"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Da perseverança

Jogo a minha rede no mar da vida e às vezes, quando a recolho,
descubro que ela retorna vazia.
Não há como não me entristecer e não há como desistir.
Deixo a lágrima correr, vinda das ondas que me renovam, por dentro, em silêncio: dor que não verte, envenena.
O coração marejado, arrumo, como posso, os meus sentimentos.
Passo a limpo os meus sonhos.
Ajeito, da melhor forma que sei, a força que me move.
Guardo a minha rede e deixo o dia dormir.

Com toda a tristeza pelas redes que voltam vazias,
sou corajosa o bastante para não me acostumar com essa ideia.
Se gente não fosse feita pra ser feliz,
Deus não teria caprichado tanto nos detalhes.
Perseverança não é somente acreditar na própria rede.
Perseverança é não deixar de crer na capacidade de renovação das águas.

Hoje, o dia pode não ter sido bom, mas amanhã será outro mar.
E eu estarei lá na beira da praia de novo. "

"Às vezes, perder o equilíbrio por amor,
faz parte de viver a vida em equilíbrio."

(do filme Comer, Rezar e Amar)

Falam de tudo.
Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzisses, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos.
Sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber.
Mas não sabem,
porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente.
Se sentissem não falariam.

[ Nelson Rodrigues ]

Separação inexiste, se há força de amor e fé.
Sentir saudade é trazer,
mais perto ainda,
tudo que a gente pensa perdido.
Saudadear, dizia ele...

Acredito que as pessoas aprendem com os próprios erros e com o tempo.
Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado
vai trair de novo.
Acredito que aquelas pessoas que vivem falando mal dos outros
vão falar mal de você com esses outros.
Acredito que as pessoas só mudam por vontade própria e nunca pelo pedido de outra pessoa.
Acredito que tudo que eu acredito hoje vai mudar com o tempo.
E que, no futuro, talvez, eu acredite em menos coisas.
Ou em nada mais.

(Brena Braz)

Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer:
"Estou sendo tentado por Deus".
Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.
Cada um, porém, é tentando pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido.
\ Tiago 1:13-14 /

terça-feira, 29 de novembro de 2011


Enfeite-se com margaridas e ternuras
e escove a alma com flores
com leves fricções de esperança
De alma escovada e coração acelerado
saia do quintal de si mesmo
e descubra o próprio jardim.
''Aprendi com o tempo das fugas e com o resultado de cada uma delas que podemos adiar o encontro do nosso olhar com os olhos perturbadores da dor, mas não tem jeito: em algum quarteirão da vida, eles vão se encontrar.
Por isso, agora, toda vez que acontece, escolho ficar em casa.
Escolho encarar de uma vez.
Mergulho inteirinha,
protegida com o escafandro da fé e do amor que me habitam.

É o que aprendi com as dores.

E a vida é tão mágica que, lá no fundo mais fundo do oceano nada pacífico de cada uma delas, lá no instante ou quase em que a pilha da lanterna acaba, a gente descobre um jeito novo, muito lindo, muito nosso, comovente muitas vezes, para conseguir emergir e transformar o que parecia impossível de transformação.
E não é exagero dizer que geralmente emergimos mais corajosos.
Mais ternos. Mais bondosos. Mais nós mesmos.
Mais conscientes do que, de verdade, nos importa.

No fundo mais fundo, não é raro nos sentirmos sozinhos.
Estamos doendo tanto que, pra começo de conversa, a nossa própria presença nos falta, isto que é a mais perigosa solidão.
Mas é um engano temporário, comum nos tempos em que os nossos olhos estão embaçados demais pelo medo: tanto faz o aparente e transitório tamanho da solidão, não estamos sozinhos nunca.
E não estamos mesmo.

