"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



terça-feira, 31 de julho de 2012


Você me dá seu futuro, eu te ofereço meu passado.
Então e assim, somos presente, passado e futuro.
Tempo infinito num só, esse é o eterno!

Sinestesia


Amor tem as formas de um outono,
tristeza tem aroma de janeiro,
saudade tem as cores de uma praça
e alegria tem gosto de brigadeiro.

A paixão é de todas as cores,
desilusão é preta e branca.
Inverno tem cheiro de abraço
e é docinho o sabor da esperança.

Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

Não sejam como o cavalo ou o burro, que não têm entendimento mas precisam ser controlados com freios e rédeas, caso contrário não obedecem.

Salmos 32:9

domingo, 29 de julho de 2012

nAMORamar


Namoramar
para seguir de mãos dadas
e projetar no futuro o presente.

Namoramar
para se sentir acompanhada
mesmo quando o outro está ausente.

Namoramar
para encontrar no amor sua casa.

Namoramar
para ter em si o aconchego que é estar
tão na-morada.

(Namoramar para desenhar sentido na rotina e descobrir no verso seu inverso ou sua rima).

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia


Então é o seguinte: vai chegar o dia em que você vai descer ladeira abaixo.
Você vai dar mancadas, cometer gafes, tropeçar na barra da saia, dizer o que não devia, perder o foco, perder o jeito, você se verá em retrospecto e se perguntará :
- Cadê eu? Onde eu fui parar? Onde foram parar minha concentração e capacidade?

É um susto.
Não há resposta.
Há um desreconhecer.
Ninguém se prepara para os erros. Para os vexames. Para os fracassos. Para o que o tempo vai fazendo com a gente.
Reina a ilusão de que sempre será melhor. Não é assim. Existe o limite.
O ponto que dali não se passa.
A natureza nos dá asas até chegarmos ao ilusório ápice de nós mesmos.
Mas depois tem a descida.
É simplesmente, humano. E não é bom.

Acho um pena. E tenho dito!

Título emprestado da canção dos Titãs: Não vou me adaptar

Insistir em um amor não correspondido é como calçar um sapato que não te cabe mais.
Aperta, machuca, sangra e deixa feridas que só o tempo é capaz de curar.
Então, descalça-te!
Estejas de pés e coração livres para calçar um amor que tenha o teu número.
Na hora certa ele há de chegar...

Estou tão sedenta do maravilhoso
que só o maravilhoso tem poder sobre mim.
Qualquer coisa que não pode se transformar em algo maravilhoso,
eu deixo ir.

Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados!
Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia.

Salmos 32:1-2

quinta-feira, 26 de julho de 2012


A nossa vida em grande parte compõe-se de sonhos.
É preciso ligá-los à ação.

Dos porquinhos


Ela economiza vida para que lhe sobre mais.
Na tentativa de evitar a falta, vive na falta.
Se ela tivesse um slogan, seria "Viva com moderação".
Pra não gastar.

Nunca esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”.
O repórter, provocador, insistiu: “E depois?”. “Ué, depois vou aproveitar a vida”.

É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude. No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos.
Não escondo que isso me amedronta um pouco.
Ainda não cheguei perto da terceira idade, mas chegarei, e às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora.

Rugas, tudo bem. Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade.
A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos.
Ela pressupõe uma desaceleração gradativa: descer escadas de forma mais cautelosa, ser traída pela memória com mais regularidade, ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista.
A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando. A briga contra o olhar do outro.

Muitos se queixam da pior das invisibilidades: “Não me olham mais com desejo”.
Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensei: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa. Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40. Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade.

Quem viu o filme Fatal deve lembrar do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude.
No livro que deu origem ao filme (O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”.

Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora. O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece.

Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz?
Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer.
Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, não restará mais nada.

Como é grande a tua bondade, que reservaste para aqueles que te temem, e que, à vista dos homens, concedes àqueles que se refugiam em ti!
No abrigo da tua presença os escondes das intrigas dos homens; na tua habitação os proteges das línguas acusadoras.

