"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011



A vocês que acompanham o blog e fazem parte desse pedacinho de minha vida, desejo um novo ano com sonhos realizados e surpresas... muitas delas.

Que o doce sabor do natal permaneça no coração de cada um durante todo o ano.

Tô indo ali e volto depois das festas.

Em 2012 fiquem com Deus.

Até lá!
:)

Que venha em paz o ano que vem...


Que saibamos olhar além das aparências e reconhecermos "embalagens" enganosas.
Amém!!!
Que os sensíveis sejam também protegidos.
Que sejam protegidos todos os que vêem muito além das aparências.
Todos os que ouvem bem pra lá de qualquer palavra.
Todos os que bordam maciez no tecido áspero do cotidiano.
Todos os que propagam a bondade.
Todos os que amam sem coração com cerca de arame farpado.
Que sejam protegidos todos os poetas de olhar e de alma, tanto faz se dizem poesia com letras, gestos, silêncios ou outro jeito de fala.
Que sejam protegidos não por serem especiais, que toda vida é preciosa, mas porque são luzeiros, vez ou outra um bocadinho cansados, no escuro assustado e apertado do casulo desse mundo.

E direis naquele dia:
Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome,
fazei notório os seus feitos entre os povos,
contai quão excelso é o seu nome.

(Isaías 12:4)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Agarre-as!!!

"Deixa que nesse verão eu faço o sol"

Fernando Anitelli

Da vital capacidade de esquecer


A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces.
Amar é mais magnânimo, mas não tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos.
O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la.
A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco.

Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem.
Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente.
Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes.
Apenas esmaecem até desaparecer.
Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos.
Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém.
Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro.

Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar.
É dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros.
Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações.

“Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e se dispõe as cores e os cristais do sofrimento” (Paulo Mendes Campos).

O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas.
Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas.
É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser.
Nunca mais haverá amor como aquele?
Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.

Todo mundo passa.
E é bom que seja assim.

Dos naufrágios


Amar é
mergulhar a fundo nos mares de alguém,
sem colete salva-vidas nem nada.

Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens,
segundo os rudimentos do mundo,
e não segundo Cristo.
= Colossenses 2:8 =

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sabe por que Papai Noel não existe?
Porque é homem.

Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias meias?
Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo no corredor?
Que toparia usar vermelho dos pés à cabeça, ele que só abandonou o marrom depois que conheceu o azul-marinho?
Que andaria num trenó puxado por renas, sem ar-condicionado, direção hidráulica e air-bag?
Que pagaria o mico de descer por uma chaminé para receber em troca o sorriso das criancinhas?
Ele não faria isso nem pelo sorriso da Luana Piovani!
Mamãe Noel, sim, existe.

Quem é a melhor amiga do Molocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da Superfestas?
Não é o bom velhinho.

Quem coloca guirlandas nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela casa?
Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes?
E quem desmonta essa parafernália toda no dia 6 de janeiro?

Papai Noel ainda está de ressaca no Dia de Reis.
Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe?
Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão?

Quem lembra de dar uma lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o cabeleireiro, a diarista?
Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório do Papai Noel?
Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para essas coisas.
Anda muito requisitado como garoto-propaganda.

Enquanto Papai Noel distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os mesmos presentes do ano passado?

Por trás do protagonista desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar mais.

Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã
e tudo chegará no tempo exato.

Mas e o dia de hoje?

Só quero ir indo junto com as coisas,
ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo,
até um lugar que não sei onde fica,
e que você até pode chamar de morte,
mas eu chamo apenas de porto.

Eu gosto mesmo é de gente
e não costumo julgar
Não aprendi a atirar pedras
Meu coração só aprendeu a amar

Até por que a mágoa
enfeia o rosto, a alma e o coração
Eu gosto mesmo é de gente
independentemente de raça ou religião

Se eu não puder levar rosas
Saiba, espinhos não levo não.

- Arnalda Rabelo -

Faze-me ouvir da tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti elevo a minha alma.
(Salmos 143:8)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


"Não passam as dores, também não passam as alegrias.
Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças.
Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é.
Não há nenhuma peça que não se encaixe.
Todas são aproveitáveis.
Como são muitas, você pode esquecer de algumas,
e a isso chamamos de "passou".
Não passou.
Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro"

Liçãopravida:

"Quando você se aceita, o mundo inteiro o aceita".
O amor deseja um bem imenso para outra vida, não importa o texto, o contexto, os calendários, os relógios todos do mundo.
É capaz de muita coisa só pra ver um sorriso de verdade acontecer no rosto amado.
Quer ver o outro feliz.
E não pode ferir sem ferir-se também.
Sem ferir-se junto.