O amor, não importa de que forma se manifeste, encontrará maneiras para nos tirar lá desse lugar com recursos às vezes inimagináveis. ''

"Me mande mentalmente coisas boas.
Estou tendo uns dias difíceis, mas nada, nada de grave.
Dias escuros sem sorrisos, sem risadas de verdade.
Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir.
Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho,
e eu posso tornar tudo realidade.
Quando acordo, vejo que meus sonhos não passam disso, sonhos; e é assim que cada dia começa: desejando que não tivesse começado, desejando viver no mundo dos sonhos, ou transformar meu mundo real
num lugar que eu possa viver,
não sobreviver."

“Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade”
(Hebreus 4.16)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011


''Confesso que ando muito cansado, sabe?
Mas um cansaço diferente...
um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir,
de não fazer nada,
de deixar as coisas acontecerem.

Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar,
um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser,
que quero fazer.
Confesso que eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos,
se derramando, não me pertecendo.

Estou realmente cansado.
Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade...
quero ser mar calmo.

Preciso de segurança, de amor, de compreensão,
de atenção, de alguém que sente comigo e fale:
“Calma, eu estou com você e vou te proteger!
Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.”

Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates,
bons filmes, paciência e coisas desse tipo.
Confesso, confesso, confesso.

Confesso que agora só espero você.
Suas confissões.''

Da alma de papel


Eu no chão,
folha rasgada, rasurada, amassada.
Espero que tu me aches.
Espero que tu me cates.
Desmancha-me.
Reclicla-me.
Renova minha essência em branca cor.
Alisa-me.
Rabisca teu amor em mim,
aumenta meu sorriso com um traço firme,
lê toda a minha alegria nas entrelinhas.
Dobra-me,
desdobra,
redobra,
pinta-me,
escreva,
desenha,
rabisca,
enfeita-me...

Só não me soltes ao vento,
por favor, só não me soltes.
"Rastro de flor e estrela, nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar."

"Rezar muito. E ter fé.
Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus."

Porque a seus anjos ele dará ordens a seu respeito,
para que o protejam em todos os seus caminhos.

Salmos 91:11

domingo, 27 de novembro de 2011


Não choro minhas perdas, nem temo a inveja
e o olho gordo que me rodeiam.
Sou de Deus,
quem não é que se cuide!

"Impressionante como isso existe.
Mau olhado, olho gordo, inveja, zica.
Minha mãe disse que bolo mexido demais, desanda.
E bolo solado, como dizem na Bahia, não dá para engolir.
Mas se o meu desandar, pode deixar que eu faço outro."

(Cacau Moraes)
... e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal.
Mateus 6:13

sábado, 26 de novembro de 2011

Do anonimato



- Alô?
- “A sua lembrança me dói tanto, eu canto pra ver se espanto esse mal...” *
- Quem tá falando?
- “Mas só sei dizer um verso banal. Fala em você, canta você, é sempre igual...”

Houve uma época em que os telefones sabiam guardar segredos.
Não havia bina ou celulares, e uma mulher podia receber ligações apaixonadas de um desconhecido.
Hoje, os telefones odeiam os amores secretos.
São insuportavelmente indiscretos e mal amados.
Naquela época tínhamos a cumplicidade da telefonia.
Éramos quatro ou cinco amigos.
Fazíamos dezenas de ligações, e em todas elas eu tocava sempre a mesma música.
Jamais alguma das mulheres desligou.
Todas ouviam até o fim a canção Desencontro, de Chico Buarque.

Cada um de nós tinha direito a escolher uma mulher para quem ligar.
Minha função era tocar e cantar.
Os outros escolhiam as mulheres, ligavam e ficavam na torcida para que elas não desligassem antes do fim da canção.
A curiosidade feminina não lhes permitia desligar.
A maior parte delas ouvia no mais absoluto silêncio.
Algumas poucas não conseguiam ouvir até o fim sem perguntar várias vezes quem era.

- Alô?
- “Sobrou desse nosso desencontro um conto de amor sem ponto final...”
- Quem tá falando?
- “Retrato sem cor jogado aos meus pés...”
- Faaala!!
- “E saudades fúteis, saudades frágeis, meros papéis...”

