"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



sábado, 30 de maio de 2015

quilometragem livre


Mulher que é mulher dá pra quem ela quiser. Aliás, nem perde tempo pensando nesse assunto porque é algo tão natural e simples na sua vida quanto escovar os dentes ou ir ao cinema. Por isso acho bem esquisito essas meninas (independente da idade que tenham continuam meninas) cheias de preocupação, lendo livros e fazendo contas (primeiro encontro, terceiro, décimo segundo?) para descobrir o momento ideal de arriar a calcinha de renda. Saturno e Vênus deverão estar alinhados conspirando para um acontecimento pós-transcendental. Parece que elas são oferendas pra Quetzalcoatl! Acorda, galera, é só sexo! Passional, carnal e intempestivo como deve ser. Deixem as contas pro IBGE, as regras de bom comportamento para os colégios de freira, e vivam. Comprem camisinhas e mandem bala.

Apesar da aparente modernidade, tem muita mulher regulada por aí. E não porque não sintam vontade de liberar, não: esse motivo é respeitável. É porque tem medo do que os outros vão falar, mesmo. Medo do que o cara vai pensar dela, vê se pode. Se uma garota teme o juízo que o cidadão vai fazer dela depois do bundalelê, é um aviso dos céus de que não deve dar pra ele de jeito nenhum—a menos que goste de transar com babacas moralistas. Eu, hein.

Jamais me preocupei com o que o vizinho, o porteiro ou qualquer terceiro pensam de mim: se eles não tem nada mais importante pra fazer do que vigiar a vida alheia, pobre deles. O problema é que nossa sociedade é, feito lençol freático, permeada por um moralismo mais contaminador que dengue e, quando você menos espera, se pega censurando a conduta dos outros igualzinho sua avó. Comportamento herdado, sabe? Pior que isso, comportamento arcaico. Ou patético.

Um namorado meu, há tempos, precisava de um bom advogado (não me lembro mais pra quê). Indiquei um grande amigo meu. Ele foi ao escritório do cara, curtiu a postura profissional dele e acabou fechando negócio. Meses depois, vendo o álbum do meu aniversário de 20 e poucos anos, o cidadão teve um surto porque deparou com uma foto minha dando um beijão no meu amigo, agora, seu advogado.

“Você deu pra ele?!”
“Ué, dei. Na época, claro.”
“E ainda diz que é amigo?! Você fica trepando com tudo quanto é amigo, é? E me faz fechar negócio com um cara que te comeu?!”

Olha, sinceramente, homem que fica encanado com a vida sexual pregressa da namorada precisa tomar surra de frigideira pra parar de ser besta. O mais engraçado é que os machos rodados se acham os Tiger Woods do sexo (acertam o buraco cada vez com mais distinção), mas as mulheres viram roupa comprada em brechó? Ah, faça-me o favor. Dou o que é meu e ninguém tem nada a ver com isso. E, aliás, o número de pessoas que passaram pela minha cama, não te interessa, não altera a BOVESPA, nem a minha personalidade ou valor. Muda, isso sim, a experiência. O que é, ao meu ver, ótimo: ter referencial é algo valiosíssimo nesses dias de propaganda enganosa...

Mas, veja bem: dar pra quem quiser não significa passar o rodo no time de basquete inteiro ou em toda sua turma de amigos, não. Isso é falta de respeito consigo mesma. Porque, como disse Leila Diniz a um babacão que, depois de tomar um sonoro fora, a chamou de vagabunda: “Querido, eu posso dar pra todo mundo, mas não pra qualquer um”.

Isso é que é mulher.


sexta-feira, 29 de maio de 2015


um, dois, três, quatro,
dobro a perna e dou um salto,
viro e me viro ao revés,
se eu cair, conto até dez.

Depois essa lengalenga
toda recomeça.
Puxa vida, ora essa,
viro na ponta dos pés.

Quando sou criança, 
viro orgulho da família,
giro em meia ponta
sobre minha sapatilha.

Quando sou brinquedo
me dão corda sem parar,
se a corda não acaba
eu não paro de dançar.

Sem querer esnobar,
sei bem fazer um 
grand écart,
e pra um bom salto acontecer,
me abaixo num 
“demi plié”.

