"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012


Quando o caminho é certo, não precisa de atalho.
Siga pelo caminho mais longo,
aprecie as flores e a paisagem
e tenha a certeza de que no final o destino é certo.
É exatamente onde você deveria estar.

= Natália Raposo =

dos cuidados com o amor


Ele diz que já não pode mais viver sem meu amor por perto e eu idem.
Ele é romântico, inteligente, carinhoso, bom homem e sabe fazer e dizer tudo o que eu preciso ouvir.
Eu talvez não seja a Julieta que ele esperava e acho que às vezes, em silêncio, o desaponto.
Nosso amor é uma flor muito delicada e formosa que eu rego todas manhãs antes de sair de casa para afastar qualquer mal e nunca deixá-la morrer.

'E é assim que hoje, ouvindo samba, decidi começar a caminhar de novo, mesmo com os pés doendo: com a certeza de que em pouco tempo vou encontrar um lugar pra me sentar, tirar os sapatos e apreciar a estrada.
Para depois dar mais alguns passos descalça e, com novos calos a proteger os pés, descobrir caminhos que nem estavam no mapa,
e voltar ao prazer da viagem.
Lá na frente, quem sabe eu mesma faça um sambinha, cantando em humor às vezes que errei o caminho – e de como foi bom aprender.'
Sabes, pois, no teu coração que,
como um homem castiga a seu filho,
assim te castiga o Senhor teu Deus.

/ Deuteronômio 8:5 /

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012


Ela quer uma história toda-dela,

que começa agora,

depois desse ponto final.

'O tempo pinta de amarelo
a fotografia:
de amarelo os olhares,
os sorrisos, as roupas,
as mãos, os sapatos.

Não é um amarelo qualquer:
é uma espécie de outono,
é um amarelo saudade.'

[Roseana Murray]

"O que você faz quando está muito triste e cansada,
mas não consegue dormir?

- Eu componho um pranto."

Semeia flores na tua estrada
e terás assim um caminho
em eterna primavera!
... nem só de pão viverá o homem,
mas de toda palavra que procede da boca do Senhor.
- Deuteronômio 8:3 -

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Abro aspas para a vida, e ela completará a lacuna
                                                      (Guilherme Rosa)

Um dedinho de amor


Mamãe tinha cinco filhos e um marido que amava, mas nunca associara amor de casamento com os frutos dessa união.
Não tinha um dedinho de consideração por nós.
O Kiko ficou reprovado pela 2ª vez na mesma série, e ela disse apenas folheando o jornal: é novo, ano que vem passa.

Eu pequena, olhava aquela hereditariedade de desafeto, aqueles irmãos vindo antes de mim sem afago de mãe.
Eu caçula, observava e pensava: qual será a escala para escalá-la?
Nada.
Era sempre uma mãe distante, mãe montanha, mãe gigante, mãe longe, não imbuída de nos amar, não incumbida dos mais naturais cuidados: merenda, beijo, histórias na hora de dormir, preocupações pentelhas – Não suba no muro, não caia daí!

Ai, era uma mãe extra mater.
Parecia que estivéramos todos fora dela quando dentro.

Até que um dia o irmão do meio adoeceu sinistramente na sexta e no domingo definitivamente nos deixou.
Eu mal chorava.
Tudo em mim eram olhos espantados de ver minha mãe assolada de uma ternura mórbida, porém ternuríssima, sobre o corpo: meu filho, meu amado, meu preferido, minha vida.
Proferia ela amorosos impropérios destoantes do que eu entendia como real até então.
Na dor da perda, minha mãe amava mais aquele filho do que a todos quando nasceram: filho meu, bendito filho meu, o que será de mim?

Compreendi que a culpa disparava nela um amor retroativo, forte, maravilhoso que, se não ressussitara meu irmão, tamanha sua força, em mim produzira uma extensa lavoura de esperança de afeto.

E fora assim desde então.
Se algum adoecia, minha mãe fechava as portas dos jornais, da televisão, do marido, do mundo, pra ser só mãe daquele filho enfermo.
Cabeceiras insones, histórias contadas até a febre se render, beijos longos que diziam: não me deixe amado, não me deixe.

E eu?
Eu tinha era uma filha da puta de uma saúde que teimava em não me largar.
Todo mundo lá em casa pegava gripe forte, porque ainda não existia dengue, pegava hepatite tipo analfabeta, porque ainda não havia classificação, caxumba, catapora e infecções sucessivas de garganta.
E eu, boinha da silva!
Me encostava em todos, me oferecia para cuidar; pequenina ainda, queria respirar o ar contaminado do sangue irmão. E nada.
Ela mesmo dizia: essa não precisa de mim. E eu precisava.

