"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 29 de junho de 2016


Não importa o que aconteça, quanto tempo passe 
ou quantas coisas forem ditas, 
da minha parte, eu divido até minha moeda de chocolate, com você.


“Amar não é prender. Amar é prender-se. Sem grades ou correntes, o amor é a única prisão onde minha alma é plenamente livre.”

imobilidade do inverno


Terrível no inverno não é passar frio, mas tentar não passar frio.
É se antecipar ao desconforto do vento e da tremedeira.

Passamos a estação inteira nos adiantando para não sofrer e terminamos sofrendo o dobro.
Nunca conseguimos nos agasalhar para o frio psicológico.
Planejamos um momento em que estaremos protegidos que nunca chega. Sempre falta uma coisa que encerra o aconchego que criamos detalhadamente.

É como se refugiar num abrigo antiaéreo e deixar a sacola de mantimentos lá em cima. Subir ou não subir de volta?
Quantas vezes já tremi a noite inteira somente porque não desejava me levantar para buscar um edredom?
Dentro do sono, eu pensava: será que vou ou não vou? E, por fim, dormia com a angústia da dúvida, tremendo, chamando a gripe para conviver comigo.
Inverno é um dilema permanente, um descuido irreversível.

Vou assistir a um filme na sala com a minha mulher, preparamos pipoca e chocolate quente, puxamos o edredom, demoramos para encontrar o lugarzinho ideal, para nos encaixar entre as almofadas e o encosto, no instante em que alcançamos a perfeição alguém se dá conta da ausência do sal. Qual será a alma caridosa a largar a fortaleza e trazê-lo da cozinha? A tristeza é que – se um sair – recomeçará todo o reposicionamento delicado que levou horas para ser feito.
A ânsia de não sofrer contratempos supervaloriza o incômodo. A mania de querer uma situação ideal nos põe em perigo.
Qualquer movimento em casa é acampamento, com o medo permanente de sair do fundo da barraca após o esforço de montá-la. É trazer tudo para não se mexer depois, mas sempre existe um lapso.
Inverno é frustração, é distração letal.

Quem já não enfrentou o banho rápido, desafiou o gelo do lençol, friccionou seus pés com os pés da esposa, abraçou forte sua companhia debaixo da montanha de cobertas, suspirou de felicidade quando se enxergou novamente quente e, de repente, verifica que a persiana tem uma fresta de luz? É preciso muita coragem para abandonar o acolhimento custoso e reiniciar os trabalhos.
No inverno, por maior que seja a cautela, esqueceremos algo.

Perderemos consecutivamente a vantagem que adquirimos com a prevenção.
Basta encontrar uma posição para se morrer feliz que seremos impelidos a ressuscitar.


Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra.

Gênesis 9:16

terça-feira, 28 de junho de 2016


Dona de uma fineza absoluta
Na sala, Sartre
Na cama, Sutra

Múcio Góes

Anos atrás, escrevi uma crônica chamada Fator de Descarte, em que eu perguntava qual seria o deslize fatal que desmotivaria o prosseguimento de uma relação. Na época, dei o exemplo de uma amiga que estava no carro com o rolo novo e que o dispensou assim que ele, ao ouvir uma canção do Tom Jobim, disse que não suportava “aquele xarope”.

Amor não é coisa que tem dado sopa por aí, então, mesmo o cara tendo péssimo gosto musical, convém dar mais uma chance a ele – eu daria. Porém, nem todos são tão complacentes. Um amigo me disse, outro dia, que estava começando a trocar mensagens com uma garota, até que ela escreveu que adorava percorrer a orla de biscicleta. Biscicleta com sc foi o fator de descarte dele.

De fato, é grave, mas nestes tempos em que todo mundo tem iniciado relações através das redes sociais, sendo obrigados à escrita, é bom reduzir o grau de exigência, senão adeus cobertor de orelha para atravessar o inverno.

Erros clássicos proliferam: “despretencioso”, “encomodar”, “excessão”. Recentemente, uma escritora escreveu de forma errada a palavra exceção em seu Facebook: quem nunca? Na pressa em digitar um post contra a bandalheira do país, escapou um erro ortográfico sem revisão. Pelo mesmo motivo (a política), um músico escreveu que estávamos no fundo do posso. Ó, céus. Se até com eles, que dominam o português, acontece, imagine com quem não tem o hábito de ler livros, que é a maioria.

