"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 31 de agosto de 2011


"Uns vão, uns tão,
            uns são, uns dão,
uns não, uns hão de
              Uns pés, uns mãos,
                            uns cabeça,
 
              uns só coração."


"Nada de mal me aconteceria, tinha certeza,
enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa."

A gente sempre acaba perdendo o tesão por aqueles que nos prendem.
Isso é fatal.
Ninguém consegue transar com seu próprio carcereiro — a não ser em último caso.
E ainda assim por absoluta falta de opção.
Ou talvez por desespero.

= Edson Marques =

A vida com legendas


''Uma vez eu estava assistindo a um filme americano no DVD, quando uma amiga da minha filha chegou aqui em casa.
Ela deu um alô de longe, para não atrapalhar a sessão, mas de repente algo chamou sua atenção na TV, e em seguida ela me olhou com uma expressão atônita.
Achei que fosse me revelar um segredo de Fátima, mas o que ela me disse foi: "Tia, você não sabe? Dá para assistir ao filme dublado!".
Aquele "tia" não conseguiu estragar meu humor.
"Eu sei, querida, mas eu prefiro assistir com legenda".

A cara de espanto que ela fez, só vendo.
Dava para ler seu pensamento: como alguém pode preferir ver um filme com legenda em vez de dublado???
Pois é.

Eu me rendo feliz às legendas, já que meu inglês não é nenhum espetáculo.
Mas não é só por isso.
Por melhores que sejam nossos dubladores, perde-se a interpretação original, o tom de voz, as interjeições.
Fica um troço frio.
Dublada, qualquer obra de arte parece filme de sessão da tarde.
Vai pro ralo a magia do cinema.

Legenda, ao contrário, permite o confronto entre o que foi dito e o que foi compreendido.
Temos acesso às duas versões.
Aliás, não seria nada mal se legendassem algumas cenas da vida real, também.

Num antigo prédio onde morei, havia um porteiro muito gentil, mas que falava um idioma indecifrável. Vogais e consoantes embolavam-se de tal modo que qualquer coisa que ele dissesse parecia turco. 
O senhor pode repetir, seu Gomes?
Vorwitzj shurtkwzç halytqjh.
Sei, sei, obrigada, seu Gomes.
E eu entrava no prédio sem saber se o elevador estava enguiçado, se a vizinha havia cometido suicídio ou se tinham assaltado meu apartamento.

Igualmente enigmáticos são certos depoimentos de políticos.
Falam em português, sem dúvida, mas falta uma simetria com os fatos apurados.
"Esta assinatura não é minha."
"Não tenho dinheiro em paraíso fiscal."
"Sou e sempre fui um cidadão honesto".

Legendas, please. Eu não compreender.

Agora, intraduzíveis mesmo são os diálogos entre marido e mulher.
Ele diz que vai se atrasar 10 minutos e ela conclui: ele tem outra.
Ele diz que está com saudade e ela retruca: então por que só me ligou uma vez hoje?
Ele diz que está infeliz no emprego e ela: não vem com frescura, o aluguel vai aumentar.
Ele diz que a ama e ela: "Repete".
"Eu te amo."
"Ah, diz de novo."
"Te amo."
"Mais uma vez."
"Te amo, caramba!"
"Eu sabia, você não me ama mais, se irrita por qualquer coisinha."

Mas voltando ao assunto inicial desta crônica: soube que o mercado cinematográfico está colocando à disposição um número cada vez maior de cópias dubladas, não apenas de filmes infantis, o que se explica, mas também de filmes para adultos.
E o público está aplaudindo a tendência, pois, segundo pesquisa, preferem mesmo assistir ao filme direto em português.
Uma pena.
Entendo que se queira facilitar a vida, mas quando se quer facilitar demais, perde-se algumas pequenas sofisticações, hoje cada vez mais raras.''

E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos,
mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.

(Efésios 6:4)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

"Vive mais feliz quem tem olhos capazes
de escutar o canto amoroso da simplicidade.
É nas miudezas que tudo aquilo que realmente importa
se revela com maior nitidez."


