"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 13 de junho de 2018

a janela dos outros



(...) “Conta a história de uma jovem que tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavras.”

Muitos anos depois, essa mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, dessa vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a essa altura já havia falecido.

Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente.

A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade. Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem.

Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios. E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise. É o triunfo da dúvida.



Oh meu santo antonio tenha pena tenha dó
tô ficando velho, tô ficando só, tô ficando velho
não posso ficar solteiro, quero uma mulher
meu santo casamenteiro.

Santo Casamenteiro - Rasta Chinela

“Portanto, estejam sempre preparados; pois o Filho do Homem virá quando menos se esperar”.

Lucas 12:40 / NTLH

terça-feira, 12 de junho de 2018



para todos os que acreditam no amor.


#dia dos namorados
#copa do mundo


Hoje a sua colega de trabalho ganhou flores no meio do expediente e, provavelmente, vai sair para jantar com o namorado. É claro que ela vai ganhar algum presente lindo que você verá quarta-feira ou hoje à noite no Instagram. Hoje você vai ler diversas declarações de amor no Facebook, isso sem contar as fotos românticas de casais românticos.

Você pode achar tudo muito meloso e chato, você pode sentir inveja, você pode ficar puta da vida por não ter alguém para passar o dia, você pode ficar em casa chorando as pitangas à noite ou então você pode simplesmente não dar bola para nada disso.

Hoje é terça-feira, um dia como outro qualquer. Um dia onde quem tem alguém comemora e quem não tem também. Um dia onde você não vai precisar gastar dinheiro com presente e depilação. Um dia onde você pode assistir seriados no Netflix embaixo das cobertas, junto com seu cachorrinho e um balde imenso de pipoca (e depois uma barra inteirinha de chocolate belga). Um dia onde você pode fazer um jantarzinho para os amigos. Um dia onde você pode ir em alguma balada. Um dia onde você pode fazer o que bem entender, afinal, hoje é somente uma data comercial. E não tem nada de errado em estar sozinha (apesar dos comerciais, dos anúncios e dessa papagaiada toda de amor, amor amor). Mas, se quiser, não esqueça que hoje também é um dia onde você pode encher a cara e rasgar todas as fotos do ex.


Nenhuma quantidade de água pode apagar o amor,
e nenhum rio pode afogá-lo.
Se alguém quisesse comprar o amor
e por ele oferecesse as suas riquezas,
receberia somente o desprezo. 

Cânticos 8:7  / NTLH

segunda-feira, 11 de junho de 2018

namoro de verdade para a verdade


Dia dos Namorados não é um indulto, para fazer tudo o que não fez ao longo do ano e depois continuar na prisão dos hábitos. Não é renovação do alvará para depois seguir com a mesma distração e desinteresse.

Dia dos Namorados não é um troféu para se colocar na prateleira da memória, é um suspiro a dois.

Dia dos Namorados não é propaganda enganosa, para impressionar numa data e esquecer de se esforçar continuamente.

Dia dos Namorados não é para encher de presentes, é para estar presente inteiramente, conversando à toa para reencontrar o riso mais sincero, com o bluetooth do corpo ligado.

Dia dos Namorados não é para se exibir nas redes sociais e passar mais tempo com o celular na mão do que de mãos dadas.

Dia dos Namorados não é para fingir aventura em motéis, é para insinuar a ventura de outros cômodos da casa.

Dia dos Namorados não é uma obrigação de jantar fora, pode ser uma jantinha simples na própria cozinha, com as canções favoritas e comendo direto das panelas.

Dia dos Namorados não é uma competição com outros casais, é para criar segredo com a sua companhia.

Dia dos Namorados não é um escândalo, uma concorrência para dar mais, é demonstrar um cuidado com as golas desajeitadas e as bainhas presas nas meias e ser um espelho da atenção apaixonada.

Dia dos Namorados não é megalomania, não é vaidade, não é leilão de agrados, é criar acontecimentos discretos na alma, difíceis de serem descritos.

Dia dos Namorados não é se endividar, é aceitar que as melhores surpresas vem da simplicidade. Não é para fingir o que não se tem, é aceitar o que se é.

