Uma oração pra pedir a Deus que continue te abençoando mais e mais (como se eu não pedisse isso sempre, né?).
Que Ele te dê muita saúde, muita paz, proteção, amor e tudo o que te faça feliz.
Que seu caminhar seja traçado pela vontade d'Ele. 

Amor de todos os meus dias, Feliz aniversário!

Desejo que esse dia e todos os outros que virão, sejam repletos de sentimentos bons, que dias mágicos aconteçam com frequência e que pessoas do bem te acompanhem pela vida. 
... E se em algum momento a tristeza chegar, nunca se esqueça que terá sempre um colo para chorar.

Te amo do tamanho do mundo e não retiro nada, absolutamente nada, do que te amei até aqui. 
Meu amor por você, além de “duplo”, renasce e renova a cada dia.
Obrigada por fazer meu coração bater em dobro... todos os dias!


Agradeço a meu Deus toda vez que me lembro de você. 

Filipenses 1:3

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

os fazedores de besteiras


Sei que o assunto Patricia Moreira já cansou, mas não dá pra perder a oportunidade de olhar para o próprio umbigo e perguntar se somos tão nobres a ponto de nos darmos o direito de atirar pedras no telhado dos outros. Fazendo uma viagenzinha no tempo, você não consegue lembrar de nenhuma besteira já cometida? Nunca foi idiota por um dia?

Eu até que não fui das mais torpes, desde cedo desenvolvi um senso de justiça que me fazia ir contra o rebanho se preciso fosse. Mas isso não me isenta de também já ter ido a favor do rebanho, com mugido e tudo. Simplesmente porque fazer coisas sem sentido é típico de quem ainda não reconheceu seu papel no mundo.

Fecho os olhos e me vejo na estrada, num carro lotado de adolescentes empunhando latinhas de cerveja. Eu era alguma espécie de delinquente? Nem perto disso. A mais correta e ajuizada das criaturas, mas não mandava parar o carro para descer. Eu queria seguir com eles, que hoje são respeitados advogados, administradores, biólogos. Éramos jovens desbundados em busca de uma identidade comum.

A garota Patricia, símbolo do caso Aranha x Grêmio, entrou na onda furada de xingar o goleiro do time adversário porque se sentiu segura para extravasar e fazer bobagem sob a proteção de um grupo. Quem não? Certa vez, fui assistir a um jogo do Grêmio contra o Corinthians, quando o craque do time paulista era Ronaldo, o Fenômeno. Dias antes da partida, o travesti que Ronaldo levara a um motel havia falecido. Pois bastava o atacante tocar na bola para o Olímpico inteiro berrar: vi-ú-vo, vi-ú-vo! Eu não segui o coro, mas se houvesse uma câmera me focalizando, me flagraria rindo. Era uma chacota.

Chamar alguém de macaco não é chacota, e sim ofensa racista, e racismo é crime. Patricia será penalizada juntamente com seus companheiros de imbecilidade e nunca mais repetirá o gesto, tenho certeza, e nós, de fora, também não. Para isso servem as penalizações: para educar, alertar, servir de exemplo. A guria, ironicamente, agiu como macaca de auditório, termo que caiu em desuso por motivos óbvios, e deu-se mal. Assim é. Sempre há um mártir por trás das mudanças de comportamento.

Que agora a Justiça tome conta do caso e basta de perseguições pessoais. A garota não é diferente de nenhum adolescente que já dirigiu sem carteira, que fez brincadeiras de mau gosto com gays, que praticou bullying na escola, que passou trotes por telefone, que fez uma prova chapado, que falsificou carteirinha de estudante, que arranhou o carro de um desafeto, que roubou a namorada do irmão. Tudo errado, mas dentro da previsível tacanheza juvenil.

Sou a favor de penalizar. O Brasil é este caldeirão de escândalos por causa da impunidade. Mas pegar para Cristo é hipocrisia.



Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? 
Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.

1 João 3:17-18

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

re-descobertas em um pré aniversário


Este período que antecede aniversário é sempre um período de introspecção, de reflexão, de uma certa melancolia e, por que não dizer, de descobertas e redescobertas. 
Cada ano descubro novos objetivos, novos caminhos, novas alternativas. 
Redescubro formas de enxergar algo ou alguém, re-descubro-me. 

Neste último ano descobri que muitas vezes, o que a gente pensa que ainda nos fere, na verdade, já cicatrizou há muito tempo. 
Descobri que perdoar deixa o coração leve, bem leve. 
Descobri também que perdoar tem seu tempo certo e talvez seja um dos verbos mais difíceis de serem concretizados pelo ser humano. 
Tem que redescobrir uma nova maneira de enxergar aquele que te magoou.
É preciso redescobrir um novo lugar para esta pessoa em sua vida. Ainda que seja um lugar não mais tão próximo. 

Redescobri que crescemos a cada ano, ainda que insistamos nos erros, nas ingratidões e pequenos sentimentos, em cada momento que sorrimos ou choramos, há uma possibilidade de aprendizado. 
Redescobri que muitas vezes precisamos nos isolar em nosso mundinho, sair do tumulto para o nosso silêncio interior, para poder nos escutar de verdade. 
Redescobri que, por mais que distâncias físicas e o tempo nos separem dos que amamos, estes serão sempre especiais, guardados intactos em nossos corações. 
Redescobri que todo mundo tem aquele lugar do qual se sente parte e o meu se chama Minas Gerais. 
Redescobri que ninguém é colocado em nosso caminho por acaso. Ou tem algo a nos ensinar, ou algo a aprender conosco. 
Redescobri, imensamente feliz, que ao me olhar no espelho, apesar de tudo, ainda trago em mim muito daquela que fui e admirei. 
Descobri que confiança é algo muito, muito frágil, e a minha é daquelas praticamente impossíveis de serem reconquistadas. 
Redescobri que amor é companheirismo e cumplicidade que se conquista e se reforça no dia-a-dia. 
Redescobri que muitas vezes confundi paixão com amor e que amor de verdade, só conheci quando chegaste ao meu mundo. 
Descobri que o meu amor não adquire tamanho. Continua infinito, incomensurável.
Redescobri que amor é o que me impulsiona, me alimenta e me faz sentir viva, livre e completa. 
Redescobri que amor é a minha essência e sempre será. 
Descobri que a cada dia, cada segundo, cada ano, cada aniversário, temos nas mãos a oportunidade de nos redescobrirmos, de nos reinventarmos, de viver e reviver de uma maneira cada vez melhor. 
Redescobri que isso é um eterno ciclo. 
Enfim, constatei que tudo poderia ter sido diferente... 

Mas, redescubro todos os dias que há em mim um sorriso eterno de gratidão por não ter sido...



Na minha angústia, invoquei o Senhor, clamei a meu Deus; 
Ele, do Seu templo, ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos Seus ouvidos. 

2 Samuel 22:7

terça-feira, 9 de setembro de 2014


“Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.”
___Abraham Lincoln

Só conhecemos o soldado quando ele vira tenente...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014


Minha docilidade anda de mãos dadas com a minha fúria. 
Não suporto gente sonsa, mentirosa e injusta. 
Não sou meiga, sou amorosa. 
Não sou grosseira, sou transparente. 
Minha luz é enorme, mas minha sombra assusta.


tá explicado!


Mais devagar, filho. Não estou dando conta de acompanhar.

Outro dia mesmo, ao receber aquele seu amigo, ouvi toda sorte de gíria no curto trajeto até a casa dele. 
Por um instante achei que não era sua a voz vinda do banco de trás do carro. Enquanto eu dirigia, expressões como “véio”, “mermão” e outras nada amigáveis fizeram meus pensamentos ir longe – quase errei o caminho. 
Depois que seu amigo se foi, senti um certo alívio: finalmente o meu menino estava de volta.

