"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



sexta-feira, 30 de maio de 2014


“quinem” meu filho!
sutil como uma manada de elefantes numa loja de cristais...

O que faz duas pessoas quererem passar o tempo todo juntos? Que loucura é esta?

O que move um casal a dividir suas fantasias, seus medos, suas manias? O que tem na cabeça dessa gente que decide casar e se expor ao imprevisível do fim do dia? Dormir lado a lado, acordar lado a lado, grudar nos finais de semana, sentir saudade e se desesperar de preocupação. O que faz alguém ceder metade do seu guarda-roupa, metade de seu quarto, metade de seus sonhos, metade de suas confidências?

O que faz um casal se acotovelar para escovar os dentes no espelho?

O que pretende o casal? Dormir em paz? Como? É toda uma ginástica rítmica encontrar o encaixe, a conchinha, o tempo da respiração do outro na cama. E se um levanta, como não se assustar e seguir descansando?

É brigar pela televisão, pelo horário de deixar uma festa, pelo uso das folgas.

É ouvir que bebeu demais, é ouvir que falta paciência e não poder mais deslizar pela grosseria impunemente.

É criar vexame e ser repreendido. É não desfrutar da irreverência da opinião.

Não seria mais fácil cada um seguir sua vida e seguir namorando em residências separadas, com ideais separados?

Não seria mais fácil não sofrer com contratempos e dores, ser egoísta e breve, não se importar com que o outro está pensando?

O que movimenta o coração dessa gente que se entrega? Essas pessoas insistentes numa história de amor, românticas, ingênuas, que não acreditam em divórcios, apesar da metade dos amigos ser divorciada.

São loucos ou desinformados? Ou os dois?

Ninguém aqui tem vontade de avisá-los? Ninguém ficou com vontade de convencê-los a se manter longe do altar? Que porra de amigos são estes? Que porra de padrinhos são estes?

Que doideira é esta? Que sandice é esta?

Comprar o sorvete predileto e de repente ver que não está mais no congelador. Não experimentaram irmãos para ver que nada permanece no lugar durante a vida familiar?

Não pode ser normal desejar essa dependência quando os dois poderiam ser livres, sem necessidade de prestar contas para onde vai e com quem está.

Olha o esforço que estão se metendo: não há mais como sair de casa e deixar o celular desligado. Olha o quanto sofrerão de ciúmes à toa, de insegurança à toa.

É um caminho sem volta: é dizer eu te amo e esperar a resposta eu te amo, é dizer eu te amo muito e esperar a resposta eu te amo muito, é dizer eu te amo muito muito e esperar a resposta eu te amo muito muito, é perguntar a todo momento se o amor é correspondido com receio do despejo.

Para que se incomodar, hein?

Eu sei o motivo. Todo amor é um milagre. O que é o sofrimento perto da sorte de ser amado?

Todo amor é uma comoção. Os pássaros invejam os casais que podem andar de mãos dadas. Os pássaros dariam suas asas para andar de mãos dadas por cinco quadras.

Todo amor é uma revolução. As árvores dariam seus frutos para dançar colados pelo menos por uma noite.

Todo amor é formidável. O vento gostaria de ser um suspiro da boca de vocês.

Não existe sacrifício, existe doação. Não existe renúncia, existe entrega. Não existe culpa, existe escolha.

Ninguém entenderá o que vocês estão vivendo, além de vocês mesmos.

O amor é um segredo a dois. Transforma tudo o que é errado em personalidade. Transforma tudo o que é certo em lembrança.

O amor é coragem. Só pode ser feliz quem não esconde seu rosto.

O amor é incurável. Não tem como trocá-lo por nada. É uma amizade cheia de desejo.

Você não precisam de explicação porque se compreendem pelo olhar.

Você não precisam de paz, a confiança é o início da fé.

Vocês não precisam temer problemas, basta se abraçar dentro de um beijo.

Rogério e Ludmila, vocês nasceram sozinhos, mas jamais ficarão de novo sozinhos. Estarão se acompanhando a vida inteira. Até depois do fim.

Se um esquecer, o outro vai lembrar.

Se um vacilar, o outro vai amparar.

São inteiros sendo dois. Mais inteiros hoje do que quando nasceram.

A eternidade tem inveja de vocês.


(lido no casamento de Rogério e Ludmila)


Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus. 

Filipenses 4:6-7

quinta-feira, 29 de maio de 2014

à Marina, a bailarina


Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
— -
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
— -
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.
— -
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
— -
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
— -
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
— -
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
— -
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.


Parabéns, Marina!
Que o Senhor direcione seus passos nesse e em todos os anos de sua vida.


Que o Senhor te permita novos sonhos, e renove, a cada dia, a tua fé, pois pela fé, transformamos em realidade, todos os nossos sonhos.

