"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015


Esses dias eu queria ser feliz. Mas, diferente de muitos, eu queria ser ingênuo com a minha felicidade. Queria acreditar que ela é só isso mesmo. E ponto. Esquecer um pouco o dinheiro e os amores, as contas e os mau humores, e ficar ali conversando; e sem pensar, me sentir compreendido e sereno. Mas compreendido de uma maneira que não me faltasse vontade, nem coragem, de abraço e beijo. De sentar e chorar o que me dói. De rir do que me alegra e saber que ali existe compreensão – mesmo quando o riso for besta. Que existe amor e calmaria, mas principalmente, verdade e simplicidade.

Pois convenhamos, quem não gosta de sentir-se compreendido? Quem não gosta de compartilhar loucuras, sonhos, dúvidas ou medos, e receber de volta compreensão e riso? É, eu também não sei.

Então, esses dias, enquanto caminhava em busca de sorrisos que combinassem com o meu, descobri que compreender é sentir a história dos outros como se fosse sua. É abraçá-los com olhos que arrancam verdades e dores. É saber que ali, mesmo por trás da carcaça rígida, existe amor e vontade de amar. Existe alguém que exclama por atenção e rosto risonho, como se tudo aquilo fosse a coisa mais comum e fácil do mundo para você.

E mais que isso, compreender é saber dividir as dores alheias na garupa. Dividir as histórias e, às vezes, esperar um eu te amo de um pai que pouco diz. E talvez nunca diga. Abraçá-lo forte e dizer o quanto o ama, mesmo que isso resulte somente em um leve tapa nas costas e uma cara de pouca reação. E mesmo assim sorrir. Pois lembre-se: a falta de paciência de hoje, será a saudade de amanhã.

Então compreenda, antes que seja tarde, antes que vá embora sem dizer adeus. Antes que o vazio bata à porta e lhe dê vontade de voltar o relógio e os sonhos. Antes que, sobre coração e falte presença.

___Frederico Elboni

Me procurei a vida inteira e não me achei – 
pelo que fui salvo.

[Auto-Retrato Falado - O Livro das Ignorãças]
eis a questão...


1 Coríntios 1:27-29

Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015


O que é melhor para o relacionamento de um casal: que eles sejam iguais ou diferentes? Alguns apostam nos casais siameses: os dois corintianos, os dois petistas, os dois fumantes. Já outros preferem o antagonismo: ele Corinthians, ela Palmeiras; ele PT, ela PMDB; ele fumante, ela presidente da Associação de Combate ao Câncer de Pulmão.

Cada casal tem sua fórmula para dar certo, mas um pouco de equilíbrio ajuda a manter a estabilidade. O melhor parceiro é aquele que é bem diferente de nós e ao mesmo tempo muito parecido. Como? Diferente no temperamento, mas com mil afinidades.

Dois calmos vão pegar no sono muito rápido. Dois gulosos vão passar muito tempo no supermercado. Dois sedentários vão emburrecer na frente da tevê. Dois avarentos nunca terão um champanhe dentro da geladeira. Dois falantes jamais vão escutar um ao outro.

Temperamentos iguais se neutralizam. Temperamentos opostos é que provocam faísca. Ele é super responsável, paga as contas em dia e jamais ficou sem combustível. Ela, ao contrário, é zen. Sua música preferida é um mantra. Não sabe que dia é hoje, mas tem certeza que é abril. Brigas à vista? Que nada. Ela o acalma, ele a acelera, e os dois inventam o próprio ritmo. O que importa é que avançam na mesma direção.

Quando o projeto de vida é antagônico, aí é que a coisa complica. Ele adora o campo, odeia produtos industrializados e não perde o Globo Rural. Ela almoça e janta hamburger, tem horror a qualquer ser vivo com mais de duas patas e raspou suas economias para ver o show dos Rolling Stones em São Paulo, sua cidade modelo.
Ele odeia a instituição chamada família. Ela, ao contrário, não abre mão das macarronadas dominicais na casa da mãe. Ele não sobe num avião nem sob decreto, ela sonha em dar a volta ao mundo. Ele quer ter quatro filhos, ela ligou as trompas quando fez 18 anos. Ele é ativista político, faz doações para o partido e participa de sindicatos. Ela vota em quem estiver liderando nas pesquisas. Ele não admite televisão em casa, ela não admite menos de três: uma na sala, outra no quarto e uma de dez polegadas na cozinha. Pode dar certo? Pode, mas alguém vai ter que abrir mão dos seus sonhos.