Muitos leitores me mandam e-mails bacanas e, ao final, pedem desculpas antecipadas por alguma eventual mancada na digitação. Quase sempre, são justamente eles que não cometem mancada alguma. Digo para relaxarem, pois costumo ficar mais ligada no conteúdo do que na forma. Eu mesma, em mensagens ligeiras, escorrego. E inclusive nas nem tão ligeiras: outro dia, numa crônica, troquei “sobre” por “sob” e não me conformo, como deixei passar? Vacilei. Não me descartem por isso, tenho defeitos piores.

Escrever corretamente é uma obrigação. Nada causa melhor impressão do que um texto limpo, claro e bem escrito, mas diante da falência da nossa educação e do lamentável índice de leitura do país, melhor ampliar nosso crédito amoroso para com os descuidados. Já me apaixonei por quem escrevia feito um poeta, mas também por quem escrevia “quizer” e “denovo”, assim, tudo junto. Meu fator de descarte, nestes casos, é a boa ou a má vontade em aprender. Se a pessoa aceita e agradece quando é carinhosamente corrigida, está salva, é sinal de que é inteligente. Mas se fica ofendida, aí o problema não é o erro gramatical, e sim a falta de humildade e a tacanhice em não querer melhorar. Pra essas, condescendência zero – agora sim, com sc.



Apesar de tudo amar.
Apesar de tudo viver.
Apesar de tudo sentir.
Apesar de tudo arriscar.
Querer apesar de tudo.
Crer apesar de tudo.
Insistir apesar de tudo.
Ser apesar de tudo.
Ir apesar de tudo.
Apesar de tudo é o melhor conselho que alguém pode
dar a alguém.
Por mais coisas que nos faltem na vida 
há tantas coisas que não nos faltam na vida, apesar de tudo.

[Pedro Chagas Freitas]


... há tantas coisas que não nos faltam na vida! 

“Quando um homem morre, pode viver novamente?”

 Jó: 14-14

segunda-feira, 27 de junho de 2016


“Com a filha de João
Antônio ia se casar
mas Pedro fugiu com a noiva
na hora de ir pro altar”

Na tradição brasileira, Junho é mês de muita festa: quentão, fogueira, quadrilha e de comemorar os dias dos padroeiros Santo Antônio,13; São João,24 e São Pedro,29.

Segundo o “Portal Angels”, hoje,27 é dia de São Cirilo.

Para mim, é dia de agradecer pela vida do Neckyr, presente que recebi de braços abertos e sorriso mais ainda. 
Neckyr, como uma fogueira, esquenta meu coração e faz da minha vida uma festa.

Sei que São Neckyr não faz parte das festas juninas, mas o arraial é meu e eu convido os santos que quiser.

Daqui, no coração, vou acender uma fogueira linda (mais contundente que uma vela) e cantar, não música junina, mas parabéns pra você, pra ele.

eu só vim lhe desejar um dia lindo...


... com flores pelos caminhos que você percorrer.
Com gente feliz ao seu redor.
Com chuvas de sorrisos e de olhares que vem da alma.
Não importa se grandes notícias não virão hoje.
Que também não venham as más.
Que seu dia seja de paz.
Que você esteja em paz.
E que você olhe os problemas de cima, e as pessoas que você convive, com olho no olho.
Que as palavras do dia sejam ‘leveza’, ‘doçura’, ‘calmaria’, ‘tranquilidade’.
E que suas próximas horas sejam carregadas de pensamentos positivos e muita paz no coração.
Só vim te desejar um ótimo dia.
Colorido e florido.

Feliz dia, feliz vida, feliz aniversário, meu bem!




Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. 

Isaías 43:2

domingo, 26 de junho de 2016


... porque, de algum modo, você me dá seu sobrenome.


quinta-feira, 23 de junho de 2016


Quando falamos sobre câncer de mama, não há mulheres ou super mulheres.
Todas as mulheres, donas de casas ou famosas, têm que fazer o auto-exame mensal e os preventivos anualmente, pois ninguém é imune ao câncer. Nem a modelo, cantora e apresentadora de TV, Sabrina Parlatore:

“Isso parece que nunca vai chegar próximo da gente, nunca vai acontecer com a gente, disse a apresentadora.

Graças a Deus, foi em estágio inicial. Resolvi esperar o tratamento todo para poder falar, porque estava muito fragilizada. Então, agora tenho mais condições de falar e poder refletir. E, principalmente, ajudar as pessoas.