Mychele Magalhães Velloso 

O Senhor o (a) guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. 
Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam.

Isaías 58:11

quarta-feira, 28 de maio de 2014

os fora da lei


Que comece logo essa Copa e que termine de uma vez, para que, de volta à rotina, possamos avaliar o que está acontecendo no país de forma mais focada. A Copa não tem culpa de nada, mas sem dúvida despertou uma enorme sensação de injustiça e revolta – perdeu quem contava com o povo pacífico de sempre. Esse despertar é positivo, pois só reivindicando é que teremos as necessidades prioritárias atendidas, mas, para atendê-las, os três poderes precisam assumir suas funções com honradez. O que está ocorrendo é justamente o contrário: um desgoverno crescente. Diante disso, as pessoas passam a agir pela própria cabeça e com seus próprios meios.

A onda de linchamentos ilustra esse desgoverno. Provocada pela excitação do momento e pela sensação de impunidade que a ação em bando provoca, acaba-se cometendo crimes atrozes contra suspeitos que não tiveram julgamento nem chance de defesa. Barbárie pura.

Num grau menos violento, mas igualmente perturbador, são os saques que tomaram conta de Pernambuco nos últimos dias – e cito Pernambuco apenas como exemplo recente. Vendo as cenas de transeuntes saindo de lojas carregando o que podiam, fiquei pensando como tudo é uma questão de semântica. O que difere o saqueador de um ladrão? O fato de não ter havido ameaça antes do roubo? De não ter sido um ato planejado, e sim uma ação provocada por uma oportunidade? O direito de propriedade privada deixa de existir caso o movimento seja feito em grupo e não isolado?

Ainda no Nordeste, já aconteceu de estradas terem sido fechadas por moradores das redondezas a fim de promover um “pedágio solidário”: só liberavam o trânsito se o motorista colaborasse com dinheiro ou com produtos para a cesta básica. Caminhoneiros precisavam ceder parte da carga para poder ir em frente, e assim as comunidades eram abastecidas com leite, cereais, remédios, frutas. Carros particulares podiam dar uma quantia em espécie, a critério do gentil doador. Sem uso de arma, tudo muito educado. Uma contribuição “espontânea”.

Há saqueadores de todo tipo. Os de baixa renda reforçam a despensa na beira da estrada, os de alta renda sonegam impostos, e assim cada um vai fazendo justiça à sua maneira. Essa subversão não é consequência da gestão de um partido específico, e sim de uma cultura política que vem apodrecendo há décadas, somada a uma índole nacional que nunca foi exatamente nobre (sermos alegres, hospitaleiros, musicais e bons de bola nos torna simpáticos, mas simpatia não é um valor que, por si só, salve o caráter).

Se antes o “jeitinho” acontecia por baixo dos panos, agora colocamos a cara na janela, deixando claro que não estamos mais dispostos a obedecer nada e a ninguém. Ou o Brasil passa a ser governado com profunda seriedade, ou esse será, infelizmente, o plano mais bem-sucedido da nossa história: o plano B.

descomplique-se


O dia a dia da gente já é corrido demais para ficar pensando bobagens. É essa a frase que procuro repetir a todo instante. 
Tenho tentado me estressar menos, sorrir mais. Carregar menos o mundo nas costas, dormir em paz, tirar a tensão dos ombros, relaxar completamente.

Normalmente, quero resolver tudo. E rápido. Depois, paciência e talvez são palavras que não gosto muito.

O tempo passa, anda quase correndo. Isso me assusta um pouco, por isso procuro acompanhar o passo dele. Quero tudo e muito rápido. Não consigo acompanhar minhas próprias vontades, palavras e verdades.

Uma coisa eu decidi: não vou mais perder a cabeça. 
Vou separar o que merece e o que não merece a minha atenção. Isso vale para coisas, pessoas, ideias, sentimentos. 
Tem coisa que não vale um real. Outras tantas valem um milhão.

Não vale a pena complicar. Bater a cabeça na parede. Gastar dinheiro em terapia. Chutar pedra. Brigar com o filho ou namorado. Comer feito louca. Beber um monte. Inventar rancores. Acumular trapos. Não vale. 
A vida é tão maior que isso. 

E pensar que tem gente tão minúscula nesse mundo. Pessoas que estão sempre se queixando que falta isso, falta aquilo. Gente negativa, que não vive.
Pessoas que antes de responder como estão, soltam um “ah” ou então aproveitam a deixa para se lamentar. Pessoas que aumentam tudo, se sentem vítimas da situação, querem chamar a atenção. Gente que adora uma desgraça. Gente que não sabe enxergar o lado bom.
Deus me livre de ser assim.

