"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 30 de abril de 2014


Não se preocupe, estamos seguros. Tomei todo cuidado para deixar tudo bem firme. Desfiz os laços, e fiz um nó. E não ficou tão feio assim. Estão seguros junto ao meu peito. Talvez se afrouxem, mas que mal tem nisso? quantas vezes você teve que se afrouxar pra entrar na vida de alguém, e depois se apertar todo pra caber na mesma vida?

E fiquei pensando com meus botões. E lembrei das vezes que mesmo segurando firme, eu sempre caía. Quando fui ver, a linha não tinha nó.

Ás vezes é bem isso. E não se trata de amarrar ninguém. Mas de não deixá-lo partir, ou se machucar, sem que a gente tenha dado o nó na linha pra ele não cair.

Na dúvida, as pessoas nunca dão o nó na linha, e por isso também não arrematam. Deixam cair no meio da festa, no meio da rua, no meio da história.

Quem não dá o nó na linha expõe o outro ao perigo de cair por aí.
Eu já disse, não se preocupe. Eu fico aqui com meus botões.

___Ivanúcia Lopes

terça-feira, 29 de abril de 2014


Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.

Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.
No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.



“... muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” 

Tiago 5:16

segunda-feira, 28 de abril de 2014

dia da sogra: tirinhas comemorativas




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elogio é sal na relação


Meu amigo preparou o almoço. Uma massa pesto maravilhosa.
Quando sua esposa apareceu em casa, fui elogiar:
— Seu marido é um autêntico chef italiano. Cozinhou uma massa e tanto.

Adivinha o que ela respondeu?
— Assim é fácil, qualquer um faz, ele usou molho pronto.
Em vez de comemorar o capricho do marido, ela desdenhou. Ela subestimou. Ela colocou o sujeito para baixo. Ela diminuiu a importância do ato.

De repente, nem percebemos o quanto rebaixamos quem a gente ama.
Pelo pretexto da sinceridade. Pelo pretexto da espontaneidade.
É um desejo de desmascarar totalmente dispensável, é um desejo de ser mais verdadeiro do que a verdade totalmente desnecessário.

A pessoa se esforça em ser gentil e agradar e não respeitamos a tentativa, não reconhecemos a intenção.
Temos que avacalhar, mostrar que o outro não é perfeito, expor fraquezas publicamente, entregar os defeitos. Para quê?

Devia ser o contrário.
Os casais deviam se proteger, deviam se cuidar, deviam se unir pelas virtudes.
Os casais deviam se incentivar, se elogiar, se respeitar.
Acordar e já escolher algo bom a ser dito, algo bom a ser sublinhado. Não alimentar o rancor já no café da manhã.

O mundo do trabalho já é tão cheio de crítica, o mundo do trabalho já é tão perverso, não é justo maltratar nossa família.


Ezequiel 36:26

Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.

sábado, 26 de abril de 2014




Aos 30 anos, você tem uma depressãozinha, uma tristeza meio persistente: prescreve-se Fluoxetina.
A Fluoxetina dificulta seu sono. Então, prescreve-se Clonazepam, o Rivotril da vida. O Clonazepam o deixa meio bobo ao acordar e reduz sua memória. Volta ao doutor.

Ele nota que você aumentou de peso. Aí, prescreve Sibutramina.
A Sibutramina o faz perder uns quilinhos, mas lhe dá uma taquicardia incômoda. Novo retorno ao doutor. Além da taquicardia, ele nota que você, além da “batedeira” no coração, também está com a pressão alta. Então, prescreve-lhe Losartana e Atenolol, este último para reduzir sua taquicardia.
Você já está com 35 anos e toma: Fluoxetina, Clonazepam, Sibutramina, Losartana e Atenolol. E, aparentemente adequado, um “polivitamínicos” é prescrito. Como o doutor não entende nada de vitaminas e minerais, manda que você compre um “Polivitamínico de A a Z” da vida, que pra muito pouca coisa serve. Mas, na mídia, Luciano Huck disse que esse é ótimo. Você acreditou, e comprou. Lamento!

