"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 26 de junho de 2013


Que os seus dias sejam ensolarados!
Com muita nuvem para imaginar desenhos...

                                                                                                                    
Que seu novo ciclo te traga mais realizações,
mais conquistas, 
mais alegrias,
mais amor,
mais saúde,
mais paz,
mais fé para enfrentar a vida.

Te desejo tudo de bom, de belo, de verdadeiro
e uma felicidade do tamanho do seu coração.

Antecipo os meus parabéns pelo aniversário, Neckyr
parabéns pelo grande ser humano que você é.
São pessoas como você que me fazem acreditar
que o mundo ainda é um lugar vivível
e viável.



Gosto de gente que carrega em si suavidade de brisa matinal, tem sempre um tapete de margarida a beijar os pés, passos que florescem caminhos, caminhares que vão plantando sementes e colhendo frutos sempre doces e macios pela frente.
Gosto de gente que tem cheiro de manhã de primavera, de botão se abrindo em flor, pétalas...
Gosto de gente que sabe escancarar a janela da alma, arejar a casa, renovar–se em ar, sentir-se forticar, receber amor do outro e ao outro se doar.
Gosto de gente que carrega chuva nos dedos que é pra arrefecer todo fogo que vai dentro numa febre do sentir.
Gente que carrega uma dose extra de mel pra combater o azedume dos dias, dessa gente em que a doçura contagia.

Gosto de me debruçar em pessoas assim, nessa gente onde a fé sempre impera, onde a alegria prospera e bondade prolifera...
Gosto de sentir a atmosfera, contemplar cada paisagem do viver.

Gosto de gente como você, meu bem!

Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo lhe corra bem,
assim como vai bem a sua alma.

3 João 1:2

terça-feira, 25 de junho de 2013

o lado bom das coisas ruins


“Os ventos que às vezes tiram algo que amamos, são os mesmo que nos trazem algo que aprendemos a amar. Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim aprender a amar o que nos foi dado.”

Você levou uma bronca do seu chefe nessa semana?

Ótimo! Isso com certeza fará você crescer como profissional e ser mais eficiente.

Foi demitido?
Fantástico! Estava mesmo na hora de você se reciclar, respirar novos ares, conhecer novas pessoas, procurar novos empregos...

Perdeu sua carteira com todos os documentos?
Excelente! A coitadinha já estava bem gasta e o único jeito de você trocá-la foi esse, né? Quanto aos documentos? Melhor ainda! É sempre bom tirar uma segunda via de tudo e ficar bem atualizado!

Está devendo pra meio mundo?
Maravilha! Lembra quando você reclamava que não recebia correspondências, que ninguém te telefonava? Agora isso vai mudar!

Bateu o carro?
Perfeito! Ele estava mesmo precisando de uns retoques na pintura. Aproveite agora pra dar uma geral! O seguro paga! 
Ah, você não tem seguro? Melhor ainda! Já pensou o dinheirão que você economizou desde que comprou o carro?

Seu computador pifou de vez?
Muito bom! Agora finalmente você vai poder se desestressar um pouco, curtir a natureza e esquecer esse negocio de Internet, e-mail, relatório, etc.

É enfrentando as dificuldades que você fica forte. É superando seus limites que você cresce. É resolvendo problemas que você desenvolve a maturidade. É desafiando o perigo que você descobre a coragem.
Tudo é uma questão de atitude. 
Tente ver o lado bom das coisas ruins que te acontecem.


Eu sou a ressurreição e a vida.
Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá;
e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente.

João 11:25-26

segunda-feira, 24 de junho de 2013

tem alguém aí?


(Gabriel, o pensador)

Durante minhas aulas particulares de inglês, a professora de vez em quando usa um baralho especial para estimular a conversação, o Conversation Starter. Cada carta traz uma pergunta inusitada, algo para estimular uma resposta que obrigue o aluno a buscar um vocabulário que normalmente não usa. Na última aula, usamos o baralho e caiu para mim o seguinte: qual o crime que você cometeria, caso tivesse certeza absoluta que jamais seria pego?

