"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

I forgot my phone


Sei que já postei vídeo sobre o mesmo tema, mas
infelizmente essa é a dura realidade...

O que me preocupa são os que já nasceram “plugados”
e não conseguem entender porque essas atitudes me incomodam.

Admiro muito quem tem bom humor o dia inteirinho.
Não consigo, não é de mim.
Uma pequena coisa se transforma em catástrofe no meu dia.
Deve ser porque eu tenho expectativas demais, espero demais de mim e dos outros.
E me frustro, te frustro, nos frustro.

Meu humor é ácido.
Sou irônica, perco a paciência e o interesse em gente que não entende ironias, afinal, não entender ironias é a coisa mais broxante que existe.
Tem gente que não gosta desse meu lado.
Na verdade, tem gente que não gosta de nenhum lado meu.
E agora eu estou entendendo que não tenho obrigação de ser quem todo mundo espera que eu seja.
Já dá trabalho ser eu mesma, imagina ser a pessoa que você quer?

Não tenho muito saco para puxadores de saco.
Por favor, não puxe meu saco.
Por favor, não puxe o saco de ninguém na minha frente.
Acho irritante e chato.
Não tenho o menor problema em emprestar coisas, sou aquele tipo de gente que sai dando tudo.
Por favor, não pense besteira.
Gostou da minha bolsa? Pega, leva.
Gostou da minha pulseira? Tô tirando, toma aqui.
Sou assim.
Por isso, muita gente interesseira já se aproximou de mim - o que me deixou rebelde e mais ácida.

Só tenho apego ao que é “meu” emocionalmente.
Pode levar minhas coisas materiais.
Mas não encosta na minha família, meus amores e amigos.
Viro bicho. Protejo. Defendo. Amo.
E sinto muito, muito ciúme. Sou ciumenta assumida.
Tenho até carteira do Clube das Ciumentas Reunidas.
E não acho que isso seja sinal de insegurança ou infantilidade.
Como diz minha avó “quem ama cuida”.


Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto.

Romanos 8:28

terça-feira, 27 de agosto de 2013

carta extraviada 5


Tudo o que vejo são telas digitais, um novo mundo feito de chips e megabytes, e você vêm falar de amor, um amor que deixaria a todos incrédulos por ser real demais.
Não recebi suas cartas, mas sei que elas foram escritas, o universo regido por ícones eletrônicos induz a fantasias telepáticas. Ser intuitiva também é uma forma de conexão, há muitas cartas extraviadas viajando pelo espaço, sem fios ou cabos, sem satélites, palavras silenciadas e igualmente transmitidas. Amor é um troço raro e sempre de vanguarda.

Também escrevo minhas cartas que não são postadas, cartas digitalizadas no sonho, um mundo de excelentes intenções, nostalgias, poesias, essas coisas quase fluviais.
Você vem falar de amor de um modo que emociona, e eu vou falar de amor como se fosse sua resposta. Agradeço, primeiramente, o amor recebido e negado, demonstrado e não, seus adjetivos, seus diagnósticos e o tempo percorrido, se foi um amor de verão ou se comemorou vinte bodas anuais, o amor que sinto não é dado a configurações, o amor transcende, nunca foi mortal como a gente.


Gosto destes sons, embala o amor a rima, navego empurrada pelos ais e por sufixos e sílabas que remam, remam, aqui vão minhas palavras navais. O amor não tem ancoradouro, porto, cais – o amor é navegante e recolhe pessoas neste mar de distraídos, salva vidas. O amor que você narra e a mim dirige é amor primitivo, fora de catálogo, é sorte dos amores ambientais, estão por toda parte, para senti-lo requer apenas querê-lo. Conceitos fugazes do amor? Não creio. Há os amores produzidos e os amores naturais, os amores duros e os rarefeitos, há os que nascem do peito e os ancestrais, amores vários, todos iguais.

Em diversas cartas há seu apelo e sua culpa pelo amor não-vivido. O amor vive apesar de nós, tudo o que se sente é validado por ser existente, não sofra mais. 

Foram cartas não assinadas, não enviadas, talvez escritas por mais de uma pessoa, tanto faz. São cartas de amor, e mesmo com angústia e anonimato, sobrevive nelas o tesouro de um sentimento bruto, porém não violento. 
O amor comentado nestes tempos que correm é produto, assunto de revistas e jornais, o amor nos tempos que correm deveria ir mais devagar, aceitarem-se múltiplos, gozo, gás. 

Você que escreve mentalmente, você que escreve cartas para ficar, você que não sabe direito que amor é esse e que só quer se desculpar, você que ama livre e você, entre grades, você que ama em pensamento, você e você e você, nós todos e nossos amores ornamentais, que ainda nos fazem chorar e mal entender, carentes existenciais, você e você e você e nossas cartas abortadas, digamos para nós mesmos: comunicar é lindo e gritar o amor é nobre, dizer te amo é bálsamo e mais ainda, escutar. Mas o amor independe, o amor, remetente, é transcrito no olhar, há quem entenda e há quem procure lê-lo em outro lugar. 