Já se vão R$ 350,00 por mês. Pode pesar no orçamento. O dinheiro a ser gasto em investimentos e lazer, escorre para o ralo da indústria farmacêutica. Você começa a ficar nervoso, preocupado e ansioso (apesar da Fluoxetina e do Clonazepam), pois as contas não batem no fim do mês. Começa a sentir dor de estômago e azia. Seu intestino fica “preso”. Vai a outro doutor. Prescrição: Omeprazol + Domperidona + Laxante “Natural”.

Os sintomas somem, mas só os sintomas, apesar da “escangalhação” que virou sua flora intestinal. Outras queixas aparecem. Dentre elas, uma é particularmente perturbadora: aos 37 anos, apenas, você não tem mais potência sexual. Além de estar “brochando” com frequência, tem pouquíssimo esperma e a libido está embaixo dos pés.

Para o doutor da medicina da doença, isso não é problema. Até manda você escolher o remédio: Sildanafil, Tadalafil, Lodenafil ou Vardenafil, escolha por pim-pam-pum. Sua potência melhora, mas, como consequência, esses remédios dão uma tremenda dor de cabeça, palpitação, vermelhidão e coriza. Não há problema, o doutor aumenta a dose do Atenolol e passa uma Neosaldina para você tomar antes do sexo. Se precisar, instila um “remedinho” para seu corrimento nasal, que sobrecarrega seu coração.

Quando tudo parecia solucionado, aos 40 anos, você percebe que seus dentes estão apodrecendo e caindo. (entre nós, é o antidepressivo). Tome grana pra gastar com o dentista. Nessa mesma época, outra constatação: sua memória está falhando bem mais que o habitual. Mais uma vez, para seu doutor, isso não é problema: Ginkgo Biloba é prescrito.

Nos exames de rotina, sua glicose está em 110 e seu colesterol em 220. Nas costas da folha de receituário, o doutor prescreve Metformina + Sinvastatina. “É para evitar Diabetes e Infarto”, diz o cuidador de sua saúde (?!).
Aos 40 e poucos anos, você já toma: Fluoxetina, Clonazepam, Losartana, Atenolol, Polivitamínico de A a Z, Omeprazol, Domperidona, Laxante “Natural”, Sildenafil, Vardenafil, Lodenafil ou Tadalafil, Neosaldina (ou “Neusa”, como chamam), Ginkgo Biloba, Metformina e Sinvastatina (convenhamos, isso está muito longe de ser saudável!). Mil reais por mês! E sem saúde!!!

Entretanto, você ainda continua deprimido, cansado e engordando. O doutor, de novo. Troca a Fluoxetina por Duloxetina, um antidepressivo “mais moderno”. Após dois meses você se sente melhor (ou um pouco “menos ruim”). Porém, outro contratempo surge: o novo antidepressivo o faz urinar demoradamente e com jato fraco. Passa a ser necessário levantar duas vezes à noite para mijar. Lá se foi seu sono, seu descanso extremamente necessário para sua saúde. Mas isso é fácil para seu doutor: ele prescreve Tansulosina, para ajudar na micção, o ato de urinar. Você melhora, realmente, contudo... não ejacula mais. Não sai nada!

Vou parar por aqui. É deprimente. Isso não é medicina. Isso não é saúde.

Essa história termina com uma situação cada vez mais comum: a derrocada em bloco da sua saúde. Você está obeso, sem disposição, com sofrível ereção e memória e concentração deficientes. Diabético, hipertenso e com suspeita de câncer. Dentes: nem vou falar. O peso elevado arrebentou seu joelho (um doutor cogitou até colocar uma prótese). Surge na sua cabeça a ideia maluca de procurar um Cirurgião Bariátrico, para “reduzir seu estômago” e um Psicoterapeuta para cuidar de seu juízo destrambelhado é aconselhado.

Sem grana, triste, ansioso, deprimido, pensando em dar fim à sua minguada vida e... doente, muito doente! Apesar dos “remédios” (ou por causa deles!!!).

A indústria farmacêutica? “Vai bem, obrigado!”, mais ainda com sua valiosa contribuição por anos ou décadas. E o seu doutor? “Bem, obrigado!”, graças à sua doença (ou à doença plantada passo-a-passo em sua vida).