Como tudo não passa de uma brincadeira, minha professora disse que há quem mate a sogra e relate o assassinato em minúcias. Esses alunos inspirados rendem aulas mais produtivas e divertidas do que os certinhos que respondem: “None”. Pô, crime nenhum? Como é que vai desenvolver o vocabulário com essa honestidade toda?

Eu não inventei um crime estapafúrdio para divertir a professora, mas tampouco fiz o papel de lady tomada pela virtude. Pensei, pensei, e respondi que sonegaria imposto. Não daria um tostão para o governo. Não enquanto os benefícios em troca fossem essa vergonha nacional.

Todos os meses, assim como você, pago uma fortuna aos cofres públicos. E pago também previdência privada, seguro-saúde, seguro do carro, escola particular para os filhos e um condomínio alto por mês por causa das grades, da guarita blindada, do vigia 24 horas.

Para onde vai o dinheiro que deveria custear nossa segurança e bem-estar? Para o bolso de algum empreiteiro, para o bolso de algum político, para a conta particular de alguma Rosemary. Recentemente conversei com um estrangeiro que está no Brasil fazendo parte de uma comitiva ligada à gestão da Copa do Mundo: confirmou que a roubalheira é a coisa mais escandalosa que já testemunhou.

Não sou contra a Copa aqui no Brasil porque sei (ou quero acreditar) que esse dinheiro não está sendo desviado da saúde e da educação. É um dinheiro que surge milagrosamente sempre que há um megaevento de visibilidade mundial. Não houvesse Copa no Brasil (como não houve em 2010, 2006, 2002...), o dinheiro continuaria parado no bolso de alguns, como sempre ficou. Ao menos, com Copa, algumas obras estão sendo feitas, menos mal.

De qualquer forma, é um fiasco. Com a dinheirama que se arrecada cada vez que abastecemos o carro, cada vez que compramos feijão, cada vez que ligamos o abajur, e mais ainda com o que tiram do nosso salário, jamais deveríamos ver doentes sendo recusados em portas de hospitais, nunca um aluno poderia estudar sem material e merenda e era para ter um policial em cada esquina.

Sempre me dei bem com minhas sogras, estão todas a salvo da minha sanha assassina. E nunca soneguei imposto, pois cumpro as leis, mas está na hora de o país retribuir à altura e parar, ele sim, de sonegar dignidade ao povo, até porque a tal “certeza absoluta de não ser pego” começa, lentamente, a deixar de ser tão absoluta.
Ora, malha fina para eles também.

(O crime que eu cometeria - publicado no Zero Hora em 01/05)


Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme.
O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína.

Provérbios 29:2,4

sexta-feira, 21 de junho de 2013


“Aqui tudo parece que é ainda construção, e já é ruína”.

Conversava com um amigo sobre o vexame que foi a abertura de um buraco no conduto Álvares Chaves no início de fevereiro, durante um dos temporais mais enérgicos ocorridos em Porto Alegre, e nos veio à lembrança essa parte da letra da música Fora da Ordem, do Caetano Veloso.

Não é o caso de tratar desse assunto isoladamente (por mais absurdo que seja o fato de um investimento tão alto numa obra de drenagem resistir apenas quatro anos), mas de analisarmos o contexto todo: vivemos num país maquiado, em que se as coisas “parecerem” benfeitas, já está ótimo.

Algumas outras também serviriam como exemplo de obras entregues às pressas para cumprir calendário, mesmo sem condições básicas de uso. Mas também não podem ser vistas como um caso isolado. Há outras tantas em andamento, todas com prazo máximo de 15 meses para serem concluídas (até o início da Copa), e me pergunto: o corre-corre não comprometerá o bom acabamento de viadutos, pontes, prédios e estradas?

Com a intenção de viabilizar orçamentos, não se estará sacrificando a qualidade do material empregado? Os funcionários em atividade estão bem preparados ou fazem um serviço matado, a toque de caixa? Dá pra confiar na espinha dorsal do Brasil?