Temperamentos diferentes provocam discussões contornáveis. Já a falta de afinidades pode reduzir um dos dois a mero coadjuvante da vida do outro. Alguém vai ter que ceder muito, e se não tiver talento para a submissão, vai sofrer.

Logo, não importa se ele chega sempre atrasado e você é a rainha da pontualidade, desde que ambos tenham a mesma visão de mundo e os mesmos valores. Esse é o prato principal de todo relacionamento. O resto é tempero.



“Porquanto, nossa luta não é contra seres humanos, e sim contra principados e potestades, contra os dominadores deste sistema mundial em trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.”

Efésios 6:12

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

nós, os Picassos


Simplesmente sonhar para que outros sonhem junto, não é isso o que fazem em boa parte os artistas? Bom, eu pensava enquanto apreciava a bela exposição de obras do pintor espanhol. Todos somos Picassos. Só não sabemos disso. A gente é uma multidão de picassinhos, mas bobos demais para nos darmos conta disso, prisioneiros da nossa cotidiana mediocridade, jogando fora a nossa vida. Que pena, que pena...

Um dia desses, estressada, resolvi fazer aquarela. Pois é, logo aquarela, que é tão difícil. Tive aulas com uma amiga, grande pintora, mas, quando ouvi as explicações e abri os belos livros que ela me emprestou, constatei mais uma vez que não queria aprender teoria nenhuma (a esta altura da vida, ando empenhada em desaprender uma porção de coisas). Fiz umas aquarelas ruins, desobedecendo propositadamente às instruções mais elementares. Mas os títulos eram bem bonitos: Flores Espantadas ao Sol, Olho Azul Aguardando o Amanhecer, Ascensão Perplexa. Percebi que meu território continuava sendo o das palavras e desisti de pintar. Não sem antes combinar com minha amiga que um dia faríamos uma exposição (ela como curadora), em que minhas poucas aquarelas ficariam voltadas para a parede, só os títulos à vista. A exposição se chamaria Versos de Aquarelas. Demos boas risadas: grande terapia.

De modo que não falo em sermos Picassos-artistas, mas Picassos da vida. Para esse homem maravilhoso, o tempo não existia. E não existe, mesmo: funciona para demarcarmos o horário de nossas atividades, como alimentar as crianças ou matar o semelhante, contemplar ou criar a beleza, atormentar alguém de quem queremos nos vingar (essa é mais comum do que imaginamos, ai de nós). Para Picasso, que enfrentou grandes conflitos pessoais e mundiais, a vida era um dom precioso demais para ser desperdiçado. Ele a valorizou, apreciou, respeitou. Soube ser sério, soube ser doido, soube ser humano, soube ser brincalhão, soube ser igual aos mais simples. Criou obras incríveis, cometeu erros como todo mundo, foi amigo, apaixonou-se e fez filhos mesmo numa idade que, para a maioria de nós, os acovardados, é o começo do fim, é a morte antecipada pelo preconceito ou pela acomodação.

Picasso não se aposentou da existência, como em geral fazemos aos 50 anos, aos 60 ou pouco depois, se é que não nascemos já aposentados. Vestimos o pijama ainda que metafórico, arrastamos as pantufas pelo corredor da vida, para nos sentarmos na cadeira de balanço da amargura, abraçados à almofada das eternas lamentações – ah, como fomos injustiçados, como nada deu certo para nós, que tanto nos sacrificamos...

Nem imaginamos que poderíamos, ainda, ou pela primeira vez, tomar nas mãos as rédeas da nossa sorte e criar: se não quadros maravilhosos, pelo menos a nossa própria vida – enquanto palpita em nossa alma alguma emoção, e brilha alguma inquietação em nosso pensamento.


Meu discurso!


Mulher só não dá trabalho para um homem quando está dando para outro.” 


“Os olhos do SENHOR estão em toda parte: Ele observa atentamente os maus e os bons!”