'Se eu demorar,
me espera.
Se eu te enrolar,
me empurra.
Se eu te entregar,
aceita.
Se eu sussurrar,
escuta.
Se eu gaguejar,
me entende.
Se eu duvidar,
me jura.
Se eu for só tua,
me tenha.
Se eu me mostrar,
me veja.
Se eu te amar,
me sinta.
Se eu te tocar,
se assanha.
Se eu te olhar,
sorria.


Se eu te perder, me ganha.
Se eu te pedir, me dá.
Se eu chorar, me anima,
mas se eu sorrir, é por você.'

"Amores superficiais a gente ama em cima do edredom.
Lençol é coisa muito séria."

- Ódio é uma palavra forte, não acha?
- Amor também é, e as pessoas falam como se não significasse nada!
(do filme Peter Pan)

"Não atirem suas pérolas aos porcos" (Mateus 7:6)


“Não lançar pérolas aos porcos é não oferecer os tesouros do ser a quem come apenas lama e babugem, e pisará em nossos tesouros do coração por não ver valor algum em pérolas da alma, assim como é também não oferecer nossos bens do coração aos que apenas pisarão sobre tal riqueza interior”.

As pérolas são as verdades de Deus em nós, as mais íntimas e preciosas, que só devem ser compartilhadas com quem lhes dá valor.

O insensato é que abre seu coração e expõe todo o seu interior àqueles que têm no coração a fome e o apetite dos porcos - por lama - e têm ojeriza aos bens do ser.
Veja com quem você abre seu coração!
Veja com quem você divide sua intimidade humana e espiritual!
Veja a quem você serve as preciosidades de seu ser!

Não basta que a pessoa seja “cristã” ou de “igreja”.
Isso não significa nada.
Amigos de alma e de tesouros são raros, e só se os conhece com o tempo, em meio à fidelidade na dor e nas dificuldades da existência.

Toda hora vejo alguém servindo suas preciosidades de alma a quem não tem uma alma.
O resultado é previsto por Jesus: eles pisam nas pérolas e depois devoram aqueles que as serviram.

Seu tesouro está em seu coração.
Seja cuidadoso na entrega de sua intimidade.
Procure antes comer muito sal com a pessoa.
Não se exponha a quem não dá valor à alma.
Muita dor acontece em razão do romantismo de se pensar que basta a nossa sinceridade.
Não! Não basta.
Do outro lado tem de haver gente.
E gente boa.
Do contrário, o que se faz é apenas entregar nossa intimidade a quem se utilizará dela para nos destruir.

Infelizmente o mundo (e nele se inclua a religião) está cheio de suínos existenciais, os quais se alimentam de homens e abominam os tesouros da alma.

Jesus mesmo disse que tinha ainda muita coisa a dizer, mas que os discípulos ainda não estavam preparados para ouvir.
Ora, eles não eram suínos existenciais, porém ainda estavam longe de poder entender e apreciar a beleza de muitas coisas.
Para Jesus o não lançar nossas pérolas aos porcos era equivalente a não abrir os tesouros do reino com aqueles que só buscavam pretexto para a matança.

Ora, esse mandamento de Jesus é o que nos protege daqueles que se oferecem como amigos, namorados, companheiros e irmãos, mas que não têm espírito de amor e de cuidado com a alma do próximo.
Ao contrário, para tais pessoas esses segredos das verdades mais íntimas do coração são apenas alças para que nelas se agarrem a fim de nos comerem vivos.
Portanto, veja a quem você está dando os seus tesouros de intimidade, verdade e preciosidades de Deus em sua vida.

Não fique amigo de suínos existenciais, pois além de não enxergarem você, eles ainda vão pisar em sua vida e devorá-la.

Você jogaria suas pérolas aos porcos, na lama?
Ora, se você não faria isso com jóias materiais, por que você faz isso com os tesouros imateriais?
Pense nisso e organize seus vínculos e amizades!

(Pr. Caio Fábio)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011


''A vida nunca é perfeita,
cada um tem um jeito de acalmar os nervos.''

[do filme O Fabuloso destino de Amélie Poulain]

Dos julgamentos


'É que os homens em geral julgam mais pelos olhos
do que pelas mãos,
pois todos podem ver,
mas poucos são os que sabem sentir.
Todos vêem o que você parece ser,
mas poucos sabem o que você é realmente,
e estes poucos não se atrevem
a contrariar a opinião da maioria.'