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus,
santos e amados,
de entranhas de misericórdia,
de benignidade,
humildade,
mansidão,
longanimidade.

(Colossenses 3:12)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


Nessas noites frias cubro-me com uma saudade remendada
e sonho contigo.
Tem sido tão difícil reaprender a dormir sem o teu pé acariciando o meu, tem sido tão difícil acordar sem a luz do teu sorriso.
E eu deito e levanto te amando, todas as noites e todos os dias,
por todo esse tempo.
Assim tem sido e assim será.
Não dá pra lutar contra o amor, ele sempre vence!
Aprendi isso lutando.
Então eu joguei as armas no chão, levantei os braços e me rendi.

Sou tua, pode me levar!
Contra o mal, meu amuleto é a fé.

Tenho visto tanta gente cansada, tanta gente amputando suas asas depois de lutas homéricas, contra tanta peçonha e povo do mal .
Tenho visto gente desanimada, cabisbaixa, deixando de lado o amor e adiando, adiando.
Quando se vê, já se passaram décadas de amargura e solidão.

É tempo de arregaçar as mangas, minha gente, e ser feliz na marra.
É tempo de quebrar velhos conceitos, medos desbotados, passado ecoando no ouvido.
É tempo de aparar as asas e se abrir pro novo, que sempre chega e traz uma porção de coisas macias.

Deixe a energia das pessoas do bem te encontrarem, te bendizererm,
te elevarem.
Deixe pra tras os medos antigos e a desconfiança.
Pense mais no SIM.
Pese as coisas boas na balança.
Esqueça o que passou e te deixou triste, esqueça os maus bocados, as areias movediças, a lama na cara.

É Natal logo ali, minha gente, é ano novo chegando.
É olho brilhando de esperança.
É vontade de ser mais e melhor.
É vontade de dar e receber amor.
E pra isso a gente tem que tá com a casa sempre limpinha porque,
de repente, vem uma uma borboleta e pousa no jardim.
E faz a gente sair do casulo.
E faz a gente sorrir bonito.

Esperança é o que anda comigo. E em noites escuras, eu colho é fé.

Dos riscos de viver


Impossível atravessar a vida sem que um trabalho saia mal feito, sem que uma amizade cause decepção, sem padecer com alguma doença, sem que um amor nos abandone, sem que ninguém da família morra, sem que a gente se engane em um negócio.
Esse é o custo de viver.
O importante não é o que acontece, mas como você reage.
Você cresce quando não perde a esperança, nem diminui a vontade, nem perde a fé. Quando aceita a realidade e tem orgulho de vivê-la.
Quando aceita seu destino, mas tem garra para mudá-lo.
Quando aceita o que deixa para trás, construindo o que tem pela frente e planejando o que está por vir.
Cresce quando supera, se valoriza e sabe dar frutos.
Cresce quando abre caminho, assimila experiências... e semeia raízes.
Cresce quando se impõe metas, sem se importar com comentários.
Cresce quando é forte de caráter, sustentado por sua formação, sensível por temperamento... e humano por nascimento!
Cresce ajudando a seus semelhantes, conhecendo a si mesmo e dando à vida mais do que recebe.
Assim se cresce.

-|Susana Carizza-|

Bel film in buona compagnia: perfetto!

Duvides que as estrelas sejam fogo, duvides que o sol se mova,
duvides que a verdade seja mentira,
mas não duvides jamais de que te amo.”
---



“Querida Claire,

‘E’ e ‘se’ são palavras que, por si, não apresentam nenhuma ameaça.
Mas, se colocadas juntas, lado a lado, elas têm o poder de nos assombrar a vida toda.
E se… E se… E se…
Eu não sei como a sua história terminou, mas se o que você sentia naquela época era verdadeiro amor, então nunca é tarde demais.
Se era verdadeiro, então por que não seria agora? Você só precisa de coragem para seguir seu coração.
É difícil imaginar um amor como o de Julieta, um amor que nos faça abandonar entes queridos, que nos faça cruzar oceanos.
Mas eu gostaria de acreditar que se eu um dia sentir esse amor, terei coragem de perseguí-lo.
E, Claire, se não o fez naquela época, espero que ainda o faça um dia.