Há que se ter cuidado com infiltrações. De todos os tipos, aliás. Com a infiltração de inconsequentes em meio a uma torcida, capazes de disparar um artefato com poder destrutivo em direção a outras pessoas, sem levar em conta que o gesto poderá ferir gravemente alguém ou até mesmo matar – como matou o garoto boliviano de 14 anos.

Com a infiltração de médicos e enfermeiros sem ética dentro de hospitais, que desligam aparelhos que mantêm vivos os pacientes, a fim de “desentulhar a UTI”. Com a infiltração de políticos desonestos nas entranhas do poder, que mesmo acusados por crimes diversos assumem cargos de presidência de instituições.

Por fora, bela viola. O Brasil hoje é visto como um país moderno e estável. É uma aposta mundial considerada certeira, um candidato VIP a juntar-se às superpotências. Mas como andará o esqueleto desse país que se declara tão sólido? Na verdade, o Brasil é um jovem com osteoporose precoce, um país descalcificado, que fica em pé à custa de aparências, comprometido com sua imagem pública, mas que segue com uma infraestrutura em frangalhos.

Aqui pouco se investe seriamente em educação, em treinamento de pessoal, em qualificação de mão de obra, em fiscalização, em responsabilidade social, tudo o que alicerça de fato uma nação. Nossa mentalidade “espertinha” faz com que não gastemos muito dinheiro com o que fica oculto, com o que não dá para exibir.
O resultado? Por dentro, pão bolorento.

(Infiltrações - Zero Hora, 27/02)

O Senhor desfaz os planos das nações e frustra os propósitos dos povos.
Mas os planos do Senhor permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações.
Como é feliz a nação que tem o Senhor como Deus, o povo que ele escolheu para lhe pertencer!

Salmos 33:10-12

quinta-feira, 20 de junho de 2013

o gigante acordou


Desde a semana passada milhares de brasileiros estão indo às ruas para protestar. O que a princípio seria uma manifestação contra o aumento da passagem do ônibus em São Paulo ganhou proporções maiores quando a polícia agiu de forma violenta a um protesto que tinha caráter pacífico – apesar de um pequeno grupo sempre deturpar o movimento e agir com agressão ao patrimônio e à PM. Em apoio aos paulistanos e para lutar pelos mesmos direitos, em outras cidades do país a população também foi para as ruas. A partir daí os motivos que levaram os brasileiros a apoiarem a causa foram aumentando. Entre os gritos e cartazes, mostraram-se insatisfeitos com a corrupção, com os gastos excessivos para a Copa do Mundo, com a PEC 37 e pediram por saúde, transporte e educação de qualidade, além de outras reivindicações.

Sem dúvida, o Facebook e Twitter, embora cheios de idiossincrasias, foram os responsáveis por fazer com que as pessoas se unissem e gritassem a insatisfação com a atual situação do país. Por mais divergentes que as pautas fossem e que isso gerasse uma falta de rumo em algumas manifestações, estamos vendo no Brasil algo que já se mostrou eficaz em outras partes do Mundo.

No movimento conhecido como Primavera Árabe, de 2011, as mídias sociais foram as principais responsáveis pela propagação dos protestos que derrubaram ditadores no Norte da África e no Oriente Médio. De acordo com um relatório divulgado pela Dubai School of Government, sem os sites de relacionamento a população não teria conhecimento amplo das manifestações populares.
Se você duvidava do poder das redes sociais, os acontecimentos estão aí para mostrar que há uma esperança.

(texto tirado daqui)



#nuvensdealgodãonãoéalienado

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...

Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
... e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

da prisão de cada um


O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver.

Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la.

A liberdade é uma abstração.
Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço.

Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura.

São cativeiros bem mais agradáveis do que Carandiru (ex-presídio brasileiro de péssimas condições). Para pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão (parlamentar preso em cela especial), temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar.