É um baque, um susto danado, principalmente por não saber o que é, em que estágio está.

No início, não queria falar. Pensava que nunca iria revelar isso, porque é uma coisa íntima. Pensava: ‘Estou com uma micose no pé e vou ficar falando que tenho?’ Então, para quê, né? Só que com o passar do tempo e com a experiência, com tudo que vivi, senti uma necessidade e até um dever meu, como figura pública, em dividir essa experiência com todas as mulheres e alertar para importância do diagnóstico precoce, dos exames preventivos todos os anos a partir de certa idade”.

Ela mandou um recado para quem está passando por este momento: 
“Seja muito forte, pense positivo. Pense que tudo passa nessa vida e que isso é só uma fase. É sofrido, mas passa. Seja corajosa para enfrentar tudo o que tiver que enfrentar. 
Tem cirurgia? Faça. Quimio? Faça. 
E faça tudo com muita dedicação, porque é preciso ter vários cuidados durante o tratamento. Seja disciplinada e faça tudo direitinho que vai ficar tudo bem”.

“Concluir definitivamente o tratamento contra o câncer, simboliza voltar a vida, renascer, porque a gente se sente ‘morto’. 
Brinco que ‘dei uma morridinha e voltei’, porque a químio arrasa com o corpo. 
Eu me sinto renovada, renascida, com uma sensação de que o melhor está por vir”.

                                                             #fique por dentro:
A mamografia é a radiografia que permite a detecção precoce de câncer de mama, tipo que mais mata as mulheres, e a tratá-lo, por ser capaz de mostrar lesões em fase inicial.
A mamografia digital, por sua qualidade de imagem superior, permite exames mais rápidos, menos repetições de exames e menos exposição à radiação para as pacientes.



#temperamental!

a beleza pode transformar


Numa rua cinzenta e triste de um bairro operário de Liverpool, Inglaterra, uma mulher colocou um vaso de gerânios na janela.

Dois dias depois, sua vizinha da frente – por inveja, ou porque notou que os gerânios eram bonitos – colocou dois vasos de flores.

Trabalhadores, voltando para casa, notaram duas janelas diferentes. Suas mulheres, vaidosas, resolveram também comprar flores.

Um mês depois, todas as janelas das ruas tinham pequenos jardins.

Alguém pintou a fachada de sua casa, já que a beleza das flores realçava a feiúra do resto.
O exemplo foi imitado.
Um ano depois, a triste rua era um modelo de urbanização.

Tudo porque um belo dia, alguém colocou um vaso de gerânios na janela!


Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. 
Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida, são poucos os que a encontram. 

Mateus 7:13-14

quarta-feira, 22 de junho de 2016


Previsão do tempo:
Ele está passando!

#definitivamente!

o que é viver bem?


Um repórter perguntou a Cora Coralina (poetisa que viveu até 95 anos):

– O que é viver bem?

Ela lhe disse:
“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você: não pense. 
Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros.
Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.
Você acha que eu sou? Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé.
Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.


Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama. 

(Salmos 127:2)

terça-feira, 21 de junho de 2016

o sentido das coisas


Sempre procurei, tantas vezes em vão, encontrar o significado de tudo. Por exemplo, por que há pessoas boas e más, por que as pessoas boas fazem coisas más e vice-versa, por que entre pessoas que se querem bem pode haver frieza ou até maldade, por que… lista infindável, ainda mais para quem tem um pouco de imaginação. A cada momento reinventamos o mundo, reinventamos a nós mesmos, reinventamos nossos afetos para que seja tudo menos doloroso.
Observo ainda mais intensamente o que acontece, tanta coisa inacreditável, mas real. Assim reflito quase constantemente sobre todas as loucuras, baixezas, perigos, sustos, desalentos atuais, aqui e ali uma luzinha minúscula que logo bruxuleia. Vai se apagar para sempre? Nada é para sempre. As coisas más, as fases ruins, também hão de passar. Mas, no momento, não sou otimista. Falsidade, mentiras, arzinho superior e palavras fantasiosas sobre questões fundamentais, apontar o dedo para o adversário, tudo é pior do que a dura verdade. Assustam-me discursos com que neste momento dramático alguns negam ou diminuem a gravidade da situação, revelando-se o desvio de inacreditáveis fortunas que deveriam atender o povo mais carente, a maior vítima desse desastre, um povo despossuído, sem as coisas essenciais que lhe têm sido negadas ─ não por uma fatalidade, mas por ganância de quem já tinha uma boa fortuna, mas queria mais, e mais.