Como a medicina da doença funciona 
Pelo Dr. Carlos Bayma

“Seria cômico, se não fosse trágico”.

sexta-feira, 25 de abril de 2014


Depois de tantos tombos e recomeços, eu sacudi a poeira da alma, e passei a valorizar os pequenos momentos felizes, lembrando sempre de todas as sortes que eu tenho.
A sorte de poder enxergar as cores do mundo, de conseguir me curar de todas as dores em que tenho tropeçado. E de ter a certeza de que as alegrias pesam muito mais do que os momentos ruins.
Volta e meia dou uma limpa no coração e varro de lá as mágoas, as lembranças que pesam, as tristezas que teimam em cutucar minha felicidade.
‘Não foi porque não era pra ser’: é quase um mantra. 
‘E o que tiver que ser, virá’: uma certeza.
Quem magoa e supervaloriza seus defeitos, não tem mesmo que ficar. 
Quem agride, mente e julga, nem merece ser ouvido.
A gente tem que parar com a mania de se contentar com pouco, por medo do nada.

Porque o bonito da vida, é ter sorrisos pra contar.

cada um com a sua


Para você eu não sei, mas, para mim, amor é arma



Efésios 4:22-24

Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

a loucura mora ao lado


(...)

Todo crime é chocante, mas ficamos ainda mais chocados quando os prováveis assassinos são os chamados cidadãos acima de qualquer suspeita – como se dinheiro, beleza e classe social imunizassem contra a violência e a patologia. Não imunizam nem evitam nada, apenas nos colocam todos na mesma calçada. Talvez estejamos cumprimentando todo dia alguém que mataria uma criança, confiantes de que a vizinhança é gentil e que é uma sorte não vivermos entre marginais.

De forma objetiva, Bernardo foi vítima da ganância da madrasta e da amiga desta, mas necessitamos de uma explicação mais profunda e para isso recorremos ao nosso vasto cardápio de acusações. Há quem responsabilize o ateísmo, a televisão, os games, os filmes de ação, a liberalidade dos costumes, a decadência do império, a revolução feminista, a corrupção, os distúrbios psíquicos, o consumismo, a internet, o narcotráfico, o individualismo etc., etc., etc., até compor uma lista apocalíptica de fatores que justifique o saudosismo: “A vida já foi mais valorizada”.

Foi mesmo? Conforta pensar que somos vítimas de uma era, mas o fato é que a vida sempre foi trágica. Nosso susto é apenas proporcional à proximidade com que a tragédia se manifesta. Lá nos cafundós do judas, onde crianças também morrem pelas mãos de parentes, tudo parece mais fácil de deglutir: elas não se parecem com nossos filhos e nós não parecemos com seus pais. Mas, quando acontece na casa ao lado, aí a gente se embaralha e só nos resta entregar os pontos e reconhecer que não há explicação que console. Simplesmente o mundo é e sempre foi um hospício.


Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes...


Sl 113.7,8

quarta-feira, 23 de abril de 2014


Talvez eu seja um bobo que tenta achar um final feliz pra tudo, mesmo sabendo que, feliz mesmo, é não ter final.


#exatamenteassim!
exceto a parte de não ter fome: 
ela permanece em qualquer estação do ano.


Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio do Mario Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença". Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase, porque não pesar os outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.

Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura. Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário. Ah, pesa... Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados. Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado. Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone. Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas. Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho. Pessoas estão jantando. Pessoas estão preocupadas. Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo. Pessoas estão chorando. Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito. Pessoas estão se amando. Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.

Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los sabendo que nada interromperei do lado de lá. Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade. Dizemos pelo computador coisas que face a face seriam mais trabalhosas. Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo? Nem se discute que o encontro é sagrado. Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios. Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela. Quando mando flores, vou junto com o cartão. Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto. Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

Sinta-se abraçado.


Não furtem.
Não mintam.
Não enganem uns aos outros. 

Levítico 19:11

terça-feira, 22 de abril de 2014

saldão da páscoa


Feriado prolongado: quatro dias inteirinhos e livres da Silva para namorar, curtir a preguiça, descansar e comer.