Amor é carta que mesmo extraviada está ora chegando e partindo, e pode cair em mãos que não as destinadas, mas onde estiverem as palavras, escritas ou caladas, onde estiverem os desejos e seus códigos postais, não importa a data em que foram selados, serão sempre cartas de amor e amores que alcançaram seus finais.

avesso


Não consigo, não me adapto, não me conformo.

A rotina jamais me fará satisfeita porque eu tenho uma claustrofobia absurda de lugares e tempos. Estalo os dedos, batuco nos móveis, balanço freneticamente os pés. Preciso de ar. Falo o tempo todo porque o silêncio aumenta minha ansiedade, quero saber de tudo e conhecer todos os assuntos.

Vou roer as unhas de esmalte vermelho e pintar meus dentes de nervoso, vou quebrar as janelas para respirar novos ares. Quero gritar mais alto que a música e destruir minha limitações.

Então me busca, me tira dessa vida pela metade, me mostra o mundo. Eu quero mais de cada coisa que a existência oferece.

Essa prisão, essa pele. Estou vazando pelos poros e tenho medo de explodir. E se algum buraquinho entupir e eu não achar a saída? Meu corpo é muito pequeno e minha ânsia de liberdade queima as beiradas. Minha alma vai escapando, vai se moldando. Se esconde, diminui pra não se mostrar além.

Me liberta, me expulsa de mim. Mostra uma arte verdadeira, sem ensaios e apresentações semestrais. Quero perder a garantia por uso excessivo, gastar os saltos dos meus sapatos. Eu não quero nada impossível, quero realidade. Quero alma e vida de verdade.

só vejo beleza no que transborda
só me interesso pelo que ultrapassa
o comum não me comove,
o banal não me toca.
porque eu gosto é do avesso
e o contraditório é que me fortalece


Não sou de guardar muita coisa.
Das que guardo, tudo tem amor pelo meio.


Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.

Romanos 8:26-27

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

sob o signo de virgem

                                                                   Virgem: 23/08 a 22/09

Faz de conta que você tem uma empresa e acha que o seu sócio está te roubando, e você precisa ter certeza, e para isto você terá que mexer em todo o complexo livro caixa, numa busca pelos últimos três anos de lucros da empresa. Que chato, não?
Não para uma virginiana.
Minúcias, detalhes, cálculos complicados, deixe tudo para ela.
As virginianas são muito organizadas, e não só no sentido de casa impecável e limpa, mas também na organização mental.

A capacidade de concentração das virginianas é impressionante e se você resolver mentir para elas, tem que ser muito bom, porque elas vão somando detalhes e expressões de rosto, e friamente vão dizer na sua cara que você mentiu e vão explicar o porquê.
Dá ódio! 
Não se esquecem de nada, anotam tudo, conseguem ser pontuais e obedecer à rotina de uma maneira perfeita.

Espiem só a agenda de uma virginiana típica:
07h15 - o despertador toca e a virginiana reza, pedindo à Deus para fazer do mundo um lugar melhor e não se esquecendo de agradecer os 2,782 kg que conseguiu perder.
07h20 - a virginiana vai para o banheiro e faz xixi, em seguida cocô. Usa 5 vezes o papel higiênico (mesmo sabendo que tomará banho em seguida) e aperta duas vezes a descarga, pois tem pavor de resíduos.
07h30 - a virginiana entra no chuveiro e molha bem os cabelos e depois de bem molhado, ela passa o shampoo, esfregando bem e enquanto o shampoo age, ela escova os dentes.
Enxágua os cabelos e a boca, e repete as duas operações (cabelos e dentes) por mais um minuto e novamente enxágua.
Não passa condicionador porque só usa dia sim, dia não. E hoje é o dia do não.
Em seguida esfrega com a esponja vegetal as partes mais ásperas do corpo (cotovelos, calcanhares, joelhos). Com o sabonete antibacteriano ela lava axilas e solas dos pés, e com o sabonete ginecológico, as partes íntimas.
Depois lava o restante do corpo com o sabonete líquido hidratante e enxágua tudo com a água fria porque tonifica os músculos.
Sem medo de ser feliz, lava o rosto com o sabonete para peles mistas.
Assim que sai do banho, veste a calcinha de algodão que o ginecologista recomenda usar no dia-a-dia. Abre seu armário de roupas impecavelmente separadas por cores e escolhe o que vai usar.
E por aí vai…

Sexualmente elas usam o lado b, então fazem sexo com muito beijo molhado, saliva, palavrões e unhas, ou seja, o chamado ‘sexo sujo’, porque é ali que elas se soltam.
Todo mundo tem um lado b, mas o das virginianas é quase c.

As virginianas são excelentes esposas e namoradas, mas são exigentes demais. Detalhistas, do tipo que se o coitado deixar a toalha molhada em cima da cama, elas surtam.

São excelentes executivas, secretárias e montadoras de quebra-cabeças.

Evite discutir a relação com uma virginiana. Ela faz um apanhado dos últimos 5 anos, sem perder nenhum episódio de briga e ofensas, repetindo até frases e insultos.