Então passei a perseguir acidentes naturais, árvores altas, bombas proíbidas em São João, altas velocidades em carrinhos de rolimã, mãos perto demais das fogueiras, mas nenhum galho fraco era meu cúmplice, nenhuma bomba amiga minha, explodira, nenhuma ladeira era minha companheira, nenhuma chama minha irmã.

Um dia, tinha só cinco, fui na gráfica do meu pai.
Pensei, vou machucar um pedacinho do meu dedo, vai doer, vai ter sangue, curativo, lágrimas de minha desejada mãe, alguma febre, choro meu, colo, colo, colo e, só depois, muito depois, conserto.
Só que a máquina era lâmina e minha matemática, pouca.
Calculei mal.
Pus o mindinho na guilhotina e fechei os olhos pensando nos olhos de minha adorada mãe que eu ainda não havia experimentado acolhedores sobre mim.
Eu era a última, a menorzinha, a despedida da prole, carregava a impressão de ter nascido e ouvido um adeus ao mesmo tempo.
A máquina decepara meu dedo.
Deixara apenas uma falange-cotoco primeira, uma base de dedo.
Foi rápido.
Sangue, muito mais sangue do que eu previa. Torpor.

Meu pai desesperado trazido amparado pelos empregados eu não vi.
Vi só minha mãe morrendo de dor pelo dedinho meu que perdi e que em mim não doía e nem fazia falta.

- Minha filha, minha filhinha adorada, minha preferida, minha garotinha amada, mamãe tá aqui, tá doendo? Responde, tá doendo?
E, eu mentindo: muito mamãe, muito.
Mas, não doía nada. Se doía, o amor de minha mãe vindo assim em lufadas inéditas sobre mim que era um machucado só, estancava qualquer dor.
Se confessasse, poderia perdê-la de novo.
Então perdi um dedinho, um mísero dedinho pra ganhar uma mãe.

Fui crescendo feliz com mimo por aquela mãozinha manca.
Na escola, no primeiro dia de aula, me divertia em enfiar essa falange vitoriosa no nariz para que a professora de estréia pensasse que havia todo o dedo dentro dele.
Ela repreendia: o quê é isso Cristina?
Tira o dedo do nariz! Que coisa feia, menina feia que você é. Vai se machucar assim.
Então, eu tirava a falange mínima, quebrando a ilusão ótica no nariz da mestra.
E ela: ô, desculpa querida, me perdoa, a titia não sabia...

E olhava com olhos de se olhar com pena sobre os aleijados e muito arrependimento daquela gafe.
Eu gostava da cena.
Repeti isso por todo primeiro grau, a cada primeiro dia de aula.
Era uma beleza.

Nunca mais perdi minha mãe.
Nunca mais fiquei boa do dedo e nem ruim dele.
Nunca quis ele de volta.
Quem quis ele era a minha mãe.
Por muito tempo, fiquei dando meus pedaços para ser amada.
Agora não.

Minha mãe ainda quer meu dedo de volta.
Eu não quero mais nada.
Tenho mãe.
Dar um dedinho por uma mãe é muito pouco.

Antes de mim, ela não tinha um dedinho de consideração por ninguém dos filhos.
Agora tem.

Andareis em todo o caminho que vos manda o Senhor vosso Deus, para que vivais e bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir.

[ Deuteronômio 5:33 ]

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

você não é a Brahma, mas é uma tetéia! Sacou?

Nos tempos da tetéia...

Todo cervejeiro já deve ter lido ou ouvido em algum lugar a palavra tetéia.
Nos dias de hoje, causa até um certo estranhamento, saiba-se ou não seu significado:

Tetéia (te-téi-a)

s.f. Berloque; brinco de criança.
Coisa bonita e delicada.
Bras. Pop. Moça atraente, muito graciosa.

Pois esse nome batizou uma das cervejas mais populares nos primeiros anos do século XX, lançada pela Brahma em 1914.

(tirado daqui)


Acho que a expressão “tetéia” é tão velha quanto “cafona”, “bocomoco” (bocó + mocorongo), “broto” e outras.
Do arco da velha mesmo...

Aliás, o que tem de gíria idosa por aí, não tá no gibi!
E, como todo idoso, elas foram aposentadas.
Viraram coisa de coroas e corocas.