O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima...
Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos vôos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança, ao mesmo tempo o escraviza.

Viver sem laços igualmente pode nos reter.

Uma vida mundana, sem dependentes para sustentar, o céu como limite: prisão também.
Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho.

Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória.

Nós é que decidimos quando seremos capturados, para onde seremos levados. É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes.

Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós - nascer - foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria, exclusão...

Brindemos: temos todos cela especial!


Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo.
Entrará e sairá, e encontrará pastagem.

João 10:9

terça-feira, 11 de junho de 2013

prece dos namorados

Que haja cumplicidade
Que o entendimento aconteça no olhar
Que as palavras sejam estilingues e não pedras
Que haja tolerância e muita paciência
Que os defeitos de um, não machuquem o outro
Que as qualidades de um, não ofusquem o outro
Que o tempo seja generoso
Que os dias passem em paz
Que as noites sejam de festa
Que a rotina não seja cruel
Que a paixão seja sempre descoberta
Que o abraço seja sempre conforto
Que as vontades caminhem de mãos dadas
Que as diferenças e distâncias só sirvam para aproximar
E que a fé no amor, seja salvação para todos os dias
Amém!
♥ ♥ ♥
#rdb
Café com leite, goiabada com queijo,
feijão com arroz, morango com chantilly...

À vocês que formam uma dupla,
feliz dia dos namorados!

receita de amor ao leite


Tive uma tia que adorava comer melado com queijo. Quando sobrava melado, ela colocava mais queijo. E então sobrava queijo e ela completava com mais melado. Passava o dia todo se lambuzando. Em alguns momentos da vida, amor é que nem melado com queijo. E faz cafuné, reserva hotel pra viagem, olha estrela sem ter o que dizer. E treme as pernas, beija no ponto de ônibus, lembra de ontem e deixa escapar um sorriso no canto da boca. Ri sem saber de quê, passa horas sem notar, entre o silêncio e a falação. Amor é pura bobagem. É a alegria besta de quem não tem juízo.

Mas esse é só o começo. Um bom começo, o amor. Que acomete todo aquele que-nunca-comeu-melado e o engana com a sensação de que vai ser sempre assim.

Com o tempo o melado com queijo enjoa e você quer um bom copo de água gelada pra esquecer. É típico do amor pedir sempre mais – o que vem agora? Na verdade o amor é a isca para alguma coisa mais complicada que está começando ali. Seu desafio: tornar simples. Ou não: a meta é não deixar complicar, mas a essa altura já embananou tudo.

E nessas horas amor é como a história de João e Maria, em que eles conseguem achar o caminho de volta por causa dos farelos que deixaram cair ao longo do trajeto. Tem momentos em que o amor nos pede isso: retomar o rumo, achar de novo aquele fio fino e bobo que os levou até ali. E então ele passa a ser a caça aos farelinhos que, mesmo que não indiquem o caminho de volta, dão uma sensação familiar que acalenta o coração. Aquele alívio de encontrar um porto seguro no meio do mar revolto e sem margem. Quando o gosto de sal na garganta suaviza um pouco e vem o sol.

Não pense você que pra fazer um pote bem doce de amor só se usa amor, bobagem sua: amor é só um dos ingredientes. Ou você acha que basta o chocolate para o brigadeiro? É preciso a manteiga e o leite condensado. E mexer o tempo todo, com muito carinho. Pra depois alcançar o ponto e comer de colher, com direito a gemidinhos de prazer por algo tão bobo e tão bom.

Amor é como brigadeiro de colher, que se come sem ver a hora de parar. Um troço besta, que não serve pra nada, mas nos tira do chão e devolve de novo, em pequenas decolagens e pousos divertidos. E que acaba dando sentido a essa correria louca que nos invade. Quando você chega em casa e vê o amor e se lembra: e não é que vale a pena?

Amor é comer um pedaço menor de doce. E sorrir.