Sinto de repente
uma sensação de orgulho,
se ao contrário de um mergulho,
pulo no ar num 
grand jeté.

Quando estou num palco,
entre luzes a brilhar,
eu me sinto um pássaro
a voar, voar, voar.

Toda bailarina
pela vida vai levar
sua doce sina
de dançar, dançar, dançar.

[Bailarina, de Toquinho e Mutinho]

minha homenagem a você, Marina, nesse dia só seu...
Parabéns, que a luz do Senhor sempre brilhe no palco da sua vida.



Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro; tu és o oleiro. Todos nós somos obra das tuas mãos.

(Isaías 64:8)

quinta-feira, 28 de maio de 2015


se não me envias flores
compro-as eu, 
ou tanto melhor, colho-as em meu próprio jardim,

só não me prive do teu afeto,
tampouco me poupe da tua dor,

seja qual a forma do teu amor, devolvo-te sempre, em mais amor.


parafraseando


É preciso amar as pessoas como se não houvesse despertador na segunda-feira, ônibus lotado, agenda de obrigações rançosas, saldo negativo no banco, cartão de crédito sem limite, fila no banco, dor de cólica.
É preciso amar as pessoas como se não houvesse estacionamento lotado no shopping, lojas sem promoção, aniversário sem presente, atendimento precário na praça de alimentação.
É preciso amar as pessoas como se não houvesse politicagem, sacanagem, fuleragem. 
É preciso amar as pessoas, inclusive vizinhos que usam som na maior altura. É preciso amar mesmo que ela não goste de MPB. 
É preciso amar as pessoas carrancudas, estressadas, tristes, solitárias, imaturas.
É preciso amar as pessoas de perto, de longe, de mais longe ainda. É preciso amar sem criticar, desconfiar, analisar, reclamar. 
Embora alguns neguem, é preciso amar as pessoas, mesmo sem ser convidado para jantar, sem conseguir ingresso para a final no Maracanã, sem ir ao show de Djavan. 
É preciso amar as pessoas, mesmo renunciando ao cargo mais cobiçado, vendo gente maltratando animais, assistindo ao preconceito de perto e ter a liberdade limitada.
É preciso amar as pessoas mesmo convivendo com todo tipo de violência. 

É preciso amar as pessoas, mas antes é preciso ser anjo ou santo. 

O que sei é que nada atrapalhará o meu processo de doação, de gratidão e de amorosidade. 
Sei que renovando cotidianamente a minha fé, eu me sentirei confortável para encarar quaisquer situações porque nunca me sentirei sozinha, nunca estive. E tenho tanta força em mim canalizada para o bem que eu não espero da vida só o que é bom, mas espero que eu não passe por nenhuma dificuldade inutilmente, sem aproveitar esta possibilidade de aprendizado e crescimento. 

Tenho que lembrar que já superei coisas muito complicadas e que depois convivi por muito tempo com a deliciosa sensação de alívio. O desespero nunca esgotou a minha energia. 
O meu sorriso é o meu sim para o que estiver reservado para mim. Não temo, estou segura de que existem tempo e surpresas suficientes para que as coisas tomem um rumo mais conveniente, ou pelo menos, justo. 
Eu me comprometi com o meu melhoramento e isto implica num escancaramento do peito pra enfrentar a vida com sensatez, sem exacerbar ou supervalorizar o desconforto. Então, eu amplio o meu coração para que a gratidão de poder cumprir minha missão com todas as adversidades, apesar e por causa delas, tome conta de todo o meu ser. E que reforce em mim a ousadia e a coragem. 

Sou grata porque sou uma extensão do universo e tudo que acontece faz parte de sua linda dança. 

Que nada me tire o poder de criar. É só o que peço. 
O resto eu agradeço larga e profundamente.


Fuja dos desejos malignos da juventude e siga a justiça, a fé, o amor e a paz, juntamente com os que, de coração puro, invocam o Senhor. 

