"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 31 de março de 2010


Já que ela não era uma pessoa triste, procurou continuar como se nada tivesse perdido.
Ela não sentiu desespero.
Também o que é que ela podia fazer?
Pois ela era crônica.
Tristeza era luxo.


E se você vem, fica tudo maior, mais amplo...
Sei lá...
Mas é como se eu existisse dum jeito mais completo...




Eu me sinto às vezes tão frágil,
queria me debruçar em alguém, em alguma coisa.
Alguma segurança.

Invento estorinhas para mim mesmo,
 o tempo todo, me conformo,
me dou força.
 Mas a sensação de estar sozinho não me larga.
 Algumas paranóias, mas nada de grave.
O que incomoda é esta fragilidade,
essa aceitação, esse contentar-se com quase nada.

Estou todo sensível, as coisas me comovem...


Ser feliz é uma responsabilidade muito grande.
Pouca gente tem coragem.


Teu amor entrou na minha vida
Violentamente,
Como um sopro de vento
Abrindo a janela de repente.
Teu amor desarrumou meu destino
Arrancou da parede
Velhos retratos queridos,
E quebrou uma jarra
No canto da minha alma
Cheia de rosas,
Cheia de sonhos…
Depois…
Teu amor saiu da minha vida de repente
Como um sopro de vento
Fechando uma porta
Violentamente



Se me esqueceres, só uma coisa,
esquece-me bem devagarinho.

terça-feira, 30 de março de 2010


O melhor modo de despistar é dizer a verdade,
embora eu não tenha tentado nenhuma vez despistar você.


A esperança pode vencer a experiência. A esperança é uma experiência.


Mas ambos estavam comprometidos.

Ele, com sua natureza aprisionada.
Ela, com sua infância impossível.


Todo dia, a menina corria o quintal, procurando um arco-íris.
Corria olhando para o alto, tropeçava e caía.
Toda vez que se machucava, vinha chorando uma cor.
Um dia, chorou o anil até esvaziá-lo dos olhos.
Depois, chorou laranja, chorou vermelho e azul.
Chorou verde. Violeta. Amarelo e até transparente!
Chorou todas as cores que tinha, todas as cores de dentro.
Então, abriu os olhos e nem o arco-íris, ela viu.
Não viu flores e borboletas.
Não viu árvores e passarinhos.
Pensando que era ainda noite, deitou-se na cama e dormiu.
Pensando que era tudo escuro, nem levantar-se ela quis!
Ficou dormindo cinzenta, por dias e noites sem fim...
Foi quando um sonho, tão colorido, derramou-se dentro dela!
Tingiu o travesseiro e a fronha, o lençol e o pijaminha.
Tingiu a meia e o quarto.
Tingiu as casas e os ninhos!
A menina abriu a janela e viu que hoje não tinha arco-íris.
Mas tinha o desenho das nuvens.
Tinha as flores e um passarinho.

segunda-feira, 29 de março de 2010


Ah, mas tudo bem.
Em seguida todo mundo se acostuma.
As pessoas esquecem umas das outra com tanta facilidade.
Como é mesmo que minha mãe dizia?
Quem não é visto não é lembrado.
Longe dos olhos, longe do coração.
Pois é.


Olha, evite arrastar um relacionamento moribundo.
Sempre é melhor reagir,
partir pra outro do que arrastar, arrastar




Olha: foi bom demais te conhecer . 
Me deu uma fé, uma energia.

Sei lá...


Num deserto de almas também desertas,
uma alma especial reconhece de imediato a outra


Ele não sabe mais nada sobre mim.
Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu,
que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática , e sem aquela necessidade toda de ser amada.
Ele não sabe quantos livros puder ler em algumas semanas.
Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos.
Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele,
mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranqüilo,
se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto.
Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias,
e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos.
Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco.
Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos.
Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim.
Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade.
Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável.
Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre.
Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor,
ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura.

Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso.
Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha.
Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós,
eu tive que me tornar minha melhor companhia:
ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.

...

Eu te agradeço por esse afastamento lento e gradual e pela viagem interrompida por seus perpétuos atrasos causados pelo medo de tirar os pés do chão.
Agora, a cada dia eu preciso de uma roupa nova desde que minhas malas
foram extraviadas para sempre com todo o nosso excesso de bagagem.
Eu te agradeço pela honestidade da sua omissão tão previsível que sempre confundi com meus presságios.
Essa ida sem despedida que você covardeou: eu finjo que não sei, você finge que não foi.
E a gente segue inventando que ainda se interessa pelo que começamos a construir juntos,
num outro contexto, pra realçar nossos vínculos.
Eu te agradeço a descoberta de que se não seguimos juntos nessas coisas do amor,
seja porque talvez
eu, veterana
enquanto
você ama-dor.


E será inútil esforçar-se para esquecer -
tudo o que um dia se misturou carregará consigo partículas do outro.
Talvez venha o arrependimento, o recomeço, as cores voltem a brilhar como antes -
mas não se pode contar com isso.
Não se pode contar com nada.
O único caminho viável é viver e correr o sagrado risco do acaso.

E substituir o destino pela probabilidade.


...a gente estava bonito junto e foi indo fácil e leve (...) 
Viva? Viva.


Teresa, se algum sujeito
bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão
do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele se ajoelhar
Se ele se rasgar todo

Não acredita não, Teresa!
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
Cai fora!

domingo, 28 de março de 2010


O bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor.


Tenho várias caras.
Uma é quase bonita, outra é quase feia.
Sou um o quê?
Um quase tudo.