Salmos 31:19-20

quarta-feira, 25 de julho de 2012


Neste mundo não há saída:
há os que assistem, entediados, ao tempo passar da janela,
e há os afoitos, que agarram a vida pelos colarinhos.
Carimbada de hematomas, reconheço, sou do segundo time.

[Maitê Proença]

"O que me prejudica é essa mania de dizer a verdade,
quando deveria mentir.
E fingir que estou à vontade, quando na verdade machuca."

Nunca diga que o conflito que você tem com outra pessoa é por causa dela.
Lembre-se: um conflito só existe a dois.
Se há conflito com alguém é porque você também está alimentando-o.
Se você quisesse terminar com ele e usasse sua doçura e benevolência, tudo ficaria resolvido automaticamente.
Não importa o quanto alguém queira envolver você, tenha sabedoria para não cair nessa teia.
Faça com que tudo passe à margem e deixe que todos provem a doçura da sua essência.

[Brahma Kumaris]


Verdade!
Somos responsáveis por entrar na cena do outro ou não...
decisão nossa, sempre.
O problema é que existem pessoas tão cretinas,
que prefiro acreditar que doçura é para quem merece.
Ando salgada ultimamente!!!

O Senhor mudou o meu pranto em dança,
a minha veste de lamento em veste de alegria,
para que o meu coração cante louvores a ti e não se cale.
Senhor, meu Deus, eu te darei graças para sempre.

Salmos 30:11-12

quarta-feira, 18 de julho de 2012


“Casar é trocar a admiração de vários homens pela crítica de um só.”

Dos quase amores

Quase amores não existem. E não existem mesmo. Mas existem. Tudo bem, você pode desconfiar de um quase corno. Mas, provavelmente, nunca apertou a mão de um semi-gay. Ligeiramente grávidas são um desafio para a ciência. De meio amigos também não há registros, porém para encontrar mui amigos, chute uma lata e surgirão como ratos. Mas quase amor existe.

Quase amor é aquele ensejo de romance que surgiu com sabor de sorvete de baunilha. Você foi dar uma colherada com gosto e SPLASH! Ao levar o prazer até a boca, o doce escorreu e espatifou, melecando sua calça jeans. Todo mundo passa por isso, quer queira, quer não. Histórias de quase amor não lotam pré-estreias em Los Angeles, mas na vida sem bilheterias goleiam impiedosamente os contos de amor concreto.

Um amor que não passa do primeiro beijo porque o cara é noivo, é um quase amor. Um romance que não chegou no sexo, pois uma das partes embarcou com urgência para Londres sem aviso prévio, é quase amor também. Visualiza a cena: você gosta de uma garota comprometida e pede a ela que não suba no ônibus. Ou será o fim. Ela titubeia, faz bem-me-quer, mas segura o corrimão, ergue o pé direito e te olha com beiço de despedida. Pronto, outro quase amor saindo quentinho. Uns duram cinco anos, outros cinco meses. Raros, cinco dias. Contudo – de fato e amargamente – quase amores se dão como formigas em pote de mel.

Por isso quase amores existem e não existem. Talvez não tivera beijo, ou não houve sexo, quiçá um abraço de urso. Quase amores são cheios da falta de café na cama, juras de amor eterno, cena de ciúme, mordida no queixo, lutinha no carpete, banho de espuma, briga na casa da sogra, despedida em rodoviária, confusão de chinelos, chimarrão no meio-fio, troca de alianças, beijo na testa, orgasmo com choro e velhice compartilhada.

E se engana quem pensa que os quase amores são aqueles impossíveis ou proibidos, do tipo Janet Dailey. Amores por um triz têm motivos circunstanciais. Amor que é proibido, mas os dois se correspondem, já é amor completo, mesmo que imperfeito. Quase amor é quando um dos lados se doa pela metade, quando tanto. Aí é pretérito. Bem mais que imperfeito.