(2 Timóteo 2:22)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Que esta noite acolha a saudade ancorada e todas as estrelas desabotoadas do céu. 
Que haja abrigo sob a lua, e que as cabeças possam repousar no colo do cansaço e superar mais este dia de escassez para uns, de aconchego e cama macia para outros. 
Que a esperança agasalhe nossos sonhos para que nada envelheça nosso sorriso. 
Que haja uma pausa para as reclamações e que a gratidão impere dando a importância maior que têm as coisas corriqueiras. 
Que um manto amoroso contagie nossa rotina e nossas palavras fluam responsáveis, compreensivas e delicadas quando destinadas ao outro. 
Que tenhamos boas intenções e generosidade. 
E que sejamos alvos e portadores de boas notícias.


da despedida


Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem contas não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós.

Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’ propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra.

A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…

E só então a gente poderá amar de novo.


O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo e para abençoar toda obra das tuas mãos; emprestarás a muita gente, porém tu não tomarás emprestado.

Deuteronômio 28:12

terça-feira, 26 de maio de 2015


Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém, as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas.

Assim, para alimentar a sua população, os japoneses decidiram aumentar o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais do que alguns dias, o peixe já não era mais fresco. E os japoneses não gostaram do gosto destes peixes.

Para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto mar por muito mais tempo. Os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado.

Então, as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar esses peixes nos tanques, como “sardinhas”. Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam vivos, porém cansados e abatidos.

Infelizmente, os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os consumidores japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.

Como os japoneses resolveram este problema? Como eles conseguiram trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor? Se você estivesse dando consultoria para a empresa de pesca, o que você recomendaria?

(...)
Quando as pessoas atingem seus objetivos - tais como: Quando começam com sucesso numa empresa nova, quando pagam todas as suas dívidas, ou o que quer que seja, elas podem perder as suas paixões. Elas podem começar a pensar que não precisam mais trabalhar tanto, então, relaxam. Elas passam pelo mesmo problema dos ganhadores de loteria, que gastam todo seu dinheiro, o mesmo problema de herdeiros, que nunca crescem, e de donas-de-casa, deprimidas, que ficam dependentes de remédios de tarja preta.

Para esses problemas, inclusive no caso dos peixes dos japoneses, a solução é bem simples. 
(...) O homem progride, estranhamente, somente perante a um ambiente desafiador. Quanto mais inteligente, persistente e competitivo você é, mais você gosta de um bom problema. Se seus desafios estão de um tamanho correto e você consegue, passo a passo, conquistar esses desafios, você fica muito feliz. Você pensa em seus desafios e se sente com mais energia. Você fica excitado e com vontade de tentar novas soluções. Você se diverte. Você fica vivo!

Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas ainda colocam os peixes dentro de tanques, nos seus barcos. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega viva e fresca no desembarque. Tudo porque os peixes são desafiados, lá nos tanques.

Portanto, como norma de vida, ao invés de evitar desafios, pule dentro deles. Massacre-os. Curta o jogo. Se seus desafios são muito grandes, não desista, se reorganize! Busque mais determinação, mais conhecimento e mais ajuda. Se você alcançou seus objetivos, coloque objetivos maiores. Uma vez que suas necessidades pessoais ou familiares forem atingidas, vá ao encontro dos objetivos do seu grupo, da sociedade e, até mesmo, da humanidade.

Crie seu sucesso pessoal e não se acomode nele. Você tem recursos, habilidades e destrezas para fazer a diferença.

Ponha um tubarão no seu tanque e veja quão longe você realmente pode chegar.

(Texto de um MBA americano)

Como são felizes os que perseveram na retidão, que sempre praticam a justiça!

Salmos 106:3

sábado, 23 de maio de 2015



Você estava apaixonado por alguém e levou um fora. Acontece mais do que acidente de avião, desastre com romeiros e incêndio na floresta. Corações partidos é o grande drama nacional. O que fazer? Ainda não lançaram um manual de auto-ajuda que consiga eliminar nossa fossa, e dos amigos só podemos esperar uma frase, repetida à exaustão: tire esse cara da cabeça. Parece fácil. Mas alguém aí me diga: como é que se tira alguém de um lugar tão cheio de mistérios?

Gostar de alguém é função do coração, mas esquecer, não. É tarefa da nossa cabecinha, que aliás é nossa em termos: tem alguma coisa lá dentro que age por conta própria, sem dar satisfação. Quem dera um esforço de conscientização resolvesse o assunto: não gosto mais dele, não quero mais saber daquele prepotente, desapareça, um, dois e já!