Saldo do feriadão: espaguete à bolonhesa do Bolão; bolinho de bacalhau pra esperar o namorido preparar bacalhau assado na brasa com batatas ao murro; fígado com jiló do Mercado Central; bife de chorizo grelhado, arroz com alho e purê de batata fiúza (cenourinha amarela) preparados pelo namorido; feijão tropeiro no Parque Ecológico; torresminho, frango ao molho pardo com couve, quiabo e angu e de sobremesa, goiabada com queijo, no “Xico da Kafua”. Fora cervejas, vinho, coca cola, pão com mortadela, pão de queijo assado na hora e X-picanha tudo.
Namoro e sono colocados em dia (menos numa madrugada que o namorido sonhou e me acordou pra contar o sonho. Depois não consegui voltar a dormir). Alguns filmes na TV (nenhum inteiro). E só. 

Conclusão: a gente come demais nessa vida. Quando colocamos assim, por escrito, é que temos a real dimensão do quanto comemos. Mas eu juro que o sanduíche não tinha alface e comi só a metade dele. Juro!

Outra conclusão: dormi bastante no feriado. Meu corpo andava cansado demais, mas percebo que ele precisa de movimento também. Por isso, tomei algumas decisões que já estavam pra lá de decididas. Tenho cinquenta e três anos. Um corpo de cinquenta e três não reage como um de cinquenta e dois reagia. Se quero manter a saúde do coração e a pressão controlada, preciso me cuidar.

Então, bora comer o ovo de chocolate amargo que ganhei na páscoa. Além de melhorar a circulação sanguínea, minha TPM esse mês vai ser calma, tranquila e serena. 

De volta à vida normal... bom trabalho a todos!


Coelhinho da páscoa, o que trouxe pra mim? 
- Peso!


- Amor, fala uma sacanagem no meu ouvido...
- O feriado acabou.

___Mariana Cyrne

A mão que embala o berço é a mesma varre a casa, faz o almoço. Lava a louça, vai à manicure, faz carinho no cão, digita desenfreadamente as tarefas do chefe chato, carregam o lanche noturno, enfia na cara do malandro esfregador do ônibus lotado, levanta para dizer não as impunidades, bate palmas para a justiça, dá banho nos filhos, coloca as roupas na máquina. Dá adeus. Dá tapinhas. Diz como vai. Fecha as portas. Abre as cortinas. Molha o jardim. Faz o cheque. Paga as contas. 
E nem pensa em comandar o mundo por pura falta de tempo e excesso de trabalho. 

Essa mão só tinha um desejo: encontrar outra mão tola, carinhosa e que oferecesse calor, ou na melhor das hipóteses, um anel de brilhante. 
...
e encontrou!



Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos. 

Salmos 119:105

quinta-feira, 17 de abril de 2014

paz-coa


Independente da religião, renovar é acreditar.

Feliz Páscoa para quem acredita na transformação (e em dias melhores!).

Eu não acredito em metade da laranja, cara metade, tampa da panela ou qualquer coisa desse gênero. Eu acredito em inteireza. Eu acredito em duas pessoas inteiras, completas, que se escolhem. Que se reconhecem. Que a alma de um fala (mesmo em silêncio) com a alma do outro. E se acrescentam. E se amam. E se aceitam. E somam.

___ Bibiana Benites

Porque procurais entre os mortos Aquele que vive? 
Ele não esta aqui, ressuscitou. 

(Lucas 24:5-6)

quarta-feira, 16 de abril de 2014


A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não.
Expectativa por si só, já é um entusiasmo.

Se doeu tem que falar. Se incomodou tem que explicar. Se tá ruim tem que ajeitar. Se estragou tem que consertar, ou então jogar fora, entende? 
Não dá pra passar a vida inteira com as coisas entaladas na garganta, feito espinha de peixe que não desce e arranha toda vez que a gente engole...



Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. 
As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! 

(2 Coríntios 5:17) 

terça-feira, 15 de abril de 2014


Olá filho,

Escrevo porque estou preocupada. Não tive notícias suas ontem. 
O que você anda fazendo? Esqueceu o celular desligado?

Hoje fiz aquele bolo de chocolate que você gosta. Por costume comi só um pedaço e deixei alguns na travessa. Era como se você fosse chegar a qualquer momento e ir direto à geladeira. 