De nada adiantava perguntar.
Não obtinham nada além da canção.
No final apenas desligávamos.
Era verdadeiramente lindo.
A loucura era tanta que, quando não tínhamos mulheres específicas para quem ligar, simplesmente abríamos a lista telefônica e escolhíamos um nome feminino qualquer.
Neste caso, inclusive, eu podia estar cantando para alguma senhora com idade para ser minha avó, ou mesmo para um travesti:
- Alô?
- “Não sei se você ainda é a mesma...”
- Não, não, eu mudei bastante, você não me reconheceria mais.

Ou então, para algum pai descontrolado de ciúmes:
- Alô?
- “Ou se cortou os cabelos, rasgou o que é meu...”
- Vou te rasgar é de faca, seu vagabundo!

Absurdos a parte, assim corriam nossas noites, entre desencontros, whisky, telefonemas e o violão.
Fico agora imaginando o que se passou na cabeça de cada uma das mulheres para quem ligamos. Considerando que todas ouviram até o fim, suponho que tenham gostado.
Sendo assim, quantas devem ter perdido a noite imaginando quem seria o apaixonado?
Quantas se viram subitamente recuperadas de alguma desilusão amorosa?
E quantas não devem ter caído doente com febre e tremores?
Não sei a quantas delas fizemos bem ou a quantas fizemos mal.
Não sei se Chico Buarque e seu Desencontro funcionariam hoje nesses tempos de celular, bina, axé e música sertaneja.
 Não sei de nada.
Sei apenas que cantei milhões de vezes Desencontro sem ter a mínima idéia de quem estava do outro lado da linha.
E repito: nenhuma jamais desligou.
- Quem tá falando? Por favor, quem tá falando?
- “Se ainda tem saudades e sofre como eu, ou tudo já passou, já tem um novo amor, já me esqueceu.”

= Osias Canuto =

* Desencontro - Chico Buarque
Não sou exigente com nada.
Só quero que Deus conserve a beleza das coisas simples.
Das mais simples.
E se sobrar um pouco de tempo, que Ele me conserve no teu abraço, ainda hoje.
Amanhã é domingo.

Solidão é escutar a casa do outro como se fosse a sua.
Na hora em que atinge esse ponto, esteja certo: você conheceu o isolamento perfeito.
Um isolamento físico e mental.
Um isolamento de mangueira de chuveiro.

Você descobriu que não tem amigos.
Você descobriu que o mundo é um segundo ventre, e não existe cesariana.
Você descobriu que não tem passado, o que é muito mais grave do que descobrir que não tem futuro.

Você dorme e toma emprestado o despertador do vizinho.
Não que a parede seja fina entre os imóveis, a sensibilidade da audição triplicou com o vazio.
Nada lhe resta senão obedecer ao relógio.
Como uma criança deitada na classe aguardando o sino da escola.

Você bebe qualquer som.
Consegue identificar o motor da geladeira, coisa que nunca reparava.
O que é longe é perto.
No fundo tanto faz a distância, não tem nenhum lugar para ir, nem vontade de ficar.

Ao andar pela sala, vê a necessidade de trocar o forro das almofadas, de arrumar infiltrações no teto, de corrigir o mau contato do abajur.
Mas não tem vontade de consertar a vida.
O conserto exige esperança.

Você se julga morto.
O café é chá, a sopa é suco, a segunda-feira é feriado, a terça é sábado, a quarta é domingo, a quinta é paralisação, a sexta é greve geral.

Você está no apartamento alheio mais do que no seu próprio apartamento.
Porque nada acontece em seu domínio.
O estranho do 302 é quase um colega de quarto, um irmão emprestado, a pessoa mais próxima da história recente.

O interfone do vizinho apita e corre para atender, ansioso por algum resgate.