Com amor, Julieta.”
---
“Quando o assunto é amor, nunca é tarde demais.”

(do filme Cartas para Julieta)

A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.
Colossenses 3:16

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


Abata,
lave,
tempere,
escalde,
frite ou cozinhe,
grelhe ou asse,
ponha no prato,
enfeite,
devore.

Só não corte em picadinhos porque isso dói.
Coma inteiro e ainda quentinho.

Bon appétit!

"Tão bom viver dia a dia
A vida assim, jamais cansa
Viver tão só de momentos como estas nuvens no céu
E só ganhar, toda a vida, inexperiência
Esperança
E a rosa louca dos ventos presa à copa do chapéu

Nunca dês um nome a um rio: sempre é outro rio a passar

Nada jamais continua, tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas,
atiro a rosa do sonho nas tuas mãos distraídas"

(Canção do dia de sempre)

"Não voltaria no tempo para consertar meus erros, não voltaria para a inocência que eu tinha - e tenho ainda.
Terei saudades da ingenuidade que nunca perdi?
Não tenho saudades nem de um minuto atrás.
Tudo o que eu fui prossegue em mim."

Do natal sem o papai noel...


Estou preparando a minha árvore de Natal.
Quero que ela seja viva, mas não quero que seja exterior.
Eu a quero dentro de mim.
Tenho medo das exterioridades.
Elas nos condenam.
Ando pensando que o silêncio do interior é mais convincente que o argumento da palavra.

Quero que minha árvore seja feita de silêncios.
Silêncios que façam intuir felicidade, contentamento, sorrisos sinceros.

Neste Natal não quero mandar cartões.
Tenho medo de frases prontas.
Elas representam obrigação sendo cumprida.
Prefiro a gratuidade do gesto, o improviso do texto, o erro de grafia e o acerto do sentimento.
A vida é mais bonita no improviso, no encontro inesperado, quando os olhares se cruzam e se encontram.

Quero que minha árvore seja feita de realidades.
Neste Natal quero descansar de meus inúmeros planos.
Quero a simplicidade que me faça voltar às minhas origens.
Não quero muitas luzes.
Quero apenas o direito de encontrar o caminho do presépio para que eu não perca o menino Jesus de vista.
Tenho medo de que as árvores muito iluminadas me façam esquecer o dono da festa.

Não quero papai Noel por perto.
Aliás acho essa figura totalmente dispensável!
Pode ficar no Pólo Norte desfrutando do seu inverno.
Suas roupas vermelhas e suas barbas longas não combinam com o calor que enfrentamos nessa época do ano.
Prefiro a presença dos pastores com seus presentes sinceros.
Papai Noel faz muito barulho quando chega.
Ele acorda o menino Jesus, o faz chorar assustado.
Os pastores não.
Eles chegam silenciosos.
São discretos e não incomodam...

Os presentes que trazem nos recordam a divindade do menino que nasceu.
São presentes que nos reúnem em torno de uma felicidade única.
O ouro que brilha, o incenso que perfuma o ambiente e a mirra com suas composições miraculosas.

O papai Noel chega derrubando tudo.
Suas renas indisciplinadas dispersam as crianças, reiram a paz dos adultos.
Os brinquedos tão espalhafatosos retiram a tranquilidade da noite que deveria ser silenciosa e feliz.
O grande problema é que não sabemos que a felicidade mais fecunda é aquela que acontece no silêncio.

É por isso que neste Natal eu não quero muita coisa.
Quero apenas o direito de recolher o pequenino menino na manjedoura...
Quero acolhê-lo nos braços, cantar-lhe canções de ninar, afagar-lhe os cabelos, apertar-lhe as bochechas, trocar-lhe as fraldas para que não tenha assaduras e dizer nos seus ouvidos que ele é a razão que me faz acreditar que a noite poderá ser verdadeiramente feliz.

Neste Natal eu não quero muito.
Quero apenas dividir com Maria os cuidados com o pequeno menino.
Quero cuidar dele por ela.
Enquanto eu cuido dele, ela pode descansar um pouquinho ao lado de José.
Ando desfrutando nos últimos dias o desejo mais intenso de que a vida vença a morte.

Talvez seja por isso que ando desejando uma árvore invisível.
O único jeito que temos de vencer a morte é descobrindo a vida nos pequenos espaços.
Assim vamos fazendo a substituição.
Onde existe o desespero da morte eu coloco o sorriso da vida.

Façam o mesmo!