Quando foi mesmo que você passou a não caber mais no meu colo? Em que dia de aula lhe ensinaram tantas palavras? Filho? Você está me ouvindo?

Ver você crescer é maravilhoso – e ao mesmo tempo assustador. 
Se puder, fique amigo do tempo, em vez de correr atrás ou fugir dele. Aprenda a caminhar no seu ritmo. E não deixe que ele roube de você o sabor das primeiras vezes. Quem se perde cedo dessa sensação passa a buscá-la pelo resto da vida.

Troque o  pelo “ainda não”. É lindo não saber das coisas. Não decore mapas nem se vanglorie de saber o caminho. Perder-se pela cidade é uma forma de descobri-la.

Sabe quando você observa uma palavra e começa a achá-la estranha? Acontece de vez em quando. Você pousa os olhos na tela ou no caderno e olha aquele conjunto esquisito de letras. Por um ou dois minutos, você esquece que sabe ler. 
Outro dia me vi olhando o “mundo” como um desconhecido. O termo ficou esquisito de repente, como se pertencesse a outro idioma. Gostei da sensação.

Tento não me deixar levar pela postura veterana de já ter vivido. Cultivo uma alegria boba de quem está sempre estreando. O sol nasce e se põe todos os dias e em nenhum deles é uma imagem banal. As nuvens se rearranjam para uma nova tela; cada cenário faz um outro sol.

Eu me lembro da primeira vez em que você bebeu algo que não fosse leite. Aquele suco de laranja tinha um significado grandioso. 
Poder escolher é o que nos diferencia. Escolhas envolvem riscos, riscos aceleram as batidas do coração. É mais vida no mesmo espaço de tempo.

Faça isso agora mesmo: abra a janela e olhe a paisagem como se fosse a primeira vez. Mesmo que sejam prédios cinzentos. Você há de descobrir nuanças de cinza às quais nunca deu atenção.

Fique atento às pessoas: cada uma delas inaugura um sentimento. Dê nome a eles. Banhe-se no medo que vem junto. Pinte uma parede, faça uma faxina, erga um muro alto, visite uma fábrica, descubra como se faz. Faça mal feito e alegremente. Erre até aprender. Cometa erros novos. Mais adiante, reencontre a serenidade – nunca a apatia.

Primeiras vezes vêm embaladas em surpresas. Têm a virtude de nos tornar amadores – quer palavra mais bonita? 

Ser seu pai me rejuvenesce.

Não perca o frio na barriga, filho. Como eu não me separo desse medo bom que você plantou em mim.

(publicado na Veja BH)


modificado
lembrando deles: Neckyr e Rafael

O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito. 

Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos.

Provérbios 16:1-3

sábado, 6 de setembro de 2014

questão de pele


Há uma distinção fundamental entre o homem e a mulher.

A mulher prefere transar quando está à vontade, disposta, leve, com a cabeça boa. Entende o sexo como inspiração, merecimento de um momento.
Não adianta vir quente se ela estiver fervendo de raiva.
Com um problema ou um aborrecimento a resolver, não vestirá o roupão e entrará na arena. Nem por decreto. Ainda por cima, chamará você de insensível.
Se tomada de preocupação ou sobrecarregada do trabalho, não cederá aos apelos da carne. Se machucada por alguma frase ou com orgulho ferido, não assumirá o enlace. Se estiver comendo chocolate ou se sentindo gorda, nem tente convencê-la de que seu corpo é bonito.
A qualidade do contexto determinará sua vontade – antes de fazer sexo, a mulher pergunta “Onde? Como? Quando? Por quê?”. Não é de qualquer jeito e em qualquer lugar.