Hoje, os acusados reagem com ironias, amea­ças, invenções: mas fizeram de nós um dos piores países do mundo em quase tudo, sobretudo educação e segurança. Ninguém assume sua responsabilidade, antes critica adversários ou países mais adiantados, como se fôssemos todos uns pobres crédulos. Começamos a perceber o que se passa no nevoento território da política que fragilizou a economia, e é cenário de tão grave incompetência e irresponsabilidade. Na grande negociata nunca vista, quase todos tinham seu preço: não foi barato. Pouco sobrou para o brasileiro que ignorava esses fatos que atingiram seu bolso, sua esperança e suas possibilidades de uma vida decente.
A política influenciou e dominou nossa existência nos últimos anos, com gestão incompetente, péssimo planejamento, desorganização nas contas públicas, maquiagem do desastre que foi escondido de um povo mal informado porque mal escolarizado (não é por acaso que negligenciamos tanto a educação). A pátria-mãe desvia o rosto; nós, os filhos, largados na floresta como num conto de fadas sinistro. Os próprios investigadores das gigantescas fraudes, impressionados, admitem estar diante de tramas de dimensão e sofisticação nunca vistas.
A paisagem brasileira está de pernas para o ar: nada faz muito sentido, tamanho o escândalo. Para começar, os salários com que tentamos manter uma vida honrada são patéticos diante das cifras roubadas, apresentadas pelos competentes e corajosos investigadores. Irresponsabilidade e incompetência comandaram as façanhas que esfacelaram o país, agora rebatizadas de “malfeitos”. Espantoso: os desvios não eram efetuados por bandidos oficiais, mas por grandes empresários que admitem, talvez forçados pelo medo, que, se não tivessem entrado no esquema de corrupção e pagado as irreais propinas, suas companhias teriam ficado “de fora” da roda dos mafiosos, prejudicando seus acionistas e trabalhadores. Quase todos afirmam com veemência que de nada sabiam: viviam em outro planeta. Não saber de nada passou a ser um triste refrão.
Os investigados, denunciados e presos continuam protestando contra tamanha maldade: todos vítimas do lobo mau da Justiça. Seus defensores encenam uma ópera-bufa de delirantes explicações: roubalheira mascarada de comportamento legal, nos parâmetros da decência. Se essas ficções patéticas fizessem sentido, nunca teria havido tantos inocentes no mundo: as elites e os estrangeiros seriam os culpados. Essa farsa acabou: não há desculpa perante uma nação ferida.


Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem, também será usada para medir vocês. 

Lucas 6:38

segunda-feira, 20 de junho de 2016

da chegada do inverno


Manhã de outono, noite de inverno:
duas estações repartem ao meio, o dia.
O fôlego renovado do vento faz dançar folhas órfãs.
A força retocada do frio faz tremer nuas árvores.
E, enquanto a noite suspira neblinas,
estrelas pendem de cansaço e sono.
Antecipados poentes romanceiam encontros,
e o sol seduz uma lua encabulada:

“ De-cifra-me que eu te melodio...”


dentro dele
tem um menino que me olha
medroso e inseguro
que se esconde
atrás de um homem de barba
enquanto me abraça
um que me pesa o corpo
um que me pesa a alma
ele ri, ele e o menino
os dois tão perdidos
que não se sabem
quem está mais dentro
um do outro





Que a vida te pareça suportável.
Que a culpa não afogue a esperança.
Que não te rendas nunca.
Que o caminho que sigas seja sempre escolhido
entre dois pelo menos.
Que te interesse a vida tanto como tu a ela.
Que não te apanhe o vício de prolongar as despedidas.
E que o peso da terra seja leve sobre os teus pobres ossos.
Que a tua recordação ponha lágrimas nos olhos
de quem nunca te disse que te amava.

[Por Amalia Bautista, em Estou Ausente]

“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” 

(Amós 5, 24)

domingo, 19 de junho de 2016



Em 1998, foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.

Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonitee não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.


Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome.

(Hebreus 13:15)

sábado, 18 de junho de 2016


Seu aniversário está chegando? 
Você já deve ter escutado falar que está vivendo seu inferno astral e tudo que acontecer de negativo será relacionado a isso. 
Se a lente de contato rasgar, acontecer um acidente ou você perder algum objeto, não entre em desespero. 
Realmente, esta é uma fase mais complicada, mas não quer dizer que só irão acontecer coisas negativas e que ninguém passa sem problemas pelo período.

