"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quinta-feira, 30 de junho de 2011


"Quis dizer não,
mas porque a vida é mágica e eu tinha esquecido,
sem saber porque disse sim."

"Nunca mais, eu pensei que alguém viria.
Nunca outra vez a mão de alguém
na minha pele cheia de células mortas."

Da arte de pedir em namoro


É namoro ou amizade?
Rolo, cacho, ensaio de amor, romance ou pura clandestinidade?

“Qualé a sua, meu rapaz?!”, indaga a nobre gazela.

E o homem do tempo nem chove nem molha. Só no mormaço, só na leseira das nuvens esparsas.

No tempo do amor líquido, para lembrar o título do ótimo livro de Zygmunt Bauman sobre a fragilidade dos encontros amorosos, é difícil saber quando é namoro ou apenas um lero-lero, vida noves fora zero...

Cada vez mais raro o pedido formal de enlace, aquele velho clássico, o cara nervoso, se tremendo como vara verde: “Você me aceita em namoro”?

(...)

São raros, raríssimos hoje esses nobres pedidos.
Em alguns setores mais modernos e urbanos, digamos assim,
talvez nem exista mais.

O amor e as suas mudanças.

A maioria dos homens, além de não pedir em namoro, além de não pegar no tranco, ainda corre em desespero diante de uma sugestão ou proposta de casamento feita pela moça.

O capítulo bom da história é que agora as mulheres também partem para o ataque e, diante de uns temerosos ou acanhados sujeitos, escancaram suas vontades, suas paixões, e fazem suas apostas, seus pedidos, põem na mesa os seus desejos e as cartas de intenções.

Voltando ao mundo dos homens, lembro que era bem bacana esse suspense masculino do “você quer namorar comigo?”

Havia sempre o medo do fora.
Um sim, mesmo o mais previsível, era uma festa.

“Quer namorar comigo?”

No tempo do “ficar”, quase nada fica, nem o amor daquela rima antiga.

Alguns sinais, porém, continuam valendo e dizem muito.
O ato das mãozinhas dadas no cinema, por exemplo,
ainda é o maior dos indícios.

Tanto quanto um bouquet de flores, mais do que uma carta ou um e-mail de intenções, mais do que uma cantada nervosa, mais do que o restaurante japonês, mais do que um amasso no carro, mais do que um beijo com jeito, daqueles que tiram o gloss e a força dos membros inferiores.

“Vamos pegar uma tela, amor?”, como se dizia não muito antigamente.

Eis a senha.

Mais até do que um jantar à luz de velas, que pode guardar apenas um desejo de sexo dos dons Juans que jogam o jogo jogado e marketeiro.

O cinema, além da maior diversão, como diziam os cartazes de Severiano Ribeiro, é a maior bandeira.

Nada mais simbólico e romântico.

Os dedos dos dois se encontrando no fundo do saco das últimas pipocas...

Não carecem uma só palavra, ainda não têm assuntos de sobra.

Salve o silêncio no cinema, que evita revelações e precoces besteiras.

Ah, os silêncios iniciais, que acabam voltando depois, mas voltando sem graça, surdo e mudo, eterno retorno de Jedi.
"Nada mais os unia do que o silêncio", escreveu mais ou menos assim, com mais talento, claro, Murilo Mendes, poeta dos melhores e mais líricos.

Palavras, palavras, palavras...

Silêncio, Silêncio, silêncio...

Dessas duas argamassas fatais o amor é feito e o amor é desfeito.
Simples como sístole e diástole de um coração que ainda bate.

[Xico Sá]

Eu exponho meus sentimentos como numa vitrine, à espera de alguém que aceite pagar o preço que nunca entra em liquidação.
Mas quando vem alguém e quer me levar sem questionar a etiqueta absurda, eu só penso na futura devolução.
Quero voltar pros vidros sujos, a exposição sem objetivos, ver todos os produtos indo embora e eu ficando mais uma vez.
Esses rostos que me encaram, os olhos que brilham, as ilusões que se formam, as expectativas que eu deixo criarem, são minha vida.
Depois disso só resta a rotina e o medo de estar perdendo a melhor parte.

Estou cansada dessa promoção de mim.
Cansei de me entregar tanto e nunca me entregar por completo, de ser só a promessa, a vertigem e a decepção.
E então esse cansaço que não sei se é dos outros ou de mim mesma.