Antigamente, se o cara era boa pinta e prafrentex,
ele arrebentava a boca do balão com suas gírias.
Nem precisava ter um belo carango.
As meninas ficavam gamadonas, podes crer!

Mas o tempo passa e as gírias que eram um estouro, ficaram tão velhas
que hoje parecem ser do tempo do onça.
Caíram de moda e ninguém mais as usa, no duro!

Amar você é ter vontade de ir a lugares que não conheço e me expor de um jeito que me ilumina.
É transgredir a ordem das coisas, transmutar medos antigos e cantarolar canções novas.
Amar você é passear por entre haicais, sonetos e trovas.
Amar você é descobrir que alguns mergulhos são desnecessários, que algumas coisas existem para se conhecer só na superfície, dispensando dicionários, porque elas são simplesmente aquela estrada rasa feita pra se caminhar por cima e a esmo.
É eu saber seu colo e você a minha mão quente.
É esse nosso afago relembrar a euforia das paixões adolescentes.
É poder ouvir exatamente o que foi dito sem procurar uma mensagem oculta, uma palavra mágica dissolvida no contexto ou outros indícios.
É respeitar suas vontades, sua inconstância, suas dificuldades.
É entender suas limitações porque me olho e vejo as minhas, é conceber minhas mudanças porque também vejo as suas.
É não deixar que nada corrompa nossas essências,
porque nos queremos melhorar para o mundo.
É saber que cada passo que dou será na direção que escolhi: seguir o mesmo rumo. Porque somos unos, múltiplos, imensos, nunca os mesmos, sempre os únicos, os mais intensos.
É encontrar leveza nas emoções que nos transbordaram
porque estávamos prontos.
É escrever um dicionário de palavras distraídas.
É adentrar o corpo de um poema recente, ainda disforme.
É falar de amor usando a metáfora mais inocente.
É também experimentar a simplicidade com que tudo pode ser vivido, até àquela hora em que o desejo dorme.
É vir à tona e, sem sustos, lhe deixar ser e me vir refletida, pedra bruta antes de ser polida, até a hora da próxima fome.
Amar você é amar aquilo que, de outra forma, jamais faria sentido: é abraçar seu passado, seus traumas, seus vazios, suas confusões e angústias existenciais como quem abraça a um amigo.
É agradecer profundamente, ao acordar, por esta pessoa inteira, que jamais será uma metade e que me escolheu para a soma, e que com todas as alternativas que teve, preferiu seguir comigo.

Amar você me fortalece!

Aprendi o silêncio com os faladores,
a tolerância com os intolerantes,
a bondade com os maldosos;
e, por estranho que pareça,
sou grato a esses professores.

Aprendi a viver as emoções no mais puro
silenciar da alma.

(Khalil Gibran)

“Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita.
Não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar.
Fechamos os olhos para garantir a memória da memória.
É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo.
O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio.
Os cílios se mexem como pedais da memória.
Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível.

Viver é boiar, recordar é nadar.”

E faço misericórdia a milhares dos que me amam
e guardam os meus mandamentos...

Deuteronômio 5:10

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


"Sabe, eu tenho a sensação
que antes de você,
nada aconteceu
de tão bom pra mim."

'É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.

Difícil é amar quando o outro desaba.
Quando não acredita em mais nada.
E entende tudo errado.
E paralisa.
E se vitimiza.
E perde o charme.
O prazo.
A identidade.
A coerência.
O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora.
Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia.
Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.

Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado.
Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica.
Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.'

Duas bolas, por favor!


Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só.

Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de ‘fácil’).
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em ‘acertar’, tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação…
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão…

Às vezes dá vontade de fazer tudo ‘errado’.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: ‘Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora’…
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia...
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do ‘Law and Order’, uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. Ok?

Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago...

Porquanto o Senhor teu Deus é Deus misericordioso,
e não te desamparará,
nem te destruirá,
nem se esquecerá da aliança que jurou a teus pais.

Deuteronômio 4:31

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Dos excluídos


Quero fazer uma homenagem aos excluídos emocionais, os que vivem sem alguém para dar as mãos no cinema, os que vivem sem alguém para telefonar no final do dia, os que vivem sem alguém com quem enroscar os pés embaixo do cobertor.
São igualmente famintos, carentes de um toque no cabelo, de um olhar admirado, de um beijo longo, sem pressa pra acabar.