Chega de reclamar: abra o coração, a mente e descomplique.



 “... se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” 


(Sl 127.1)

quarta-feira, 21 de maio de 2014


fiz um bom negócio


Viva a filosofia popular, que pode ser extraída até mesmo de uma propaganda de tevê. Ainda que seja bizarro ver o Sergio Mallandro, o Supla, a Narcisa Tamborindeguy e o Compadre Washington decapitados em cima de máquinas de lavar, carrinhos de bebê e aparelhos de som, a ideia é boa. Desapega, desapega.

Você tem feito um bom negócio?

A todos os ligeiros, minha admiração e cumprimentos. Sou do time das apegadas – portanto, das lentas. Costumo esticar a validade de tudo, sempre acreditando que ainda há um jeito, que ainda não se esgotaram as tentativas, e assim vou guardando roupas que não uso mais, ideias para textos que não chegaram a ser escritos e principalmente pessoas com quem já não tenho compatibilidade, apostando na fé celestial de que voltarão a significar o que significaram um dia. Não voltam. Desapega, desapega.

Aqueles sonhos que você tinha de que o casal envelheceria companheiro, de que vocês dois atravessariam madrugadas conversando? Desapega.

Que depois da conversa ainda sobraria algum desejo? Desapega, desapega.

Essa é pra mim: “sabe nada, inocente”. Tão racional por um lado, tão romântica por outro. Poderia já ter mudado de vida, não fosse tão apegada àqueles com quem construí vínculos, acreditando na potência da intimidade, algo que não se cria em dois ou três meses, é preciso um investimento a longo prazo. Mas o tempo está passando e é preciso deixar de acreditar em romantismo, o mundo está obcecadamente instantâneo, frenético, inconstante. Desapega.

Tá, desapego. Mas o que me darão em troca?

Leveza, dizem.

Ok, é um bom negócio. Fechado.

Leveza é uma conquista da maturidade. Quase não a encontramos entre adolescentes e jovens de 18, 22, 26 anos, todos preocupados em ganhar dinheiro, encasquetados com questões irrespondíveis, tentando controlar aquilo que é alçada do destino apenas. Julgam-se superpoderosos, detentores de uma sabedoria particular, só deles. Levam nas costas sua mochila cheia de planos, defendem com vigor suas escolhas, enquanto que nós, que já fomos como eles um dia, hoje sabemos que não adianta, a vida é metade o que escolhemos e metade o que não escolhemos: a parte que se impôs sem chance de negociação. Tivemos que vivê-la também. Nem tudo se consegue planejar.

Cedo ou tarde eles aprenderão que pouco se pode fazer contra o surgimento das fatalidades, dos imprevistos e das urgências emocionais. Que chegará a hora de depositar as armas no chão, levantar os braços e deixar que a vida os conduza.

É quando finalmente se faz um bom negócio: a gente abre mão do nosso velho e rançoso discurso de sabe-tudo e, em troca, a vida nos devolve a graça e a delicadeza. Para que carregar tanto peso, tanta certeza, tanta ilusão? Desapega, desapega.


Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês. 

1 Pedro 5:7

terça-feira, 20 de maio de 2014


Se eu perdoaria uma traição? Claro! Meu coração é nobre e sempre há perdão nele. 
Eu diria: “Amor, eu te perdoo”. Depois juntaria minhas coisas e nunca mais apareceria, mas eu perdoei, tá? 

Acho que não existe nada pior do que uma traição. Se dedicar, se entregar, amar a alguém e esse alguém te trair. 

“A carne é fraca”, justifica. 
A carne é fraca, mas eu sou forte e não mereço alguém assim do meu lado. 
Tudo bem que há os modernos que vivem em relacionamentos abertos. 
Se eu acredito em relacionamento aberto? Acredito! Relacionamento aberto, aberto ao fracasso, aberto ao fim, aberto a mágoa, aberto a toda falta de reciprocidade e dignidade sentimental que se possa imaginar. 

Afinal, o que é mesmo amar? É escolher uma pessoa entre milhões de espécies disponíveis no mundo e elegê-la ao cargo máximo de estar única e exclusivamente ao seu lado. 
Se é pra ficar comigo e com mais todo mundo que aparecer na reta, eu prefiro ficar só!

Em uma traição não importam os motivos de quem traiu, mas a dor de quem foi traído. 
Se traiu porque sentiu-se atraído, sinto muito, mas eu não sabia que estava namorando um imã que atrai tudo e todos, portanto, controle-se! 
Se traiu porque passou a gostar de outra pessoa, lamento, mas você não é nenhum líder religioso que é obrigado a amar a humanidade e, se fosse, isso excluiria o contato sexual. 