Estou te mandando um aviso.
Bilhete colado na porta da geladeira, telegrama, sinal de fogo, e-mail,
não importa.
Estou gritando seu nome na areia da praia, do alto da minha insanidade.
Vem me salvar. Me leva embora.
Prova que não é igual, que a compra não vai ter devolução no primeiro defeito, porque eu sou cheia deles.
Me compra, me leva pra casa com tudo o que tem direito.
Com medo, com mania, com falar de menos e sentir demais.

Por eu ser cheia de ter certeza de tudo,
só quero alguém que me prove o contrário.

I Cor 13:7

quarta-feira, 29 de junho de 2011


O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas quase silencioso.
Não é menor em extensão.
É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações:
presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles,
o ficar com o gosto da boca e do cheiro,
está a compreensão antecipada, a adivinhação,
o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto,
os discursos silenciosos da percepção,
o prazer de conviver, o equilíbrio de carne e espírito.
Carne intensa, alegre, criança,
redescobrimento das melhores dimensões pessoais e alma refeita,
abastecida de todas as proteções necessárias,
um enorme empório de afinidades acima
e além de meras concordâncias intelectuais.

O amor maduro é sólido e definido.
O amor maduro não disputa,
não cobra, pouco pergunta, menos quer saber.
Teme, sim.
Porém não faz do temor argumento.
Basta-se com a própria existência.
Alimenta-se do instante presente valorizado
e importante porque redentor de todos os equívocos do passado.

O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar.
É o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças,
guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme,
controle ou agressividade.

O amor maduro é a valorização do melhor do outro
e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu
mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas
para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.

O amor maduro não precisa de armaduras,
coices, cargos, iluminuras, enfeites,
papel de presente, flâmulas, hinos, discursos ou medalhas:
vive de uma percepção tranqüila da essência do outro.
Deixa escapar a carência sem que pareça paupérrima.
Demonstra a necessidade sem que pareça voraz.
Define uma dependência
sem que se manifeste humilhante.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e sua incompletude,
por isso é pleno em cada ninharia por ela transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto
e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido mas doce.
Luminoso, sem ofuscar.
Suave mas definido.
Discreto mas certo.
Um sol, que aquece até queimar.


O que importa é a beleza interior


Há muito tempo que as mulheres sacaram que os homens mais interessantes, charmosos, cultos e bem-humorados jamais estrelariam uma campanha da Hugo Boss: onde sobram músculos torneados, coxas grossas e boca carnuda geralmente falta humor e inteligência.

Coisas da vida.

E até tudo bem: podemos até desejar uma noite ardente com o Brad Pitt, mas, ao contrário dos machos, não ficamos comparando com o loirão os homens com os quais efetivamente temos noites ardentes.
Sabemos que delírio é delírio, photoshop é photoshop.

Aqui estão motivos hormonais, sociais, comportamentais e empíricos que levam algumas mulheres a cair de amores por pançudos porto-riquenhos como Benício Del Toro (uh! eu lamberia aquelas olheiras inteirinhas!) e outros do mesmo naipe.

Não-bonitos são mais ligados em cultura
Os bonitões não precisam se esforçar na conversa nem ler Fernando Pessoa para impressionar – é só chegar e pegar.
Levando em consideração que homens não passam da adolescência, os cidadãos desse tipo vão ficar insistindo nesse comportamento até a chegada dos cabelos brancos.
Já os não-bonitos, desprovidos de facilidades naturais, precisam de outras armas para triunfar nesse mundo cruel.
Então começam a ler, sacar o espírito feminino e, em poucos anos, continuam não-bonitos, mas infinitamente mais interessantes.
O que, de longe, é mais importante.

Não-bonitos são muito mais envolventes
Nós queremos mesmo é rir, ouvir um papo que preste e estar ao lado de um cara que puxe a cadeira para nos sentarmos.
O que os não-bonitos têm a ver com isso?
Tudo!!!
Seguindo a lógica da compensação, é muito maior a probabilidade de um não-bonito ser charmoso e ter habilidade para transformar aquele narigão numa característica viril.

Não-bonitos despertam nas mulheres o instinto maternal
Toda mulher, mesmo que negue, tem forte instinto maternal.
Não pode ver um coelhinho, urubuzinho, que já faz voz de criança, chama de lindinho.
A vontade de encher de carinho e beijinho o que parece desprotegido é incontrolável.
Não-bonitos têm o mesmo efeito e, assim como os bichinhos, muitas chances de ficar conosco debaixo do edredom.