Já o homem é o oposto. Quer transar principalmente quando não está bem. 
Transa para se recuperar, para sair do desespero, para abandonar a tristeza. Pode perder o emprego e transar como antídoto, poderá estar falido e transar como esperança, pode estar acabado e transar como ressurreição. Enfrenta divórcios e separações com sexo. A ala masculina acredita que o sexo acalma mais do que cachaça e antidepressivo.

São dois extremos de comportamento.

Para a mulher, sexo é argumento. 
Para o homem, sexo é desculpa.
Para a mulher, sexo é eleição. 
Para o homem, é golpe.
Para a mulher, sexo é virtude. 
Para o homem, sexo é vício.
Para a mulher, sexo é resultado do dia. 
Para o homem, é uma nova noite.
Para a mulher, sexo é julgamento. 
Para o homem, sexo é perdão.
Para a mulher, sexo é concentração. 
Para o homem, é distração.
Para a mulher, sexo é literatura. 
Para o homem, é televisão.
Para a mulher, sexo depende de 100% de entrega. Para o homem, não depende de nada.
Para a mulher, sexo é comemoração. 
Para o homem, é salvação.
Para a mulher, sexo é escolha. 
Para o homem, é catarse.
Para a mulher, sexo é caminho. 
Para o homem, é fuga.
Para a mulher, sexo é transparência. 
Para o homem, é confusão.
Para a mulher, sexo é confiança. 
Para o homem, é provocação.
Para a mulher, sexo é confirmação de expectativas. Para o homem, é reversão do quadro.
Para a mulher, sexo é sinceridade. 
Para o homem, é fantasia.
Para a mulher, sexo é parte da vida. 
Para o homem, é o sentido de toda a vida.

E haja sexo para anular as diferenças.

6/9 - dia do sexo 


eu nos outros


Estava caminhando pela rua quando passei por uma mulher muito charmosa, e seu charme era consequência de diversas escolhas acertadas, a começar pelo cabelo. Um corte chanel repicado, rebelde, volumoso, e uma franja comprida e displicente que dava ao look um ar de acordei assim e saí pra rua, e deve ter acontecido mesmo, ela acordou e saiu pra rua sem nem se olhar no espelho antes, tinha um cabelo que não dava trabalho e a deixava com uma aparência moderna e jovial, mesmo com seus 40 e tantos. Pensei: adoro cabelo curto. Nas outras.

Como ela usava uma camiseta regata, vi que tinha uma grande tatuagem no braço. Era um desenho estilizado, parecia uma padronagem de tecido, não era uma frase, um bicho ou qualquer coisa distinguível – apenas um desenho abstrato que para ela, e só para ela, fazia todo o sentido e a personalizava num grau único. É provável que ela tivesse também tatoos mais delicadas atrás da nuca, no pulso ou no tornozelo, mas a do braço, imensa, era um ato de bravura. Era uma mulher tão colocada, tão escandalosamente ela mesma, que também me senti tudo isso pelo simples fato de apreciar nela o que não tenho a audácia de fazer em mim. Adoro tatuagens. Nos outros.

E ela carregava nas mãos uma jaqueta de couro vermelha. Eu nem precisava ver como ela ficaria vestida com a jaqueta, simplesmente todas as blogueiras de street style a perseguiriam com suas lentes se a vissem caminhando com aquela displicência de quem nasceu para desfilar com uma jaqueta de couro vermelha no meio da tarde de uma segunda-feira a caminho de um encontro com algum amante libanês (não parecia uma mulher que estava indo à missa). E lá se foi ela portando nas mãos aquela peça vermelha que eu achei incrível, eu que não tenho uma única peça vermelha no guarda-roupa, e indo ao encontro de um fantasioso amante libanês que tampouco faz parte do meu currículo.

O que me impede de tosar o cabelo, fazer uma tatuagem no braço e comprar uma jaqueta vermelha? Nada. Simplesmente acontece de a gente gostar muito de certas coisas, mesmo não tendo impulso suficiente para adotá-las como nossas. É um exercício elevado de apreciação: saúdo quem acorda às 5h da manhã para correr e também quem atravessa a noite dançando – não faço uma coisa nem outra.