[Maquiavel]

Como sempre fui julgada, acho que agora fui traduzida...
e por Maquiavel!

''A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
E o mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto
no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante
de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento...

...

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando falar,
jamais explicar: apenas afirmar.

...

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que
parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressão do outro sob a
forma ampliada do eu individual aprimorado.''

"Se não puder ser livre, pelo menos mude de gaiola."

= Edson Marques =

Descanse no Senhor
e aguarde por ele com paciência;
não se aborreça com o sucesso dos outros,
nem com aqueles que maquinam o mal.

                                                Salmos 37:7

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Desculpem o trocadilho infame, mas a vida é feita de altos e baixos.

Altos, fortes, morenos, sensuais, possíveis e aquele baixinho, meio esquisito, que não sai da sua cabeça.

Impressionante como a gente sofre por nada.
Um cheiro que mexe com você, um jeito de olhar contido, uma idéia inteligente, várias na verdade.
Não, não é nada disso, a gente sofre é pela impossibilidade.
Desde que o mundo é mundo não há nada mais afrodisíaco do que a proibição.
E se a Julieta tivesse visto o Romeu acordar com mau hálito?
E se o Romeu descobrisse o chulé da Julieta?

Convivência é foda.

Pois é, aquele baixinho esquisito não pertence ao grupo dos amores possíveis, a graça dele pode durar uma eternidade, dependendo do seu grau de estupidez criativa.
Ele não quer nada com você, já tem alguém, pertence a um caminho que passa longe do seu, sabe cumé
Pertence ao campo dos idealizados, sonhados e distantes, o que faz dele enorme, lá no pedestal.
E nada melhor do que as lacunas da improbabilidade para esquentar uma paixão.
Nessas lacunas você tem espaço para criar a história como quiser, ganha poder, inventa.
Ele é seu, seu personagem.
Nesses espaços livres você coloca todos os seus sonhos, toda a sua imaginação.
Cenas completas com fundo musical e palavras certas, finais e desfechos inesperados.
Quando você menos espera, ele faz mais parte da sua vida do que você mesma.
Mas a realidade aparece mais cedo mais tarde, vem como uma angústia.
Parece vontade de fazer xixi, mas é tesão reprimido.
Tesão reprimido deve dar câncer.

Era só um cara interessante, agora pode te matar.
Pronto, você está apaixonada. E a paixão tem suas etapas.

Primeiro a negação: eu apaixonada? Imagina.
Ele é impossível, nunca vai me dar bola, muito menos duas com o que eu quero no meio.
Depois a maximização: ele é mais inteligente, mais bonito, mais engraçado.
E todos os mais possíveis para que ele seja mais desafio para você, mais inveja para as suas amigas, se você aparecer com ele na festa, mais fadinhas dançantes para fazer cosquinha no seu ego problemático.
Daí é a vez da "superlativização": em vez de ser mais, ele é "o mais", o mais fodido, o mais inteligente e o mais gostoso.
E você está a um passo do endeusamento: "ele é único", aí fodeu.
Se ele é único, ele é a sua única chance de ser feliz. E, se ele não quer nada com você, você acaba de perder a sua única chance de ser feliz.

Bem-vinda à depressão.
Como você é ridícula, amor platônico é para adolescentes.
Lá fora há milhares de possibilidades de felicidade, de felicidades possíveis.
De realidade.
E você eternamente trancada na porta que o mundo fechou na sua cara.
Fazendo questão de questionar e atentar o inexistente.

Vá viver um grande amor.
Olha, faça um favor para mim, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?"

Mulheres possíveis


Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer não.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer não.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.

Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias.
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga.
Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.

''Cada manhã traz uma benção escondida;
uma benção que só serve para esse dia
e que não se pode guardar nem desaproveitar.

Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.

Este milagre está nos detalhes do cotidiano...''

 “Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro. 
O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra.”
Salmo 121:1-2

segunda-feira, 22 de agosto de 2011


Que jamais percamos nossa essência
Nem sejamos contaminados
por uma sociedade ativista,
onde "humanos" ocupam-se
em demasia em realizar.

Muito mais que fazer é ser!
Ser sal!
Ser luz!

Somos tão breves!