Você não encontra o que falar consigo, e antes reclamava da falta de assunto com a esposa.
Você não suporta dormir pelo excesso de quietude, e antes lamentava a algazarra dos filhos.
Você não tem o que pensar, já conhece seus pensamentos de cor, se acha um livro lido e previsível.
Está no ponto de puxar conversa quando alguém liga por engano.
É capaz de discar o 190 para lembrar onde mora.
Ninguém pisa em seu capacho, formado por cartas, contas e propagandas.

Solidão é estar absolutamente entregue ao ouvido, todo ruído do lado de fora soa como de dentro.
Um morador puxa a descarga e você corre ao corredor jurando que tem companhia.
É ouvir passos na escada e confiar que foi na sua sala.
É ouvir um grito abafado na rua e disparar para a cozinha.
É sofrer um susto atrás de outro sem motivo.

Solidão é acompanhar um por um dos seus batimentos cardíacos.
Enquanto o monitoramento é distraído, tudo bem.
Na hora em que você começa a contar, esteja certo: você enlouqueceu.

O nome disso é desemprego.

Título do texto: Santo Expedito
(deve ser porque ele é invocado em muitas situações assim).

A quem interessar possa:

Expedito era comandante-chefe da XII Legião Romana,
aquartelada na cidade de Melitene, no final do século III
e tinha uma vida devassa.
Quando estava para se converter, apareceu-lhe um espírito do mal, na forma de um corvo, grasnando: “Crás”, que em latim quer dizer: “Amanhã”.
E provando que se transformara em um bom Soldado de Deus, Expedito reagiu energicamente esmagando o corvo com o pé direito e esbravejou: “Hodie”, que em latim quer dizer: “Hoje”.

Por isso, Expedito ficou conhecido como o Santo que resolve os problemas com rapidez,
o “Santo da Última Hora”, ou seja, o “Santo das Causas Urgentes”.

As imagens de Santo Expedito apresentam-no com traje de legionário,
vestido de túnica curta e de manto jogado militarmente atrás das espáduas com postura marcial.
Em uma mão sustenta uma palma e na outra uma cruz que ostenta em letras visíveis a palavra “Hodie”,  
em referência ao episódio do espírito do mal, que surge para adiar sua conversão.
Calca com o pé vitorioso um corvo que se consome lançando seu grito habitual.

Santo Expedito é o protetor dos jovens, dos empresários, dos negociantes e do desembaraço dos seus negócios, dos viajantes, dos navegantes e das pessoas que mexem com computação e internet.

Há quem acredita...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu posso???


Pedir permissão para ser você mesmo é algo
que ultrapassa meu entendimento.
Simplesmente não consigo processar.

Acho muito deprê assistir um marmanjo tirando do fundo do estômago um jeito razoavelmente meigo - mas no qual preserve o mínimo de dignidade – de pedir “autorização” para namorada
para sair com os amigos.
É tão incompreensível, irracional e amedrontador
quanto só sair para almoçar
depois de pedir a benção do chefe…
Um relacionamento é o terreno no qual deveria me sentir completamente à vontade e poder exercer o direito de ser eu sem me preocupar com julgamentos - afinal, se aquela pessoa compartilha a vida comigo, nada mais óbvio do que ela saber, entender e aceitar que a tal vida inclui amigos, família, vontade de ficar sozinha, gatos/cachorros/iguana, desejo de mandar pra pqp o motorista da frente,
anseio desesperado por uma tarde sonolenta e muda na rede.
Mas tem gente que não compreende, e o faz por uma única razão:
tem uma existência tão vazia que basta uma única pessoa
para preenchê-la toda.
Mas não dá pra ser a extensão de alguém: é triste demais.