Admiro quem tira um ano sabático para meditar num ashram e também quem vai a Nova York de três em três meses. Quem decide não ter filhos e quem tem e ainda adota alguns. Quem coleciona amantes e quem mantém um único e eterno casamento. Quisera eu poder contar com sete vidas para abraçar todos os jeitos de ser e de estar no mundo, mas tendo uma vidinha só, faço as escolhas que melhor me identificam, sem deixar de aplaudir as minhas renúncias. A todas as outras mulheres que não sou – ou que não sou ainda – meu sorriso e uma piscadinha cúmplice.


Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.

Filipenses 4:12-13

sexta-feira, 5 de setembro de 2014



Eu só sou responsável pelo que eu falo, não pelo o que você entende.


“As pessoas admiram suas qualidades em silêncio, e julgam seus defeitos em voz alta.” Parece só mais uma frase de efeito, mas, no fundo, essa frase demonstra uma correspondência assustadora com a realidade.

É que a crueldade com que as pessoas costumam julgar umas às outras é o que me faz achar metade do mundo uma droga – e é do que você deve se lembrar da próxima vez em que pensar em se importar com os comentários negativos que fizerem ao seu respeito: as pessoas são cruéis.

Não todas, calma lá. Esta que vos fala gosta de blues, de café e de gente – até demais. Porque existe gente boa. Gente com energia boa, com palavras doces, com gestos bonitos e ataques de gentileza que fazem do mundo um lugar minimamente adequado pra se viver.

Mas, como nem tudo são flores, há as pessoas que tentam te diminuir quando você cresce. As que elogiam seus pontos fracos para que você não evolua. Que mascaram seus defeitos para que você não preste atenção neles – como se isto fosse possível – mas os superestimam na sua ausência, os gritam para o mundo. Os acendem com luz neon para que todos vejam o quanto eles são terríveis, enquanto te diz, com um sorriso falso no rosto, que tudo vai bem. Que você não precisa se preocupar. Você não precisa se esforçar. Você não precisa crescer. É preciso aceitar: há pessoas que simplesmente não querem o seu progresso.

Há outras que podem até querer te ver bem, mas não melhor do que elas. E com essas pessoas você precisa ter cuidado.  Você deve se blindar – se vestir de autoconfiança. A autoconfiança, aliás, é um escudo e tanto: é o que te faz feliz com você mesmo, consciente dos seus defeitos e disposto a superá-los, quando possível, e, quando não, aceita-los.

Para essas pessoas, a tristeza alheia é alimento. As palavras são armas letais que vão em cheio na felicidade dos distraídos – por isso, não se distraia. Não aceite críticas cruéis ou falsos abraços. O que não é verdadeiro, não acrescenta e não faz falta. Não ocupe espaço com o que te suga energia, sorriso, vontade.

Essas pessoas são dignas da mais pura compaixão – porque elas precisam que o outro caia para que permaneçam de pé. Em vez de evoluir, elas ocupam seu tempo em testemunhar a desgraça alheia, para criarem uma ilusão de superioridade. Porque, sozinhas, elas não se valem.

Porque há pessoas que criticam aquilo que mais gostariam de possuir. Que maldizem em pensamento e sorriem, cheias de dentes. Pessoas que definham ao testemunharem a felicidade de outrem. Faça – as definhar. Responda com um sorriso tão cheio de luz que seja capaz de encandear olhos acostumados com a escuridão. Porque luz própria é coisa que não se compra.

A parte boa disso tudo é você pode escolher. É que existe o outro lado. Existe a luz e a escuridão. A doçura e a crueldade, o ódio disfarçado de sorriso e o amor que transborda pelos olhos. Existem dois caminhos antagônicos sempre abertos, e você escolhe, diariamente, qual deles quer seguir. Você escolhe a cada abraço, a cada tropeço, a cada oportunidade que a vida te dá de acordar e fazer diferente.