Meu coração estava grávido.
Grávido de um coração de vazios.
Grávido de um coração oco. Que viveu de quases.
Quase amor, quase entrega, quase coragem, quase inteiro, quase ele mesmo.
Quase.
Meu coração grávido tudo viveu, tudo disse, tudo fez.
Agora, não há mais nada. Nada a dizer, a fazer, nada a somar.
Meu coração estava grávido de uma história só sua,
tentando em vão entrar num roteiro fechado.
Grávido e solteiro.
Meu coração estava grávido de um amor só meu.
Não respirou outro ar, não bebeu de outro leite.
Quase morreu à míngua.
Mas era de si mesmo que o meu coração estava grávido.
Meu coração pariu outro coração de mim mesma e agora está vazio.
Mas é um vazio bom.
Vazio de outro vazio, meu coração se enche de si.
Vazio de prisões, meu coração está cheio de possibilidades.
Eu o sinto vazio e quieto.
Eu o sinto em paz.



“Eu sou nostálgica demais,
pareço ter perdido alguma coisa
não se sabe onde e quando”


“Eu te amei muito.
Nunca disse, como você também não disse, mas
acho que você soube.

Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar.
Pena também que a gente se envergonhe de dizer,
a gente não devia ter vergonha
do que é bonito.

Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo,
e que então tudo vai ser mais claro,
que não vai mais haver medo nem coisas falsas.

Há uma porção de coisas minhas que você não sabe,
e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi
de você e voltei e tornei a fugir.

São coisas difíceis de serem contadas,
mais difíceis talvez de serem compreendidas
- se um dia a gente se encontrar de novo, em amor,
eu direi delas, caso contrário não será preciso.

Essas coisas não pedem resposta nem ressonância
alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor
e ternura que eu tinha — e tenho — pra você.

Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém,
como você existe em mim.”

sábado, 27 de março de 2010



Nada em mim foi covarde,

nem mesmo as desistências:

desistir, ainda que não pareça,

foi meu grande gesto de coragem.



Eu não tenho paredes. Só tenho horizontes.


Sinto uma falta absurda de você.
Ficou um vazio que ninguém (pre)enche,
e penso e repenso e trepenso em você aí.
Tá tudo bem assim.


Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la.
Que o mar mare.
Que a cor core.
Que o abraço abrace.
Que o perdão perdoe.
Que tudo vire verbo e verbe.
Verde. Como a esperança.
A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.

sexta-feira, 26 de março de 2010


... eu quero me chamar Mar, eu dizia e ria
E riam porque era absurdo alguém querer se
chamar Mar

ah, mar

amar... *

A-MAR (gareth)

* do Caio (modificado)

Invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana .

Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo: Teadoro...

E isso não é coisa de outro mundo.
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja curta, nem longa demais.
Mas que seja intensa, verdadeira e pura enquanto durar.


Ouse, arrisque, não desista jamais
e saiba valorizar quem te ama,
esses sim merecem seu respeito.

Quanto ao resto,
bom...
ninguém nunca precisou de restos para ser feliz.

do tempo de travessia


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo
e esquecer os caminhos que nos levam
sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia ...

E, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado - para sempre -
À margem de nós mesmos...


Assim como deixamos abertas as portas e disponíveis os sentimentos para receber a chegada de um amor, devemos deixar livre a passagem para que serenamente se vá quando chegada a hora.


Mil acasos me levam a perder
O senso, o ritmo habitual
Mil acasos me levam a você
No início, no meio ou no final
Me levam a você
De um jeito desigual
Mil acasos apontam a direção
Desvios de rota é tão normal
Mil acasos me levam a você
No mundo concreto ou virtual
Me levam a você
De um jeito desigual
Quem sabe, então, por um acaso
Perdido no tempo ou no espaço
Seus passos queiram se juntar aos meus
Seus braços queiram se juntar aos meus...

(Skank)

Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
de um tempo que ainda não passou...

                                                                                                (Lenine)


E que o teu silêncio me fale cada vez mais...


Hoje eu saí de casa tão feliz,
que nem me lembrei que
em algumas horas a tristeza bate,
me sacode e me faz sentir
dores que eu não imaginava que continuavam ali...


O pó se acumula todos os dias sobre as emoções



É preciso encher
o vazio de palavras,
ainda que seja tudo
incompreensão?


A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo.
Ia dar, ia dar, sabe quando vai dar?

“Te vi por detrás das rosas e havia nos teus olhos uma ânsia muda.
Algo assim como se quisesses falar comigo.
Juro que na saída tentei me aproximar.
Mas tive medo.
Sei que ainda vamos ser amigos.
Não quero forçar nada”.





Tudo isso dói.
Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque deve ser assim, e virá outro ciclo, depois. 
Para me dar força, escrevi no espelho do meu quarto: ‘Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é?’
É o que estou tentando vivenciar.
Certo, muitas ilusões dançaram - mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Também não quero dramatizar e fazer dos problemas reais monstros insolúveis, becos-sem-saída.
Nada é muito terrível.
Só viver, não é?
A barra mesmo é ter que estar vivo e ter que desdobrar, batalhar um jeito qualquer de ficar numa boa.
O meu tem sido olhar pra dentro, devagar, ter muito cuidado com cada palavra, com cada movimento, com cada coisa que me ligue ao de fora.
Até que os dois ritmos naturalmente se encaixem outra vez e passem a fluir.
Porque não estou fluindo.

quinta-feira, 25 de março de 2010



Deixe o vento soprar...


“Estavam ali,
independentes dele ou de qualquer outra pessoa
que gostasse ou não delas:
aquelas coisas vagamente redondas,
de pétalas compridas e brancas agrupadas
em torno dum centro amarelo, granuloso.

Margaridas.

Apanhou uma e colocou-a no bolso do paletó.”


Cheia de luz.

E o mais bonito foi quando ela descobriu,
que podia ouvir e entender estrelas.

Só quem ama pode.