Descubram a beleza que as dispersões deste tempo insistem em esconder.
Fechem as suas chaminés.
Visita que verdadeiramente vale à pena chega é pela porta da frente.

Na noite de Natal fujam dos tumultos e dos barulhos.
Descubram a felicidade silenciosa.
Ela é discreta, mas existe!
Eu lhes garanto!

Não tenham a ilusão de que seu Natal será triste porque será pobre.
Há mais beleza na pobreza verdadeira e assumida que na riqueza disfarçada e incoerente.
O que alegra um coração humano é tão pouco que parece ser quase nada.
Ousem dar o quase nada.
Não dá trabalho, nem custa muito...

E não se surpreendam, se com isso, a sua noite de Natal tornar-se inesquecível.

Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor;
pela manhã apresentarei a ti a minha oração, e vigiarei.
Salmos 5:3

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011


Quando alguém sentencia “você precisa relaxar”, a primeira imagem que me vem à mente não é uma praia de areias brancas nem uma sessão de shiatsu, muito menos um laguinho de águas e patos calmos acompanhados por cânticos e mantras.
Quando preciso relaxar, penso numa só coisa: uma mesa de bar.

Eu bebo.
E digo mais: bebo melhor que muito macho porque não passo do meu limite para bancar a durona, não dou trabalho para os outros, não fico insistindo em assuntos que só interessam a quem já venceu a barreira do décimo chope, não viro vítima do copo que me consola nem entoo, num tom meloso pra lá de patético: “Sabia que te considero pra caramba?”

Bebo para ficar melhor do que sou, não pior.
Bebo para superar minha timidez natural, porque gosto do sabor de um bom vinho, da ardência de uma cachaça pura, da pegada forte de um amaro.
Bebo porque viver é um troço complicado e precisa, vez por outra, da simplicidade mental trazida pela graduação alcoólica.
“Bebo para empatar com o mundo”, como diria Paulo Mendes Campos.

Todos precisamos de embriaguez.
Alguns a conseguem rezando, jogando futebol, fazendo sexo, pintando.
Tudo é a mesma coisa: necessidade de sair da realidade, de dar um pause na roda incessante dos pensamentos.
Por isso a mesa de bar é tão mágica: ela nos transporta para outra dimensão em questão de minutos, alivia o peso do cotidiano, dos problemas e prazos, reúne amigos que vivem enjaulados em suas existências.
A mesa de bar é a grande responsável pela dose certa de irresponsabilidade de seus freqüentadores, é a redentora da happy hour, a testemunha de amores pós-escritório, de lágrimas disfarçadas, xingamentos lavadores de alma, risadas arrastadas do passado ou surgidas de desejos bizarros para o amanhã.
A mesa de bar é a terapia mais divertida que existe.

Também do Paulo Mendes: “A embriaguez é religiosa, e o altar das religiões antigas inventou de certo modo a mesa do bar.
Aí, o homem punha-se em comunicação com o espírito divino, ligava céu e terra, transcendia-se”.

Por isso não tenho paciência para abstêmios.
Não consigo entender quem não se dá o direito de perder as estribeiras vez por outra, que supõe ficar sob controle período integral (presunção bem irreal, aliás).
Que chato deve ser viver ao lado de alguém que não compreende o prazer do primeiro gole em um chope cremoso, a delícia de esquecer calorias, brigas e tempo ruim e largar-se a sociabilizar sem preocupações pessoais nem gramaticais.
Não entra na minha cabeça quem prefere dormir cedo a curtir um animado papo bem regado até mais tarde.

Quem é certinho o tempo inteiro é chato o tempo todo.

E, além de tudo, a bebida traz a beleza.
Não aquela invocada pela proporção de goró ingerido.
Não, essa desculpa de “tudo é bonito depois da quinta dose” é coisa de gente que não tem coragem de fazer o que quer sob o peso da sobriedade.
A bebida invoca uma beleza mais sexy e sutil.
Masculina.

Não existe nada mais charmoso e instigante que um homem de barba cerrada com um belo Negroni numa mão – e outro, na outra, pra mim.

"Às vezes estou por cima, às vezes estou por baixo.
Mas estou sempre por alguma coisa.
Por alguém.
Por aí."

Do que sou...


"Eu não escrevo o que quero,
escrevo o que sou."

(Des)equilibrada


Palavras de pernas pro ar,
poesia às avessas.

Nunca soube me equilibrar,
fui nascida pra amar
de ponta-cabeça.

Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.
Colossenses 3:8

terça-feira, 13 de dezembro de 2011


''Sabemos da quantidade de pessoas que passam necessidades reais, que estão desempregadas, que não têm como alimentar os filhos, que têm uma doença séria, enfim, ninguém ignora as mazelas do mundo.
No entanto, muitas dessas pessoas que habitam as estatísticas não fazem parte do nosso círculo íntimo.
Na maioria das vezes, nossos amigos e familiares estão bem, trabalham, possuem uma vida afetiva.
Ok, eles têm lá seus problemas, mas não são exatamente o retrato da desgraça.
Ainda assim, me espanta que muitos deles, mesmo sem motivo para cortar os pulsos, vivam como se fossem uns infelizes, lidando com o dia-a-dia de uma forma pesada, obstruindo o próprio caminho em vez de viver com mais leveza.
São o que eu chamo de pessoas com o espírito fechado.

Eu respeito quem traz uma grande dor e não sai espalhando sorrisos à toa, mas me enervo com quem fecha a cara por simples falta de humor.
Palavrinha mágica, esta: humor.
Não me refiro a quem faz piadinhas a todo instante, e sim a quem possui inteligência suficiente para saber que é preciso relevar as incomodações, curtir as diferenças e ser generoso com o que acontece a nossa volta.
Humor significa ter um espírito aberto.

Esta é a resposta para quem pergunta qual é a fórmula da felicidade – alguém ainda pergunta isso?
Eu responderia: ter o espírito aberto, só.
O resto vem.
Amigos, amores, oportunidades, até saúde: a fartura disso tudo depende muito da sua postura de vida.
Não é evidente?

Eu já fui um caramujo ambulante, daquelas criaturinhas desconfiadas, que torcia o nariz para tudo o que não fosse xerox do meu pensamento.
Desprezava os diferentes de mim e com isso, claro, custava para encontrar meu lugar no mundo.
Era praticamente um autoboicote.
Me trancava no quarto e achava que ninguém me compreendia.
Ora, nem podiam mesmo.
Aliás, nem queriam.

Um dia – e ainda bem que este dia chegou cedo, no final da adolescência – eu pensei: calma aí, quem vai me salvar? Jesus? John Lennon?
Percebi que o mundo era maior do que o meu quarto e que eu tinha apenas duas escolhas: absorvê-lo ou brigar contra ele.
Contrariando minha natureza rebelde, optei por absorvê-lo.
Abracei tudo o que me foi oferecido, deixei de me considerar importante, comecei a achar graça da vida e, com a passagem dos anos, só melhorei, não parei mais de me desobstruir, de lipoaspirar mágoas e ranzinzices – a não ser que desejasse posar de poeta maldita, o que não era o caso.
Me salvei eu mesma e fui tratar de aproveitar cada minuto, que é o que venho fazendo até hoje.

Quando alguém me diz “como você tem sorte”, penso que tenho mesmo.
Mas não a sorte de receber tudo caído no colo, e sim a sorte de ter percebido a tempo que nosso maior inimigo é a falta de humor.
Sem humor, brota preconceito para tudo que é lado.
A gente começa a ter mania de perseguição, qualquer coisa parece difícil e uma discussãozinha à toa vira um dramalhão.
Prefiro escalar uma montanha a viver desta forma cansativa.

Espírito aberto.
Caso você não tenha recebido gratuitamente na sua herança genética, dá pra desenvolver por si próprio.''

Das escolhas

Hoje eu acordei muito emocionada.
Não sabia exatamente o por que, mas eu queria chorar e agradecer tanta coisa.
E fiquei olhando pra dentro, relembrando as coisas que desejei no passado e vi que minha emoção vinha de tantos sonhos realizados.
Porque eu tenho os melhores amigos do mundo, a família que eu merecia ter, o namoramado mais perfeito e toda a disposição e capacidade pra tornar pleno o que ainda é lacuna em minha vida.
E, finalmente, eu tenho um compromisso tão real com a felicidade, e que tudo o mais que me conduza a esta realização é uma conseqüência dessa minha escolha.
Eu sei que a vida não é fácil: se a gente quer um amor e o encontra, a gente depois tem que negociar com a convivência.
Se a gente tem muitos amigos, as idiossincrasias.
Se o emprego dá grana, às vezes o chefe nos desanima... enfim, nem todo poeta vive de poesia, embora muita gente se alimente dela.
Eu hoje acordei tão emocionada porque sei que cada vírgula da nossa rotina tem sentido.
E que ter uma rotina é tão saudável.
E que ter amigos nos impulsiona, e que viver um grande amor nos embeleza.
E que fazer "a nossa parte" melhora o mundo.
E que ter bons pensamentos enriquece o universo.
Eu hoje acordei tão emocionada porque tive a plena consciência de que eu posso escolher outra coisa sempre, e que no aprendizado não existe escolha errada.
Eu hoje acordei com a alma em festa, porque sou feliz como alguém que fez as "escolhas certas".