As virginianas são super organizadas e maníacas por limpeza.
Se você estiver na cama com alguma delas e tiver com mau hálito, chulé ou um cheiro forte debaixo do braço, elas falam na sua cara e te mandam para o banho.
E se você quer um sexo filme pornô, pegue alguém deste signo. Tenha certeza que será muito excitante, pois elas têm uma aparência distinta e tímida, mas… ui!
Claro, que com muita higiene.

Elas não são hipocondríacas, mas são capazes de tomar Imosec antes de comer uma feijoada.

carta extraviada 1


Não sei por onde começar esta carta que já nasce atrasada, pensamos sempre que temos muito a dizer mas as palavras são pouco amistosas, onde encontrá-las agora, às três e dez de uma madrugada em que me encontro insone e pensando mais uma vez em você?

Você esperou por estas palavras por muitos meses, na esperança de que elas aliviariam a dor do seu coração, mas elas não vieram porque estavam ocupadas vigiando meus impulsos, me impedindo de me abrir, e minha própria dor lhe pareceu desatenção, eu que não durmo de tanta paixão congestionada, de tanto desejo represado, de tão só que estou.

Meus motivos sempre lhe pareceram egoístas, e se eu lhe disser que o descaso aparente foi na verdade uma atitude consciente para preservar você me chamará de altruísta e não sairemos do mesmo lugar.

Eu errei por não permitir que você me oferecesse seu afeto, eu errei ao sobrevalorizar um risco imaginário, eu errei por achar que existem amores menores e maiores, avaliados pelo tempo investido, pela contagem dos beijos, pelas ausências sentidas, por tudo isto fui conduzido a um erro de cálculo.

Não te peço nada além de compreensão, e esta carta nem era para pedir, mas para doar, eu que sempre me achei bom nessas coisas, o voluntário da paz, o boa-gente oficial da minha turma.

Mas peço: lembre de mim como alguém que alcançou a mesma medida do seu sentimento, a mesma profundidade das suas dúvidas, o mesmo embaraço diante da novidade, o mesmo cansaço da luta, a mesma saudade.

A carta vem tarde e redigida com palavras covardes, as corajosas repousam, pois se imaginam já ditas e escritas, valentes foram as palavras do início, as desbravadoras, as que ultrapassaram limites, quando nós dois ainda não sabíamos do que elas eram capazes, palavras audazes, febris.

Pela enormidade de tempo que temos pela frente em que não nos veremos mais, não nos tocaremos ou ouviremos a voz um do outro, pela quantidade de dias em que conduzirás tu vida longe de mim e eu de ti, pela imensidão da nos descrença, pela perseverança da nossa solidão, pelos nãos todos que te falei, pelo pouco que houve de sim, acredita: te amei além do possível, não te amei menos que a mim.


Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada.

Romanos 8:18

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

do Michelangelo de cada um


Escultura não era algo que me chamava atenção na adolescência, até que um dia tomei conhecimento da célebre resposta que Michelangelo deu a alguém que lhe perguntou como fazia para criar obras tão sublimes como, por exemplo, o Davi. “É simples, basta pegar o martelo e o cinzel e tirar do mármore tudo o que não interessa”. E dessa forma genial ele explicou que escultura é a arte de retirar excessos até que libertemos o que dentro se esconde.

A partir daí, comecei a dar um valor extraordinário às esculturas, a enxergá-las como o resultado de um trabalho minucioso de libertação. Toda escultura nasceu de uma matéria bruta, até ter sua essência revelada. Uma coisa puxa a outra: o que é um ser humano, senão matéria bruta a ser esculpida? Passamos a vida tentando nos livrar dos excessos que escondem o que temos de mais belo.

Fico me perguntando quem seria nosso escultor. Uma turma vai reivindicar que é Deus, mas por mais que Ele ande com a reputação em alta, discordo. Tampouco creio que seja pai e mãe, apesar da bela mãozinha que eles dão ao escultor principal: o tempo, claro. Não sou a primeira a declarar isso, mas faço coro.

Pai e mãe começam o trabalho, mas é o tempo que nos esculpe, e ele não tem pressa alguma em terminar o serviço, até porque sabe que todo ser humano é uma obra inacabada. Se Michelangelo levou três anos para terminar o Davi que hoje está exposto em Florença, levamos décadas até chegarmos a um rascunho bem acabado de nós mesmos, que é o máximo que podemos almejar.

Quando jovens, temos a arrogância de achar que sabemos muito, e, no entanto, é justamente esse “muito” que precisa ser desbastado pelo tempo até que se chegue no cerne, na parte mais central da nossa identidade, naquilo que fundamentalmente nos caracteriza. Amadurecer é passar por esse refinamento, deixando para trás o que for gordura, o que for pastoso, o que for desnecessário, tudo aquilo que pesa e aprisiona, a matéria inútil que impede a visão do essencial, que camufla a nossa verdade. O que o tempo garimpa em nós?

O verdadeiro sentido da nossa vida. Michelangelo deixou algumas obras aparentemente inconclusas porque sabia que não há um fim para a arte de esculpir, porém em algum momento é preciso dar o trabalho como encerrado. O tempo, escultor de todos nós, age da mesma forma: de uma hora para a outra, dá seu trabalho por encerrado.