Provérbios 15:3

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015


Sem querer fui me lembrar
De uma rua e seus ramalhetes,
O amor anotado em bilhetes,
Daquelas tardes.
(...)
Será que algum dia eles vêm aí
Cantar as canções que a gente quer ouvir? 


[Rua Ramalhete/Tavito]

É que acordei com essa música na cabeça...

Homem não sabe mais seduzir. Sei lá se isso é culpa do excesso de praticidade ou se é inaptidão pura. O fato é que as meias-palavras, intenções sabidas e não explicitadas, o cuidado de criar algo interessante pra ser dito e feito estão mais raros de encontrar do que corvo albino. Tá tudo pá-pum: olhou, se apresentou, elogiou a bunda e já vai botando a mão. Putz, coisa tosca!

Mulher não é mamão pra se escolher apalpando. Que decepção teria Vinicius de Moraes se visse os marmanjos de hoje em dia… Em vez da Garota de Ipanema, a Popozuda. De “teu corpo dourado é mais que um poema, é a coisa mais linda que já vi passar” pra “bate na palma da mão, bate na palma da mão e rebola o popozão”. Uma desgraça completa.

E o que aborrece não é a intenção por trás da corte, a mesma para os raros românticos ou os abundantes broncos: trepar com a fofa. Isso não tem problema. É, inclusive, divertido – poucas coisas fazem uma cidadã mais feliz do que saber que está matando alguém de tesão mesmo sem fazer nada. O ruim é que o jogo ficou escancarado demais, babacão, sabe? O excesso de pragmatismo nessas horas tem o mesmo efeito de parar de blefar no pôquer – retirado o suspense, perde-se toda a graça.

Se espero brilhantismo chicobuarqueano numa cantada? Ih, não me resta esperança suficiente pra isso. Basta não ser surpreendida por atos estapafúrdios, português assassinado e cérebro vazio. E não se trata de romantismo: só quero inteligência agindo em prol da libido, sabe como é? Coisinhas simples e especiais que fazem um homem sair da multidão para se instalar na minha cama e, às vezes, na minha vida (que, aliás, está sem vagas).

Porque é muito fácil disparar um “sabia que você é gostosa, gata?”, mas difícil fugir do óbvio – e, quando o cidadão faz isso, é sinal de que matou pelo menos um neurônio no processo. É um sinal, e mulheres adoram sinais.

Há muitos anos, fui apaixonada por um cara que trabalhava comigo e, confesso, jamais fui boa em abordagens tête-à-tête; sempre preferi as vias indiretas. Depois de algum tempo, e um longo trecho de via indireta, começamos a sair juntos, completamente sem pretensões ou conjugação de verbos no futuro, mas fiquei apaixonada – só que, parecia, estava sozinha nessa. Então, 16 horas antes do Dia dos Namorados, mandei entregarem a ele um lindo buquê de lírios-brancos com um bilhete: “Quase um presente, quase amanhã, para alguém que é quase meu namorado”. Não casamos nem nada, mas tivemos dias deliciosos e até hoje, todas as vezes que nos encontramos, ele relembra o episódio – me instalei definitivamente em sua memória. Não foi no coração, mas já é alguma coisa.

Se pararmos para pensar um minutinho só talvez cheguemos à conclusão de que as mulheres estejam partindo pro ataque não apenas por compulsão para seduzir mas também por não serem adequadamente atacadas. É o triunfo da velha regra: se quer que algo saia bem-feito, faça você mesmo. Porque digo isso com certeza, é muito mais gostoso deixar um homem abobado do que suportar um bobo bancando o homem.


para os escravos de grife

Os meus tempos estão nas tuas mãos (...)

Salmos 31:15

domingo, 22 de fevereiro de 2015


sei lá


Hoje não escondo nada do que sinto e penso, e às vezes também sofro com isso, mas ao menos não compactuo mais com um tipo de silêncio nocivo: o silêncio que tortura o outro, que confunde, o silêncio a fim de manter o poder num relacionamento. 
Assisti ao filme Mentiras sinceras com uma pontinha de decepção - os comentários haviam sido ótimos, porém a contenção inglesa do filme me irritou um pouco - mas, nos momentos finais, uma cena aparentemente simples redimiu minha frustração. Embaixo de um guarda-chuva, numa noite fria e molhada, um homem diz para uma mulher o que ela sempre precisou ouvir. E eu pensei: como é fácil libertar uma pessoa de seus fantasmas e, libertando-a, abrir uma possibilidade de tê-la de volta, mais inteira.