Bons relacionamentos não acontecem do nada.
Eles levam tempo, paciência e duas pessoas que realmente querem ficar juntas.

(Caio Scheleger)

Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas.
Colossenses 3:9

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Amor é pra quem ama


Qualquer amor já é
um pouquinho de saúde
um montão de claridade
Contribuição
pra cura dos problemas da cidade

Qualquer amor que vem
desse vagabundo e bobo
coração atrapalhado
procurando o endereço
de outro coração fechado

Amor é pra quem ama
Amor matéria-prima
A chama
O sumo
A soma
O tema

Amor é pra quem vive
Amor que não prescreve
Eterno
Terno
Pleno
Insano

Luz do sol da noite escura
“Qualquer amor já é
um pouquinho de saúde
um descanso na loucura”

(Lenine)

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito porque gostava de carregar água na peneira,
com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.

PS: Talvez a solução pras nossas aflições esteja em "escrever" - dar vasão aos sentimentos.

Façamos disso uma terapia!

"Viver é super difícil

o mais fundo está sempre na superfície."



Se tu estás por vir
eu conto cada segundo.
Para mim o teu abraço
é o melhor lugar do mundo.

... levante os olhos e veja pela fé as janelas que Deus lhe oferece.

Malaquias 3:10

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Da mulher de lua


Tristeza mingüante deu lugar à esperança que cresce crescente.
Uma nova mulher, cheia de amor, reluzente.
No escuro do céu azul sem fim só dá ela.
E nem as estrelas mais lindas ofuscam o brilho que vem dela.
Sonha com aquele moço que sorri feito o sol a brilhar.
E a distância malvada castiga essa vontade de amar.
Mas ela sabe que isso é raro e nunca desiste de sentir.
Espera o próximo eclipse pra viver esse amor sem fim.

Gostaria que meu coração fosse como uma porta giratória por onde as pessoas entrassem e saíssem sem que eu desse a mínima.
Apenas passassem por mim, deixando souvenirs mas não marcas.
Gostaria de esquecer mais facilmente e recordar com tranqüilidade.
Achar que o sexo é complicado e que o amor é simples.
Deduzir menos e respirar profundamente antes de agir.
Deixar de sentir que um ácido corrói meus ossos e sonhos sempre que alguém parte.
Fazer minha metade vítima parar de chorar por perdas passadas que, de tão dolorosamente lembradas, repetem-se no presente.
Ser menos incoerente.
Parar de dar a alma pelo azul e — amedrontada com a vulnerabilidade de doar-se — trair o azul com o castanho, como diria Paulo Mendes Campos.
Gostaria que minhas neuroses — paradas, imóveis, colocadas de castigo com os rostos voltados para a parede mas sempre à espreita — deixassem de me assustar na hora mais profunda e plácida da noite, congelando meus pensamentos e liquefazendo as sensações, fundindo-as todas em uma poça de suor e esperança.
Amar intensamente o possível e ignorar o distante, difícil, complicado.
Andar leve, abandonar o lastro.
Nunca mais dizer “eu odeio”, “boçal”, “trepar” e “tenho medo”.
Dizer muito mais “sossego”, “adoro quando você fala isso”, “que gostoso”, “sim”.
Gostaria de me tornar a materialização da paz satisfeita de um gato ao sol.
Trocar a ansiedade deterioradora por uma bala de menta.
Ter a pele mais grossa.
Gostaria que alguns deixassem de existir para dar espaço para outros andarem mais livres.
Sobraria mais ar.
Puro.
E então essas pessoas seriam mais bobas, comeriam com as mãos, teriam auto-ironia, andariam descalças com freqüência, cobrariam menos, amariam mais e não veriam a felicidade alheia como uma ameaça para a sua própria.
Mas o que mais gostaria, acima de tudo, é que meu coração fosse como uma porta giratória por onde o amor entrasse facilmente.

E não saísse.