♥ ♥ ♥

meu bem,



Te ter é sorte:
desejo de ano novo que nunca acaba

♥ ♥ ♥

Completai a minha alegria de modo que,
penseis a mesma coisa,
tenhais o mesmo amor,
sejais unidos de alma,
tendo o mesmo sentimento.

♥ Filipenses 2:2 ♥

segunda-feira, 10 de junho de 2013



O amor desbasta o ego. Enxuga excessos. Delata as mínguas. Transforma as mágoas. Destrona arrogâncias e idealizações. Desmancha certezas e tece oportunidades. Bagunça a autoimagem todinha, piedade zero, culpa nenhuma. O amor percorre territórios devastados da alma com a calma necessária para reflorestar um a um. Dissolve neblinas. Revela o sol. Destece máscaras. Reinaugura a humildade. Faz ventar. Faz chorar. Faz sorrir. Faz tempestade um monte de vezes pra dizer também céu azul um monte de vezes depois.

O amor nos ensina a simplificar perdões porque nos humaniza e nos lembra o quanto precisamos ser igualmente perdoados por tanta coisa, tanta gente, a começar por nós mesmos. Ele dispensa julgamentos porque abraça virtudes e limitações. Ele nos aproxima do nosso tamanho e nos recorda quem somos. O amor nos revista, inteiros, pra retirar relógios, calculadoras, roteiros, estratégias, controles, defesas; não raro, escondidíssimos. Diz nas sutilezas. Diz preciosidades que, mesmo às vezes bem baixinho, conseguimos ouvir e reconhecer, por mais cético e assustado que tenha se tornado o nosso coração.

O amor nos molda a cada movimento também para a liberdade de acolher o imprevisível, o inimaginável, o inevitável, o aprazível. Para querer ser e querer sinceramente que os outros também sejam. Ele nos torna mais sensíveis à alegria e à dor de toda gente, inclusive, principalmente, às nossas. Faz com que a gente se sinta parte da família humana. Conta que aquilo que procuramos, amiúde, num mundaréu de lugares, esteve o tempo todo, primeiro disponível, onde raramente buscamos. Reinventa-nos para nos tornar mais parecidos com nós mesmos, o máximo possível a cada instante. Dia após dia da nossa prática. Com medo e tudo. Com propósito e também com carinho. Devagarinho.

♥ ♥ ♥

A base de qualquer relacionamento é o amor. Mas, olha só que curioso, somente o amor não é capaz de sustentar uma relação.
Apesar de ele ser forte, é preciso mais. O amor precisa de respeito, admiração, cumplicidade, companheirismo, cuidado, carinho, amizade, tesão, verdade, lealdade, bom humor, parceria.
O amor é uma troca bonita. E por vezes dolorida. Mas que dói de um jeito igualmente bonito.
O amor não é como nos filmes nem nas novelas. Ele acorda com o cabelo desgrenhado, bafinho de onça e olhos com sujeirinhas.
O amor é uma página em branco que nos traz um punhado de certezas. Ele é a resposta para todas as perguntas e traz no bolso reticências. Deve ser para nos mostrar que o próximo capítulo quem escreve somos nós.
Um pouco a cada dia.

♥ ♥ ♥

Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.

♥ Colossenses 3:14 ♥

sexta-feira, 7 de junho de 2013

amor é acontecer


Aprendi com muita pancada da vida, que amor a gente nunca deve pedir.
Mesmo que a gente precise muito, mesmo que a falta dele nos tire os últimos respiros de ar.
Amor mendigado não é amor, pode ser qualquer coisa perto da ilusão ou do desprezo, mais do que isso não.
Amor deve nos chegar gratuitamente.
Sutilmente se penetra na solidão dos dias, recolhe as lágrimas, abre as janelas das noites mais frias, apaga as palavras que cortaram, lava nosso rosto, redescobre nosso riso.
Não nos pede nada, nem aceita pedidos.
Amor é acontecer.

♥ ♥ ♥

Quanto se pode amar?