Traição não é oportunidade, nem escolha, é caráter. 
“Caráter é uma linha reta, não faz curvas”. E se você gosta de andar em círculos, ande sozinho. 

Faça um exercício: toda vez que sentir vontade de trair, lave uma privada, pra você lembrar que toda traição termina assim: em merda. E no amor não basta apenas dar a descarga! 

A questão não é ter tudo, é escolher alguém e fazer dar certo. 
E se você não está disposto a ficar com uma pessoa só, sinto muito te informar, mas o seu destino é morrer sozinho.


Acredito que vai ser pra sempre. 
Se a gente não acredita, 
qual é a graça em amar...

quem de mim você quer?
sou boa mãe, esposa exemplar
profissional respeitada, prendas do lar
gosto de plantas, sou organizada e sei bordar

quem de mim você quer?
sou meio maluca, danço sozinha
bebo profissionalmente e não dou vexame
sou sexy, malandra, boa de cama

quem de mim você quer?
leio até tarde Proust, Balzac, Flaubert
escrevo poemas, visito escolas
sou capaz de citar Baudelaire

quem de mim você quer?
faço ginástica, musculação, caminhada
nado mar adentro, jogo vôlei, frescobol
novecentos abdominais por semana

quem de mim você quer?
acampo em desertos, não tenho medo de avião
gosto de Paris, Londres, cidades plurais
bicicleta, motorhome, paraquedas, mil milhas

quem de mim você quer?
a maternal que atravessa madrugadas insones?
a visceral que não deixa você dormir?
a internacional que fala várias línguas?

escolha seu percentual de mulher


Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus.

 (I Tessalonicenses 5:16-18)

segunda-feira, 19 de maio de 2014


neah?!?

A distorção de valores chegou a tal ponto que pessoas discretas são consideradas arrogantes, os modestos são vistos como dissimulados e os que não se rendem a modismos são taxados de esnobes. 
Ser autêntico – requisito número um para se ter charme – virou ofensa pessoal. 
Ou a criatura faz parte do rebanho, ou é um metido a besta.

na saúde e na camisa manchada


Você alguma vez já falou pra sua namorada/noiva/esposa que quer ficar com ela pra sempre? Ou ele, mundo maluco... Provavelmente já.

Mas você já parou pra pensar na magnitude disso? 
Já parou pra pensar que ficar juntos pra sempre não compreende uma vida de sexo selvagem a noite toda e passeios no campo durante o dia como você imagina? 
Já parou pra pensar que ficar pra sempre não é, nem de longe, somente prolongar o namoro? 
Enfim, já parou pra pensar que um dia a camisa oficial do seu time do coração vai sair da máquina de lavar manchada por uma echarpe rosa ou pode ser queimada com ferro de passar em um momento de distração em uma crise de TPM? 
Não? Então está na hora de pensar, amigão.

As noites de sexo no início farão inveja ao Long Dong Silver. Depois de um tempo, não farão inveja nem a uma noviça. Do jeito que a coisa anda, é capaz de você ficar com inveja dela… 
A rotina, o trabalho, a vida a dois, vários fatores podem contribuir pra isso. Por falar em TPM, se a da sua namorada faz jus à lenda e a transforma em uma mistura de Jason, Rambo e uma cerca de arame eletrificado, já parou pra pensar em dormir/acordar/ver-jogo-na-TV com essa, digamos, sensível companhia? E onde você vai botar seus bonecos de filme e desenho animado que ela acha fofo, mas na casa “dela”, vai virar um bando de brinquedo idiota?

E a mãe dela? Hoje em dia a convivência é esporádica, mas e quando for pra sempre? Visitas constantes e um vínculo eterno. Pense nisso, camarada. 
E os amigos idiotas dela? E aquele babaca que encontra com você e fala: “olha, você é um cara de sorte! Essa aqui tinha um monte dando em cima…”, e você só pensa se ele  fez um curso por correspondência de humor de salão com Carlos Alberto de Nóbrega
Imagina um almoço de domingo com a sogra, esse amigo babaca, ela de TPM e seus bonecos escondidos debaixo da cama? 
Depois o Discovery fica fazendo série em dez capítulos pra saber como nascem os serial killers…

E frases como: “você não era assim quando a gente namorava”, “eu sempre soube que você não ia mudar” ou “amor, adivinha quem vem passar o fim de semana com a gente?”, e você fica torcendo pra estar errado e ela ter convidado o maníaco do parque ou o Michael Jackson para um programa família… 
Seu ar desleixado que ela adora vai virar relaxamento e você acabou de ganhar um inimigo número um pro seu videogame. 
Nada de dormir tarde no computador vendo vídeo de luta porque a luz incomoda ela, vale-tudo na TV de madrugada nem pensar, porque ela tem pesadelo e o adesivo do seu time no carro vai ser trocado por um “bebê a bordo”.

