"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

a personalidade do pão de queijo


“Dize-me o que comes, e direi quem és”, afirma o velho ditado. Em outras palavras, a comida moldaria a personalidade. 

Se for verdade, tem muita gente encrencada. 

Seriam os vietnamitas e chineses venenosos, pois gostam de aguardente curtida em cobras e escorpiões jogados vivos dentro da garrafa? 
Os mexicanos e tailandeses, com suas pimentas piores que fogo, passariam por infernais? Como o chucrute, cujo efeito intestinal não é lá dos mais agradáveis, marcaria os alemães? 
Os ingleses, com aquela horrível torta de rim, que consequências sofreriam? Teriam um humor “horrímvel”? 
O que dizer dos árabes, apreciadores do olho de carneiro ingerido cru, que estoura na boca igual jabuticaba? Formariam eles um bom time de olheiros? 
A fama que os franceses gozam de correr em disparada diante do exército inimigo resultaria de seu cardápio com carne de cavalo? 
Nós, brasileiros, amantes de uma feijoada, com que cara ficaríamos?

Ah, sim, ia me esquecendo. Temos, em Minas Gerais, o pão de queijo. Estamos ligados qual mel e abelha. 
Quando querem falar mal da gente, acusam-nos de República do Pão de Queijo. Quando nos adulam, elevam nosso acepipe à categoria de revelação divina. 
Políticos em campanha presidencial alçam a quitanda ao nível da buchada de bode, que juram degustar com enorme prazer. 
E depois nos apunhalam. 

“Dize-me o que comes, e direi quem és.” Seria mesmo verdade? 

Então, que personalidade o pão de queijo nos reserva? 
Ele nos faz cordatos, conciliadores, reservados, como gostamos de nos descrever? 
Posto de outra forma, ser mineiro é gostar de pão de queijo? 
Nada disso! 

As Minas são muitas e os mineiros têm a diversidade da espécie humana. Sim, há gente apaziguadora, mas há inflamados. 
Há os que dão um boi para evitar briga e os que não dão nem o berro do boi para fugir dela. 
O número de tradicionalistas talvez equivalha ao de rebeldes.

Como em todo lugar, possuímos políticos honestos e corruptos. Sim, Minas é o mundo, sempre foi. 
Prova disso são os presidentes do Brasil aqui nascidos nas últimas décadas, todos com certeza devoradores de tão elogiada e difamada iguaria, porém com personalidades diferentes. Ou teriam Juscelino, Tancredo, Itamar e Dilma tratos semelhantes, a ponto de culparmos o pão de queijo pela coincidência?

O ditado é falso, portanto. Na verdade, dize-me o que comes, e não saberei quem és. Ainda bem. Privacidade é tudo. 
Podemos continuar apreciando, sem culpa nem consequência, o pão de queijo saindo do forno com um expresso bem forte ou um cafezinho coado na hora. 
Hummm... O mundo ainda se curvará ao nosso gosto. 

Cá entre nós, pois os mineiros nos entendemos bem, mas que ninguém nos ouça: eita trem bão, né?

Luís Giffoni

#dia do pão de queijo

A solidariedade é um movimento natural de identificação. 
Socorremos no outro o que também dói em nós.
Somos os mesmos.
Em lados opostos.



“A tua vara e o teu cajado me protegem.” 

(Salmos 23:4)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

40 anos sem ele


Eu creio que para cada gota de chuva que cai, uma flor cresce
Eu creio que em algum lugar na noite mais escura, uma vela brilha
Eu creio que para todos os que se perdem, alguém virá para mostrar o caminho
Eu creio, eu creio!

Creio que acima da tempestade, a menor oração ainda será ouvida
Eu creio que alguém no grande lugar ouve cada palavra
Toda vez que ouço o choro de um recém-nascido
ou toco uma folha ou vejo o céu
Então eu sei, porque eu creio!

(I Believe / Elvis Presley)

#o lado gospel de Elvis


Elvis Presley, como se sabe, não morreu, mas se fizermos de conta que sim, teria sido 40 anos atrás

terça-feira, 15 de agosto de 2017


Eu sempre digo que posso
ter uma solidão medonha,
mas sempre vai haver um
vasinho de flores num canto.
A gente pode enfeitar a amargura.


não se mexa depois da separação


Na separação, o primeiro passo é não dar nenhum passo. A imobilidade é o grande truque. Não se mexer dentro da raiva porque pode se arrepender no futuro. Não tenha pressa de tomar decisões.

Respire fundo porque as 48 horas após o término serão fundamentais para assegurar uma possível volta. Os divórcios se tornam definitivos não com aquilo que acontece frente a frente, e sim com as consequências irracionais do desespero de ser ver sozinho de repente.