Não-bonitos são mais dedicados à alegria feminina
Homem feio dá menos trabalho.
Tudo bem que ele é culto, divertido, charmoso, mas nenhuma perua vai sacar isso só de olhar para a cara dele – que, convenhamos, não é lá essas coisas.
Desde cedo, os desprovidos aprenderam que, se o forte deles não é a figura, tem de ser outro, muito mais vital: atender os desejos da mulherada.
Onde, neste mundo, um bonitão, com tanta mulher disponível, vai se dar ao trabalho de ser eficiente sobre os lençóis?

Conclusão:
Mulheres são mais humanitárias e menos superficiais que os homens.
Sem contar que somos possuidoras de um gosto sortido.
Um pouco esquisitas, também (mas isso vem de fábrica).
O que significa que a gama de marmanjos que podem interessar a nós é muito maior do que a variedade de mulheres que podem chamar a sua atenção.

Ruim pra você?
Só se você não aprender como transformar estrabismo em algo sexy, careca em visual cool.
Porque, se aprender, não vai ter Rodrigo Santoro que te encare (para o seu bem, leia esse exagero como licença poética).
Ou, pelo menos, você não vai fazer feio.
Mesmo não sendo bonito.

Dos mimos


É que no fundo tem dias em que a gente só quer uma xícara de café bem quente, um abraço apertado e sentir que é a pessoa mais especial na vida de alguém.

(Bruna Bianconi)

O café eu já tomei...

* Caneca "conchinha"... um mimo para os casais apaixonados
Provérbios 13:20~> • Anda com os sábios e serás sábio,
mas o companheiro dos tolos sofre aflição •

terça-feira, 28 de junho de 2011


"Comigo é assim.
Tudo o que eu faço de coração, faço inteiro.

Costuma dar certo."

Dar não é fazer amor.
Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador,
é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca
Te chama de nomes que eu não escreveria
Não te vira com delicadeza
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar
Sem querer apresentar pra mãe
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral
Te amolece o gingado
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã,
ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas,
sem esperar ouvir carinhos,
sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho
perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da
cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe,
pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
'Qué que cê acha amor?'.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa,
uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor,
ameniza todas as crises e faz você flutuar.

Experimente ser amado...

Pessoal e intransferível...


Não importa quantos erros, descompassos, projetos preteridos, corpos suados em nossa cama tenham acontecido.
Não importa se ele foi triste, monótomo ou irrealmente agitado.
Não importa o montante de dinheiro ganho e gasto inutilmente.
Quando se ama alguém, inclusive a si mesmo, e se aceita outra pessoa fazendo parte do seu cotidiano e escrevendo a quatro mãos o diário imaginário da vida, aceita-se também a história pregressa, tudo o que não presenciamos, de que temos ciúmes ou raiva.
Tudo que é alheio a nós.

O passado, em cada ínfimo detalhe, é o responsável por quem somos hoje... e se existe amor nesse instante é porque esse alguém trilhou por cada passo sórdido ou sem importância de sua biografia.
É porque esse alguém existe e já existia antes de entrar em sua vida.
Antes de você entrar na vida dela... e como é duro admitir, no alto vôo de nosso egocentrismo, que somos preteríveis, substituíveis.
Que a primavera não vai atrasar nem o céu desabar no momento do nosso distanciamento.

É difícil lidar com o passado de quem amamos porque é então que enxergamos com crueza a relatividade de nossa importância, notamos que o amor hoje dedicado a nós já pertenceu a outros.

O passado é sagrado e deve ser tratado com respeito e com um distanciamento cordial para não cairmos no poço fundo da nostalgia.

O passado é a única coisa que realmente nos pertence.

A luz nasce sobre o justo e a alegria sobre os retos de coração.
Alegrem-se no Senhor, justos, louvem o seu santo nome. ~> Salmos 97:12

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A você, por tudo!


Para Neckyr,

Às vezes a palavra falha.
Ainda não tenho todas elas,
pois você é uma história que está sendo escrita,
um poema que inicia, uma inspiração que desperta.

Você é meu riso e meu vício diário.
Você está entre as coisas mais raras que Deus colocou no mundo,
e que por mera distração colocou no meu destino.
Você que me melhora, que me traz as coisas boas.
Que me traz forças, me traz esperanças.
Você que confia mais em mim do que eu mesma.
Você que me leva para onde eu quiser sem nem mesmo me tirar do lugar.
Você que está em tudo que eu faço.
Você que compartilha passo a passo dos meus piores
e melhores momentos.
Você que realiza meus desejos como se fosse uma estrela cadente
caindo sem nunca parar.
Você que me faz mais humana, mais sonhadora.
Você que me faz mais bonita, mais bem humorada.
Você que é meu cúmplice, meu confidente.
Você que me dá um amor que não fica à mercê da demora do tempo
ou da distância.