Filho, cuide-se bem. Se fizer muito frio, coloque aquele casaco marrom. Quando amanhece muito frio, a tarde o sol costuma dar sinal de vida. Carregue roupas leves.

Estude todos os dias. Procure estabelecer uma rotina. Arrume seu quarto. Local bonito é local arrumado. Tome bastante líquido. Cuidado para não ficar gripado. Caso o resfriado apareça, faça os costumeiros chás que mamãe te ensinou. Não chegue muito tarde. Não durma demais. 

Atravesse a rua com atenção. Dê bom dia para seus vizinhos. Sempre que puder ofereça abraços, colo, amizade e carinho. 
Não esqueça de rezar. Agradecer fará de você uma pessoa consciente do que tem e merecedora de mais. 

Apague a luz. Feche a torneira. Estes são bens que irão durar se soubermos economizar. 
Leia. Leia sempre! Alimente sua alma com aquilo que é fundamental. Leia poesia. Leia romances. Veja pássaros. Admire borboletas. Cultive flores. Ao final terá um jardim bonito.

Respeite. Respeite os mais velhos. Respeite os jovens. Os sábios. As crianças. Todos, precisamos de respeito. 

Quando estiver triste, cante. Quando estiver feliz, cante mais. Quando nada acontecer, cante também. Esse será um esforço diário para fazer de sua vida uma bela melodia.
Tente. E mesmo quando estiver cansado, tente. Um dia por teimosia, seus sonhos acontecerão.

Certifique de que ao dormir, fechou bem todas as portas. Ao amanhecer abra pelo menos as janelas. Deixe a luz entrar e os ventos da esperança fazer morada exatamente onde você habita. 

Quando for necessário, chore. Sozinho ou acompanhado, chore. Lágrimas podem ser águas abundantes lavando a nossa alma. Não tenha medo de dizer: não sei, desculpe, perdoe-me, ajuda-me. Alguém irá ouvir e importar-se com isso. 

Demonstre emoções. Não guarde mágoas. Guarde os segredos dos amigos, as lembranças dos dias amenos e faça bom uso da aprendizagem. Não deposite saber em gavetas. 
Ajude os menores. Acolha os fracos. Ensine os que não sabem. Aprenda com quem tem experiência. Caminhe com os fortes. 

Perdoe ao perceber que sua fragilidade foi ferida. Um dia irá ferir alguém e precisará desse perdão. 
Seja livre de tudo que não te ilumina. 
E nunca se esqueça que na vida há horário para o parquinho, a cozinha, o quarto, a sala, a janela, o jardim e a rua. 

Desejo tudo isso a você e a mim também.
Desculpa. Por amor, exagerei.
Mamãe. 


coisa de mãe...  
amor de mãe não se limita nunca


Conheço duas espécies de amores perfeitos:
a flor e o próprio.


Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.

Salmos 40:1

segunda-feira, 14 de abril de 2014

#ficaadica!


O que eu quero de páscoa?
Um diamante negro!

Mas não me refiro ao chocolate...


Fofoqueiro não tem cura. 

Fofoqueiro não tem conversão. 

Fofoqueiro não tem saída. 

Se um amigo cria uma fofoca, é perda de tempo tentar convencê-lo de que é errado, que prejudica a confiança, que estraga a convivência, que ele não desfruta do direito de sair revelando indiscriminadamente aquilo que é absolutamente confidencial. 

Não desperdice sua lábia. Não gaste seu sotaque. 

Ao dar um sermão ao fofoqueiro, é bem capaz dele inventar fofoca do sermão. E ainda propagar aos colegas e familiares que você cometeu uma grande injustiça e quebrou a lealdade. 

Todo fofoqueiro se faz de vítima, não assume seu problema e joga a culpa no colo dos outros. 

Seu tipinho é facilmente reconhecível. Usa expressões como “nunca”, “jamais”, “imagina”. Jura por Deus e pela sua mãe sem nenhum pudor, sem nenhum receio das consequências. Responde uma pergunta com nova pergunta. Costuma se mostrar surpreso e fingir desconcerto quando questionado: “Eu?”. 

Aviso aos persistentes e esperançosos: o fofoqueiro não tem conserto. 