Muitas pessoas acreditam que este é um momento de angústia, azar e depressão. Mas não é preciso ficar desesperado antes do seu aniversário, nem acabar estragando uma data importante com o nervosismo. 

Esses 30 dias tão temidos têm essas características porque simbolizam o fim de um ciclo, o que sempre apresenta mudanças e instabilidade.
O aniversário é o marco de um novo ciclo solar, ou seja, o Sol passa pelo mesmo ponto do Zodíaco de quando nascemos. 
Essa é uma nova etapa para a consciência, onde as questões da casa 1 do mapa são valorizadas. O mês que antecede à data de aniversário corresponde a casa 12, que possui relação com os sacrifícios, as doenças, os sofrimentos e a doação que devemos fazer aos outros.

A probabilidade de nesta fase acontecerem “fatalidades” na vida de uma pessoa é grande, já que o Sol está sobre as questões dessa casa. Mas isso não pode ser generalizado. 
Além das ações não durarem o mês inteiro, se nenhum aspecto negativo se formar, nada acontecerá.

As explicações para o famoso inferno astral são complexas para quem não conhece bem a astrologia. Mas basta lembrarmos que isso não significa uma fase de azar, mas sim um momento de reflexão e avaliação para o início de um novo ciclo. Os que estiverem passando por esse momento podem relaxar e se preparar para comemorar e viver as novidades.

luxação na costela, intoxicação, dente quebrado...
Acho que estou passando por um “inferno astral” alheio.

sexta-feira, 17 de junho de 2016


tá, tá, tá, tá!


A educação perde um dos seus grandes mestres...
Adeus, Professor Girafales!

o frio vencendo


São exatamente oito e meia de uma manhã siberiana em Porto Alegre – lá fora está 1°C. Um grau que me inspirou a transferir minha aula matinal de pilates para as quatro da tarde e a escrever este texto sobre o inverno, uma estação que para alguns brasileiros é ficção científica, para outros não passa de um pequeno alívio em meio ao calor tropical e para outros, ainda, é motivo para perder a noção do ridículo e calçar três meias, luva, gorro, cinco blusões e um casaco do exército – em casa.

Uma estação que remete a vinhos, fondue, lareira, romantismo e elegância para quem vive dentro de um cartaz de turismo de Gramado e que para outros é associada à fila de hospital, nebulizador, descongestionante nasal, atchim.

Na dúvida entre comentar o charme da estação mais europeia do ano ou explicar as razões da contagem regressiva feita por quem já vem espirrando desde maio (faltam 99 dias para o início da primavera!), resolvi partir para um terceiro viés: inverno se resume a isso?

Na Flórida, 49 pessoas foram assassinadas à queima-roupa durante uma festa por terem cometido a ousadia de serem gays. Bastou um arrogante armado de ignorância e metralhadora para lembrar que o tal “avanço da civilização” empacou e deu meia-volta. Isso é inverno.

O estupro individual ou coletivo de uma menina, de várias meninas, e de meninos também, os abusos cometidos por trás de paredes vizinhas, dentro de sacristias e escolas, embaixo de nossos narizes, fazendo com que crianças se transformem em adultos com dificuldade de amar e de confiar. Isso é frio de verdade.

Donald Trump ter chegado tão longe. Brrrrrrrr. Me petrifica.

A corrupção, o foro privilegiado, as alianças indecentes feitas para manter o poder, políticos governando para si mesmos, a falta de comprometimento social, as delações canalhas da qual a Justiça se tornou dependente, a ausência de novos líderes, isso é que congela a alma e escurece mais cedo nossos dias.

Quinze graus é verão. Um grau é sopa. Abaixo de zero estão nossas perspectivas.
O que poderia nos aquecer? Solidariedade, tolerância, educação. Três palavras ao vento que, de tão repetidas, já quase perderam o significado. Mas vale teimar um pouco mais. Não é possível que seja tão difícil levar em conta os sentimentos dos outros, segurar uma agressão dentro da boca, compreender que se pode amar a si mesmo sem cair na vaidade de achar que todos os que não são iguais a nós estão equivocados.

Um pouquinho de humildade, menos pretensão, menos afetação, lutar por valores que sejam comunitários, que mobilizem, agreguem, aproximem pessoas. Por aí, quem sabe, a gente extraia algum calor bem antes de a primavera chegar.