Quero você na minha vida inteira “e ainda na manhã do outro dia...” .
Quero não me perder de quem me faz bem,
de quem me quer bem, de quem me inspira,
de quem faz os dias serem fardos mais leves.

A palavra falha, tenho certeza.

Hoje, no dia do seu aniversário
quero desejar que você seja a pessoa mais realizada no mundo.
Hoje é o dia do seu aniversário
e você é o presente na vida de todos que te rodeiam.
Hoje é o dia do seu aniversário
dia de festejar 
embora todos os dias sejam dias de festa
pois 
desde o seu nascimento, o mundo é mais feliz.

Meg


(modificado)

Para você, desejo...


...
Que tenhas

ALEGRIA
Dentro do seu coração

SERENIDADE
Há cada nascer do sol

SUCESSO
Em cada faceta de sua vida

FAMÍLIA
Ao teu lado, te apoiando como sendo verdadeiros amigos

SAÚDE
Sempre

AMOR
Sem fim

MEMÓRIAS ESPECIAIS
De todos os ontem's'

UM HOJE ILUMINADO
Com muito para se ser agradecido

UM CAMINHO
Que te leve a maravilhosos amanhã's'

SONHOS
Tornando-se realidade

APRECIAÇÃO
De todas as coisas maravilhosas sobre você

- Faço minhas, as palavras dela -

"Para você, desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você, desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua felicidade”
 
              
Mais um ano... mais um ciclo!

Que você tenha
Toda felicidade que desejar
Todo amor que conquistar
Todo carinho que merece receber
Todo dinheiro que quiser gastar 
Toda saúde que precisar
Toda realização que ousar sonhar
Todos os sonhos que puder imaginar.

Mais uma volta no calendário...


Hoje é seu dia
é muito justo
que seja tão especial

Eu quero tanto bem a você!
E quero poder lhe devolver
parte do que você traz pra mim!

Meu bem, todo dia
ter você presente
é minha sorte
É o que me faz potente

Eu quero tanto bem a você!
E quero poder lhe devolver
parte do que você faz pra mim!
Parte do que você é pra mim!

Parabéns pelo seu aniversário!!!

(Seu aniversário - Lulu Santos)

Salmos 90:12 ~> Ensina-nos a contar os nossos dias
de tal maneira que alcancemos corações sábios.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Feijoada à moda de Vinícius


Amiga Helena Sangirardi
Conforme um dia eu prometi
onde, confesso que esqueci
e embora - perdoe - tão tarde

(Melhor do que nunca!) este poeta
segundo manda a boa ética
envia-lhe a receita (poética)
de sua feijoada completa

Em atenção ao adiantado
da hora em que abrimos o olho
o feijão deve, já catado
nos esperar, feliz, de molho

E a cozinheira, por respeito
à nossa mestria na arte
já deve ter tacado peito
e preparado e posto à parte

Os elementos componentes
de um saboroso refogado
Tais: cebolas, tomates, dentes
de alho - e o que mais for azado

Tudo picado desde cedo
de feição a sempre evitar
qualquer contato mais... vulgar
às nossas nobres mãos de aedo

Enquanto nós, a dar uns toques
no que não nos seja a contento
vigiaremos o cozimento
tomando o nosso uísque on the rocks

Uma vez cozido o feijão
(umas quatro horas, fogo médio)
Nós, bocejando o nosso tédio
nos chegaremos ao fogão

E em elegante curvatura:
um pé adiante e o braço às costas
provaremos a rica negrura
por onde devem boiar postas

De carne-seca suculenta
gordos paios, nédio toucinho
(nunca orelhas de bacorinho
que a tornam em excesso opulenta!)