A nossa felicidade depende, em grande parte, das relações que construímos ao longo da vida. Escolha as pessoas que te abraçam e deixam aquela sensação de banho tomado, de alma lavada, de carinho no coração. O mal passará por você o tempo todo, mas sempre dá pra desviar.

Não revide falsidade com mais falsidade. Não deixe que o mal que há nas pessoas transforme o bem que há em você – porque nós somos os responsáveis por quem somos, e quando você assume essa responsabilidade, você entende o que é ser feliz – independente do mal olhado e do mal pensado – você aprende a ser feliz.

_____Nathalí Macedo

... porque Deus resiste aos soberbos, contudo, 
aos humildes concede a sua graça.

1Pe 5.5

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

como fazer uma propaganda eleitoral

ignorância


É comum chamar de ignorante aquela pessoa que não sabe ler nem escrever. Porém, esses são analfabetos, não ignorantes. A ignorância ultrapassa as questões escolares. 
Qualquer pessoa que durante sua criação não tenha tido algum acesso à arte de boa qualidade, a noções mínimas de filosofia e psicologia, à literatura, à informação, à música e, principalmente, à ética e ao afeto, arranca em desvantagem. Pode conseguir se formar, virar bacharel, doutor, mas permanecerá endurecido por um mundo estreito, terá dificuldade de dialogar. Abandonado pela falta de critério, de instrução e de conhecimento, viverá bitolado como um selvagem. Não conseguirá enxergar o mundo de forma generosa, apenas rosnará para espantar o próprio vazio. 

Como você deve ter adivinhado, isso nos leva ao menino Bernardo. Não preciso descrever o que senti ao ler a transcrição dos diálogos gravados dentro daquela casa em Três Passos – você sentiu o mesmo. É desolador. Leandro e Graciele, que em tese eram responsáveis pelo garoto, são dois débeis sem consciência do que suas atitudes provocavam. Mesmo que Bernardo fosse uma peste, era uma criança. Uma criança!

A covardia psicológica que sofreu é diabólica. 

O desfecho do caso foi uma exceção – raros sãos os pais que matam filhos ou enteados. Porém, se os assassinos são poucos, os ignorantes proliferam em todos os bairros, em todas as classes sociais: inúmeros homens e mulheres simplesmente não zelam pela cabeça dos filhos. Ensinam a escovar os dentes, a dizer obrigado, matriculam numa escola e tarefa cumprida. São tão ignorantes que muitos fazem uma brincadeira considerada “didática”: estimulam o filho a se jogar de cima de um armário garantindo que o segurarão nos braços. E seguram. Seguram na primeira vez, na segunda, na terceira, até que na próxima a criança se joga e o pai o deixa se esborrachar no chão, justificando-se com a pérola: “É pra você aprender a nunca confiar em ninguém – nem em mim”. 

Que cretinice. Crianças precisam aprender a confiar, não a desconfiar. Crianças precisam ter seus afetos respeitados, e não ouvir que a mãe e o pai que amam são vagabundos – mesmo que sejam. É preciso garantir a sanidade mental de uma criaturinha em formação, usar palavras amáveis, não destruir seus sonhos, dizer a verdade com jeito, não estimular a competição, não fazê-la se sentir desprotegida, não tratá-la com grossura, não obrigá-la a se posicionar como um adulto antes 
da hora. Tudo isso também é violência. 

Custaremos a ver outro assassinato hediondo como esse, mas crianças sofrendo agressões pesadas continuarão a existir. Elas não morrerão, mas crescerão com transtornos emocionais e um dia criarão seus próprios filhos de que maneira? Com o padrão miserável que vivenciaram. 

Para evitar que crianças se esborrachem no chão e na vida, para fazê-las confiar em si mesmas e no mundo, só combatendo a ignorância.