Se for amor mesmo,
não cabe numa vida...
e nem na gente.

♥ ♥ ♥

amai,

porque nada melhor para a saúde
que um amor correspondido

♥ ♥ ♥

... porque aonde quer que tu fores irei eu,
e onde quer que pousares, ali pousarei eu;
o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus

♥ Rute 1:16 ♥

quinta-feira, 6 de junho de 2013

tatame


Cá estou eu para uma guerra inesperada
e difícil: lutar contra o meu amor,
o amor que eu sinto.

Puta que pariu!
Civil, despreparada
e desprovida de armas, pareço perder
de cara a empreitada.
Levanto da primeira derrubada
e o bicho já me golpeia certo no
diapasão; justamente o afinador dos fracos,
a bússola sonora
dos instrumentos de canção.
Me emudece, me desafina,
ceifa rente meu braço de poema, e,
manca dele, procuro ainda alguma proteção.
Mais um golpe, estou no chão.

O amor caçoa então: quer morrer, danada, não vai lutar não?
Com o bico da chuteira da mágoa
desfiro-lhe dois golpes seguidos no queixo.
O amor ri: não doeu, nem senti!
Irada, engancho minhas pernas em seu
pescoço, tento as tesouras imobilizantes
que copiei das lutas da televisão.
(Que nunca gostei, será que prestei a devida atenção?)

O amor interpreta mal...
Ah, quer me seduzir? Enforcar, que é bom, não?
Eu nada falava, torcia as pernas, me esgotava,
fremindo-lhe a cabeça entre as coxas.
Isto pra mim é trepada, boba.
Eu gosto do aperto, do cheiro da roxa,
e de te ver roxa.
E gargalhava.

Cansada, humilhada e sem
munição, desmaio e me entrego:
pode me matar, amor
eu estou na sua mão.

O amor me olha de cima então:
querida minha, eis o segredo da esfinge
eis o problema diante da solução:
matar-te é matar-me
e matar-me é matar-te.

Se no chão do amor estava,
nesse chão continuei então.
Deitada sob o amor,
debaixo do amor,
no ringue do amor,
o amor me beijou,
me beijou, me beijou.

♥ ♥ ♥

(...) esse amor
chega forte
invade
arde
soma
surpreende
porque simplesmente é o melhor,
já sei de cor

Você é meu bem querer,
amo tanto amar você

(Dona do meu coração - Catedral)

♥ ♥ ♥

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

I Coríntios 13:2

quarta-feira, 5 de junho de 2013

aos namoridos


Depois do trabalho, ainda falta trabalhar a relação.

Amar não é suportar tudo. Aguentar qualquer coisa.
Não é porque você ama que o amor se faz sozinho.
Não é porque você conquistou quem desejava que deve relaxar.
Não é porque alcançou a independência financeira que já tem autonomia afetiva.

Quando chega em casa do trabalho, depois de oito horas de incômodo, da chuva de cobranças e prazos, cansado, estressado, faminto, não adianta afundar no sofá, esticar as pernas, esquentar algo e se apagar.
Não terá direito à solidão e ficar em paz. Não terá direito a não conversar. Não terá direito a não ser afetuoso. Não terá direito a assistir televisão sem ninguém por perto.
Se pretende se isolar, não ouse casar, não procure dividir o tempo e o abajur.
Quando regressa do serviço, acabou a vida profissional, porém começa a vida pessoal. E do zero.
Sua mulher não tem que tolerar seu desaparecimento, sua anulação, sua desistência pelos corredores.
Ela quer senti-lo, entendê-lo, percebê-lo.
A noite é manhã para o amor.