E - atenção! - segredo modesto
mas meu, no tocante à feijoada:
Uma língua fresca pelada
posta a cozer com todo o resto

Feito o quê, retire-se caroço
bastante, que bem amassado
junta-se ao belo refogado
de modo a ter-se um molho grosso

Que vai de volta ao caldeirão
no qual o poeta, em bom agouro
deve esparzir folhas de louro
com um gesto clássico e pagão

Inútil dizer que, entrementes
em chama à parte desta liça
devem fritar, todas contentes
lindas rodelas de lingüiça

Enquanto ao lado, em fogo brando
desmilingüindo-se de gozo
deve também se estar fritando
o torresminho delicioso

Em cuja gordura, de resto
(melhor gordura nunca houve!)
deve depois frigir a couve
picada, em fogo alegre e presto

Uma farofa? - tem seus dias...
porém que seja na manteiga!
A laranja gelada, em fatias
(Seleta ou da Bahia) - e chega

Só na última cozedura
para levar à mesa, deixa-se
cair um pouco da gordura
da lingüiça na iguaria - e mexa-se

Que prazer mais um corpo pede
após comido um tal feijão?
- Evidentemente uma rede
e um gato para passar a mão...

Dever cumprido. Nunca é vã
a palavra de um poeta... - jamais!
Abraça-a, em Brillat-Savarin
o seu Vinicius de Moraes

Junto à esses ingredientes, adicione alegria, alto astral,
muito apetite e vamos comer-morar o aniversário "dele".
Depois, é só tirar o sapato pra pesar (a consciência).

“Uma viagem bem longa, e para bem longe daqui,
talvez resolvesse…”

“O pessimista compra passagem de ida e volta,
o confiante compra apenas passagem de ida
e o apaixonado vai de carona para nunca mais voltar.”
E a terra seca se tornará em lagos, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos.
Isaías 35:7

terça-feira, 21 de junho de 2011

E chega a estação mais fria do ano...


Quero que você
me aqueça nesse inverno

No inverno, todo abraço é um cachecol.

❝ Eu quero um colo, um berço, um braço quente em torno ao meu pescoço,
uma voz que cante baixo e pareça querer me fazer chorar.
Eu quero um calor no inverno, um extravio morno de minha consciência
e depois sem som, um sonho calmo, um espaço enorme,
como a lua rodando entre as estrelas… ❞


Caio Fernando ou Fernando Pessoa?
Na dúvida quanto à autoria, fica sem crédito.

"... E quem sabe uma lareira,
pinhões, vinho quente com cravo e canela,
essas coisas do inverno."

“Um café e um amor.

Quentes, por favor.”

Salmos - 74:17
Estabeleceste todos os limites da terra; verão e inverno tu os formaste.

segunda-feira, 20 de junho de 2011


"Eu tenho uma espécie de dever,
de dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espectador de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis."


"Passei a maior parte da minha vida enriquecendo uma longa espera pelos grandes acontecimentos.
Agora compreendo a estranha inquietação, o trágico senso de fracasso, o profundo descontentamento.
Eu estava esperando a hora de expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação para ficar apoiada em meus próprios pés novamente, para não depender de ninguém.
Por quê?
Medo de ser magoada mais uma vez..."

As mãos dele quando passeiam em mim
desabotoam minhas mais mal-comportadas palavras.

Ninguém precisa de interlocutor que fala cuspindo e termina a conversa com todos os seus perdigotos depositados sobre a cara alheia.

De quem tem certeza de que sua vida e predileções são o norte da civilização.
Da mistura de esnobismo e babaquice que resulta no diagnóstico: cerveja é bebida de pobre.
De sexo tântrico, pilha fraca no controle remoto, conversa de elevador, bafo matinal, ovo mexido seco.
De espertinho que anda pelo acostamento quando a estrada está cheia e ainda buzina pra abrir caminho.

Ninguém precisa de cidadão que maltrata garçom.
De gentinha preconceituosa, tão tacanha que desconhece que preconceito apenas denota ignorância e tosquice.
De quem frequentou a escola e, mesmo assim, escreve “agente fazemos”, “talves dá certo”, “derrepente”.
De seres que ouvem música, qualquer que seja, no volume máximo sem se dar conta que ouvido alheio não é pinico e que vizinhança não é palco.
De gente que vive de herança e jamais ouviu falar em trabalho.

Ninguém precisa de perua que gasta mil reais em um par de sapato mas acha demais dar dois reais para o moço que carrega suas compras no supermercado.
De pessoinhas que dizem que amar animais e defendê-los é atitude de quem não se importa com crianças abandonadas ou algo “mais importante”.
De homem que paga qualquer coisa—um drinque ou um colar de pérolas—para uma mulher e pensa que isso dá o direito de agarrá-la, afinal o “pedágio” foi quitado.

De quem palita os dentes à mesa—e fazendo barulho.
De botox.
De absorvente com estampa.

Mas para aguentar tudo isso, preciso de um drinque.
Constantemente.