Há uma urgência em viver e vivenciar
cada minuto da existência,
marcando nossa passagem
com as mais belas notas musicais,
em harmonia junto aos pardais.

E, ao final da jornada,
quando a noite chegar,
o dia não mais clarear,
o olhar vazio perder-se no tempo
ficarão apenas os jardins plantados
por vezes regados,
e uma indagação no eco do vento.

(Arnalda Rabelo)

“É a pior morte, a do amor.
Porque a morte de uma pessoa é o fim estabilizado, é o retorno para o nada, uma definição que ninguém questiona.
A morte de um amor, ao contrário, é viva.
O rompimento mantém todos respirando: eu, você, a dor, a saudade, a mágoa, o desprezo - tudo segue.
E ao mesmo tempo não existe mais o que existia antes.
É uma morte experimental: um ensaio para você saber o que significa a morte ainda estando vivo, já que quando morrermos de fato, não saberemos.”


Das extravagâncias


Os pobres mortais são enterrados, sepultados.

Os mais sofisticados, cremados e suas cinzas espargidas nos mais inusitados lugares.
Chic? Não mais!

‘Fuçando’ na net, encontrei numa matéria já antiga (datada de 2008)¹ que a indústria do “diamante humano” está em plena expansão, com empresas instaladas na Espanha, Rússia, Ucrânia, Estados Unidos, e recentemente no Brasil (em Curitiba² especificamente, onde já existe uma “funerária” especializada).

Ao custo de alguns milhares de euros os restos humanos são submetidos a várias etapas de transformação. Primeiro, viram carbono, depois grafite. Em seguida são expostos a temperaturas de 1.700 graus, finalmente se transformam em diamantes artificiais num prazo de quatro a seis semanas.
Na natureza, o mesmo processo leva milênios.

Uma vez obtido, o diamante bruto é polido e talhado na forma desejada pelos familiares do falecido para depois ser usado num anel ou num cordão.

Consumismo aliado ao materialismo?
Não sei.
Só sei que achei um tanto bizarro.

A idéia de se tornar um diamante depois de morta, fará com que algumas pessoas se sintam bem valorizadas, mas acho muito doido ‘personificar o amor’, por mais que um ente querido seja uma “jóia” de pessoa.

Fontes:
¹ http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/afp/2008/06/30/ult32u19471.jhtm
² http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/brasileiros_ja_dispoem_de_diamante_humano.html

Outra: http://pt.wikipedia.org/wiki/Diamante_de_cinzas

 "Recorda-te que és pó e em pó te converterás"
Gênesis 3:19

sábado, 20 de agosto de 2011


Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua origem.
Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa.
Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta.
O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe nos outros a culpa de sua feiura.

(Chico Buarque - Leite Derramado)

"Se com a idade a gente dá para repetir casos antigos,
palavra por palavra,
não é por cansaço da alma, é por esmero.
É para si próprio que um velho repete a mesma história,
como se assim tirasse cópias dela,
para a hipótese de a história se extraviar."

                                            
                                        (Chico Buarque - Leite derramado)

Das idiossincrasias



Vermelho e Verde



... porque basta querer!!!

;)

Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais;
porque isto é agradável ao Senhor.
= Colossenses 3:20 =

domingo, 14 de agosto de 2011

\°/

"Há instantes em que só cabe no abraço todo o sentimento
que as palavras todas não conseguem dizer.
Palavra às vezes até perde a fala diante de sentimento grande.
Abraço, não."


"Meu pai é uma das pessoas de maior bondade que eu conheço.
É perfumado por fora e por dentro, que bondade pra mim é também perfume que fixa melhor na pele da nossa alma à medida que consegue tocar a pele de outras.
É dessa leva de gente que parece já ter nascido com vontade de ser compassiva.
Dessa leva que sabe enxergar a luz nos mesmos outros onde a maioria só vê a sombra.
Dessa leva que perdoa antes mesmo que imaginem pedir perdão.
É dessa leva boa.

Menino grande de coração sábio, tem medos que às vezes me fazem rir, mas é capaz de um amor valente quando as circunstâncias assustam todo mundo.

Quando eu crescer, quero ser bondosa como ele."

Através do Neckyr*
homem de caráter inquestionável e
um pai de generosidade indescritível
eu parabenizo todos os pais por este dia.