A maioria deles são solteiros, os sem-namorado.
Os que não têm com quem dividir a conta, não têm com quem dividir os problemas, com quem viajar no final de semana.
É impossíver ser feliz sozinho?
Não, é muito possível, se isso é um desejo genuíno, uma vontade real, uma escolha.
Mas se é uma fatalidade ao avesso - o amor esqueceu de acontecer - aí não tem jeito: faz falta um ombro, faz falta um corpo.

E há aqueles que têm amante, marido, esposa, rolo, caso, ficante, namorado, e ainda assim é um excluído. Porque já ultrapassou a fronteira da excitação inicial, entrou pra zona de rebaixamento, onde todos os dias são iguais, todos os abraços, banais, todas as cenas, previsíveis.
Não são infelizes e nem se sentem abandonados.
Eles possuem um relacionamento constante, alguém para acompanhá-los nas reuniões familiares, alguém para apresentar para o patrão nas festas da empresa.
Eles não estão sós, tecnicamente falando.
Mas a expulsão do mundo dos apaixonados se deu há muito.
Perderam a carteirinha de sócios.
Não são mais bem-vindos ao clube.

Como é que se sabe que é um excluído?
Vejamos: você passa por um casal que está se beijando na rua - não um beijinho qualquer, mas um beijo indecente como tem que ser, que torna tudo em volta irrelevante - você inclusive.
Se lhe bate uma saudade de um tempo que parece ter sido vivido antes de Cristo, se você sente uma fisgada na virilha e tem a impressão que um beijo assim é algo que jamais se repetirá em sua vida, se de certa forma este beijo que você assistiu lhe parece um ato de violência - porque lhe dói - então você está fora de combate, é um excluído.

A boa notícia: você não é um sem trabalho, sem estudo e sem comida - é apenas um sem-paixão.
Sua exclusão pode ser temporária, não precisa ser fatal.
Menos ponderação, menos acomodação, e olha só você atualizando sua carteirinha.
O clube segue de portas abertas.

São as nossas canções...


''Não acredito em poetas nem em filósofos gregos ou alemães, em psicanalistas ou em biólogos.
Não acredito em teorias ou conselhos, em receitas ou testes de revistas.
Não acredito nos mais velhos e nem em livros de autoajuda, em filmes americanos ou na Wikipédia.
Não acredito em cartomantes nem em simpatias ou cantadas infalíveis.
Não acredito em Eros ou Afrodite, nos programas do Sílvio Santos ou na genética. Nem no García Márquez e nem no Sternberg.
Não acredito em Santo Antônio ou no Dia dos Namorados.

Eu acredito em canções.
Eu acredito no Elvis Costello.
Entendo tudo que os discos do Stevie Wonder querem me dizer.
Acredito nos caras do Coldplay.
Acredito em Solomon Burke, Cazuza, Nirvana, Queen, Tom Waits, The Smiths, All Green, Frank Sinatra, Neil Young, Verve e Radiohead.
Estou com "Something", dos Beatles.
Confio em "Baby, I Love Your Way", Peter Frampton.
Me consolo com "Leaving On A Jet Plane", na versão de Peter, Paul & Mary.
Posso ser definido por "Comfortably Numb", Pink Floyd ou pela turma do Bread, com "Lost Without Your Love".
Tim Maia, John Lennon, Carly Simon, Marvin Gaye, Jim Morrison, Elvis Presley, Chico Buarque, Otis Redding.
Esse é o pessoal que você realmente não perde por escutar.

Não existe nada grafado em papel ou num divã de vinil que faça sua alma compreender do que é feito o amor.

Já ouviu falar em paixão, intimidade, sexo, loucura, companheirismo, saudade?
Se já, aposto 50 dinheiros, não foi porque leu em algum lugar ou ouviu um professor os descrevendo.
Você cruzou com isso em vida ou então pôs seus headphones e deixou-se levar por uma canção, as três de uma madrugada insone.

Um dia você precisou aliviar seu sofrimento e quem estava lá?
Sua mãe, um analista, um amigo bêbado?
Fodam-se eles.
Você ligou o rádio e alguém como Ian Curtis ou os rapazes do U2 disseram "ei cara, pare de lamentar sua perda, você já deu a volta por cima, pense no quanto você está melhor hoje".
Aí você muda o disco.

O que você entende por grupo de ajuda?
Weezer, New Order, Velvet Underground?
Exato.

Quando alguém te disser "eu estarei lá por você" só acredite se vier do Bon Jovi, Jacksons Five ou do Kenny Rogers.
Eles são os únicos que você pode contar, no duro.
Do resto, esqueça.