Parece que funcionou. Você sai na rua para testar. Sim, você conseguiu: olhou vitrines, comeu um sorvete e folheou duas revistas sem derramar uma única lágrima. Até que começa a tocar uma música no rádio e desanda a maionese. Você não tirou coisa alguma da cabeça, ele ainda está lá, cantando baixinho pra você.

Táticas. Não ficar em casa relendo cartas e revendo fotos. Descole uma festa e produza-se para matar. Você bem que tenta, mas nada sai como o planejado. Os casais que se beijam ao seu lado são como socos no estômago. Você se sente uma retardada na pista de dança. Um carinha puxa papo com você e tudo o que ele diz é comparado com o que o seu ex diria, com o que o seu ex faria. Chamem o EccoSalva.

Livros. Um ótimo hábito, mas em vez de abstrair, você acha que tudo o que o escritor escreve é para você em particular, tudo tem semelhança com o que você está vivendo, mesmo que você esteja lendo sobre a erupção do Vesúvio que soterrou Pompéia.

Viajar. Quem vai na bagagem? Ele. Você fica olhando a paisagem pela janela do ônibus e só no que pensa é onde ele estará agora, sem notar que ele está ali mesmo, preso na sua mente.

Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade. Um dia a ferida cicatriza e você, de tão acostumada com ela, acaba por esquecê-la. Com fórceps é que a criatura não sai.


Ouve o conselho e recebe a instrução, para que sejas sábio nos teus dias por vir. Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá.

Provérbios 19:20-21

quinta-feira, 21 de maio de 2015



 Amar é como voar
     É sentir a sensação de estar no alto,
     é não ter medo de cair.
     É fazer dos pesadelos sonhos,
     é sentir-se pequenino perto de quem ama.
     É sentir-se grande ao se saber que é amado.

__Machado de Assis

tão eu!!!

o menestrel


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. 

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la… E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. 

Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam… Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. 

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve. 

Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. 

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens… Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém… Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. 

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! 

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.


Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados.

2 Coríntios 4:8

terça-feira, 19 de maio de 2015


chardonnay tinto


Outro dia fui a um bistrô com um amigo. Eram 21h30min e havia pouca gente. Carta de vinhos inexistia, tal a escassez de opções. Tudo bem. Pedi um cálice de espumante e meu amigo um cálice de chardonnay. Meu espumante veio morno e sem gás, e descobrimos que existe chardonnay tinto.

Com a quantidade de problemas que o País tem para resolver, falar sobre o serviço dos estabelecimentos comerciais parece frivolidade, mas não é. Em um mercado competitivo, mau atendimento é fator de descarte. Talvez os empresários não estejam dando a devida atenção ao assunto porque sua concorrência também oferece um atendimento sofrível. É possível que pensem: para que investir em treinamento? Quem for menos pior está no lucro.

É comum encontrarmos atendentes desinformados, mas o que mais espanta é a displicência diante do cliente. Nos supermercados é visível o desleixo de rapazes e moças de todos os setores. Uma rede em especial me tira do sério e só frequento para emergências. Como costumo ir cedo, já desisti de ser atendida na peixaria, por exemplo. É a hora do café do funcionário e o balcão fica às moscas. Não existe um gerente no local que explique a razão de não haver um substituto. Ninguém se responsabiliza. Esqueça o peixe. Compre frango, patinho, alcatra ou volte mais tarde, e torça para chegar num momento em que o rapaz não esteja ocupado, comentando os resultados do Brasileirão com algum colega.

Como se sabe, a pessoa mais importante para os funcionários, durante o expediente, é o colega. O cliente não passa de um estorvo que interrompe a conversa agradável que eles estão tendo sobre a novela, sobre o gol perdido pelo centroavante, sobre os dias que faltam para eles saírem de férias. Não é proibido conversar, mas seria simpático se fizessem isso com discrição e quando não houvesse cliente em volta. O cliente gosta de ser percebido. O cliente gosta de ver o funcionário focado no que está fazendo. O cliente gosta de saber que está deixando seu dinheiro numa empresa que valoriza sua presença. Outro dia passei com um carrinho lotado de compras ao lado de dois garotos que, em tese, deveriam estar no estacionamento do super para ajudar os clientes a descarregá-las, mas ambos estavam ocupados com uma competição de arrotos. Sem problema, posso tranquilamente descarregar minhas compras sozinha, mas preferiria que os meninos estivessem competindo por uma gorjeta.