As pessoas ficam transtornadas quando isoladas e se ofendem como animais, com tamanha gravidade que sacramentam o término. Daí não tem como recuperar a honra. Os machucados das discussões se transmudam em golpes fatais na reputação.

Aqueles que se afastam, em vez de calar a boca e realizar um exame de consciência, ampliam os defeitos e a crise colocando mais gente para opinar sobre o que aconteceu de errado no romance. Acabam telefonando para os familiares e amigos do recente ex para contar segredos que nunca deveriam ter saído da relação. A fofoca sempre será o juiz de guerra.

Houve o afastamento provisório, um desentendimento passageiro, não significa um ódio mortal para propor retaliações.

Não encurte o caminho, não corra com os fatos, não se adiante a espalhar a notícia. Um telefonema ou um toque no interfone pode revolucionar a situação em algumas horas e terá o trabalho dobrado de se explicar para a cidade inteira.

Não mergulhe na ansiedade de provocar a saudade e mostrar o que o outro perdeu. Não se vingue trocando o status do Facebook. Não empregue artifícios do terrorismo, colocando bombas nos santuários do relacionamento e nos lugares prediletos do casal. Não saia transando com antigas pendências e novos pretendentes. Não poste imagens exaltando a condição solteira. Não mexa em seus arquivos no celular. Não descarte as conversas. Não bloqueie o seu amor no WhatsApp somente para se enxergar superior. Não apague as fotos do Facebook e das redes sociais, pois o portal ainda está aberto e qualquer ataque é passível de dificultar o retorno e restringir o respeito.

Esconda as bebidas, compre pizza, empreenda um estoque de sorvete e chocolate, e assista a cinco temporadas de uma série alternando o sofá da sala e a cama. Quando não nos precipitamos tudo se resolve automaticamente.

Não fale mal de quem ainda lhe fez bem durante um longo tempo. Bate-bocas são contornáveis, o que não tem conserto é a difamação.

Pense muito antes de enterrar alguém no coração, para não enterrar vivo.


“Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.” 

Salmos 51-17

domingo, 13 de agosto de 2017


Descanso meus olhos
Sobre a estrada vencida
Vejo marcas de passos
Por ela guarnecidos.

Paro aqui, na reta final da vida
Porém, ainda não é a despedida.
Aprecio os novos que chegam
Iniciando a linha por mim percorrida.

Na tela da memória
Lindas películas da recordação
São arquivos, bases, degraus no avanço dos anos.
Escalada que vivo com emoção.

Num olhar sobre a vida
Passo em revista
O que a minha existência produziu
E nos atos ensaiados e encenados
No cenário da valentia
Encanto-me com a mensagem
De que a vida é sedutora
Jorrando de si lembranças arrebatadoras.

Num olhar sobre a vida
Sou figura distante
No presente do hoje.
Sou o velho que corrige o novo
Sou deveras o amanhã
Na recordação de um povo.

Chamo-me velhice
Detentora dos anos na vida
Celebro com autenticidade o viver
Sou ativa para os fatos na arte de revivê-los
Sou gratidão pela dádiva da existência
No aconchego dos meus anos a excelência.

(um olhar sobre a vida - Jair Martins)

Mãe, feliz aniversário!
Que a senhora tenha muitos anos de vida, 
já que a eternidade não é possível.

nós, os pais


Não existe nada como ter filhos para nos dar a noção da passagem do tempo. Mas é um tempo que corre diferente, meio esquisito, cheio de espelhos, déjà-vus, e janelas abertas ao infinito das possibilidades.

Ter filhos é também perceber que a responsabilidade pessoal adquire uma importância exponencial a cada dia. Porque, se as crianças absorvem tudo como pequenas esponjinhas inteligentíssimas e têm mesmo nos pais esse espelho incondicional, no fim, você sabe que não é nada daquele super-herói que eles imaginam (ou têm certeza). De maneira que só resta mesmo tentar corresponder da melhor forma possível, entre defeitos, culpas, limitações, e um amor tão incondicional que até dói, de tão apertado que fica o nosso coração ao saber que jamais poderemos proteger nossos filhos de todos os perigos do mundo.

Mas a verdade mesmo é que apenas essa tentativa é a viagem mais extraordinária que poderia existir, com seus sucessos e fracassos, desvios imprevisíveis, surpresas e recompensas. Porque os filhos ampliam a nossa visão do mundo, completam-nos e nos fazem enxergar aquele amor que talvez antes imaginássemos impossível. É procurar o espelho e encontrar uma janela aberta, espraiada ao longe, muito além de onde a vista alcança. 

aos pais, parabéns pelo dia!



Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.

Salmos 103:13