Eles vão falar todo tipo de porcaria, cheios de razão, arrogância e menosprezo vão ditar regras, dizer que isso que soca seu peito é passageiro.
E quem são eles?
Um bando de diplomas pretensiosos na parede empoeirada, rindo da sua cara pelas costas, seu suposto idiota.

Para dilatar uma alma contraída não há formação.
Só duas coisas são capazes de arrepiar os cabelos do seu braço: um toque carregado de ternura ou a bela melodia num solo de guitarra.
A única coisa que realmente importa acontece no pátio em intervalos, e não nas salas de aula.
Seja qual for a história, se houver uma canção narrando sua situação, não importa o que disserem ou o que estiver escrito.

É amor.''

Então buscarás ao Senhor teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.

Deuteronômio 4:29

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


É Carnaval, e são grandes as chances de encontrar um cafajeste e confundi-lo com o amor de sua vida.
Prevenindo dor-de-cotovelo, proponho um retrato falado da criatura.

- O cafajeste faz propaganda enganosa para se dar bem. Tem todas as qualidades do universo, fala sem erro, ensaiado, jamais gagueja ou fica desconcertado.

- O cafajeste sempre aparece em seu mundo e nunca mostra o dele. Parece tele-entrega. Só realiza visitas. Com certeza, ele não pode mostrar onde vive, é casado e tem outra família.

- O cafajeste quer casar no primeiro encontro. Somente um cafajeste quer casar no primeiro encontro.

- O cafajeste avisa que não tem pressa para o sexo.

- O cafajeste chama você de gatinha, de guria, de menina, menos de seu nome. Ele não sabe seu nome.

- O cafajeste é aquele cara que não precisa mentir, você mente no lugar dele, antecipando desculpas ou justificando suas mancadas.

- O cafajeste escolhe as mulheres mais possessivas e ciumentas, que se apegam rápido.

- O cafajeste foge das discussões onde mostraria seus preconceitos.

- O cafajeste conhece de cor um poema de Neruda ou de Vinicius de Moraes.

- O cafajeste está apaixonado. Por si mesmo. Vive se elogiando.

- O cafajeste é um avatar, solteiro no facebook e nas páginas de relacionamento, comprometido na realidade.

- O cafajeste não se arrisca na roupa. Prefere camisa polo.

- Você pensa que o cafajeste está criando mistério ao não telefonar, mas ele simplesmente esqueceu de você. Suspense do cafajeste é abandonar a pessoa.

- O cafajeste manda rosas depois da primeira noite. Você vai entender depois que não é um buquê, e sim uma coroa de flores.

- O cafajeste é tudo o que a sua mãe sonhava para você, o que não é nada promissor.

Senhor Deus! Já começaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua forte mão; pois, que Deus há nos céus e na terra, que possa fazer segundo as tuas obras, e segundo os teus grandes feitos?

Deuteronômio 3:24

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Marchinhas de carnaval repaginadas para você cair na folia bem informado…

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bloco do 'Eu Sozinha'


Muitas pessoas têm por princípio, não viajar em feriados, seja para fugir da muvuca, das filas, dos congestionamentos e, sobretudo, dos preços inflacionados e optaram por não fazer diferente nesse carnaval, ou seja, ficar em casa.

Aproveitar o feriado para colocar ordem no trabalho atrasado, não significa não aproveitar os dias em que o país para pelo ziriguidum, claro que não. Até porque várias pessoas adotam a mesma tática: ficar em casa nos feriados e investir em grandes viagens no resto do ano.

Se você também está num desses blocos – Unidos do Sofá, Acadêmicos da Sala de Jantar, União do Living e afins – eis aqui boas saídas para se divertir nos dias de folia (!) e estar totalmente recuperado na Quarta Feira de Cinzas:

Maratona de séries na sua TV: Sempre tem uma série queridinha da sua turma de amigos, não é? Pois usar um dos dias para fazer parte do Bloco do Unidos do Sofá com todos eles, entre pipocas e guaranás, para assistir de uma tacada só os últimos episódios costuma ser, no mínimo, bem divertido.

Em nome da boa mesa: Meu programa predileto com meus amigos são os jantares que promovemos cada vez na casa de um. Quem dá o jantar pode escolher o “tema” – cozinha árabe, francesa, japonesa, baiana, criola etc – e quem vai de visita fica responsável por levar um vinho ou qualquer outra bebida que case bem com o tema escolhido. Uma boa trilha sonora e muito papo sobre anos de estrada completam o menu de maneira infalível.
Pode confiar: o Bloco Acadêmicos da Sala de Jantar costuma não ter erro.