Generalizando: em alguns lugares, cliente é um mal necessário. E a culpa dessa distorção não é do empregado, e sim do patrão. Do dono do bistrô que não treina seu garçom, da dona da loja que não adverte a balconista que masca chiclete enquanto mostra o produto, do dono do supermercado que não estabelece normas de conduta.

Aos que atendem de forma cortês e eficiente, nossa fidelização e cumprimentos. Aos relapsos, parafraseio o querido Anonymus Gourmet: não voltaremos.


Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra.

Gênesis 9:16

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Marco Túlio Lopes Miguel
(Prefeito de Campo Belo)
Luto

(Para ele era verbo)


(...) A morte, amiga indesejada, vai colhendo alguns dos que mais amamos, e os esconde nas suas largas mangas. Quando trabalhamos ou nos divertimos, ela passeia pelas praças, sobe nos telhados mais altos, e aponta aqui e ali seu dedo ossudo: este, este, esta, aquela. Às vezes vários num só golpe.

Ela é natural, dizem; é inevitável, sabemos. Mas a gente não entende, não aprende, não se conforma. Porque não se decifra esse enigma. Porque não somos bons alunos nessa dura escola.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

sobre nós que não somos metades



Não venha com a proposta de me fazer feliz, eu já sou. Mas senta aqui comigo, vamos dividir o sofá e ouvir mais uma canção de Caetano. Eu apoio as minhas pernas em teu colo e você me sorri daquele jeito misterioso. 

Não tente fazer as coisas que eu gosto para me agradar, está tudo bem. Eu posso fazer o que quero quando sentir vontade. Mas dança comigo esta noite, mesmo que sem música. Vamos rolar no tapete da sala e esquecer que existem pessoas no mundo, além de nós dois. Nosso universo é tão simples e não faço questão de mais espaço, nós cabemos nele e isso já basta. 

Não fale de futuro como se fôssemos eternos. Mas deita a sua cabeça em meu peito e escuta como meu coração bate apressado quando você está comigo. Eu não faço a menor ideia do que seremos amanhã, mas hoje e agora temos um ao outro e o mundo poderia acabar que eu não sentiria medo de nada. 

Não me diga que quer me completar, já sou completa. Olho para mim e não sinto falta de nada. Mas segura a minha mão e diz qualquer coisa para que eu apenas ouça o som da sua voz. Quando você fala, alguma coisa mais profunda me toca por dentro, e no instante em que você para e respira eu já sinto saudade. 

Não me traga nada, aqui já tem tudo. Não me cobre nada, eu não serei o que você espera. O amor é tão simples e somos duas partes indiscutivelmente diferentes. Mas podemos aproveitar a beleza dessas diferenças sem deixar o amor sucumbir. A gente só precisa ser a gente mesmo e encostar um no outro sabendo que jamais seremos perfeitos. 

Não me iluda, não tente ser outra pessoa. Não projete em mim aquilo que gostaria que eu fosse. Mas me olhe devagar e descubra o quanto eu gosto de estar aqui, como sou, e de olhar para você exatamente do jeito como você é. Vamos nos dar um amor franco. Sem sobras ou reservas, sem expectativas ou promessas. As pessoas maquiam tanto seus rostos e suas atitudes que uma hora elas cansam, e ser elas mesmas afasta o outro de forma tão veloz quando foi a chegada. 

Então seja você e deixe que eu seja eu. Dois inteiros que não estão juntos porque desde que o mundo é mundo nós procuramos a nossa metade. Mas sim, porque escolhemos somar aquilo tudo o que somos, por desejo e não por necessidade. 

 ___Camila Heloíse


Eu desaprendi a ser triste.
É que parei de exercitar tristeza faz um tempo e certas coisas se a gente não põe em prática acaba caindo no esquecimento.


“O generoso prosperará; quem dá alívio aos outros, alívio receberá.” 