Mas enquanto ele ainda está a nossa serviço, que o ajudemos na tarefa de deixar de lado os nossos excessos de vaidade, de narcisismo, de futilidade. Que finalmente possamos expor o que há de mais precioso em você, em mim, em qualquer pessoa: nosso afeto e generosidade. Essa é a obra-prima de cada um, extraída em meio ao entulho que nos cerca.

me ame com fé


A fé é uma esperança que não morre.
Que você tenha fé em mim mais do que esperança.
Pela fé acreditará sempre em mim, tanto faz o que aconteça, tanto faz o desespero.
Estará comigo na pobreza, na doença, na falência, na dor, na angústia até a noite escura dobrar a esquina do sol.
Hoje todo mundo não quer relacionamento, mas felicidade.
Ser feliz o mais rápido possível.
Felicidade é fácil, a fé é difícil.
Felicidade nos empurra ao descarte, fé nos ensina a valorizar o pouco que somos.
Felicidade é atingir objetivos, fé é não largar a mão de nossa companhia mesmo quando os objetivos não são atingidos.
A fé é estar junto mesmo quando somos tristes.
É ajudar o outro a se levantar.
É não abandonar o outro porque ele está passando dificuldades.
A fé é uma certeza para suportar todas as demais dúvidas.
O amor nunca passa sem a fé.
A felicidade passa, sempre passa.
Amor nos leva para fé, a felicidade só nos leva ao egoísmo.



Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus.

Romanos 8:1

terça-feira, 20 de agosto de 2013


Fui uma menina que acreditou em muitas coisas. Papai Noel, Homem do Saco, Coelhinho da Páscoa e outros tantos personagens. Mas eu gostava mesmo eram de histórias com finais felizes. Não tem jeito: a gente quer que a vida tenha um pouco mais de cor.

É natural que depois de um certo tempo as dúvidas comecem a aparecer. Será que o tal príncipe existe? Será que o final vai ser mesmo feliz? O que será, que será? Por favor, não me condene: a gente precisa estar com o coração preenchido para ser feliz. Agora você olha no fundo dos meus olhos castanhos e pergunta se eu acho que uma mulher precisa de um homem para ser feliz. Te respondo que uma mulher precisa de amor para ser inteira.

Amor pelo que faz. Amor pelo espelho. Amor pela família. Amor pelos amigos. Amor pelo bichinho de estimação. Amor pelo outro. Amor de volta. Porque dar amor é bom. Mas receber amor também é melhor ainda. Quem não gosta? Desculpa, mas meu coração não entende muito bem a solidão. Gosto de abraço de urso, beijo estalado, carinho no cabelo e sorriso bem largo, espaçoso, verdadeiro.

Uma mulher não precisa necessariamente de um homem para ser feliz. Mas ela precisa de amor para ser completa. Tem gente que vive bem cercado de bichos. Tem gente que vive bem cercado de livros. Tem gente que vive bem cercado de sapatos. Eu vivo bem cercada de amor.

Antes, bem antes, eu vivia bem com minha família, meus amigos, minhas palavras, minha labrador preta, minha parede rosa. E faltava alguma coisa. Faltava alguém para dormir abraçadinho. Faltava um colo para sossegar a alma. Faltava alguém pra rir um riso intenso. Faltava alguém que completasse o que eu vou falar. Faltava alguém que soubesse que detesto pimentão. Faltava alguém que deixasse sempre um restinho de café na xícara. Faltava alguém pra reclamar que o ar-condicionado tá muito frio. Faltava alguém pra me dizer boa-noite-meu-amor. Sou romântica. E vou morrer assim. Hoje sou muito mais eu. Hoje descobri que sou muito mais feliz agora. Não que não fosse antes. Mas antes eu nem sabia o que era um sentimento de verdade.

Não aguento mulher que só fala em dieta, celebridade, roupa, dinheiro e mal de homem. O mundo é maior que um closet cheio de sapatos. Maior que a Dieta dos Pontos. Maior que o milhão de reais que a Joana Machado ganhou. Maior. Gosto das coisas de dentro. O que está por fora muda a cada estação. A essência, não. Muita gente não tem paciência de tentar. Fogem no primeiro problema. Desistem no primeiro empecilho. Esquecem da essência.

Se alguma coisa não deu certo pra você, não jogue a culpa no amor. Ele não tem nada a ver com isso. As coisas dão certo até onde têm que dar. Se parou de funcionar, se o amor morreu sufocado ou afogado, se não tem mais jeito, o negócio é viver o luto, curtir a fossa e cuidar da vida. Fazer aula de italiano, ler vários livros, assistir filmes, jogar charme para o vizinho do andar de cima. Sem ofender o amor e os apaixonados. Porque um dia você vai amar de novo. E, desculpa o meu lado bobo, mas um dia você vai amar de novo o amor da sua vida. Envelhecer junto. Andar de bengala na praça em um domingo ensolarado e dizer: um-dia-eu-ri-da-cara-do-amor.


