"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



sexta-feira, 27 de junho de 2014

➅➃


Hoje quando acordei você foi a primeira pessoa que me veio em pensamento. E eu quero te desejar uma alegria tão sincera, uma surpresa tão boa hoje que ela se perpetue para os próximos dias de toda a sua existência.
Que tudo flua, que bons ventos te abracem.



Meu bem, o melhor será pouco diante de tudo que você merece, mas eu sempre lhe desejarei para que tenha, sempre, sempre...
Feliz aniversário, feliz vida, feliz família, feliz amigos, feliz namoro, feliz trabalho, feliz tudo que possa te fazer mais feliz.
Enfim, te desejo toda a felicidade que puder aguentar.

Deixo aqui meu carinho, meu respeito e meu amor.

♪ Parabéns!
Ter você presente é nossa sorte
é o que nos faz potentes...
A gente quer tanto bem a você.
Sua energia modifica todos nós
e quer é lhe devolver parte do que você é pra gente!  ♫
(Seu aniversário / Lulu Santos)

#yes, nós temos terno branco!

Tem gente que aparece assim “do nada” e que passa a significar um monte.
Eu fico pensando no que seria a minha vida se você não tivesse me permitido entrar na sua vida. 
Num mundo tão grande, com tantas Camilas, Giseles, Julianas, Déboras, você escolheu a mim.

Não fosse você na minha história, eu poderia até ter tido e vivenciado as mesmas emoções que vivi nesses 4 anos, mas faltaria uma parte fundamental: você. 
E é justamente você que dá toda graça a essa coisa chamada vida.

Ensina-nos a contar os nossos dias
para que o nosso coração alcance sabedoria. 

Salmos 90:12

quinta-feira, 26 de junho de 2014

“entre tapas* e beijos”: 4 anos


... e todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa
que nem feijão com arroz.

(Eduardo e Mônica / Legião Urbana)


Tapas a que refiro é comida.
Não necessariamente espanhola, mas portuguesa, italiana, brasileira, chinesa, enfim, comida!

*tapa | s. f. | 
[Culinária] Comida típica da Espanha.
Prato de entradas ou petiscos, geralmente servido como acompanhamento de bebida.


falso brilhante


Há o condicionamento de que amor mesmo, de verdade, é gastar metade do salário para a esquadrilha da fumaça assinar o nome da namorada pelos céus de sua cidade.

Temos uma noção de que amor mesmo, de verdade, é exibicionista. Depende de surpresas públicas de afeto como serenata na janela, carro de som, anúncios na TV, outdoors com pedido de casamento.

Mulheres e homens se desesperam por um amor público, encantado, de estádio cheio, e cobram provas mirabolantes de seus parceiros. Reclamam da rotina, da previsibilidade, e exigem declarações barulhentas para despertar a inveja do próximo.

O amor espalhafatoso recebe a fama, mas o amor contido é o mais profundo.

Ao procurar o amor empresarial, desprezamos o amor funcionário público, que atende às ligações e escreve nossos memorandos.

Ao perseguir o amor de cinema, desdenhamos o amor de teatro, de quem encena a peça todo dia ao nosso lado, sempre com uma interpretação nova a partir das falas iguais.

Ao cobiçar o amor sensual de lareira e restaurante, apagamos a delícia de comer direto nas panelas, sem pratos, sem medo do garçom.

Ao perseguir a aventura, negamos a permanência.

Preocupados em ser reconhecidos mais do que amar, esquecemos a verdade pessoal e despojada do nosso relacionamento. Recusamos o amor constante, o amor cúmplice.

Não valorizamos a passionalidade silenciosa, a passionalidade humilde, a passionalidade generosa, a passionalidade tímida, a passionalidade artesanal.

O passional pode ser discreto na aparência e prático na ternura.

O amor mais contundente é o que não precisa ser visto para existir. E continuará sendo feito apesar de não ser reparado.

O amor real é secreto. É conservar um pouco de amor platônico dentro do amor correspondido. É reservar as gavetas do armário mais acessíveis para as roupas dela, é deixar que sua mulher tome a última fatia da pizza que você mais gosta, é separar as roupas de noite para não acordá-la de manhã. E nunca falar que isso aconteceu. E não jogar na cara qualquer ação. E não se vangloriar das próprias delicadezas.

Buscá-la no trabalho é o equivalente a oferecer um par de brilhantes. Esperá-la com comida pronta é o equivalente a acolhê-la com um buquê de rosas vermelhas.

São demonstrações sutis, que não dá para contar para os outros, mas que contam muito na hora de acordar para enfrentar a vida.

Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.
Salmos 37:5

quarta-feira, 25 de junho de 2014

euteamo e suas estréias


Te amo mais uma vez esta noite
talvez nunca tenha cometido  “euteamo”
assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato
e no parco dos dias.
Não importa, importa é a alegria límpida
de poder deslocar o  “Eu te amo”
de um único definitivo dia
que parece bastá-lo como juramento
e cuja repetição, parece maculá-lo ou duvidá-lo...
Qual nada! 
Pois que o euteamo é da dinâmica dos dias
É do melhoramento do amor
É do avanço dele
É verbo de consistência
É conjugação de alquimia
É do departamento das coisas eternas
que se repetem variadas e iguais todos os dias
na fartura das rotações e seus relógios de colmeias
no ciclo das noites e na eternidade das estréias:
O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com
novidade diária
e aí dizemos em espanto bom: Que dia lindo!
E é! Porque só aquele dia lindo
é lindo como aquele.
Nossa sede, por mais primitiva,
é sempre uma
loucura da falta inédita
até o paraíso da água nova
no deserto da nova goela.
Ela, a água,
a transparente obviedade que
habita nosso corpo
e nos exige reposição cujo modo é o
prazer.
Vê:  tudo em nós comemora
o novo milenar de si
todas as horas:
Comer é novidade
Dormir é novidade
Doer é novidade
Sorrir é novidade
Maravilhosa repetitiva verdade que se
expõe em cachos a nosso dispor
variando em sabor e temor e glória
Por isso te amo agora como nunca antes
Porque quando te amei ontem
eu te amava naquele tempo
e sou hoje o gerúndio daquela disposição de verbo
Te amo hoje com você dentro
embora sem você perto
Te amo em viagem
portanto em viragem diferente da que quando
estava perto
Meu certo é alto, forte
Te amo como nunca amei
você longe, meu continente, meu rei
Eu te amo quantas vezes for sentido
e só nesse motivo é que te amarei.



(da série  “Eternidades Cotidianas”)

apenas algo em comum


A gente não se escolheu. Aconteceu. Acho que temos algo em comum. Sim, temos. 
Somos diferentes no temperamento, mas com mil afinidades, química e indicadores de tesão.
Nós dois inventamos nosso próprio ritmo e avançamos na mesma direção. 

Ambos temos a mesma visão de mundo e os mesmos valores.
Esse é o prato principal de todo relacionamento. O resto é tempero.

Respondeu Jesus: Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. 

(Mateus 22:37)

terça-feira, 24 de junho de 2014


E então, conforme o passar do tempo, fui vendo que tudo que poderia ser apenas algo simples, contigo tinha a capacidade de se tornar algo bem maior. Sempre melhor. Contando até com os erros do caminho, o que era pra ser só uma saída sem futuro mostrou-se no único futuro que eu até hoje quero pra mim: seguir com você.
Seria um convite de uma noite.
Está sendo por quatro anos.*

*modificado

Se amor fosse por afinidades, estaríamos resolvidos. 
Se amor fosse por semelhanças, estaríamos tranquilos. 
Se amor fosse por amizade, estaríamos calmos.
Mas amor não é feito de razão, não é uma decisão, não é uma escolha consciente. 

Amor é um tormento, um redemoinho de pássaros, uma inquietação espantosa. 

Não há como estabelecer: vou amá-lo, vou amá-la, apesar de ser a pessoa ideal para estar conosco. 
As pessoas ideais jamais são amadas. Elas são desejadas, mas não amadas. Elas são admiradas, mas não amadas. 
Não há como se convencer de que se gosta de alguém, infelizmente, assim seria mais fácil.

Ama-se quem a gente menos espera, quem mais nos surpreende, quem mais nos irrita, quem mais nos desafia.
O amor é do contra, o amor é oposição, o amor é uma insegurança atenta.
Amor é a primeira vista ou não é amor - paga-se com a vida antecipadamente. Não é parcelado, não é um costume agradável. 
O amor não vem com o tempo, fecha o tempo.

Pode se apaixonar, pode ter arrebatamentos, atração, gana de ficar, mas amor mesmo é fulminante desde o início e sempre. 
Não é uma negociação, não é uma definição pelo melhor. É uma imposição química, emocional, seja como for. 

Amor não é dote, não é indicação de pais e amigos, não é perfil equilibrado. É um erro inspirado. Aquele que erra ao amar acerta o amor. 
Por isso, é tão difícil amar. Por isso, é tão difícil deixar de amar. 
Amor não é caminhar na chuva, é ser sorteado pelo relâmpago.