Viver um relacionamento baseado em “permissões” é como usar uma tornozeleira de monitoramento:
você pensa ser livre e vive felizão nessa ilusão.
Quando menos espera, no momento mais divertido, alertam que você passou dos limites e ordenam que volte para seu devido lugar.
O equivalente humano do “junto!” canino.
Quem necessita conhecer todos os passos do parceiro para se sentir bem, sofre de uma lamentável insegurança travestida de dominação.
Em vez de cidadão se tratar e descobrir a razão da necessidade doentia de controle, impõe sua condição ao outro - e ainda deixa implícito que isso é “natural” em qualquer casal.
Natural é ligar para avisar que vai chegar mais tarde
porque decidiu ir ao karaokê.
Avisar. Comunicar. Dizer. Falar.
Pedir, pra mim, é usado em duas condições: nas desculpas e na licença.

É ridículo pedir permissão para viver a própria vida.
O que dá, e pode ser delicioso, é vivê-la ao lado de alguém
que também tenha uma.

Porque só quem vê sentido em si mesmo – independente de você ou de qualquer pessoa – pode ser boa companhia para alguém.

Do bilhete da ousada donzela

Jonathan,

há nazistas desconfiados.
Põe aquela sua camisa que eu detesto
- comprada no Bazar Marrocos -
e venha como se fosse pra consertar meu chuveiro.
Aproveita na terça que meu pai vai com minha mãe
visitar tia Quita no Lajeado.
Se mudarem de idéia, mando novo bilhete.
Venha sem guarda-chuva - mesmo se estiver chovendo.
Não agüento mais tio Emílio que sabe e finge não saber
que te namoro escondido e vive te pondo apelidos.
O que você disse outro dia na festa dos pecuaristas
até hoje soa igual música tocando no meu ouvido:
“Não paro de pensar em você.”
Eu também, Natinho, nem um minuto.
Na terça, às duas da tarde,
hora em que se o mundo acabar eu nem vejo.

Com aflição,
Antônia

"A vida é assim, Senhor?
Desabam mesmo pele do rosto e sonhos?"

"É preciso semear o caminho
para que ele seja bonito."

"Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus,
pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram"
(Gálatas 3.26-27)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Conto erótico


- Assim?
- É. Assim.
- Mais depressa?
- Não. Assim está bem. Um pouco mais para...
- Assim?
- Não, espere.
- Você disse que...
- Para o lado. Para o lado! Querido... estava bem, mas você...
- Eu sei. Vamos recomeçar. Diga quando estiver bem.
- Estava perfeito e você...
- Desculpe.
- Você se descontrolou e perdeu o...
- Eu já pedi desculpa!
- Está bem. Vamos tentar outra vez. Agora.
- Assim?
- Um pouco mais pra cima.
- Aqui?
- Quase. Está quase!
- Me diga como você quer.
- Oh, querido... Um pouco mais para baixo.
- Sim.
- Agora para o lado. Rápido!
- Amor, eu...
- Para cima! Um pouquinho...
- Assim?
- Aí!!! Aí!!!
- Está bom?
- Sim. Oh, sim.Oh yes, sim!
- Pronto.
- Não! Continue.
- Puxa, mas você...
- Olhaí... Agora você...
- Deixa ver...
- Não, não. Mais para cima.
- Aqui?
- Mais. Agora para o lado.
- Assim?
- Para a esquerda!!! O lado esquerdo!
- Aqui ?
- Isso! Agora coça.

É possível acariciar as pessoas com palavras

[Francis Scott Fitzgerald]

Pelos caminhos que ando.

Um dia vai ser.

Só não sei quando.

Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal.
Todo mundo quer se encaixar num padrão.
Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.
O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido.
Quem não se "normaliza" acaba adoecendo.
A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas

Eles não existem.
Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado.
Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados.
Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos.
Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira.
Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa.
Você precisa de quantos pares de sapato?
Comparecer em quantas festas por mês?
Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias.
Um pouco de auto-estima basta.
Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.
O normal de cada um tem que ser original.
Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

Provérbios 15:32 -> Quem rejeita conselhos prejudica a si mesmo,
mas quem aceita a correção fica mais sábio.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


"Tudo passa, o que queremos e o que não queremos que passe,
a tristeza e o alívio coabitam no espaço desta certeza.
Eu não tenho muitas respostas.
O que eu tenho é fé.
A lembrança de que as perguntas mudam.
Um modo de acreditar que os tiquinhos de sol possam sorrir o suficiente para desarmar a sisudez nublada de alguns céus.
E uma vontade bonita, toda minha, de crescer."