Dia dos Namorados não é status, é compreensão, talvez escolher um filme antigo com pipoca para assistir com olhos novos.

Dia dos Namorados não é uma caça às bruxas, é o casamento da vassoura com a pazinha e perdoar dissabores.

Dia dos Namorados não é ursinho de pelúcia, é alisar a barba e os cabelos.

Dia dos Namorados não é um colar, mas um abraço de cheirar o pescoço. Não é um brinco, mas palavras sussurradas nos ouvidos.

Dia dos Namorados não é forçar a felicidade com salto alto, mas convidar a felicidade a tirar os seus sapatos.

Dia dos Namorados é quando o amor não precisa provar nada, é um dia para provar a boca de quem se ama como se fosse o primeiro beijo. O primeiro beijo de muitos primeiros beijos.




Mas o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio. E contra essas coisas não existe lei.

Gálatas 5:22-23  / NTLH

domingo, 10 de junho de 2018

o amor


Que seja celebrado esse 12 de junho pelo motivo mais que suficiente de o amor ser o responsável por todo esse admirável esforço de tentarmos merecê-lo

É ele o protagonista da semana, o amor, e não os bandidos da nação. Esqueçamos por um momento este Brasil infiel com quem temos feito longas DRs. Ao menos nesta terça-feira, o amor estará em alta, mesmo que alguns acreditem que ele tenha morrido.

Morrer como? O amor tem a melhor campanha de marketing do universo, já que todos nós estamos aqui por causa dele. Todos nós. Nascemos porque um homem e uma mulher se amaram – mesmo que tenha sido um amor de verão ou que nem tenha merecido esse nome, amor. De qualquer forma, ele foi o álibi para que nascessem você, seus amigos e seus inimigos, do amor nasceram judeus e antissemitas, por causa dele vieram ao mundo os que votam na direita, na esquerda e em branco.

Já dizia Fernando Pessoa: “A gente ama porque ouviu falar do amor”. É o marketing se confirmando. Desde pequenos, preparamos o terreno para ele entrar na nossa vida como entrou na de nossos pais. É dado como certo que alguém se encaixará em nosso ideal romântico, mesmo que não seja o primeiro a surgir. Talvez seja o segundo. Talvez o terceiro. Talvez ninguém se encaixe totalmente, talvez todos se encaixem mais ou menos. Todo homem ou mulher que fizer disparar nosso coração, mesmo que por pouco tempo, será promovido a grande amor pelas razões mais diversas: ou pra suprir nossa carência, ou pra abrandar nossa solidão, ou pra realizar nosso desejo de procriar, ou por nossa obediência às convenções – não importa, atravessará a porta destinada a ele. É sempre aguardada a sua chegada.

O amor está no DNA dos sete bilhões de habitantes do planeta. Ateus amam, assassinos amam, até políticos amam: é a verdadeira religião universal, a que faz todos ajoelharem sob o mesmo chão sem precisar de livros sagrados, deuses, dogmas. De onde vem tanta potência?

O mundo é hostil, cruel. Até mesmo a poderosa natureza – mares, selvas, montanhas – nos coloca em risco, nos exige estado de alerta. Onde nos refugiar, onde nos conectar com a nossa verdade e com a nossa beleza interior? No amor, não há outro lugar. Sem ele, nossa existência fracassa.

Que seja o amor por filhos, por pais, pelos amigos, por mascotes, por um Deus: é tudo amor em sua abrangência, e pode bastar. Mas havendo um amor exclusivista, erótico e conjugal, a vida ganha um contorno mais fascinante, somos convocados a lutar por aceitação, e não é um desafio qualquer. Exige concessões, resiliência e variadas técnicas de sedução. Dá uma trabalheira. Mas, ainda que o amor seja um projeto de vida racional, os picos de paixão irracional que ele proporciona fazem valer a vida a dois.

A gente nasce, pensa, pira, sonha, cai, levanta, sorri, chora, desiste e insiste. A gente acorda, dorme e acorda outra vez. A gente ganha, perde, corre, alcança, não alcança, descansa e recomeça. Então, que seja celebrado esse 12 de junho pelo motivo mais que suficiente de o amor ser o responsável por tudo isso, por todo esse admirável esforço de tentarmos merecê-lo.