Quase amor é um lugar estranho e ao mesmo tempo familiar. Aconchegante e inóspito. Enérgico e gélido. É como quando você tem um déjà vu ao entrar numa rua ladrilhada dessas de cidade histórica. Um lugar aonde você jamais esteve, porém consulta sua memória rígida buscando reconhecer árvores, calçadas e telhados. Uma saudade abstrata pressiona o peito. E quase dói.

Entra geração, sai geração e os pais seguem dando os mesmos conselhos.
Mamãe para sua menina: "Filhinha, dê-se o valor. Não saia com qualquer um, esses garotos só querem se aproveitar de você".
Papai para seu menino: "Filho, não se amarre tão cedo. Faça muita festa, namore todas, aproveite a vida".
Moral da história: toda menina é carniça, todo homem é urubu. Não olhe agora, mas teias de aranha estão formando-se no teto.

Estou pra ver papo mais obsoleto.
Mesmo que as mães estejam hoje menos caretas e já não destilem tanto preconceito, ainda assim paira no ar a ideia de que, quando um homem e uma mulher vão para os finalmentes sem haver um compromisso formal, ele está tirando uma lasquinha da pobre infeliz, que está ali sendo iludida, usada, consumida.
Tirem as crianças da sala!

O que ninguém contou para o urubu é que a carniça não está morta: ela também tem fome e sacia-se plenamente com essa refeição.
Pelo amor de Deus, as mulheres aproveitam também!
A diferença é que a gente não sai com um cara só para ter assunto com as amigas no dia seguinte: as mulheres é que são as verdadeiras comem-quietas.

Não acredito quando ouço uma garota dizer que fulano se aproveitou dela.
Como assim, ela estava desmaiada?
Algumas mulheres ainda têm esse vício de achar que uma relação sexual que não evoluiu para o namoro sério ou para o casamento é uma espécie de estelionato: o cara furtou sua ilusão de amor.
Essa garota até pode ter caído numa cantada mal-intencionada, mas ainda assim, durante o bem-bom, ela não estava fazendo nenhum sacrifício: trocou carinho, sentiu prazer, ficou satisfeita.
Por que só o homem se aproveita?
Aliás, por que esse "se" pejorativo, como se o ato sexual fosse praticado por um só?
Homens e mulheres apenas "se" aproveitam quando "se" masturbam, amando-se a si próprios.
O resto é em proveito dos dois.

Ninguém deve se entregar para uma pessoa em troca de garantias.
Uma relação sexual não é um passaporte para o altar, é apenas uma transa, que pode virar duas, três, trezentas, ou pode permanecer filha única.
Nenhuma mulher pode dizer que alguém se aproveitou da sua ingenuidade depois de ela ter consentido tirar a roupa.
Se tirou, que aproveite também.
Quem acha que o prazer é um direito apenas dos homens precisa voltar para os anos 70 e recuperar as aulas perdidas.

O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia, e dele recebo ajuda.
Meu coração exulta de alegria, e com o meu cântico lhe darei graças.

Salmos 28:7

terça-feira, 17 de julho de 2012


“Não foi desejo. Nem vontade, nem curiosidade, nem nada disso.
Foi um choque elétrico meio que de surpresa, desses que te deixa com o corpo arrepiado, coração batendo acelerado e cabelo em pé .
Foi sentimento.
Não foi planejado, nem premeditado.
Foi só um querer estar perto e cuidar, tomar todas as dores e lágrimas como se fossem suas.
A vontade e o desejo vieram depois, bem depois.
Não foi um lance de corpo, foi um lance de alma.
Não foram os olhos, nem os sorrisos, nem o jeito de andar ou de se vestir, foram as palavras.
Uma saudade e uma urgência daquilo que nunca se teve, mas era como se já tivesse tido antes.
Foi amor.
É amor.”

"Desejo a máquina do tempo para que não haja o havido
e eu recomece misericordiosamente."

Ainda que me abandonem pai e mãe,
o Senhor me acolherá.