Talvez encontre alguém que adore conversar, adore transar, adore estar junto, mas não significa que amará. Os dias felizes serão agradáveis, os dias tristes serão agradáveis, mas não será suficiente. Faltará aquela intensidade explosiva.  

Com o amor, talvez brigue na hora de conversar, na hora de transar, na hora de estar junto, só que se enxergará inteiro como nunca, porque tudo faz sentido na falta de sentido, tudo é o dobro de ardor. Os dias felizes serão os mais felizes, os dias tristes serão os mais tristes. Não terá a mornidão, a neutralidade, o purgatório. 

Amor é extremo: céu ou inferno. O jogo da amarelinha é feito de pedras, não de flores. 
Amor é contundência implacável, não é adiamento e concordâncias. 
Ou você acredita no amor ou confia no amor. São duas posturas distintas. 

Quem acredita no amor não ama, tem vontade de amar, faz uma volta ao mundo para se convencer que está amando, é capaz de fingir ou mentir para si que está amando. No fundo, sabe que está sozinho, que vive racionalmente, que tem o domínio da situação, que tem condições de sair da relação a qualquer momento e não sofrerá absolutamente nada. Acreditar no amor é forçar o amor. Inventar o amor. Forjar o amor. 

Já confiar no amor é quando não temos mais controle sobre o próprio sentimento: a mera possibilidade de uma separação é devastação. Confiar no amor é aceitar o amor. Obedecer ao amor. Sofrer com o amor. 

Quem acredita no amor vive se explicando. Quem confia não precisa nem de explicação: o amor é uma realidade incontornável.



Marido, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.
Ef 5.25

segunda-feira, 23 de junho de 2014


Pois só a gente tem as cinco estrelas na alma verde amarela
E só a gente sabe emocionar cantando o hino a capela

(comercial do Banco Itaú - Mostra tua força Brasil)

domingo, 22 de junho de 2014


A gente se encaixa.
E isso pra gente basta.
Não tem segredo.
É amar, amar e mais nada.

Antigamente, quando ficava triste, eu queria que a alegria viesse em meu socorro em minutos, como se ela fosse a próxima estação do metrô. Não queria atravessar ruas desertas, pontes frágeis, transversais melancólicas, não queria percorrer um trajeto longo até conquistar um estado de espírito melhor. Queria transformação imediata: da estação Tristeza para a estação Hip-Hip-Hurra, sem escala e sem demora.

Eu era ingênua em acreditar que poderia governar meus sentimentos. Como se fosse possível passar por estações deprimentes sem as ver, deixá-las para sempre presas no underground e saltando nas estações que interessam: Euforia, Segurança, Indepêndencia. Os pontos turísticos mais procurados.

Viver é uma caminhada e tanto, não tem essa colher de chá de selecionar onde descer. É preciso passar por tudo: pelo desânimo, pela desesperança, pela sensação de fracasso e fraqueza, até que a gente consiga chegar a uma praça arborizada onde iniciam outras dezenas de ruas, outras tantas passagens, e a gente segue caminhando, segue caminhando.

Locomover-se desse jeito é cansativo e lento, mas sei que não existe outra maneira consciente de avançar. Metrôs oferecem idas e vindas às cegas. Mantém nossas evoluções escondidas no subterrâneo. A gente não consegue enxergar o que há entre um desgosto e um perdão, entre uma mágoa e uma gargalhada, entre o que a gente era e o que a gente virou.

Não tem sido fácil, mas sinto orgulho por ter aprendido a atravessar, em plena luz do dia, o que em mim é sombrio e intricado. Não me economizo mais. Me gasto.


O filho sábio ouve a instrução do pai, mas o escarnecedor não atende à repreensão.
Pv 13.1

sábado, 21 de junho de 2014


______ Como você responderia se eu lhe perguntasse, em relação às estações do ano: qual a sua preferida?
Talvez escolhesse a primavera, flores desabrochando, ar perfumado, manhãs luminosas...
Talvez o outono, brisa fresca, tapete de folhas pelo chão, revoadas de pássaros…
Talvez o inverno, tempo de dormir bem, chocolate, pipocas, chá fumegante no aconchego do lar...
Dificilmente, em nosso país tropical, alguém escolheria o verão, que serve muito bem ao povo que vai à praia, mas é terrível nas atividades diárias, calor sufocante, ar parado, transpiração, odores indesejados…

Fizeram essa mesma pergunta a Chico Xavier:
– Qual a sua estação preferida?
Resposta de pronto:
– O verão.
– Por quê?
– O pobre sofre menos.