Quando penso em passar o resto da minha vida ao seu lado, tenho medo que esse tempo todo não seja o suficiente.

[ do filme Um divã para dois ]

(...) mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Romanos 6:23

terça-feira, 13 de agosto de 2013

da criação


Na velha questão sobre a origem da humanidade eu defendo o meio-termo. Um empate entre Darwin e Deus. Aceito a tese darwiniana de que o Homem descende do macaco, mas acho que Deus criou a  mulher. E nós somos a conseqüência daquele momento mágico em que o proto-homem, deslocando-se de galho em galho pela floresta primeva, chegou na planície de Éden e viu a mulher pela primeira vez.

Imagine a cena. O homem macaco de boca aberta, escondido pela folhagem, olhando aquela maravilha: uma mulher recém-feita. Como Vênus recém-pintada por Botticelli, com a tinta fresca.
Eva espreguiçando-se à beira do Tigre. Ou era o Eufrates?  Enfim, Eva no seu jardim, ainda úmida da criação. Eva esfregando os olhos. Eva examinando o próprio corpo.
Eva retorcendo-se para olhar-se atrás e alisando as próprias ancas, satisfeita. Eva olhando-se no rio, ajeitando os longos cabelos, depois sorrindo para a própria imagem.  Seus dentes perfeitos faiscando ao sol do Paraíso. E o quase homem babando no seu galho. E, com muito esforço, formulando um pensamento no seu cérebro primitivo: “Fêmea é isso, não aquela macaca que eu tenho em casa”.

Há controvérsias a respeito, mas os teólogos acreditam que quando Eva foi criada por Deus tinha entre 19 e 23 anos. E ela reinou sozinha no Paraíso por duas luas.
E instruída por Deus, deu nome as coisas e aos bichos. E chamou o rio de rio e a grama de grama e a árvore de árvore e aquele estranho ser que desceu da árvore e ficou olhando para ela como um cachorro, de Homem.
E quando o Homem sugeriu que coabitassem no Paraíso e começassem outra espécie, Eva riu-se, concordou só para ter o que fazer, mas disse que ele ainda precisaria evoluir muito para chegar aos pés dela.

E desde então temos tentado.
Ninguém pode dizer que não temos tentado.

oh, Lord!


Liguei o rádio do carro e, santa nostalgia: estava tocando uma música da Janis Joplin que marcou minha infância, mesmo que naquela época eu não entendesse quase nada de inglês não que entenda muito hoje. Você deve lembrar, é um clássico, começa dizendo: Oh, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz? My friends all drive Porsches, I must make amends, que significa, mais ou menos: Oh, Senhor, não quer me comprar um Mercedes-Benz? Todos os meus amigos dirigem Porsches, eu preciso compensar. E seguia nesta irônica e provocativa prece pedindo nem paz, nem amor, e sim uma TV a cores e noitadas.

Se Ele a amasse mesmo, não a deixaria na mão.

Oh, Lord, quantas pessoas, hoje, não estão por aí também rezando por uma Louis Vuitton que não seja de camelô e por uma poderosa TV de plasma? Elas abrem as revistas e estão todos tão melhores de vida do que elas, como ser feliz sem igualdade de condições? Dê a estas pessoas o que elas pedem, Senhor, é só fazê-las ganhar um sorteio, uma rifa. Imagine a dificuldade que o Senhor teria para atendê-las caso elas pedissem um mundo mais acolhedor, menos agressivo, mais sensato, o trabalhão que iria dar.

Oh, Lord, reconheça a inocência de quem lhe pede uma casa na praia, um chalezinho na montanha, ou mesmo um belo apartamento em bairro nobre, o Senhor sabe que estas pessoas não foram treinadas para se satisfazerem com o que têm, mesmo que tenham tanta coisa, como família, paz de espírito, um emprego decente, mas isso não conta, isso não enche barriga de ninguém.

Oh, Lord, ninguém anda rezando por fé, pela saúde do vizinho, para resistir aos apelos consumistas, nem mesmo para simplesmente dizer "Obrigada, Senhor". Não se faz mais este tipo de concessão: afinal, obrigada por quê? Eles querem ser convidados para as festas. Eles querem melhorar. Compense-os com um relógio de grife, uma corrente de ouro, um celular bem fininho e uma câmera digital, eles não podem comprar, mas o Senhor pode, o Senhor tem crédito em qualquer loja, o Senhor só precisa fazer abracadabra e tudo se resolve.

Janis Joplin gravou esta música em 1970. Nos últimos 37 anos, o número de súplicas estapafúrdias segue aumentando e quase ninguém mais lembra de agradecer o mistério da existência, o poder transformador dos afetos, a liberdade de escolha, o contato com o que ainda nos resta de natureza, o encanto dos encontros, a poesia que há numa vida serena, a alma nossa de cada dia, essas coisas que parecem tão obsoletas, e pelo visto são.

Oh, Lord, desça daí, faça alguma coisa, que aqui embaixo trocaram o abstrato pelo concreto e não demora estarão pedindo a parte deles em dinheiro.


Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.