Dizer o que se sente é considerado uma fraqueza. Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade se instala. Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus. E não é este tipo de nudez que nos atrai.

Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente se sabe.

Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados.Tão banal, não?

E no entanto esta banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras. Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ele é - ou foi - importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente.

A maioria das relações - entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos - ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade. Pode-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade. Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial. E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil.

Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois.

Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós - e este a nós inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou. Somos sádicos e ávaros ao economizar nossos eu te perdôoeu te compreendoeu te aceito como és e o nosso mais profundo eu te amo - não o -eu te amo- dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o -eu te amo- que significa: seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo.

Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas.


Sofremos pressões de todos os lados, contudo, não estamos arrasados; ficamos perplexos com os acontecimentos, mas não perdemos a esperança.

2 Coríntios 4:8

sábado, 21 de fevereiro de 2015


detox na vida


Passou o natal, passou o ano novo, passou o carnaval. The game is over e a vida real pede passagem. É nessa hora que a febre detox-vida-nova-entrar-nos-eixos vem com força ainda maior- se é que isso é possível.

Detox vem da ideia de desintoxicar, tirar do corpo tudo o que não lhe faz bem. Louvável, sem dúvida nenhuma. Mas o problema começa quando as pessoas resolvem achar que duas garrafas de suco verde são a milagrosa solução para melhorar suas vidas.
2015 tá aqui na nossa frente e de nada vai adiantar desintoxicar o corpo, se a vida e a alma estão povoadas de hábitos, pessoas, dias e caminhos tóxicos. Parasitas, comodismos, vícios, medos.

Gente tóxica é o que mais tem. Gente cinza, amarga, invejosa, gente que gosta de problema, que gosta de doença, que gosta de discórdia, gente que vive de aparência, gente rasa. E não tem jeito, temos que fugir mesmo, cortar, evitar ao máximo. Bom dia, boa tarde e até logo. Não nos deixemos contaminar.

Não adianta comer chia toda manhã se a gente odeia o emprego e já sai de casa com vontade de voltar. Não dá para achar que o corpo vai estar puro se você não acredita no que faz e passa mais de 40 horas da semana ruminando tarefas infelizes.

Não adianta beber 3 litros de água por dia quando se está num relacionamento que afundou. É cômodo, todos sabemos. Mas a vida é uma só e não dá para ver os dias, meses e anos passarem com migalhas de amor e sem vestígios de paixão.

Não adianta colocar linhaça nas receitas quando só se reclama da vida, dos outros, do país, do calor, da chuva, do trânsito. É um círculo vicioso, quanto mais a gente fala das coisas ruins, menos atenção a gente dá às coisas boas e a vida vai ficando ruim, ruim, ruim.

É ilusão achar que a mudança vem de fora para dentro. Que a felicidade e a saúde cabem em embalagens plásticas com códigos de barra. Produtos podem ser ótimos coadjuvantes nessa busca, mas a verdadeira mudança é só o protagonista quem faz.

E eu quero um 2015 detox.

Detox de dias iguais.
Detox de gente ruim.
Detox de maus hábitos.
Detox de inveja.
Detox de relações doentes.
Detox de obsessões.
Detox de pessimistas.
Detox de medo de mudar.
Detox de dias desperdiçados.
Detox de sentimentos pobres.
Detox de superficialidade.
Detox de vícios.
Detox de viver por viver.

E pra fazer detox na vida é preciso coragem. Coragem para mudar, para arriscar, para romper, para fechar ciclos que há muito tempo deveriam ter terminado. 
O ano oficialmente começou e a pergunta é: vai ter só suco verde ou vai ter detox na vida?

___Ruth Manus

“Não andeis ansiosos por motivo algum; pelo contrário, sejam todas as vossas solicitações declaradas na presença de Deus por meio de oração e súplicas com ações de graça.”

Filipenses 4:6

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

baixo astral: de quem é a culpa?


No café-da-manhã, suco de laranja com Prozac. No almoço, água mineral com Lexotan. Na janta, uísque e Dormonid. Não é a nova dieta da Adriane Galisteu: é a dieta de quem está com excesso de peso na alma.