Mas por que diabos eu falei isso tudo? Porque eu quero que ninguém mais se case, ou seja feliz? Não quero que ninguém fique junto com ninguém pra sempre? 
Não, exatamente o contrário. Porque quero que vocês, camaradas, assim como eu, saibam disso tudo aí em cima, e muito mais, e mesmo assim, ainda queiram ficar com ela pra sempre. Porque mesmo com sogra, amigo babaca, videogame quebrado, TPM e camisa do seu time manchada de roxo – mesmo com isso tudo – ir dormir todo dia com aquele sorriso lindo do seu lado e acordar pro resto da vida com ela aninhada no seu peito, ah, camarada, por isso a gente aguenta qualquer coisa. 
Quando a gente ama de verdade, a gente aguenta sim.

Mas é melhor mandar lavar a camisa do seu time na lavanderia. 
Só por precaução… 

_______Léo Luz

Melhor é o pouco com o temor do SENHOR, do que um grande tesouro onde há inquietação. 

Provérbios 15:16

domingo, 18 de maio de 2014

tarja preta na veia


Os cardiologistas podem ver um ataque cardíaco que está a caminho através de exames. Está no sangue. Mas quem pode ver a mentira, ou o passado, ou a tristeza?
☠ 
Todo mundo toma. Advogados, músicos, pessoas que vão para entrevistas de emprego importantes. [A medicação] não a torna nada que você não é, apenas facilita que você seja quem você é. 

(do filme Terapia de risco)

sábado, 17 de maio de 2014

com o mundo nas costas


Chega o fim da tarde e é sempre a mesma coisa: ombros pesados, dor lombar, corpo doído, músculos em contração. Até parece que você passou o dia carregando o mundo nas costas. A sensação é uma síndrome do estresse contemporâneo. E tem nome: Complexo de Atlas.

Toda mitologia acaba sendo uma excelente fonte para estudarmos a psique humana, pois são estórias e personagens que representam aspectos e imagens de nosso próprio inconsciente.

Na mitologia grega, Atlas é um gigante condenado por Zeus, senhor supremo dos deuses e dos homens, a carregar o mundo nas costas. 

Atlas também é o nome da primeira vértebra da coluna cervical, a que sustenta todo o peso da cabeça. Não poderia haver imagem melhor para descrever o estresse contemporâneo. 
O Complexo de Atlas atinge nada menos que 40 milhões de pessoas prejudicando o desempenho profissional de pelo menos 15 milhões delas. 
Essa massa estressada sofre para dar conta de todas as suas responsabilidades, sem deixar o mundo desmoronar. Os desafios podem ser modernos, mas a reação é das mais primitivas.

Quem sofre do Complexo de Atlas transfere todas as preocupações para a musculatura do pescoço, exatamente como faziam nossos ancestrais para se proteger de adversários, que cravavam suas mandíbulas nas goelas desprevenidas. 

Hoje, não precisamos desse reforço, já que os ataques dificilmente têm o pescoço como alvo. Mesmo assim, continuamos a tensionar essa região sempre que nos sentimos ameaçados. Essa reação de estresse continuada desgasta a coluna cervical e lombar (na altura dos quadris), provocando dores crônicas e doenças como artrose.

Como se não bastasse, o aumento da tensão cervical se estende a musculaturas vizinhas, sobrecarregando articulações, ligamentos e tendões. A maior conseqüência é o trincamento dos dentes, conhecido como bruxismo, que vem se tornando cada vez mais freqüente.

Nos últimos 40 anos simplesmente dobrou o número de casos. Tem mais: sabe aquela dor de cabeça que insiste em roubar seu sossego? Também pode ser conseqüência do Complexo de Atlas. A tensão na coluna cervical e na mastigação pode se estender pela musculatura craniana, provocando dores intensas.

Como se vê, carregar o mundo nas costas pode ter um preço alto. E muitas vezes não leva a nada. 

Quando Atlas morreu, o mundo continuou exatamente no mesmo lugar, sem nenhum suporte.

por Alex Botsaris, 57, médico, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especializado em doenças infecciosas pelo Hospital Claude Bernard, de Paris, e em acupuntura e medicina chinesa pela Sociedade Internacional de Acupuntura, na França, e pela Universidade de Pequim, na China.
Fonte: Revista Você S/A (Artigo sobre o livro O Complexo de Atlas)


Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Visto que vocês não podem sequer fazer uma coisa tão pequena, por que se preocupar com o restante? 

Lucas 12:25-26

sexta-feira, 16 de maio de 2014


Basta nascer e o resto é sopa.