Baile de Carnaval privê: Se promover um jantar na sua casa não for muito a sua praia, nada impede que seja só uma festinha. Boa música, uns bons drinks e uma bela roda de amigos e tá feito o seu baile de Carnaval privê – mas manere no volume do ziriguidum da sua União do Living se você morar em apartamento, é claro. O esquema churrascão também vale, pra quem gosta.

Maratona de jogos na sua sala: Outra opção de uso para sua mesa da sala de jantar – ou o tapete da sala de estar mesmo – é servir de base para um tabuleiro de jogos como pretexto para reunir amigos e/ou familiares e parte das atividades do Unidos do Tabuleiro. No fundo, quanto mais interminável o jogo, melhor, que a festa dura mais e gera mais polêmicas e risadas.

No mais, você pode se juntar à União do Bom Sono e colocar em dia todas as horas de sono perdidas durante a semana anterior; ou aos Acadêmicos das Letras e terminar, enfim, aquele livro que está há dias (ou semanas) paradinho na sua cabeceira; ou os Unidos do Mutirão e queimar umas calorias arrumando aquele armário que está las-ti-má-vel.

Em casa ou pelo mundo, um Carnaval lindo pra vocês e um feliz 2012 – que, afinal, só vai começar mesmo na Quarta Feira de Cinzas depois do meio dia, né?

(Mari Campos - tirado daqui)

Todo carnaval tem seu fim


Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia

Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo

Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada

Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul

Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

[Los Hermanos]

Não vos espanteis, nem temais.
O Senhor vosso Deus que vai adiante de vós, ele pelejará por vós...

(Deuteronômio 1:29-30)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A oração que eu esqueci

Senhor,

Proteja as nossas dúvidas,
porque a dúvida é uma maneira de rezar.
É ela que nos faz crescer, porque nos obriga
a olhar sem medo para as muitas respostas
de uma mesma pergunta.

E para que isto seja possível,
Senhor,
proteja as nossas decisões,
porque a decisão é uma maneira de rezar.
Dai-nos coragem para, depois da dúvida,
sermos capazes de escolher entre um
caminho e outro.

Que o nosso sim seja sempre um sim,
e o nosso não seja sempre um não.
Que uma vez escolhido o caminho,
jamais olhemos para trás,
nem deixemos que nossa alma seja corroída
pelo remorso.

E para que isto seja possível,
Senhor,
proteja as nossas ações,
porque a ação é uma maneira de rezar.
Fazei com que o pão nosso de cada dia
seja fruto do melhor que levamos dentro de nós mesmos.
Que possamos, através do trabalho e da ação,
compartilhar um pouco do amor que recebemos.

E para que isto seja possível,
Senhor,
proteja os nossos sonhos,
porque o sonho é uma maneira de rezar.
Fazei com que, independente de nossa idade
ou de nossa circunstância, sejamos capazes
de manter acesa no coração a chama sagrada
da esperança e da perseverança.

E para que isto seja possível,
Senhor,
dai-nos sempre entusiasmo,
porque o entusiasmo é uma maneira de rezar.
É ele que nos liga aos Céus e à Terra,
aos homens e às crianças,
e nos diz que o desejo é importante
e merece nosso esforço.
É ele que nos afirma que tudo é possível,
desde que estejamos totalmente comprometidos
com o que fazemos.

E para que isto seja possível,
Senhor,
proteja-nos, porque a vida é a única maneira
que temos para manifestar o Teu milagre.
Que a terra continue transformando a semente
em trigo, que nós continuemos transmutando o
trigo em pão.

E isto só é possível se tivermos
amor - portanto, nunca nos deixe em solidão.
Dai-nos sempre a Tua companhia, e a companhia
de homens e mulheres que têm dúvidas, agem,
sonham, se entusiasmam,
e vivem como se cada dia
fosse totalmente dedicado à Tua glória.

Amém.

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta

(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)

Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.

A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!

No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

"Na mulher interessante, a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável.
A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando:
- "Ser bonita não interessa. Seja interessante!"

(Nelson Rodrigues)

"Fui achando meus espaços, descartando meus pecados,
acreditando nas escolhas.
Hoje tenho o andar mais solto, não pela facilidade do caminho,
mas por ter total domínio dos meus pés."

O Senhor te abençoe e te guarde;
O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti,
e tenha misericórdia de ti;
O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.

= Números 6:24-26 =