O maior mal das pessoas infelizes é não diagnosticar corretamente de onde vem a sua dor. Ninguém acha que tem culpa por as coisas estarem dando errado. É culpa do chefe, do ex, dos pais, dos políticos, do síndico, da tevê, de todos que fazem parte desse mundo do qual você foi expulso. Que tal assumir a responsabilidade sozinho para ver o que acontece?

Estou longe de ser fã do Lair Ribeiro, papa da neurolingüística brasileira, mas devo reconhecer que a maioria dos nossos problemas foram originados dentro de nós mesmos e só por nós podem ser solucionados. Não se está falando aqui de problemas graves, como a perda de um parente, de um imóvel, de um emprego ou da própria saúde, mas daquelas ingresias do cotidiano que nos tornam incapazes de sorrir.

Você se acha feia. Cada vez que vê uma foto da Ana Paula Arosio agradece a Deus por morar no térreo, pois se fosse no oitavo andar se atirava de bico. Se acha gorda, também. Tem um senhor quadril. O melhorzinho em você são os pés, mas ninguém irá olhar para eles enquanto você não reduzir seu nariz pela metade. Espelho, espelho meu, logo eu?

Se ao menos você fosse assombrosamente inteligente, mas você é médio. Lê 5 livros por ano e nunca disse nada que merecesse entrar para uma antologia poética. Você queria escrever tão bem quanto o Verissimo, ser tão espirituosa quanto o Jô e tão bem informada quanto a Marilia Gabriela, mas se sente tão insossa quanto a sua manicure.

Nada disso lhe afetaria se você tivesse uma conta bancária recheada, mas você não recebe aumento há três anos. Se ao menos o seu namorado fosse a cara do Brad Pitt, mas ele é a cara do Keith Richards. Se ao menos você morasse em Nova York, mas seus pais fizeram a gentileza de se mudar para uma cidade chamada Sertãozinho, onde ninguém jamais botou os olhos num Big Mac.

Aparentemente, não dá para dizer que sua vida é nitroglicerina pura, mas só podemos chamar de tragédia aquilo que é irreversível, o que não é o seu caso. Tudo é uma questão de humor e de atitude: mude. Deixe de colocar sua felicidade na mão dos outros. Comece um caso de amor consigo mesma e pare de se boicotar. A Ana Paula Arosio, o Verissimo, a Marilia Gariela e o Brad Pitt não têm culpa de você insistir em seguir modelos. Inaugure sua própria fórmula de ser feliz e patenteie. Você ainda vai ficar rica com os direitos autorais.

50 tons de cinza, eu assisti


e aprendi que
uma gravata não é apenas um acessório para terno.



Aquele que é poderoso de realizar infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou imaginamos, de acordo com o seu poder que age em nós.

Efésios 3:20

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015



Tomara que chova

Três dias sem parar

nada a declarar!


Acordei de madrugada sem opinião e fui fritar batatas. Esperava que elas me ajudassem a pensar. Acompanhei o som das borbulhas do óleo quente como quem medita. E, enquanto eu mastigava as batatas, triturei junto com elas qualquer rastro de certeza que ainda me restasse. Com uma pitada de sal marinho. Terminei o prato sem nada a declarar.Voltei a dormir, pois era o que me restava. Amanheci diante do computador e, antes do primeiro gole de café, salvei uma nigeriana do linchamento, ajudei a proteger os golfinhos da poluição de nitrogênio na Flórida, assinei petição contra o ataque dos peixes-frankenstein e ajudei a reconhecer a Palestina como o centésimo nonagésimo quarto estado do mundo. Depois de escovar os dentes, dei o meu clique para proteger o banco de microcrédito de Bangladesh do autoritarismo da primeira-ministra do país. Vesti jeans e camiseta, o par perfeito para quem quer dar férias ao raciocínio. E cheguei ao escritório a tempo de forçar o Parlamento nigeriano a multar uma multinacional petrolífera por derramamento de óleo.

O dia passou automático. Respondi a um bocado de e-mails como se fossem provas de múltipla escolha. Tomei xícaras de café como quem respira. E, quando me perguntaram “Como vai você?”, tive dúvidas sobre o que responder. No elevador, alguém falou sobre o clima e eu não soube o que dizer. Fazia sol naquela manhã?