Será? Nos primeiros anos, estar vivo parece resumir-se ao ato de inspirar e expirar, mas justamente na infância é que são criados os traumas que formatarão nosso caráter. Seu pai lhe transmitiu alguns preconceitos quando você era um frangote, sua mãe era uma figura dúbia, seu avô lhe cobrou demais, sua avó fazia umas tortas azedas, seu cachorro fugiu quatro vezes, seus amigos debochavam das suas espinhas, você era o goleiro do time, e ainda por cima frangueiro. Como esquecer? Bem-vindo aos “Efeitos Colaterais de Viver”

Viver é ter uma relação mais ou menos bem resolvida com seus pais. Sem culpa, pois eles também tiveram uma relação mais ou menos com os pais deles, e esses com os seus bisavós: é da natureza humana ter conflitos com quem nos gerou. Amor e ódio, aceitação e repulsa, concordâncias e discordâncias, é assim mesmo. Quando ficarmos velhinhos, amaremos a todos incondicionalmente. É das poucas coisas para a qual serve a longevidade: a gente esquece as dores e perdoa tudo - dizem.

Viver é sofrer por amor. Se você nunca sofreu, volte para o útero e comece tudo de novo, desta vez torcendo para que seja um feto normal, ou seja, que irá sofrer por amor um dia. Você achou que amaria para sempre quantas vezes? Eu sei, é uma decepção quando o “para sempre” termina. Você vai sofrer quando tiver que romper com alguém, sofrer quando alguém romper com você, sofrer quando estiver casado e desejar aventuras, sofrer quando não estiver casado e desejar estabilidade emocional, sofrer quando for rejeitado, sofrer quando magoar quem não merece, sofrer quando duvidar de suas escolhas. Amar tem mil e uma contraindicações, mas resigne-se, ninguém consegue abrir mão de passar por esses deliciosos infortúnios.

Você ficará sem dinheiro em alguma época da vida. Você será rejeitado. Você pagará mico tentando convencer os outros de que é alguém especial. Você será despedido um dia. Você será competente, mas sempre haverá alguém mais competente que você. Você será ótimo, mas nunca será insubstituível.

Você terá insônia. Você terá que engolir alguns desaforos em nome da civilidade. E se não engolir e partir para a agressão, criará fama de perturbado. Você vai beber demais. Ou fumar demais. Ou não cultivará nenhum vício. O que quer que faça, não faltará quem lhe condene.

Viver é ouvir que você está muito gordo, ou muito magro, ou ter salientada qualquer outra imperfeição: ninguém dirá que você está no ponto. Viver é não conseguir acompanhar tudo o que está acontecendo no mundo, porque acontecem coisas demais. É ser alérgico a grosseria, rudeza, burrice, e não conseguir se imunizar. Viver será saudável uns 80%, se você tiver sorte.

Viver é estar a par dos efeitos colaterais. Como? Lendo a bula. Livros são bulas. Quem não lê, não reconhece os sintomas da nossa humanidade.

Você deve conhecer homens que dizem amar muitas, muitas mulheres. Eles saem pela vida à procura de namoradas e amantes e encontram muitas sem nunca encontrar alegria. O que eles encontram é prazer. Mas, de repente, por razões inexplicáveis, um deles encontra uma mulher que o faz esquecer de todas as suas namoradas e amantes. Nela o seu coração encontra alegria. Sua busca chegou ao fim. 
Assim é a vida. Quem está em busca incessante de muitos objetos de amor é porque ainda não encontrou o amor...

(do livro “Perguntaram-me se acredito em Deus”)

hehehehe

“Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece”

Jó 3.25

quarta-feira, 14 de maio de 2014


segunda-feira, 12 de maio de 2014

assim seja!


Que a nossa semana seja um infinito de bons sentimentos. 
Que tenha paz, tolerância, carinho, respeito. 
Que tenha amor, afeto, aconchego. 
Que a gente guarde no bolso as palavras ásperas. 
E jogue pela janela as mágoas e lamentações. 
Amém.

coisas que aprendi com minha mãe


Minha mãe me ensinou a valorizar o sorriso.
“Me responde de novo e eu te arrebento os dentes!”

Minha mãe me ensinou a retidão.
“Eu te ajeito nem que seja na pancada!”

Minha mãe me ensinou a dar valor no trabalho dos outros.
“Se você e seu irmão querem se matar, vão lá pra fora. Acabei de limpar a casa!”

Minha mãe me ensinou lógica e hierarquia.
“Porque eu digo que é assim e ponto final. Quem é que manda aqui?”

Minha mãe me ensinou a contradição.
“Fecha a boca e come!”

Minha mãe me ensinou sobre antecipação.
“Espera só até seu pai chegar em casa!”