Por Richard Simonetti - Nas pequenas coisas identificamos o espírito superior, sempre cogitando o bem-estar do próximo.


Olhando por esse lado, concordo, mas ando comemorando cada pequeno sinal de frio. Se o tempo esfria, meu entusiasmo esquenta.

Amo frio!!!

Dizem que alguns encontros são brindes que o acaso nos dá. Outros, que o destino nos impõe como teste. E ainda existem aqueles que ganhamos por pura sorte. 
Seja lá o que for, eu ainda prefiro acreditar que a vida nos presenteia com algumas pessoas somente para assegurar que cuidamos com carinho de bens valiosos - e que nos toma quando não sabemos aproveitar. 

Oportunidades: a vida é feita com aquelas que não desperdiçamos.

#papodepsicólogo

O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.

Fp 4:19

quinta-feira, 19 de junho de 2014

happy 4: amor para celebrar


Aniversário de namoro é uma data especial para o casal.

Um cruzeiro romântico: navegando pela Itália, Croácia, Grécia, Turquia. Realizar meu sonho de fazer passeios em gôndola pelos canais de Veneza, pertence ao pacote de idéias para celebrar nossas bodas de namoro.
Devido a copa do mundo, tivemos que deixar a comemoração para outra data.
Então, o cruzeiro vai para a lista das zilhões de coisas que queremos fazer antes de morrer. 
Assim, teremos tempo de treinar nosso italiano un poquito más.
...
Por enquanto, vou parar de sonhar acordada.
Mas já vou começar a comemorar através dos dos próximos posts, afinal, nunca é demais celebrar o amor.

desfaço 76 anos...


Hoje, dia 15 de setembro de 2009, estou desfazendo 76 anos. Minha idade pinta uma paisagem crepuscular.

O revisor se apressará a corrigir o meu erro. Eu devo ter me distraído, coisa compreensível na minha idade… Não há nem na literatura nem na linguagem comum exemplo desse uso estranho da palavra “desfazer” para se referir ao que acontece num aniversário. O certo é “fazer”. Ato contínuo ele deletaria o “des” e o texto ficaria liso, sem causar tropeções no leitor: hoje, dia 15 de setembro, o Rubem Alves está “fazendo” 76 anos. Assim tem sido minha relação com revisores: desentendemo-nos sobre a vida e sobre as palavras…

Aí me veio à memória uma observação de Rolland Barthes que não consigo repetir por não ter encontrado o livro: ele disse (perdoem-me se me engano!) gostar dos textos que fazem tropeçar e não dos textos próprios para deslizar. O deslizamento deixa os pensamentos do jeito como estavam, enquanto que o tropeção e o tombo são ocasiões para o susto e a súbita iluminação.

É um equívoco contabilizar o número dos anos vividos na coluna da adição. Adição é a coluna do “mais”. Diz que algo aumentou. Mas o que aumentou? A vida? Na contabilidade dos anos de vida, tudo que parece “mais” é, na realidade, um “menos”. O número contabiliza os anos que foram desfeitos. Chronos é o deus cruel que devora os seus filhos…

O correto seria perguntar ao aniversariante: “Quantos anos você não tem? E ele responderia “Eu não tenho 42″. “Quantos anos você está desfazendo hoje? Estou desfazendo 54…”

Lá estão as velinhas sobre o bolo, coroadas pelo fogo, maravilhoso símbolo da vida. Aí todos começam a bater palmas, a sorrir e a cantar: o aniversariante irá apagar as chamas com um sopro. No seu lugar ficarão os pavios negros, retorcidos, soltando fumaça, trevosos. Apagadas as velas, todos batem palmas e riem. Confesso que não entendo…

Bachelard o disse com delicadeza insuperável: “A vela que se apaga é um sol que morre. O pavio se curva e escurece. A chama tomou, na escuridão que a encerra, seu ópio. E a chama morre bem; ela morre adormecendo”…

Quero que minha chama se apague adormecendo. Não quero que um sopro forte apague o meu fogo. Espero que minha vela vá se desfazendo vagarosamente…

No meu aniversário não haverá velinhas a serem apagadas com um sopro bruto. Vou mesmo é acender uma vela bem grande que deverá ser acesa e ficar acesa até que o último amigo se despeça. Então eu e minha vela, sozinhos como dois amantes, nos despediremos…
Até o ano que vem, se os ventos não forem fortes…


Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.