Talvez eu seja uma pessoa estranha, pensei. Talvez eu seja uma pessoa. Talvez me faltem pilhas AA. Se eu as usasse, teria hoje uma opinião? Talvez fosse apenas um dia para achar nada.

Anos atrás, pontos de vista é que não me faltavam. Mas a juventude é doença que o tempo cura. Hoje, sei o que é essencial. Edredom, edredom, edredom.

Almocei grãos. Servi o prato sem prestar atenção, por isso não lembro quais eram. Mastiguei muitas vezes enquanto não pensava. Voltei para o escritório no piloto automático. Chegando lá, o celular me lembrou da reunião em outro local. Liguei para cancelar.

Precisava me esquivar de perguntas difíceis do tipo “Você acha que essa estratégia funciona?”.

Passei o resto da tarde em frente ao computador, conferindo atualizações do Facebook. Na saída do prédio, encontrei uma amiga que fazia algum tempo eu não via. “O que você vai fazer no Carnaval?”, ela indagou. Fiz um longo silêncio e respondi com um sorriso largo: “Nada”.

O que para o mundo lá fora é folia e música, para mim é um halo de paz. Nada, nada, nada. No Carnaval vou fazer um monte de nada. Que maravilha.


“Caros irmãos, absolutamente tudo o que for verdadeiro, tudo o que for honesto, tudo o que for justo, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, nisso pensai.”

Filipenses 4:8

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

todo mundo tem passado


Não se ofenda com meu passado. Eu já vivi muito antes de chegar até aqui. E, mesmo com tudo isso sentido, quero mais. Não te chego sem histórias, mas me faço papel em branco para que possamos, a partir de agora, começarmos a escrever a nossa. Pense, meu bem, que tudo isso de antes foram experiências que me prepararam até chegasse a você.

Sou alguém calejado que experimentou os tantos lados que possui o sentimento. Sou um cara que viveu o amor desesperado, a paixão não reconhecida, a recíproca, a desilusão e o afago na alma de entrar num tão querido coração. E, repito, ainda assim, tenho certeza do tanto que ainda não vi.

Pelos teus olhos, sei que enxergarei o Mundo de maneira diferente.

Sei que, juntos, podemos ser bem mais que duas pessoas se encontrando depois de um certo querer despertado. Mas não criemos expectativas. O que digo agora é apenas um pedido para deixar no passado o que a ele pertence e mirarmos o futuro que, esse sim, nos pertence.

E se ao final de tudo insistirmos em rotular o que aconteceu entre nós, que seja fruto do Destino. Tão maravilhoso e incrível, foi ele o caminho exato para que eu chegasse a você, que você iluminasse meu viver, mostrando o sentido para tudo já passado por nós dois.

Sem dúvidas, eu vivi um bocado, mas nada de antes é comparável ao que eu quero viver com você.


#simples assim!

- “Matar não quer dizer a gente pegar o revólver e fazer bum! Não é isso. 
A gente mata pelo coração. A gente vai deixando de se importar, de  querer bem... 
E um dia a pessoa morreu.”

(do Meu pé de laranja lima – José Mauro de Vasconcelos)

Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam.

1 Coríntios 2:9

domingo, 8 de fevereiro de 2015



Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora.
Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia.
Olha, honestamente, cansei.

Seus amigos, bando de mascarados, defendem você.
Dizem que sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas que no fundo é super tradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.

Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.

Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura.
Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado.
Chega a ser triste.

Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão que se acha um rei, mas não manda em nada.
Nunca teve um relacionamento duradouro.
Basta chegar perto de você e temos que agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu grande orgulho.
Você não tem vergonha, não?

Sei que as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva.
Seja menos repetitivo, proponha algo novo.
Desde que o conheço, você gosta das mesmas músicas.
Gosta de baile.
Desculpa, mas estou pulando fora.

Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza?
Será que você canta para não chorar?
Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto.
Ora, chega dessa loucura.
Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.

Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo.
Conheço várias que fogem, querendo distância das suas brincadeiras.

Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?

Por exemplo, essa sua mania de camarote.
Onde os vips podem suar sem que isso pareça nojento.
Onde se pode falar torto sem que seja errado.
Todos vestidos de uniforme, senão não entram.
Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro.