* Este texto é a cara dele.
Parece que foi escrito pra ele e, com toda presunção que me permito,
cito Milton Nascimento/Tunai e a música "Certas canções":
'Certas canções que ouço
cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece
Como não fui eu que fiz?'

Se todos os pais fossem no mundo iguais a você, que maravilha ser filho.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Da falta de tempo


Muitas vezes, os pais passam a maior parte do seu tempo trabalhando para oferecer o melhor para seus filhos e consideram que os mimos materiais podem recompensá-los pelo pouco tempo que lhes é dedicado.
Esquecem o quanto é importante tirar um tempo para um diálogo e de suprir as necessidades de atenção e amor dos filhos.
Conversar sobre como foi o dia, do que ele fez de novo, dos problemas que ele enfrenta na escola, com os amigos.

Tudo isso parece besteira para um adulto, mas são essas pequenas coisas que vão determinar o que o seu filho será como pessoa.

Entre as 'coisas' que os filhos mais necessitam dos pais está o tempo, mas, mais importante que o número de horas,
é a qualidade dessas horas.

Pai... dedique um pouco de tempo para seu filho,
antes que o tempo acabe pra você!

- Carta aos filhos de pais velhos -

Tenho relações muito boas com os meus filhos.
Somos amigos.
Não me intrometo na vida deles e eles não se intrometem na minha.
Conversamos sobre os problemas comuns, mas ninguém se atreve a dar conselhos.
Porque ninguém gosta de ouvir conselhos.
Quem dá conselhos está silenciosamente dizendo: “Sei mais sobre a sua vida que você. Se eu fosse você eu etc., etc...”

Mas o fato é que os filhos, freqüentemente, acham que os velhos perderam o juízo e que fariam melhor se obedecessem aos seus sábios e desinteressados conselhos.
“Papai, é para o seu bem...”
Os filhos sabem o que é bom para os seus pais.

Pois o que digo aos filhos, não como conselho, mas como grito, é o seguinte:
“Parem de ser chatos. Deixem seus pais em paz. Estão no fim da vida. Eles têm o direito de fazer o que desejam, ainda que seja errado. Um desejo errado é melhor que um não-desejo certo”.

Ah! Como os seus pais os amariam se vocês os ouvissem com respeito.
Porque é isso que mais se deseja.
Quando se ouve com respeito acontece a amizade.
E não existe nada de mais precioso que vocês possam dar ao seus pais que a amizade.
Quando os filhos se põem a dar conselhos sábios aos seus pais o que se produz é um abismo entre ambos.

Chata é uma pessoa que está convencida da verdade das suas opiniões e se põe a atormentar os outros com as ditas opiniões.
Por isso não lhe passa pela cabeça que seria interessante ouvir o que o outro tem a dizer.
Na verdade ele não imagina que o outro tenha alguma coisa para dizer que valha a pena ser ouvida.

Uma vez, numa festinha, fui capturado por um chato.
Ele falava sem parar a dois palmos do meu nariz, cuspindo, e me cutucando a barriga para que eu prestasse atenção.
Eu fui me afastando para evitar os cutucões e os perdigotos até que me vi contra a parede sem ter para onde fugir.
De repente me veio uma idéia que me produziu pânico: “A festa vai acabar e eu ficarei livre dele. Mas a mulher dele vai dormir na mesma cama que ele...”.
O pânico que tive foi por causa dela.
Hoje de manhã me dei conta de que os chatos podem ser os filhos.
Nesse caso, ao invés de um, são muitos: nuvens de pernilongos a cantar o mesmo canto e a nos ferroar, impedindo o sono.

Os gerontologistas se preocupam com a saúde física e mental dos velhos.
Pois me veio à cabeça que aos seus programas de re-educação dos velhos deveria acrescentar-se um programa de re-educação dos filhos dos velhos.
À longa lista de doenças que afligem os velhos, reumatismo, surdez, osteoporose, catarata, dor no corpo, barbela de nelore (nelore é uma raça bovina que se caracteriza por longas papadas pendentes balouçantes), urina presa, dentadura (pois dentadura não é uma doença?), deveria ser acrescentada mais uma doença de cura difícil: os filhos chatos que querem mandar nos seus pais.