Minha mãe me ensinou sobre paciência.
“Calma! Quando chegarmos em casa você vai ver só...”

Minha mãe me ensinou a enfrentar os desafios.
“Olhe para mim! Me responda quando eu te fizer uma pergunta!”

Minha mãe me ensinou sobre raciocínio lógico.
“Se você cair dessa árvore, vai se quebrar todo e eu vou te dar uma surra!”

Minha mãe me ensinou medicina.
“Pára de ficar vesgo, menino! Pode bater um vento e você vai ficar assim pra sempre!”

Minha mãe me ensinou sobre o reino animal.
“Se você não comer essas verduras, os bichos da sua barriga vão comer você!”

Minha mãe me ensinou sobre genética.
“Você é igualzinho ao seu pai!”

Minha mãe me ensinou sobre minhas raízes.
“Tá pensando que nasceu de família rica, é?”

Minha mãe me ensinou sobre a sabedoria do tempo.
“Quando você tiver a minha idade, você vai entender!”

Minha mãe me ensinou religião.
“Melhor rezar para essa mancha sair do tapete!”

Minha mãe me ensinou o beijo de esquimó.
“Se rabiscar de novo, eu esfrego seu nariz na parede!”

Minha mãe me ensinou sobre justiça.
“Um dia você terá seus filhos, e eles vão fazer com você o mesmo que você faz comigo, aí você vai ver o que é bom!”


Mãe é tudo “peça”, só muda o endereço...
hehehehe


Eis que, como o vaso na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão.

Jeremias 18:6 

domingo, 11 de maio de 2014

mãe,


por você eu sempre desviro o chinelo! 
(sobre conversas no almoço do dia das mães)

sábado, 10 de maio de 2014


Júnior, a maior construção da minha vida.
Obrigada por me fazer mãe... por presentear-me com a sua existência.
Valeu viver pela dádiva de ter te gerado.
Você é a melhor parte de mim.

Te amarei por toda minha existência!

a canção de qualquer mãe


Que nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós. Que quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo de voltar a ser menino, você que já é um homem. Que quando eu a olhe, minha filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como desde o primeiro instante.

Que, quando se lembrarem de sua infância, não recordem os dias difíceis (vocês nem sabiam), o trabalho cansativo, a saúde não tão boa, o casamento numa pequena ou grande crise, os nervos à flor da pele – aqueles dias em que, até hoje arrependida, dei um tapa que ainda agora dói em mim, ou disse uma palavra injusta. Lembrem-se dos deliciosos momentos em família, das risadas, das histórias na hora de dormir, do bolo que embatumou, mas que vocês, pequenos, comeram dizendo que estava maravilhoso. Que pensando em sua adolescência não recordem minhas distrações, minhas imperfeições e impropriedades, mas as caminhadas pela praia, o sorvete na esquina, a lição de casa na mesa de jantar, a sensação de aconchego, sentados na sala cada um com sua ocupação.

Que quando precisarem de mim, meus filhos, vocês nunca hesitem em chamar: mãe! Seja para prender um botão de camisa, ficar com uma criança, segurar a mão, tentar fazer baixar a febre, socorrer com qualquer tipo de recurso, ou apenas escutar alguma queixa ou preocupação. Não é preciso constrangerem-se de ser filhos querendo mãe, só porque vocês também já estão grisalhos, ou com filhos crescidos, com suas alegrias e dores, como eu tenho e tive as minhas. Que, independendo da hora e do lugar, a gente se sinta bem pensando no outro. Que essa consciência faça expandir-se a vida e o coração, na certeza de que aquela pessoa, seja onde for, vai saber entender; o que não entender vai absorver; e o que não absorver vai enfeitar e tornar bom.

Que quando nos afastarmos isso seja sem dilaceramento, ainda que com passageira tristeza, porque todos devem seguir seu caminho, mesmo que isso signifique alguma distância: e que todo reencontro seja de grandes abraços e boas risadas. Esse é um tipo de amor que independe de presença e tempo. Que quando estivermos juntos vocês encarem com algum bom humor e muita naturalidade se houver raízes grisalhas no meu cabelo, se eu começar a repetir histórias, e se tantas vezes só de olhar para vocês meus olhos se encherem de lágrimas: serão apenas de alegria porque vocês estão aí. Que quando pareço mais cansada vocês não tenham receio de que eu precise de mais ajuda do que vocês podem me dar: provavelmente não precisarei de mais apoio do que do seu carinho, da sua atenção natural e jamais forçada. E, se precisar de mais que isso, não se culpem se por vezes for difícil, ou trabalhoso ou tedioso, se lhes causar susto ou dor: as coisas são assim. Que, se um dia eu começar a me confundir, esse eventual efeito de um longo tempo de vida não os assuste: tentem entrar no meu novo mundo, sem drama nem culpa, mesmo quando se impacientarem. Toda a transformação do nascimento à morte é um dom da natureza, e uma forma de crescimento.