Essa é a sua idéia de curtir a vida?

Menos purpurina, Carnaval.
Menos bundas, menos dentes para fora.
A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco.
Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém.
Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?

A harmonia vem da evolução, não das alegorias.
Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.

Como será amanhã? Responda quem puder.


“O SENHOR firma os passos de todo aquele cuja conduta lhe agrada! Se cair, não ficará por terra, porque o SENHOR o segura pela mão.”

Salmos 37:23-24

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

mulheres


Já tive muitas, não nego. Já fui desejado, já fui conquistado. Já corri atrás, conquistei. Já vivi outros amores, outras loucuras. Já provei o gosto doce das paixões correspondidas e o amargo das desilusões. Já fui só da cama, só de amarrotar lençol. Já fui das flores. Já encontrei com outras que julguei serem caras-metade, com “destinos ambulantes”, únicas saídas e outros enganos.

Já ouvi mentiras, já não acreditei em verdades. Já vi estações ao lado de uma mesma pessoa e uma única estação em abraços variados. Já conheci aquelas de arremessar vasos na parede e outras de submissão. Já fui até o inferno com uma. E, ainda assim, mesmo já tendo vivido tanto do Amor e da Paixão, nunca conheci alguém como você. Muitas em uma: a que me deseja e me conquistou. A que me fez correr atrás.

Entender.

Compreender mais do sentimento que cresce a cada correspondência num toque ou olhar. Quem coloca na boca o bom sabor dos beijos e deixa na alma a irrepreensível noção da verdade – nunca um simples afago na cabeça. Você, a dos lírios, das rosas, das orquídeas. Da figura fácil nos meus dias, tardes e noites. Do Verão, Outono, Inverno e Primavera de mais encanto a cada passeio de mãos dadas. Das brigas e conciliações.

Você, por quem eu iria até o inferno.

Você que me deu o céu.



Meu coração exulta no Senhor; no Senhor minha força é exaltada.

1 Samuel 2:1

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015


(Sabia que o pau de selfie tinha alguma utilidade)

Não há maior solidão do que a de Eva.

Ela não tinha mãe. E não podemos considerar a costela de Adão propriamente uma madrasta.

Ela gerou uma penca de filhos sem ter onde deixá-los no final de semana para desfrutar de um cineminha e de um jantar romântico.

Não dividiu com ninguém a alegria do primeiro beijo, da menstruação chegando, dos seios crescendo, do exame positivo da maternidade.

Precisou aguentar um marido que não morria – viveu 930 anos – sem a possibilidade de desabafar os problemas do relacionamento, como quando Adão puxava seu cabelo ou se metia com a bebida ou desejava gastar todo o salário em briga de galos.

Não contou com conselho materno para esfriar a rivalidade entre Caim e Abel.

Não recebeu dica de nome para suas crianças. Sete prova que não restava mais criatividade, já recorria à numeração.

Não ganhou explicação de método anticonceptivo antes de sua primeira experiência sexual.

Jamais acertou a receita do bolo de fubá simplesmente porque não conheceu nenhuma vó.

Ficou sozinha para enfrentar a lábia da serpente.
Nunca pôde usar a expressão “nem por cima do cadáver de minha mãe”.

Não se sentia ofendida quando era xingada na selva de “filha da p...”.
Não teve sequer uma mãe para mentir e comer escondido o fruto proibido.

Não pôde seguir um exemplo ou ser a ovelha negra da família. Não cresceu na adversidade: não suportou pressão para se casar, prestar vestibular e seguir carreira.

Não havia graça nenhuma em fazer terapia sem uma mãe para colocar a culpa.

Terminou pagando mico ao usar pele de animal para passear no Éden, pois não herdou roupa alguma.

Tombou com salto alto nas trilhas, desfalcada de um tutorial de mãe.

Uma vez por mês, explodia em TPM, chorava, arcava com cólicas, morria de vontade de chocolate, sem saber o que acontecia com seus hormônios.

Não entendia a diferença entre cócegas e orgasmo.

Não desfrutava da opção de se separar do marido e voltar para a casa da mãe.

Eva foi, sem dúvida, a mulher que mais sofreu no mundo.