Sugiro que os velhos leiam o livro da Simone de Beauvoir: “A Velhice”.
É um murro na cara.
Filhos de pais velhos: divirtam-se no próximo fim de semana!
Vejam o filme “A Balada de Naraiama”.
É uma tendência que se encontra em muitas culturas: chegada uma idade aquilo que os filhos mais desejam é a morte dos pais.
Porque os pais velhos deixaram de ser uma presença alegre.
E útil. Principalmente útil.
Passam a ser uma presença incômoda.
O poema da pedra, do Drummond, serve para uma infinidade de situações.
Uma delas é a seguinte: “Tinha um velho no meio do caminho, no meio do caminho tinha um velho...”

O que me faz lembrar aquela piadinha...
O neto, dirigindo-se ao vovozinho querido: “ Vovô, quando é que você vai virar sapateiro?”
Responde o vovô espantado: “Virar sapateiro? Por que?”
Explica o netinho: “É que eu ouvi o papai conversando com a mamãe e ele disse que quando você bater as botas nós vamos fazer uma viagem à Disneylândia...”.

O filme “A Balada de Naraiama” tem como cenário altas montanhas nevadas.
Se fosse filmado num cenário moderno ao invés das montanhas teríamos as instituições onde os velhos são colocados à espera da morte.

Há uma estética da velhice.
Quem desenha a estética da velhice são os jovens.
Ah! Que linda é a vovó que fica com os netos para que os filhos possam viajar ou ir ao cinema!
Vovó que faz bolinho de chuva, que faz manta de tricô para os netos, vovô que conta estórias para os netinhos dormir...
Há o dia das mães.
Há o dia dos pais.
Seria justo que houvesse um dia dedicado aos avós!
Que presente dar à vovozinha? Um par de chinelos!
Que presente dar ao vovozinho? Um gorro de lã para proteger as orelhas do frio!

Mas a beleza dos velhos acaba quando eles se recusam a ser úteis aos desejos dos filhos.
Principalmente quando eles começam a ter idéias amorosas.
Velho que ama é velho tarado.
Faz muito escrevi uma crônica sobre dois velhinhos que haviam sido namorados quando adolescentes, separaram-se, nunca mais se viram, re-encontraram-se muitos anos depois, ele com 79 anos, ela com 76.
Apaixonaram-se, resolveram casar-se.
Os filhos protestaram.
Velho deve se preparar para morrer e não se meter em ridículas aventuras amorosas!
Já pensaram em noite de núpcias de velho?
É de rachar de dar risada!
Ele morreu aos 81.
Ela me telefonou, interurbano, e depois de uma conversa de 40 minutos, me confessou: “Pois é professor, nessa idade a gente não mexe muito com as coisas do sexo. Nós vivíamos de ternura!”

O que mais assusta os filhos quando os velhos se metem a arranjar namoradas é o destino da herança.
Lembro-me de um respeitável senhor, professor, que viveu uma longa vida conjugal. ( “Conjugal”, do Latim, “con” + “jugus”, canga: aqueles que andam ligados por uma mesma canga).
Ficou viúvo.
A ausência da canga o tornou eufórico.
Começou a arranjar namoradas.
Os filhos ficaram muito bravos.
Acharam que o velho estava fazendo papel ridículo.
E o pior: gastando seu dinheiro com mulher a toa.
Convocaram uma reunião de família para re-colocar o velho nos trilhos da elegância socialmente aceita.
Assentados à volta a mesa os filhos despejaram suas reprimendas contra o velho que tudo ouviu mansamente, sem uma única queixa.
Terminada a rodada, dada a palavra ao velho, ele disse só uma frase: “Tenho minhas necessidades afetivas...”
E com esse argumento final, que não comporta contestação, levantou-se e deixou os filhos falando sozinhos...

Essas idéias me vieram à cabeça porque hoje pela manhã recebi um telefonema de uma pessoa muito querida, velho, com uma queixa dolorida: a sua solidão, ele já não mais é ouvido, não é respeitado, são os filhos que sabem a sua verdade e querem obrigá-lo a fazer o que ele não quer fazer e a não fazer o que ele quer fazer.
E não pensem que são coisas absurdas o que ele quer fazer.
São coisas que eu mesmo quereria fazer, se estivesse no lugar dele.
Pequenos vôos de generosidade...