Quando retorna da rua, agora é o instante de trabalhar o relacionamento.
Da mesma forma em que seria demitido se ofendesse um colega, não desfruta de espaço para agressão e gritos. É a esfera da delicadeza, das pontas dos dedos no rosto, de emoldurar a confiança.
Controle-se, comporte-se, cuidado com o que diz, não se entregue ao cansaço.
Sua esposa nada tem a ver com aquilo que cumpriu à luz do sol. Não conta pontos sua dedicação no escritório.
É um novo turno, sem antecedentes, sem pré-história.
É a primeira vez durante o dia que trocará assunto com ela (que seja separando as melhores peripécias). É a primeira vez durante o dia que se dedicará a ouvi-la (que decore a intensidade das palavras). É a primeira vez durante o dia que passará as mãos em seus cabelos (que seja mais generoso do que a escova). É a primeira vez durante o dia que beijará sua boca (que seja com calma da janela). É a primeira vez durante o dia que presta atenção no que ela veste e como se veste (que seja com atenção de alfaiate).
Não há como trapacear. Não há como despistar, postergar para o final de semana.
É só você e ela.
Tome guaraná cerebral, emborque litros de café, triture amendoim com os dentes. Mas se mantenha acordado. Não se ganha um casamento empatando.
É o período de oferecer atenção integral - ela espera que confirme os motivos para estarem juntos.
Por mais absurdo que soe, assim que pousa sua pasta no chão da residência, inicia o expediente amoroso - todos que amam têm dupla jornada.
É acolher as dúvidas, abraçar demorado, preparar a janta, perguntar sobre os amigos, valorizar os apelidos, deitar próximo, não se distanciar do campo elétrico da pele.

Amar é muito mais grave do que uma profissão. Muito mais complicado. Não tem aposentadoria.

♥ ♥ ♥

O meu primeiro amor
e eu sentávamos numa pedra
que havia num terreno baldio entre as nossas casas.

Falávamos de coisas bobas, isto é,
que a gente grande achava bobas.
Como qualquer troca de confidências
entre crianças de cinco anos.

Crianças...
Parecia que entre um e outro
nem havia ainda separação de sexos,
a não ser o azul imenso dos olhos dela,
olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
nem no cachorro e no gato da casa,
que apenas tinham a mesma fidelidade sem compromisso
e a mesma animal - ou celestial - inocência.

Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu.
Não importava as coisas bobas que disséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto,
que não havia ali apenas duas encantadoras criaturas,
mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se,
não sabia que eles levariam procurando
uma coisa assim por toda a sua vida...

♥ ♥ ♥

As muitas águas não poderiam apagar esse amor, nem os rios afogá-lo;
ainda que alguém desse toda a fazenda de sua casa por esse amor,
certamente a desprezariam

♥ Cantares 8:7 ♥

terça-feira, 4 de junho de 2013


– E se o amor não for uma coisa que aconteça com a gente?
– Como assim?
– E se o amor for uma coisa que a gente deixa acontecer?

♥ ♥ ♥

Sabe, o meu coração
guarda um tanto de amor
É o fruto do que você semeou
Você pode regar
que o que der é só teu
Benza Deus que você apareceu...

Você me trouxe a paz
Mal de amor nunca mais

(Amor eterno - Jeito Moleque)

♥ ♥ ♥

- Desejo passar o resto da minha vida com você.
- Não, uma vida com você nunca será resto.

♥ ♥ ♥

ah, como eu me sinto plena
quando ouço você me chamar
pelo meu sobrenome –
que por acaso ainda não é o seu –
quando vou poder me enfeitar
com a dureza e leveza da tua história?

não se engane, isto não é um pedido
é um jeito de dizer que vou contigo
até você querer meu sim.

incompleto-me. não é só teu sobrenome,
é minha vida que continua e se completa na tua.

♥ ♥ ♥
O meu amado é meu, e eu sou dele…
♥ Cantares 2:16 ♥

segunda-feira, 3 de junho de 2013

das metades


Não sei se foi Platão ou minha mãe que me ensinou a ser metade incompleta. 
Sei apenas que sou (ou quase sou, por ser metade). Como se sozinha eu não fosse inteira, precisando sempre ser dois.
Aprendi por inteiro a ser essa metade – e agora não sei desaprender.