É pedir segredo que o fofoqueiro abre o bico. Parece gostar de viver perigosamente. Confia apenas em sua impunidade, desprezas as evidências e pistas. 

Mesmo calado, espalhará confidências de algum jeito: por indiretas, código morse, telepatia. Arrumará um jeito de contar. Sua incontinência verbal é criativa. Sofre de incompetência para manter a palavra quieta, debaixo das pedras. Pois acredita no tráfico de informações. Atua como um lobista amador, um falso conselheiro. Cria sua importância por aquilo que ficou sabendo. 

Eu desisti da salvação de fofoqueiros. É uma igreja infernal. 

O que faço é me aproveitar deles. Eu direciono o fofoqueiro para meus objetivos. Profissionalizo o fofoqueiro. Treino o fofoqueiro. Faço do urubu um pombo-correio. 

Como não posso dissuadi-lo a abandonar sua natureza, repasso o que desejo que seja conhecido. Ofereço um alvo. Exponho algo com minha clara intenção que vire fofoca, suplicando por reserva e para que não fale para ninguém. Ele não resiste a um cochicho, a uma conversa no pé do ouvido, e logo dissemina a história. 

Em vez de trabalhar de graça para a fama do fofoqueiro, o fofoqueiro passa a trabalhar para mim.


E que meu desânimo seja perdoado, porque
metade de mim é sono,
a outra metade ainda está dormindo


Balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer. 
Provérbios 11:1

#honestidade

sábado, 12 de abril de 2014

eu te OMO


OMO e a máquina de lavar Brastemp foram fotografados jantando lado a lado em um restaurante no sábado passado. Os dois ainda não haviam assumido o romance, mas cerca de um mês após o começo dos rumores de que eles estariam juntos, o casal deixou o restaurante sem disfarçar o clima de paixão.

Um amigo próximo da máquina contou que ela tem andado nas nuvens nos últimos dias, repetindo sem parar a frase “Eu te OMO”. Tudo teria começado quando os dois trabalharam juntos e ela ficou encantada com o profissionalismo e eficiência de OMO, que tira as manchas mais difíceis no ciclo rápido de lavagem, dando um merecido descanso a ela. “OMO não quer que eu trabalhe tanto e sempre me ajuda! Acho que estou amando…”, teria confessado a Brastemp ao amigo.

OMO também tem feito declarações apaixonadas. “Ela é de uma família incrível, a maior fabricante de lavadoras do Brasil!” Perguntado sobre o quanto ele espera que dure essa paixão, ele respondeu com seu tradicional bom humor: “Ainda queremos lavar muita roupa suja nessa vida!”.


Já falei tantas vezes: palavra é a coisa mais séria que existe na minha vida. 
Por favor, não me engane. Por favor, não me enrole. Por favor, não me minta. 
Quando eu confio, confio de corpo, alma, coração. Não faça com que eu perca essa pureza. 
Entende? Confiar é se entregar. Dar a palavra é assinar um contrato imaginário: minha alma não vai ferir a sua. 
Por favor, dê valor para as suas palavras. 
Por que as pessoas são assim? Por que elas traem nossa confiança? 
Fico triste, triste. Essa crueldade não é pra mim.


Aleluia! 
Deem graças ao Senhor porque Ele é bom; o seu amor dura para sempre.

Salmo 106:1

sexta-feira, 11 de abril de 2014


#prioridades

Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultive como uma doença, e sim como uma circunstância.

A sua é de que tamanho? Difícil encontrar alguém que tenha uma solidão pequena, ajustada, do tipo baby look. Geralmente, a solidão é larga, esgarçada, como uma camiseta que poderia vestir outros corpos além do nosso. E costuma ser com outros corpos que se tenta combatê-la, mas combatê-la por quê?

Se nossa solidão pudesse ser visualizada, ela seria um vasto campo abandonado, um estádio de futebol numa segunda-feira de manhã.
Dói, mas tem poesia.
Talvez seja por aí que devamos reavaliá-la: no reconhecimento do que há de belo na sua amplitude.