Romanos 5:8

domingo, 11 de agosto de 2013

conversando com meus botões


Minha mãe completa 79 anos no dia 13.
Já sabendo da impossibilidade de ir à casa dela no dia, antecipei a entrega do presente e o meu abraço de parabéns para ela hoje, e na terça-feira dou apenas um telefonema. 
Ela ficou super acanhada quando lhe dei um beijo e disse que a amo. Não sabia onde “enfiar a cara”. Sempre foi assim... ela fica toda constrangida quando recebe alguma manifestação de carinho. Até ‘encolhe’ de vergonha e não sabe o que fazer. Ela apenas ‘dá’ o rosto para ser beijado e uns tapinhas desajeitados nas costas.

Nem precisei ficar presa em um engarrafamento para pensar sobre o ocorrido e me dei conta que o mesmo acontece com um grande número de pessoas.
Pessoas que não aprenderam a expressar seus sentimentos, a dizer “eu te amo” com naturalidade.
Pessoas que ficam duras quando damos um abraço apertado, porque não estão acostumadas a fazer isto.
Pessoas que cresceram dentro de certos parâmetros que nunca conseguiram ultrapassar.

Minha avó materna contava que seu pai sempre dizia que “para crianças não se pode dar muita abertura, porque elas tomam conta”. E com esta desculpa, ele não dava a mínima atenção à criança nenhuma.
Ela teve 15 filhos e acho que talvez tenha tido tempo de menos e preocupações demais para dar atenção e carinho a eles. Talvez não tenha sido educada para expressar o que sentia, e assim foi criada minha mãe.

Foi dentro deste clima que eu também fui criada.
Meu pai era completamente ‘duro’ para demonstrar sentimentos. Acho que ele nunca beijou nenhum de seus filhos (meu pai era muito rude e essa forma de carinho, inexistente). Eu, pelo menos, não me lembro de nenhum beijo ou abraço que tenha recebido dele e o único beijo que ele recebeu de mim, foi num ‘ritual’ de casamento. O meu casamento.
Depois disso, nunca mais tive abertura ou coragem para repetir o gesto.
Tive um pai autoritário e repressor, mas eu o amava e lamento que ele tenha morrido sem ter ouvido isso de mim: ‘Pai, eu te amo muito, apesar de...’

A boa notícia é que ninguém é escravo da educação que recebeu ou das influências do meio social em que vive ou viveu. É possível quebrar conceitos que ficaram enraizados e impregnando nossa conduta. 

Foi com mais de trinta anos que aprendi a abraçar de verdade... não ter medo de abraçar. Perdi a vergonha e o receio de ser rejeitada. Este medo é o que paralisa a maioria das pessoas. 
Aprendi a expressar meus sentimentos! 
Não é porque fui criada num ambiente de ausência de emoções que obrigatoriamente vou carregar a frieza emocional como herança.

Faço questão de trocar um beijo com o meu filho todos os dias quando ele sai para o trabalho, e também faço questão de escrever um “tiamu” em todo e-mail ou torpedo que envio para ele. Sei que meu filho ‘supõe’ que eu o amo, assim como eu suponho que meu pai me amava e vice-versa, mas sentimentos bons precisam ser verbalizados. É muito bom ouvir que é amado, como também é bom dizer.  
Hoje eu me exponho... de alguma forma eu declaro meus sentimentos. Mesmo que timidamente em frases escritas. O destinatário entende e, acredita se quiser!

Precisamos todos de afeto, de carinho, de demonstrações de amor. E é fazendo isto que ajudamos as pessoas a se desbloquearem e a aprenderem a ser afetivas e amorosas.
Precisamos de pessoas que soltem a ternura de dentro delas e expressem seus sentimentos.
Precisamos de pessoas que se preocupem umas com as outras. 
Precisamos de beijos e de abraços. 

Abrace e beije... por amor, por amizade, porque faz bem, estreita laços, aumenta a auto-estima.
E sabe de uma coisa? É muito difícil alguém não retribuir! 

sábado, 10 de agosto de 2013

aos pais, com carinho...


Certa vez, um pai chegou em casa superestressado e ligou a televisão para assistir ao telejornal. O filho se aproximou sorridente:
- Pai, vamos brincar?
O pai respondeu irritado:
- Meu filho, você não está vendo que estou muito ocupado? Vá brincar com seus irmãos que depois a gente conversa.
O menino saiu, chateado, mas logo em seguida voltou de novo e perguntou:
- Pai, quanto você ganha por hora de trabalho?
E o pai, irritado, disse:
- Você não está vendo que estou ocupado? Vá falar com sua mãe, já lhe disse que estou ocupado, saia daqui.

Alguns minutos depois o garoto tentou chamar a atenção do pai novamente:
- Pai, quanto é que você ganha por hora de trabalho?
O pai não aguentou e explodiu:
- Você é muito mal-educado! Você não percebe que estou ocupado! Vá já para seu quarto.
O garoto argumentou:
- Mas, pai, eu ainda nem jantei!
- Não quero nem saber! Vá para seu quarto agora e não saia de lá.

Assustado, o garoto foi para o quarto com fome, sem entender o que estava ocorrendo.