Diante disto só me resta um grito de guerra:
“VELHOS DE TODO O MUNDO! UNI-VOS!”
Provérbios 15:5 ~> Quem despreza o que o pai ensina é tolo, mas quem aceita a sua correção é sábio.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

da difícil arte de ir ao banheiro público


O grande segredo de todas as mulheres com relação aos banheiros é que quando éramos pequenas, quem nos levava ao banheiro era nossa mãe.
Ela ensinava a limpar o assento com papel higiênico e cuidadosamente colocava tiras de papel no perímetro do vaso e instruía:
"Nunca, nunca sente em um banheiro público".
E, em seguida, mostrava "a posição", que consiste em se equilibrar sobre o vaso numa posição de sentar sem que, no entanto, o corpo entre em contato com o vaso.

"A posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, super importante e necessária, e irá nos acompanhar por toda a vida.
No entanto, ainda hoje, em nossa vida adulta, "a posição" é dolorosamente difícil de manter quando a bexiga está estourando.

Quando você TEM que ir ao banheiro público, você encontra uma fila de mulheres, que faz você pensar que o Bradd Pitt deve estar lá dentro.
Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de "estou me mijando".
Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar.

Você, então verifica cada cubículo por baixo da porta para ver se há pernas.
Todos estão ocupados.
Finalmente, um se abre e você se lança em sua direção quase puxando a pessoa que está saindo.

Você entra e percebe que o trinco não funciona (nunca funciona); não importa... você pendura a bolsa no gancho que há na porta e se não há gancho (quase nunca há gancho), você inspeciona a área... o chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então você a pendura no pescoço enquanto observa como ela balança sob o teu corpo, sem contar que você é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro, a maioria das quais você não usa, mas que você guarda porque nunca se sabe...

Mas, voltando à porta...
Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha com um puxão e se coloca "na posição".
Alívio... Ahhhhhh... finalmente!!!

Aí é quando os teus músculos começam a tremer.
Porque você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço.

Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico.
No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça "jamais sente em um banheiro público!!!" e, assim, você mantém "a posição" com o tremor nas pernas...
E, por um erro de cálculo na distância, um jato finíssimo salpica na tua própria bunda e molha até tuas meias.
Por sorte, não molha os sapatos.
Adotar "a posição" requer grande concentração.
Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, massss, puta que o pariu!!!
Pra variar, o rolo está vazio! (sempre está).

Então você pede aos céus para que, nos 5kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel.
Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta.
Você pensa por um momento, mas não há opção...
E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO!!!

Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abri-la novamente (nisso, nós mulheres nos respeitamos muito) e você pode procurar teu lenço sem angústia.
Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são em casos similares e você guarda um, por via das dúvidas.
Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo.
É incrível o calor que faz nestes lugares tão pequenos e nessa posição de força que parece que as coxas e panturrilhas vão explodir.
Sem falar da porrada que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas...

A lembrança de tua mãe, que estaria morrendo de vergonha se te visse assim, porque sua bunda nunca tocou o vaso de um banheiro público, porque, francamente, "você não sabe que doenças você pode pegar ali".

... Você está exausta.
Ao ficar de pé você não sente mais as pernas.
Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça.
Você, então, vai à pia lavar as mãos.
Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo.
Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira automática, você a toca até que consegue fazer sair um filete de água fresca e estende a mão em busca de sabão.
Você se lava na posição de corcunda de Notre Dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água...
O secador, você nem usa. É um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço de papel que sobrou na bolsa para isso.

Você então sai.
Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato e você sair arrastando-o, ou pior, a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, e te deixou com a bunda à mostra!

Nesse momento, você vê o teu companheiro que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você.

- "Por que você demorou tanto?" - pergunta o idiota.
Você se limita a responder:
- "A fila estava enorme".

E esta é a razão porque nós mulheres vamos ao banheiro em grupo.
Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa e o casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que você só tem que se concentrar em manter "a posição" e a dignidade.

Recebi por e-mail e achei incrível a descrição perfeita da tremedeira das pernas!
Dá até para "se ver" nessa cena...
Quem já passou por essa situação aprende a dar valor ao banheiro de casa (mesmo quando ele está sem acabamento).
... E explica a vocês, homens, a nossa demora.