Salmos 27:10

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Recado aos moços


Vocês não sabem o que têm nas mãos
Tocam os seios sem saber que no meio bate um coração,
beijam bocas sem ouvir o que elas têm a dizer,
fixam os olhos sem perceber que por trás há uma mente inquieta.
São milhares de pensamentos e sentimentos que pulsam e se confundem,
vocês deviam fazer mais que apenas assistir.

Tenho pena dos que não se arriscam,
dos que não pulam e gostam do morno,
dos que se conformam com piscinas rasas e vidas rasas também.
Tenho pena dos que vão embora cedo, dos que só viajam até a esquina,
dos que pensam mil vezes antes de falar.

Vocês não sabem o que têm nas mãos.
E perdem amores por apostas,
perdem companhia por desinformação e cumplicidade por medo.
Perdem tempo. O meu e o de vocês.

"Um caldeirão de moedas?
Um pote de ouro?
A arca do tesouro?
Dizem...
Mas, para mim
no fim do arco-íris,
tem uma imensa
caixa de lápis de cor"





Com a cabeça no chão
e os pés no ar.
Pisando falso e quebrando os pensamentos em duras pedras.





.otnis em ue osseva oleP

(Mirelly Viana)

É engraçado como alguém pode partir o seu coração
e você ainda amá-lo com todos os pedaços partidos.

Quando homens maus avançarem contra mim para destruir-me, eles, meus inimigos e meus adversários, é que tropeçarão e cairão.
Ainda que um exército se acampe contra mim, meu coração não temerá; ainda que se declare guerra contra mim, mesmo assim estarei confiante.
(Salmos 27:2-3)

domingo, 15 de julho de 2012

dia do homem?

Sim... eles merecem!!!


Algumas pessoas insistem em dizer que eles não servem pra nada! Outras dizem que são dispensáveis, pois já existem avanços na ciência para reprodução humana, e que já conseguiram inclusive reproduzir esperma em laboratório (porém, precisam dos cromossomos XY somente encontrados nos homens) e que potes, latas e vidros já podem ser abertos com a ajuda do “Abridor Elétrico Open Station Hamilton Beach” (à venda naquele canal de televisão), mas esquecem que vem com manual de instrução, e só de pensar em ler, desisto da compra.

Embora, alguns não mereçam dividir o mesmo planeta que nós-mulheres, a grande maioria é do bem.
Atire a primeira pedra, a mulher que não sonha com aquela massagem nos pés, depois de um dia inteirinho de trabalho. E cá pra nós, eles fazem isso divinamente!
Além disso, são eles os responsáveis pela parte boa do churrasco (a churrasqueira!), e por mim, podia ter todo dia! Assim, seríamos dispensadas da cozinha.Confesso ter pena deles (às vezes, somente às vezes).

Confessa! Você é chata! Você é muito chata!
- Benhêee com que sapato eu vou? Fico melhor com preto brilho ou preto fosco? Acha que esse batom desfavorece a minha boca? Eu tô muito gorda, né?!

Tenho pena, principalmente porque todas essas perguntas não têm resposta. Aliás, tem resposta. Mas essa só você sabe! Eu no lugar deles, ficaria muda!

E diz pra mim, se tem coisa mais linda do que vê-los ninando nossas crias? Se fechar meus olhos, consigo imaginar direitinho um pai com um bebê no colo segurando seus dedinhos e olhando com aquela cara de bobo que encanta…

Há controvérsias quanto à data. Alguns lugares citam 15/07 e em outros 20/11. Não consegui descobrir a certa, ou qual o motivo pelas escolhas no calendário. Mas acho que o dia do homem poderia ter muitas outras datas.
Quantas e quantas descobertas, evoluções e conquistas não devemos a eles?
Pense na história da humanidade e vamos perceber que apesar dos pesares (roncos e barrigões à parte) eles significam muito pra todas nós.

Tenho certeza que o mundo sem eles, seria um grande saco!
Seria sério e sem perna de jogador de futebol.
Seria cheio de frescuras e sem coragem pra matar barata.
Seria frio e sem fogueira.
Seria barulhento e com muitas mulheres querendo ter razão.