Terminado o telejornal, o pai se deu conta da bobagem que fizera. Caiu na real e foi chamar o garoto para jantar. Quando abriu a porta, viu que o filho dormia. A consciência pesou. Acordou o menino, que levantou sobressaltado:
- Não, pai, não me bata, desculpe ter atrapalhado seu programa, prometo que isso nunca mais vai acontecer, por favor, não me bata!
Naquele instante, o coração do pai se apertou, e ele disse:
- Não, filho, desculpe o papai, vamos jantar. Depois a gente vai brincar e eu quero que você me conte como foi seu dia.
O menino, percebendo a mudança de tom, aproveitou para perguntar de novo:
- Pai, quanto é que você ganha por hora de trabalho?
O homem parou, pensou e respondeu:
- Ganho mais ou menos 5 reais.
E o menino pediu:
- Pai, dá para você me emprestar 2 reais?
O pai, sentindo-se culpado, pegou duas notas de 1 real e deu ao menino, que então tirou do bolso do calção 3 reais, juntou-as e disse:
- Pai, aqui tem 5 reais. Você me vende uma hora de seu trabalho para a gente brincar?

A história acima é contada no primeiro capítulo do livro Pais e Filhos, Companheiros de Viagem, de Roberto Shinyashiki, chamado Dê prioridade a seus filhos! Depois de contar o episódio, o autor diz:
“Eu entendo que você viva sob pressão no trabalho, mas essa realidade não pode servir como justificativa para não curtir seus filhos ao chegar em casa. Certamente as mães de hoje não têm mais a mesma disponibilidade de ficar o dia inteiro com os filhos como no passado. Hoje muitas mulheres trabalham fora e exercem uma série de atividades. Pais e mães, ao chegar em casa, precisam encontrar energia para curtir os filhos. Isso tem de ficar muito claro: filho não é obrigação! Aproveitar esses momentos de encontro é uma forma de recarregar as baterias e cumprir um papel que cabe exclusivamente aos pais.

Muitas pessoas admitem que se sentem culpadas por não ter tempo de curtir os filhos porque precisam trabalhar muito. O mais triste dessa história, porém, não é quando você está longe de casa. Duro mesmo é voltar, dar um beijo formal na turma, abrir a geladeira, pegar uma cerveja, abrir o jornal e ligar a televisão. Então, sim, as coisas ficam péssimas. Nesse momento, você mostra para a sua filha que ela vale menos que uma lata de cerveja, você mostra a seu filho que ele é menos importante que um jornal. Triste é destruir a autoestima deles.

Quando estiver trabalhando, dê 110% de sua energia. Mas, quando estiver em casa, curta as pessoas que você ama.”

Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.

Efésios 6:4

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

carta extraviada 4


Sou mais um desses boçais que escreve tudo aquilo que deveria ser falado, e você é mais uma vítima que jamais vai ter atendido o seu desejo: saber. Mesmo consciente da sua boa vontade de me ouvir e entender, lhe escrevo, não posso ir além, não peça para remeter-me, esta carta não é para chegar, é uma carta de ficar.

Para mim e para você, escrevo que, daqui de onde me encontro, você está longe e perto, e eu estou sozinho e não. Do que sinto, aviso que é forte mas não é perigoso, é como um grande lago sereno, eu sou o píer, quase me precipito, você é todo o resto, toda água, tudo o que há. Mas somos dois e em vez de par, somos ímpares. Estou possuído por você e ao mesmo tempo permaneço impermeável, amo a seco, e rendido.

Você não me acharia covarde, você não acharia nada: você não me conhece. Sou um vulto, um alguém, você foi gentil comigo como é com os garçons e os primos, com os pedestres e com os turistas, você foi o que ; sempre foi, e eu não fui com você: no terceiro minuto í ao seu lado eu já sabia que era irremediável, e em vez de o segurar sua mão e reverter-lhe a pressa, deixei que você fosse, eu fiquei.

Os dias, os gestos, rituais cotidianos, surpresas, tudo ; corre, tudo passa por mim, menos o susto deste amor que entranhou-se feito limo, umidade em peito árido, me sinto tomado, absorvido, e não encontro método t ou coragem para dizer: você que é motivo e dona desta | represa, fique comigo, pois é só o que eu sei fazer, ficar.

Mas você é ligeira, em movimento constante, você não senta, não repara, quer vida demais, sedenta, me fisgou muito rápido, e eu sou lento, estudado, incapaz de um repente, apaixonado por uma mulher impaciente, que suplica com o olhar e não espera, você se foi, em frente, quando deveria ter ficado.

Você não me conhece, não houve tempo. Seu olhar me autorizava o flerte, se eu lhe acompanhasse, rogaria por um beijo, e de mãos dadas o nosso caminho haveria de ser compartilhado. Mas eu sou mais um desses boçais que não falam, que pensam demais antes do próximo passo, e você é mais uma vítima de um amor não consumado.



Os promotores de justiça sabem. Os juízes sabem. Os terapeutas sabem. Os massoterapeutas sabem. As faxineiras sabem.

Nunca houve tanta reconciliação. Mais do que casamento e divórcio.