Em trânsito


Uma alma desassossegada,
um vulcão em erupção,
um desejo latente,
uma preguiça de me explicar,
uma sede de vida,
vendaval de emoções,
um turbilhão aqui dentro,
e é sempre só você que acalma a minha pressa,
e me entende,
do início ao fim.

Às vezes sentava-me na rede,
balançando-me com o livro no colo,
sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro:
era uma mulher com seu amante.
Não te deixes vencer pelo mal,
mas vence o mal com o bem.

(Romanos 12:21)

terça-feira, 22 de novembro de 2011


Nosso amor é jóia rara de se ver

Da medida certa


Eu não preciso de uma alegria muito grande,
só quero uma que caiba
no espaço do teu abraço.

''Quando eu era criança, queria crescer logo, virar adulta.
Tinha idéias fantasiosas de que um adulto podia tudo, desde dormir na hora que bem entendesse até não precisar ir ao dentista.

Parecia o supra-sumo da liberdade.

Mas um dia fazemos 18 anos e a partir de então não podemos dirigir sem carteira, não podemos nos isentar de votar e não podemos permanecer solteiros.
Não podemos reagir aos assaltos.
Não podemos falar ao celular no carro.
Não podemos fazer sexo sem camisinha.
Não podemos fumar, não podemos beber, não podemos odiar fazer exercícios físicos.
Não podemos nos descuidar.
Não podemos ficar fora de moda. Nem segui-la à risca.
Não podemos sair à noite em segurança.
Não podemos comer açúcar.
Não podemos exagerar no sal.
Não podemos atravessar fora da faixa de pedestre, não podemos ultrapassar a velocidade permitida, não podemos dar uma sumida.
Não podemos ficar tristes.
Não podemos não falar inglês.
Não podemos dizer mentiras.
Não podemos dizer toda a verdade.
Não podemos negar um convite.
Não podemos ser anti-sociais.
Não podemos ser excessivamente honestos.

Quase todos os 10 mandamentos da igreja católica começam com não: não matarás, não roubarás, não cobiçarás a mulher do próximo, não pronunciarás o santo nome do senhor em vão.
Não.

E também não falarás com estranhos, não poderás ser gordo, não estacionarás em fila dupla, não dormirás fora sem avisar, não colocarás o dedo no nariz, não esquecerás o aniversário de namoro, não te estressarás, não farás barulho depois das 10 da noite...
Não entrarás no banco com coisas metálicas nos bolsos, não tomarás banho de sol das 10h às 15h.

Não podemos falhar.

Eis aí um convite irrecusável para a transgressão.''

“Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas,
que, no devido tempo, dá o fruto,
e cuja folhagem não murcha.” ~>Salmo 1:3

quarta-feira, 16 de novembro de 2011


"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute
de maneira calma e tranqüila.
Em silêncio.
Sem dar conselhos.
Sem que digam: “Se eu fosse você”.

A gente ama não é a pessoa que fala bonito.
É a pessoa que escuta bonito.
A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta.
É na escuta que o amor começa.
E é na não-escuta que ele termina.

Não aprendi isso nos livros.
Aprendi prestando atenção."

Bateu levou, olhou e viu, subiu caiu, regou molhou,
tombou rolou a dor sentiu.
Andou chegou, sorriu mostrou, falou ouviu, comprou pagou, roubou fugiu.
Amou cantou, som emitiu, doeu rompeu, quebrou vazou, colou uniu.
Plantou brotou, ergueu ruiu, nadou molhou. Sumiu, mas viu, azul anil.
Rasgou coseu, tá claro e breu, não quer nem eu, matou cozeu,
serviu comeu.