Acontece que aprendi também que sou uma metade única: não existe outro pedaço de mim vagando por aí.
De modo que aprendi a amar outra metade, diferente de mim, com a qual formamos duas metades juntas e de mãos dadas. Um conjunto bem mais interessante e divertido que uma simples duplicação de mim.
Amo no outro o que não sou. Mesmo que isso me irrite e me faça pensar, uma vez por semana, que o outro não passa de um cabeça-dura.
Cabeça-dura que eu amo de coração mole.

♥ ♥ ♥

Não adianta.
Mudam-se as cores do inverno, os sorrisos, as páginas das revistas, as dez mais bonitas.
Mudam-se as tecnologias, as manchetes, o preço do pão, o jeito como você corta o cabelo.
Mudam-se os sonhos, o clima lá fora, o tom do batom, a decoração, o que você espera de si mesma.
Tudo muda o tempo todo. Mas uma coisa não muda. Não sai de moda. Não fica velho, nem ultrapassado.
Quer saber? Acho amar a coisa mais eterna que existe.
Não há nada mais moderno.
Mais transgressor.
Mais ousado – e mais antigo - que isso.

Num tempo onde as pessoas mal têm tempo, amar virou coisa de gente corajosa.
Porque é preciso muito peito (e muito jogo de cintura) para seguir o que temos de mais criativo: o coração.
É o amor que nos faz ver o mundo de um jeito mais belo.
E é o amor (e só ele!) que nos traz o valor exato das coisas simples.
E você não precisa necessariamente amar uma pessoa.
O amor é democrático.
Você pode – e deve – amar a si mesmo e ao mesmo tempo amar alguém (essa, sim, é a melhor combinação!).
E também amar a vida.
Amar um projeto. Um trabalho. Um sonho. Ou – porque não? – simplesmente amar o amor. Se todo amor vale a pena?
Eu acredito que sim.

O mundo não está triste só por causa das guerras, do superaquecimento global e do tal “salve-se quem puder”.
As pessoas se escondem atrás das tecnologias e de um falso liberalismo pra camuflar seus medos.
Para enganar seus desejos.
Ah, me desculpem, mas no fundo todo mundo quer mais é se apaixonar!
Todo mundo quer amar, todo mundo quer encontrar alguém especial, todo mundo quer se livrar do medo que nos impede de andar de mãos dadas.
É certo que há quem prefira o morno, os relacionamentos superficiais, as noites vazias. (Relacionamentos trazem tantos problemas e alegrias quanto estar só, isso é uma verdade).
Mas tenho a impressão de que todos nós temos um leve romantismo escondido, um desejo real pelo amor, uma necessidade de amar e ser amado sem a qual a vida não teria graça. (E não haveria tantos poetas, tantas canções bonitas e tanta insônia por aí).

Escrevi, uma vez, uma letra onde canta a seguinte frase:
“Será que amar é mesmo tudo”?
Na época eu não saberia responder. Mas, hoje, cheguei a uma breve conclusão: não, amar não é tudo. É quase tudo.
Amar é o começo. O primeiro parágrafo. A primeira nota.
É o que canta (e encanta).
Amar é que nos faz falar.
É o que nos faz acordar. É o que nos faz dizer “Bom dia” com o sorriso mais livre do mundo.
Não pensem também que amor é a solução pra todos os nossos problemas. Não. Amor não é solução. Amor é prêmio. Recompensa feliz para quem – afinal de contas – conseguiu manter-se fiel a si mesmo.
Em uma época em que os desejos duram o tempo de uma estação, acho o amor o exercício mais radical que podemos fazer.

(O coração agradece!)

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- É verdade que os amores eternos nunca morrem?
- É. Ou não seriam eternos.
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você?
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você, ela estará mais perto do que você pensa.
- E como sabemos que aquele amor é eterno?
- Não sabemos. Até um dia.
- O dia em que ele vai embora?
- É. O dia em que ele vai embora, mas nunca parte.

[Fábio Fabretti]

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