A reconciliação é o amor autêntico. O amor bandido que se converteu à lei. O amor bêbado que largou o álcool. O amor drogado que fugiu dos vícios.
A reconciliação é o amor depois das férias, recuperado da perseguição dos defeitos e da distorção das conversas.
É o amor depois da mentira, depois do tribunal, depois da maldade da sinceridade, depois da carência.

Casais que se prometeram o inferno, que disputaram a guarda na Justiça, que enlouqueceram os filhos com suas conspirações, decidem voltar a morar junto, para temor dos vizinhos, para o susto da parentada.
A reconciliação é uma moda entre os divorciados.
Mal se acostumam com o nome de solteiro e se envolvem com os mesmos parceiros. Mas os mesmos parceiros são outros. Outros novos.

A distância elimina a culpa. A falta filtra a cobrança.
Eles experimentaram um tempo sozinhos para descobrir que se matavam por uma idealização.
Enfrentaram relacionamentos diferentes, exageros e excessos, contemporizaram os medos e as rejeições, provaram de frustrações amorosas.
Viram que o príncipe se vestia mal, e o sapo coaxava bonito.
Viram que não existe demônio ou santo no amor. Não existe certo ou errado, existe o amor e ponto.
Este amor provisório, inconstante, inacabado e vivo.
Este amor pano de prato, não toalha de mesa, mas que serve para secar a louça e as lágrimas.

Quem era ciumento retorna equilibrado, quem era indiferente regressa atento.
A trégua salva e refina o comportamento. O casal passa a adotar no dia-a-dia aquilo que não admitia fazer e que o outro recomendava.
O que soava como crítica antigamente passa a ser conselho.
Gordos emagrecem com exercícios físicos, brabos examinam seus ataques de fúria.
A saudade era um recalque e se transforma em sabedoria.
O par percebe que é melhor ser inexato do que inexistente.

Durante a separação, ninguém aceita ressalva e exame de consciência.
A separação é soberba, escandalosa, arrogante. Todos gritam e espalham os motivos da discórdia.
Já a reconciliação é humilde, ouvinte, discreta. Os amantes cochicham juras e esquecem as falhas. Baixam as exigências para aperfeiçoar o entendimento.
A reconciliação é o amor maduro, o amor que ressuscitou, o amor que desistiu de brigar por besteiras e intrigas.
O amor que é mão dada entre o erro e o perdão. Mas que agora pretende envelhecer de mãos dadas para sempre.



(...) mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança.

Romanos 5:3-4

terça-feira, 6 de agosto de 2013

ah, o amor!


Amor é canção de Jobim, dramas poéticos de Fernando Pessoa, rima simples de Quintana. Amor é verso, prosa, romance de segunda a sexta. É romantismo de Nando Reis. Linguagem compreensível. Ouvidos atenciosos. Coração receptivo. Arrepio na nuca. Mãos geladas e coração quente. Fim de tarde no campo com ausência de saudade. O imaginário acontecendo. Não precisar de vocábulos para comunicar sentimentos. É ritual. Retrato falado do coração em harmonia. O amor dispensa formalidades. Cria intimidade e desafia a lógica. É universal como as canções de Bom Jovi em busca da paz. Amor é água, seja de março, abril ou todos os outros meses, banhando as estações.

_______ Ita Portugal 

do que você é


Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.

Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.


Como são felizes aqueles que têm suas transgressões perdoadas, cujos pecados são apagados.
Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa.

Romanos 4:7-8

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

a gosto... e com gosto


E que venha na medida,
nem amargo e nem tão doce.
Que seja agosto, ao nosso gosto.


Frio: sinônimo de aconchego, de chocolate quente, cobertor, de meia colorida, alma aquecida, de abraço mais demorado do que de costume... Frio que invade a gente, e ao invés de dividir nos une. 
O frio pede abrigo, o frio pede lar...

_____Michelle Trevisani

Quando me encontrei comigo, eu estava de passagem. Gostei tanto de quem conheci que resolvi andar junto, lado a lado, dentro.
Eu introjetei em mim aquela pessoa que, finalmente, não estava mais vivendo levianamente, mas participando verdadeiramente da realidade.
Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia.
Conheci paisagens, às vezes, muito familiares, mas o meu olhar era inédito.

Não sou mais imediatista quando me faço companhia, pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo. Por isso, também é preciso evitar alguns lugares, pessoas, antigos hábitos e pensamentos.
O passado só me cabe para servir como base para o que tenho me tornado. Cada dia eu amanheço numa página em branco e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei.
A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro, mas sempre busco o estado e o lugar mais confortáveis para mim.
Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu, o mar em útero, meu corpo em Templo.
Respeito os que vivem de outro modo, porque meu caminho não é o certo nem o único, é o que eu escolhi para mim quando lancei mão do meu livre arbítrio.

E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora, me fazendo companhia, é que ele deixou de ser uma palavra para se tornar uma experiência.

Sou muito grata por estar na esquina aonde eu estava passando e por ter me dado a mão...
Caminhamos juntas: eu comigo mesma!


Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, 
visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas.

Romanos 2:1