Filipenses 4:8

quarta-feira, 18 de junho de 2014



E que o meu mau humor seja perdoado
Porque metade de mim é dor
e a outra metade, também.

o mais extremo ódio com o mais extremo amor


A vingança encharca a literatura e a música, mas seus mistérios jamais serão esgotados.

Vingança é uma arte, o refinamento da carência. Quem procura se vingar do ex ou da ex, na verdade, não cansou de brigar. Não terminou de argumentar. Vingança é discutir o relacionamento sozinho, é discutir o relacionamento à distância, é dedicar o dia inteiro, às vezes a vida inteira, a arquitetar uma forma de chamar a atenção do amante que negou o ouvido.

O luto é destinado aos que amam amar. Vinga-se a pessoa que odeia amar, odeia continuar amando. É o encontro do mais extremo ódio com o mais extremo amor. A união de dois terrorismos.

Vinga-se aquele que acredita que deu mais do que recebeu e que se enxerga ludibriado. Aquele que, durante a relação, cobrava em segredo tudo o que oferecia, listava presentes e gestos. A vingança é o juízo final do avarento amoroso.

Indica também prepotência. O vingador se enxerga superior ao vingado, mais experiente e sábio. Acha que está ensinando seu antigo par. Encarna a figura de professor repreendendo o erro do aluno. Assim como não sofre em vão, somente se humilha para humilhar o outro. Todo sofrimento é arrogante, debitado na conta do desafeto.

O vingador cobiça a última palavra pois não aceita que alguém pense o pior dele. Planeja castigar as supostas distorções e intimidar as possíveis confissões de sua intimidade. O vingador vive por hipóteses. Não entendeu que a última palavra não existe, é uma desculpa para mandar.

A vingança é o mais paradoxal dos atos: um sentimento inteligente em mãos burras e desgovernadas; uma pressa que exige longa paciência e dissimulação. Requer as mais contraditórias atitudes: sangue frio de alguém com sangue quente; calar-se apesar da exagerada vontade de falar.

A vingança fracassa pela ânsia de fama do seu autor. Quem busca se vingar pretende que o outro saiba que foi ele, que não tenha nenhuma dúvida. Deseja dar o troco beijando a boca, olhando nos olhos. Conclui que não adianta nada uma vingança sem remetente. E peca pela ambição, erra ao se expor, porque a represália aguda e exitosa esconde o criminoso para a perfeição do crime; deve ser anônima, gerando a desconfiança, mas não entregando totalmente o seu mentor.

Não conheço vingança perfeita. Não se vingar talvez seja a melhor vingança. Fazer esperar uma resposta que nunca virá.



Algumas pessoas se satisfazem com o que já sabem, é como se seu conhecimento coubesse numa piscina. Dão algumas braçadas para um lado, outras braçadas para o outro, agarram-se às bordas e tocam o fundo com os pés: sentem-se seguras nessa amplitude restrita. Mas nada como mergulhar num mar do conhecimento sem fim, onde não há limites, a profundidade é oceânica e a ideia é nadar sem chegar à terra firme, simplesmente manter-se em movimento. Cansa, mas também revitaliza. Pena que nossa preguiça impeça a grandeza de se descobrir algo novo todos os dias.

Eu, que além de apegada aos instrumentos rudimentares da escrita, tenho certo receio de procedimentos estéticos em geral, descobri uma maneira de me manter jovem para sempre, mesmo que, olhando, ninguém diga: não vou mais parar de estudar e assim realizarei a utopia de me sentir com 20 anos até os 100 – depois disso, aí sim, recreio.



A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.

2 Coríntios 13:14

terça-feira, 17 de junho de 2014

como lidar com uma mulher na TPM


Marido:
Bom dia amor, dormiu bem? 
Espero que tenha gostado das flores. 
Andei acompanhando o calendário na mesa do escritório, e pelas minhas contas hoje é um daqueles dias, certo? Por isso deixei o Sun no veterinário e levei as crianças na escola para que possa dormir um pouco mais. 
Negociei com a Fabíola de te cobrir no trabalho, então vai poder tirar o dia de folga. 
Tem da sua geléia favorita na porta da geladeira, fiz um creme de morango bem docinho e deixei um pote de sorvete no congelador. 
Já organizei a louça que tinha ficado do jantar de ontem. 
Comprei o último livro do Nicolas Sparks e guardei dentro da gaveta da cômoda junto com uma barra de chocolate. 
Se quiser ver filme, o notebook já esta instalado na TV da sala. Deixei o Netflix aberto na lista que você gosta. 
O leite condensado está na dispensa. 
Que acha de chamar suas amigas para tomar sol? A piscina está limpa e tem ice e cerveja no freezer. 
Combinei com a sua mãe de almoçarmos lá hoje, imagino que deva estar querendo vê-la.
O pessoal do lava-jato vai devolver seu carro às 14:00 horas, se quiser pode ir pro Pilates com o meu. 
Agendei sua manicure para às 17:30 horas e a massagem logo em seguida. 
Estou deixando o cartão de crédito do lado da chave para que dê uma volta no shopping. 
Pode ficar tranquila que vou deixar a TV programada para gravar o capítulo da sua novela.