A solidão não precisa ser aniquilada, ela só precisa de um sentido. Eu não saberia dizer que outra coisa mais benéfica há para isso do que livros. Uma biblioteca com mil volumes é um exército que não combate a solidão, mas a ela se alia.

A solidão costuma ser tratada como algo deslocado da realidade, como um tumor que invade um órgão vital. Ah, se todos os tumores pudessem ser curados com amigos. Uma pessoa que não fez amigos não teve pela sua vida nenhum respeito. Nossa solidão é nossa casa e necessita abrir horários de visita, hospedar, convidar para o almoço, cozinhar com afeto, revelar-se uma solidão anfitriã, que gosta de ouvir as histórias das solidões dos outros, já que todos possuem seus descampados.

A solidão não precisa se valer apenas do monólogo. Pode aprender a dialogar e deve exercitar isso também através da arte. Há sempre uma conversa silenciosa entre o ator no palco e o sujeito no escuro da platéia, entre o pintor em seu ateliê e o visitante do museu, entre o escritor e o seu leitor desconhecido. Ah, os livros, de novo. De todos os que preenchem nossa solidão, são os livros os mais anárquicos, os mais instigantes. Leia, e seu silêncio ganhará voz.

Às vezes, tratamos nosso isolamento com certa afetação. Acendemos um cigarro na penumbra da sala, botamos um disco dilacerante e aguardamos pelas lágrimas. Já fizemos essa cena num final de domingo - tem dia mais solitário? É comum que a gente entre na fantasia de que nossa solidão daria um filme noir, mas sem esquecer que ela continuará conosco amanhã e depois de amanhã, deixando de ser charmosa e nos acompanhando até o supermercado. Suporte-a com bom humor ou com mau humor, mas não a despreze.

Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultive como uma doença, e sim como uma circunstância. Em vez de tentar expulsá-la, habite-a com espiritualidade, estética, memória, inspiração, percepções. Não será menos solidão, apenas uma solidão mais povoada.
Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão, escreveu Baudelaire.

Ah, os livros, outra vez.



Tem horas que não adianta argumentar demais, se explicar, tentar mostrar seu lado mais bonito. 
Se alguém te quer mal, ele vai ver maldade até no seu sorriso. Vai usar seus desabafos contra você. Vai exaltar seus defeitos, ignorar suas qualidades. Vai questionar sua felicidade, e achar que seus problemas são menores do que você diz que são. Vai comemorar os seus fracassos, mesmo que inconscientemente, e diante dos seus erros vai ser o primeiro a levantar a plaquinha de ‘eu já sabia’.

A verdade é que algumas pessoas não gostam de você, mas fingem que sim. Te ouvem e te criticam mentalmente a cada palavra. Às vezes, falam pra você o que pensam, só porque te ver ofendido faz bem a elas. Distorcem o que você fala, porque a ideia de que você seja uma pessoa do bem não é agradável. Vão apontar o dedo (sujo) pros seus erros, desconsiderando as suas intenções.

Só te resta ignorar, deixar de lado, aprender a dizer não. Ser educado, e só. 
Algumas pessoas vão te ouvir só pra te julgar e têm um arsenal de ofensas guardadas na ponta da língua só esperando a chance de despejá-las na sua cara. 
É uma verdade feia e amarga, mas é uma certeza que carrego comigo. Tem muita gente te abraçando na marra, achando feio tudo o que você faz e se incomodando cada vez que você parece feliz. 

Aprenda a se preservar. A falar pouco ou quase nada. 

Aprenda que coisas do coração são coisas sagradas, e só devem ser ditas a quem vai ouvi-las com carinho e ficar feliz junto contigo. Alguém que, ao ouvir que algo te incomoda, vai torcer muito pra que isso passe, e que você supere. 

Desabafo a gente faz a quem torce verdadeiramente pra que os ventos mudem, e os caminhos bons apareçam na nossa frente. 

Para quem não perde a chance de nos espetar e ressaltar o nosso lado mais cinza: toda a nossa indiferença.


... o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.

Josué 1.9

quinta-feira, 10 de abril de 2014



Não sou ruim. 
Sou pior que isso, mas só quando sobra um tempinho. 


(às vezes, tenho vontade de deixar aflorar meu lado cruel,
só que vivo sempre tão atarefada)