Que em qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo, idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve, a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos filósofos de explicar os enigmas da existência. A sensação que vinha do seu cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta bela e complicada terra. E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter.

Um beijo especial para todas as mães.


Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados.

(Isaías 66.13) 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

conta de novo


Se sua mãe conta a mesma história, não é esquecimento, é orgulho de viver.
Se sua mãe conta a mesma história, não é que ela está velha, é que você ainda não entendeu a mensagem.
Se sua mãe conta a mesma história, não custa ouvir de novo. Afinal, quando criança você sempre pedia para ela repetir a leitura dos livros.

Não vou oferecer um par de brincos para minha mãe, vou oferecer meu par de ouvidos.


#façoissocommeufilho

“Busquem o Senhor enquanto se pode achá-lo; clamem por ele enquanto está perto.”
— Isaías 55:6

quinta-feira, 8 de maio de 2014


Não aceite migalhas. 
Deus te fez mulher, e não formiga.



Impaciente. Atrapalhada. Calada. Exagerada.
Nem santa. Nem linda. Nem doce. Nem tão feminina.
Nem delicada e meiga. Nem certa. Nem poeta. Nem famosa. Nem bruxa. Nem anjo. 
Na dúvida, talvez escrevente.

Ainda bem que os anos estão me ensinando a pedir desculpas, mesmo sem eu desejar. 
A prestar atenção também nas dores e sentimentos dos outros porque eles são tão importantes quanto os meus. 
A ouvir quem estiver falando, mesmo eu não concordando com tudo aquilo. 
A voltar atrás, embora eu tenha tanta pressa em ir. 
A reconhecer que tudo não me pertence.

Ainda bem que a vida está me ensinando outras lições pequenas. 
Estou aprendendo a dizer sim. A responder emails. Agradecer um telefonema. Responder uma mensagem, pois quem enviou certamente aguarda uma resposta. Dar um simples boa noite. A olhar para quem fala comigo. 

Estou aprendendo a respeitar os sentimentos. Agradecer uma demonstração de afeto. Ouvir conselhos, mesmo não seguindo a todos eles. 

Por respeito, estou aprendendo a prestar mais atenção nas outras auras. 
Por decisão, continuo gostando do ser humano. 


A morte e a vida estão no poder da língua; 
o que bem a utiliza come do seu fruto. 


Pv 18.21

quarta-feira, 7 de maio de 2014


Muitas frases espirituosas já foram escritas a respeito de vingança. Gosto de uma que diz: “Contra quem que lhe tomou a esposa, não existe vingança melhor do que o infeliz ficar com ela pra sempre”. Vale para ambos os sexos, acrescento.

A vingança é uma atitude de mau-humor, e o mau-humor pode ser risível. Eu, ao menos, acho engraçado que alguém perca tempo se dedicando a se vingar de quem quer que seja, deixando claro o quanto se sentiu ofendido. Há vingança melhor do que não dar a mínima?

Mas, para a maioria das pessoas, é difícil ficar indiferente diante de uma situação que, a priori, causou prejuízo. Até o Velho Testamento cita o “olho por olho” como forma de sanar o dano causado. Toma lá, dá cá. Aqui se faz, aqui se paga. Ok, mas é um desperdício de energia.

Não chego ao cúmulo de oferecer a outra face, que isso é coisa pra santo. Perdoo, mas me blindo. Se aprontou uma vez, aprontará outra. Fico na minha, me fortaleço e trato de viver cada dia melhor – nada irrita mais nossos inimigos.

Pesquisas indicam que as mulheres são mais vingativas do que os homens, o que não enobrece a classe. Transar com outro, sem estar a fim, só porque fomos traídas? Roubar o namorado da amiga porque ela ficou com nosso emprego? Espalhar boatos pela internet porque alguém foi desleal? É a confirmação da nossa pequeneza, que passa a se igualar à pequeneza de quem falhou conosco.

Dizem que se vingar dá uma sensação agradável, que a vingança é doce, traz consolo, segurança. Estão aí os defensores da pena de morte para confirmarem o júbilo que a vingança provoca. Eu sigo achando que lutar por justiça é um dever, mas se vingar é tosco. Só é aceitável quando o destino é que se vinga por nós, sem que a gente suje as mãos. Há que se confiar na providência divina.

Já a vingança planejada é uma infantilidade que só confirma o quanto o outro nos abalou. Prefiro não dar esse gostinho.