Você tinha razão, acho que já está na hora de trocarmos o sofá. 
Hoje de noite não vou ao futebol, estou pensando em preparar um risoto, o que acha?

Estarei com o celular ligado o dia todo. Qualquer coisa que precisar pode me ligar. 
Um beijo, te amo! Se cuida!

Mulher: 
De onde você conhece a Fabíola?



Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas.

Lucas 6:44

quinta-feira, 12 de junho de 2014


É engraçado como a gente passa tanto tempo sem alguém na nossa vida e, quando esse alguém aparece, não há mais vida sem ele. 
É assim que eu me sinto hoje. 
Sem você comigo, tudo perde a graça. 
Ainda fecho os olhos e lembro da noite que a gente se conheceu. Mal sabia eu que ali tudo mudaria. 
É engraçado.                  
Na verdade, é a vida. 
É destino. 
É você, meu caminho.

            
                                       Aos enamorados, um feliz dia dos namorados.

sob encomenda


Amanhã é o dia que esse pobrezinho recebe mais promessa que eleitor e mais castigo que filho desobediente.
Além de fazer o papel do ‘irmão bobo’, que leva a culpa pelo que não fez.
Fala pra eles, Santo Antônio, que casamento nem é tão emocionante e que amor é mais gostoso quando não se encomenda.

Comigo você não precisa se preocupar: não vou te colocar de cabeça para baixo e nem tirar o menino Jesus do seu colo.

Estou muito bem como estou.
Namorando com fé, casamento é!

Faço minhas, as palavras de Cláudia Raia: ‘Nosso estado civil é “juntos” e é uma delícia manter o romantismo de um eterno namoro.’


No dia em que você chegou eu não botei o lixo pra fora. Não varri nada pra baixo do tapete e nem escondi as fotos feias, não fechei o laptop com todas as abas abertas, não sumi com a pilha de louça na cozinha nem com as minhas camisas separadas por cor. A minha parte feia tava confortável com você e tirou a vassoura de trás da porta, foi gentil e nem se incomodou com o que você ia achar da minha bagunça. 

Não fez frio nesse dia. O aquecedor tinha dado problemas e você me fez segunda pele pra aquecer os pés. Teve luz acesa e não teve vergonha nenhuma ou medo de rejeição. A gente viu o traço, a silhueta, a dobra dos joelhos, o cabelo desarrumado, as cenas improvisadas, nada posadas de uns retratos que eram quem a gente era mesmo. 

E nesse dia eu me senti bonita, você se sentiu bonito e era do jeito que tinha que ser...

No dia em que você chegou, chegou e ficou impregnado em mim. Chegou e ficou grudado marcado colado fechado na pele pra sempre feito tatuagem.

___Daniel Bovolento


O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração.

Lucas 6:45

quarta-feira, 11 de junho de 2014

o fascínio chamado amor


O jogo do amor, nesta véspera de Dia dos Namorados, está sofrendo uma concorrência indecorosa. Só se fala em futebol. A pipoca promete desbancar os bombons, a cerveja promete vencer os cálices de vinho, e beijo, alguém falou em beijo? Só se for para comemorar vitórias em campo. Não é hora de romantismo, e sim de patriotismo.

Suspiro. Nesse clima (ainda que insosso) de torcida organizada, de nação reunida, de milhões em ação, fica difícil dedicar o tema da coluna apenas para dois: um par.

Mas é o que me propus, desde que li, dia desses (acho que no livro Doralina, de Luiz Horácio), uma frase que me fez pensar: “Amar é encontrar aquilo que não se procura”. E subitamente lembrei daqueles que se produzem no sábado à noite para sair em busca de paquera, de quem se vale do aplicativo Tinder na esperança de achar sua cara-metade, de quem se matricula em todos os cursos prevendo que dali será pinçado um candidato a marido ou a esposa, de quem pede aos amigos para que lhe apresentem solteiros e solteiras à disposição, lembrei de todas as artimanhas justas e válidas para que a pessoa se recoloque no mercado amoroso, numa ânsia também justa e válida de preencher seu vazio emocional – só que o justo e o válido não são mágicos.