Por nos aguentar, por endeusar a nossa existência, por ser diferente do que a gente gostaria (ainda bem), parabéns pelo seu dia!

sábado, 14 de julho de 2012


Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo.
De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças.
Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra.
Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média.
Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.

Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora.
Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu.
Furou-lhe um pneu.
Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências…
Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão.
Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou.
A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro.
Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar.
Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa.
Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena.
Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.

— Você não sabe o que me aconteceu!
— O quê?
— Uma coisa incrível.
— O quê?
— Contando ninguém acredita.
— Conta!
— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?
— Não.
— Olhe.

E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.

— O que aconteceu?

E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.

— Que coisa – diria a mulher, calmamente.
— Não é difícil de acreditar?
— Não. É perfeitamente possível.
— Pois é. Eu…
— SEU CRETINO!
— Meu bem…
— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.
— Mas, meu bem…
— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!

E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações.

Ele chegou em casa sem dizer nada.
— Por que o atraso?
— Muito trânsito.
 — Por que essa cara?
— Nada, nada.

E, finalmente:
— Que fim levou a sua aliança?
E ele disse:
— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.

Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.

— O mais importante é que você não mentiu pra mim.

E foi tratar do jantar.

(do livro "As mentiras que os homens contam")

Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!

Salmos 19:14

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Hoje é sexta-feira 13...


... então eu pergunto: e daí???
Hoje é sexta 13, amanhã será sábado 14 e por aí vai...

Depois de brincar de acreditar em papai Noel, coelho da páscoa e que uma cegonha nos trouxe no bico, você não vai acreditar em azar agora, né?...
Se acredita em azar, deve acreditar em sorte também...

Não sou (já fui!) fã de superstições.
Respeito as superstições e os supersticiosos, mas acho que se alguém tem medo de passar debaixo de escadas, deveria ser simplesmente porque pode ter alguma lata de tinta pendurada nela.
Muitas coisas caem do céu: chuva, cocô de passarinho, raios, alguns aviões desgovernados. E só.

Se acredito em milagres?... Claro – a vida é um milagre único!!!

Num dia feito hoje, tem muita gente que renova o estoque de amuletos e talismãs – haja tanta arruda pra isso!...
E também tem muita gente que fatura, neste Brasil carregado de superstições.
A cada ano, camelôs e vendedores ambulantes investem mais no mercado supersticioso: são produtos para todos os gostos e desgostos, para alcançar graças e fugir das desgraças da vida. São figuinhas, chaveiros com talismãs, correntes e pulseirinhas de “proteção” (O Senhor do Bonfim deve suar as fitas).
Fora a ojeriza por gato preto.
Confesso que não gosto de gatos, mas o que os pobres felinos tem a ver com isso?
Eles nem sabem o dia da semana!!!

Se você é supersticioso ou não, não há outro jeito.
Hoje é sexta-feira 13. Calendário não pode ser alterado. #fato!
Ou você (bate na madeira!) encara o dia, ou é a própria sexta 13 que te encara...
Beijos e


uma questão de semântica:


Ao lambuzarmos outrém, o morango com chantilly deixa de ser sobremesa e passa a ser 'entrada'?
Ou na verdade não importa a semântica,
o que importa é misturar tudo e 'saborear'?


"O ciúme é uma agência de notícias:
sempre traz uma suspeita nova".

Para quem me odeia

Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.
É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.

Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.
Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.
Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.

Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.
Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.
Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.

Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.
E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.
Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.
Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.
Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.

Com amor, da sua eterna...

O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei temor?
O Senhor é o meu forte refúgio; de quem terei medo?

Salmos 27:1

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Do desapego


No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.

O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento.
Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes.
O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse.
Sentados no chão.
O sofá foi o primeiro que se foi.
Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.
Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto.
Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas.
Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê.
No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar.
Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material.
Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo.
Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.
Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida...

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.
Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade.
As roupas já estavam guardadas nas malas.
Fazia muito frio.
Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.
Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde.
Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.

... só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir, é melhor refletir e começar a trabalhar o desapego já!