Rachou moeu a dor sentiu, cortou sangrou, não estancou, morte chegou.
Se decidiu, a cruz seguiu, sofreu ou riu, nasceu cresceu, depois subiu.
Florir sorrir, melhor pensar, se decidir do que seguir, com ter sem ser.

Quem sabe cabe, dentro do peito, levar a vida de um novo jeito?
Quem sabe agora e não outrora, é o momento que se aflora.
Quem sabe o tempo, que é vivido, apague aquilo que foi sofrido.
E bem mais tarde... lá no ocaso, verás que nada foi por acaso.

= Tony Sathler =

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho,
pois no fim dá certo.
Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma.

Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envorgonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.
Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele.

I Cor. 1:27-29

terça-feira, 15 de novembro de 2011

da proclamação pública...

.
   .
      .
do embobecimento



Nossa simples-idade é linda

“Quando nasce um amor novo, é difícil resistir à tentação de alimentá-lo só com a presença.
Mas é preciso deixar o amor respirar.
Se você colocar uma flor bem bonita dentro de uma redoma, com medo que o vento e o tempo levem sua beleza, manterá por muito pouco tempo o que dela é bonito.

O que eu aprendi sobre o amor, filho, é que ele é feito de faltas e presenças.
E que nenhuma das duas pode faltar.
Aprendi que o amor é feito de liberdade.
É como ter, todos os dias, muitas outras opções.
E ainda assim fazer a mesma livre escolha.
Dessas pequenas vitórias se faz a alegria de amar e ser amado.
Descobrir no olhar do outro que você foi escolhido de novo.
E de novo, mais uma vez.
Também aprendi que o amor interrompido em seu auge permanece bonito para sempre.
O que pode ser muito doído ou pode ser um presente.
Depende de como a gente quer guardar.
Depende de como a gente quer seguir.
O amor é feito de falta, filho.
Mas aí mora um perigo: adorar mais a falta que o próprio amor.
Posso cometer esse erro diante de quem amo ou diante da própria falta.
E aí quem passa a faltar sou eu mesma.
O amor é feito de falta, mas não sobrevive sem a presença.
O amor é feito de hoje.
(...)
O que aprendi sobre o amor é que ele deve estar sempre distraído.
Mas quando falta o objeto do amor é o contrário: melhor não se distrair nunca.
O que aprendi sobre o amor - e isso aprendi sobre o amor a mim mesma - é que ele exige de mim, todos os dias, um esforço.
Um exercício diário do qual não posso abrir mão.
É como estar num mar profundo, sem barco ou bóia.
Não posso simplesmente boiar.
Posso relaxar um pouco, mas logo retomo o nado.
Não posso boiar, não posso, não posso.
A onda pode me levar.”

e trans passa a eternidade da vida
Se trans fere o silêncio contido
Se trans ações forem devidas
Se trans porta a um mundo antes encolhido

Trans forma as coisas em mim
Trans parece uma alegria no ar
Trans borda sentimentos sem fim
Se trans for mar

Num mundo cercado.
Um casulo.
Um desejo inoportuno.
Ainda assim, sem asas, era convicta de que estava perto.
Vasculhava então, não nas coisas, mas na alma, um pedaço menos ansioso pra se guardar.
Queria se bastar de não mais pensar no tanto que já havia engolido, costurado e tecido pra espantar o medo.
Sabia-se dos riscos, e não poupava esperança, que lhe era o impulso, o motivo de ser aquele passaporte.
Duas pontes iriam se cruzar, debaixo de um vôo de seda, frágil e esperado. 
E atravessaria um céu inteiro, atrás do gosto daquele afeto.
O mesmo céu que lhe duvidava a coragem.
Sentirá tão breve, borboleta liberta, e irá entender que uma multidão (também lagartas), podem até corroer e achar que o conformismo de um casulo vazio é destino.
Deixa pensar.
Resta pouco pra provar que não existe cárcere, nem carma, a uma alma quando sedenta, encontra sua asa metade, que faz voar.