Aquilo que vem por encomenda, atendendo a pedidos, pode, claro, satisfazer plenamente seu desejo. Quer casa, comida e roupa lavada? Tem quem ofereça. Quer companhia para o cinema? Aos montes. Quer sexo e nada mais? Comece a distribuir senha. Se você está consciente do que procura, encontrará alguém que se encaixe no seu ideal de relacionamento. Funciona mais ou menos como uma entrevista de emprego.

Justo e válido.

Porém, amar é encontrar aquilo que não se procura. Aquilo que surge sem explicação, que não tem lógica, e contra o que não adianta lutar: nenhuma resistência é suficiente. Amar é puro fascínio. Você cruza com uma pessoa que talvez nem equalize com seus sonhos, mas é com ela que se deu o click, o curto-circuito, que algo foi despertado. A mágica está no que não veio por encomenda, nem atendendo a pedidos, nem no momento certo, nem mesmo pegou você de banho tomado – é um flechaço do Cupido, que às vezes é ruim de mira, mas ao menos tem boa intenção. Ou, se não for a hora de falar em Cupido, mas em Neymar, Fred, Hulk e Jô, pode-se dizer que a mágica é um potente chute de fora da área no qual ninguém acreditou, mas a bola entrou assim mesmo. Gol.

Aos namorados de amanhã, grudem-se. Façam essa mágica durar.

Aos solitários de amanhã, torçam – mas pela Seleção, não por si mesmos. Esqueçam um pouco de si mesmos. Permitam-se parar de querer, de procurar, de se preocupar. Sem planos e sem ânsia, aguardem calmamente a chegada do que nunca pediram.

das dicas


No Dia dos Namorados, a regra é recomendar presentes.
Farei o inverso: vou desaconselhar presentes, aqueles mimos que ninguém fica feliz de ganhar.

- Pijama: É levar a relação para o sono eterno.
- Cueca: Homem odeia receber cueca, cueca... é obrigação masculina, não um prazer.
- Ursinho de pelúcia: É pedofilia.
- Flores: Não há nada mais manjado. Vale em qualquer outro dia.
- Canecas e camisetas com fotografias do homenageado: É um carro de som mudo.
- Chocolate: Dia dos Namorados não é Páscoa.
- Chaveiro de coração: Dia dos Namorados não é Amigo Secreto.
- Não acredito que alguém possa oferecer par de meias... A meia nasceu para o divórcio.
- Porta-retratos: É narcisismo, é exigir sua foto na mesa.
- Se quiser oferecer algum mimo para a casa, ofereça para o quarto... lá sim, o lobo uiva

O dia dos namorados tem essa obrigação de ser feliz, portanto, não tente seguir as pessoas.
- Não vá a motel. Pior coisa é ficar na ladeira do motel, tentando dirigir, segurar o carro e ainda passar a mão. Ninguém merece esperar para ter prazer nesta data.
- Restaurante... todo mundo fica coladinho. Você vai escutar a conversa do outro. Você vai saber que o outro casal não tem o que falar.

Siga essas regras, mas sem acender a paranóia no dia dos namorados.
Relaxa... é um dia comum. Um dia como os outros.
E como em todos os dias, o amor cobra atitudes caras. Não tem como ser pela metade.
Tente ser inteiro, mas à vontade!


#nm
Mais uma regrinha básica... dessa vez só para as mulheres:
- Nunca, em hipótese alguma, compre um vestido cheio de coraçõezinhos vermelhos para sair com seu namorado no dia dos namorados.
Ele vai preferir quebrar uma costela, pegar pneumonia 
e passar a noite num hospital.

Ah, nem pinte o cabelo de rosa...
#diadosnamoradosmacabro
 

encontro


Sei que não é o acaso que nos une, nem a coincidência que me colocou no teu caminho. Sei que existe um propósito maior para tudo isso que vivemos por aqui. Sei que quando tua mão encostou na minha foi como se eu tivesse retornado para um lugar querido. Sei que quando meus olhos enxergaram o brilho dos teus a minha boca disse um silencioso sim. 

Aquela noite o mundo parou por alguns instantes, foi como um encontro de almas, de corações, de vidas. Sei que muita gente torce o nariz para essa história de metade da laranja, amor eterno e tudo mais. Mas eu, com toda a certeza que tenho nas mãos e com toda a paz que carrego no coração, digo: eu acredito. Não, você não é a metade da minha laranja, pois laranja definitivamente não é a minha fruta preferida. Mas você é o chantilly do meu morango*. Sei que o morango* é pequeno, frágil, delicado. Mas o amor nasce assim, desse jeito. O amor vai se tornando forte com o passar do tempo, das mini-revoluções, das quedas, dos arranhões, da rotina. O amor vai se tornando grande com o exercício da tolerância, da paciência, do entendimento, da aceitação. O amor só não pode se tornar rude. Ele deve, sim, proteger, ser firme, ser um escudo. Mas não pode perder a leveza, a delicadeza, o encantamento. 

O amor precisa renascer diariamente. Pena que muita gente não tem tempo nem vontade para ajudá-lo. O mundo hoje em dia parece estar ocupado demais para essas coisas de amor. As pessoas, presas na bolha do egoísmo e do umbiguismo, não querem dar o braço a torcer, tampouco guardar o ego na estante. As pessoas querem ser eu, não querem ser nós. O máximo que fazem é unir o eu + você. Só não conseguem concluir a equação: eu + você = nós. E isso é uma pena. 

Nesses (e em tantos outros) momentos é que percebo o quanto tenho sorte. Mas, você sabe, não acredito nisso. Então, reformulando a frase: nesses (e em tantos outros) momentos é que percebo como foi boa essa oportunidade que tive de te encontrar.
 

*modificado

“Que sorte a nossa! 
Nesse mundo há tanta gente e a vida me pôs ao seu lado” 

E tudo mais - Nando Reis

Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.

Tiago 1:17

terça-feira, 10 de junho de 2014


Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. 
E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. 
E deu-se o encontro.

felizes para sempre


O mundo não é um conto de fadas. Desista. Histórias com felizes acontecem aos montes, mas todas tem os seus problemas e, pode ter certeza, pelo menos uma vez tiveram uma crise e quase acabaram. Só que há muitas outras que não deram certo. Há pessoas chorando, com o peito doendo e tendo que conviver e seguir com a dor e qualquer certeza de que o dia amanhã será melhor.
Bobagem deixar de acreditar no amor por isso. Enquanto a busca for algo declarado, como um guerra entre os dias que passam iguais e os instantes inacreditáveis que se sonha, pode ser que só exista frustração. Parece que o mundo é contra sua felicidade. Fala sério. Tem coisas muito mais importantes acontecendo a sua volta. Felicidade é complementada com alguém, mas não deve ser algo exclusivo ao fato de se ter alguém.
Detesto o “para sempre”. Como alguns milhões, também torço pra que isso exista. Não vou duvidar de relações em que os dois se conheceram e nunca mais se largaram. Existe, claro. Só que a ideia de que algo é “para sempre” é uma utopia. É preciso dividir a expressão. Pare quando estiver ruim. Será sempre bom enquanto os dois quiserem que seja bom.
Lembrando a você que Príncipe Encantado e Princesas não existem. Esses seres lendários que habitam o imaginário infantil não tem defeitos. Como se sabe, somos todos humanos, falhamos e, quer queira quer não, é preciso conviver com isso. É diferente de dizer que temos cavalheiros e damas, homens e mulheres educadas, pessoas que valem a nossa dedicação.

Final feliz eu não quero ter. Se algo chegou ao final é porque não deu certo. Ou que deu certo até aquele ponto, depois não. Deixo que a vida me traga alguém por quem eu me apaixone e, se tiver que ser, que fique comigo durante todo o tempo que me restar. Só prefiro deixar claro que Príncipes, “para sempre” e “happy endings” são fantasias. O mundo é muito real pra isso.


Eu quero a gente. 
Eu quero a gente se esparramando na força e na delicadeza do que somos juntos. 
Eu quero a gente preenchendo o tempo de adjuntos. 
Eu quero a gente e as nossas conversas que não param de enriquecer tantas horas tolas. 
Eu quero a gente porque quando eu penso em amor não conheço outro lugar que não seja o teu abraço para conjugar este assunto.
Eu quero a gente.
Te amo para sempre do tamanho que não comporta mais o tanto.


“O Senhor te abençoe para que [...] 
vejas os filhos de teus filhos...” 

Sl 128.5,6


Num tempo em que tantas famílias naufragam no mar revolto da vida, 
quando tantos pais veem seus filhos se perdendo, atraídos pelo brilho falso deste mundo, não há vitória maior do que ter uma família unida e feliz, 
que sirva de paradigma para a sociedade 
e de esperança para as gerações futuras.
(LPC)