(Provérbios 11:25)

quarta-feira, 13 de maio de 2015


Sou a vontade de chegar mais cedo e o desejo de dormir mais tarde. A saliva que não se separa e o nó cada vez mais atado. Sou teu travesseiro e quero, antes da noite que chega ligeira e do sono que nos mantém calados, lembrar-me de como é bom dormir ao teu lado.

Sou o beijo matinal antes do creme dental. Sou o imã da nossa cama a não querer nos libertar, quando as primeiras vontades do dia são: ficar, ficar e ficar. Sou a água a banhar teu corpo e o sabonete a te perfumar. Sou teu café sem açúcar na tua boca já doce e a recompensa mais pura que a tua vida me trouxe.

Sou a nossa despedida esperada. Sou cada rumo tomado. Sou a rua sem saída e o relógio arrastado. Sou a mensagem de texto com a saudade espremida entre a vontade da fuga e a hora da partida. Sou o ônibus cheio, sujo e apertado. O trânsito frio, calculista e mal intencionado. Sou a chuva repentina a me esperar no ponto e a lavar minha alma até a nossa esquina.

Sou o mesmo dejavu ao rever teu semblante. O mesmo sorriso de olhos e bocas. O beijo afobado a arrancar as roupas e a nos encaixar no próximo instante. Sou a cama quebrada no chão. O vizinho a bater no portão. Sou o cafuné em forma sobremesa e a ternura sempre tão ilesa.

Sou a vontade que nunca tive de manter uma rotina. A certeza que agora tenho de querer-te ao acordar. Sou o desejo sincero de uma vida possível, que nos revele as nossas impossibilidades e, nos ensine que o nosso único compromisso diário é amar.

___Fellipo Rocha

Amores pela metade não me satisfazem, meias amizades não me convencem,
um quase sorrir não me contenta, um pouco de paz não me tranquiliza,
estar perto não diz que cheguei, “foi por um triz” não me consola.
Eu não me dou em pedaços, não quero meias esperanças, nem ser feliz pela metade.
Não quero meias palavras, não gosto de meios termos, não quero meias verdades
se for pra ser, que seja. Por inteiro!



Sugiro que as pessoas religiosas, ao invés de prometerem sacrifícios e repetições de rezas a Deus – Deus não gosta de sacrifícios e quanto as rezas, sempre as mesmas, ele já as sabe de cor; não precisando nossas repetições - bem que poderiam prometer plantar árvores...
Acho que Deus, jardineiro supremo, haveria de aprovar.



Por isso, aprendi pela vida afora: 
crie patos, crie galinhas, apenas não crie expectativas!!!

Mas eu sempre terei esperança e te louvarei cada vez mais. 

Salmos 71:14

sábado, 9 de maio de 2015


É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto. Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de cálculo. Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu, não o nosso.

O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro. Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividados por vinte anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito.

Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.

O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.

O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir. O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se trumbica. Quem com ferro fere, com fero será ferido. O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas.

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo.

Mãe é de graça.


hehehehe

Faz com que a mulher estéril habite em casa, e seja alegre mãe de filhos. Louvai ao Senhor.

Salmos 113:9

quinta-feira, 7 de maio de 2015

na hora de ver filme na cama


Tenho uma estratégia para dormir nos filmes e parecer que não estou de olhos fechados. Não falo de cinema, sagrado para mim, que não cochilo nem se for um documentário mudo, preto e branco e de cinco horas, mas daquele filme para ver na cama, escolhido um pouco antes da meia-noite, em horário altamente perigoso para quem acorda cedo. Sendo o filme bom, enfrentarei grandes chances de arcar depois com a insônia.

Apesar do medo de aguentar ou não aguentar, participo de nosso ritual familiar com entusiasmo, pois criei uma manha para sobreviver. Opto por um filme que já vi várias vezes. Óbvio que escondo a informação. Aliás, digo o contrário. Solto uma frase animadora que costuma encerrar nossa procura:

— Amor, faz séculos que desejo assistir este filme!

Diante do título que já frequentou até sessão da tarde, a mulher me encara com incredulidade, quase pergunta onde estive nos últimos vinte anos, quase questiona se não vim de uma ilha deserta. Certo de que sente pena das minhas lacunas cinematográficas.

Agora vem a melhor parte. Eu me agarro nela de conchinha, encaixo a cabeça em sua nuca cheirosa, e levanto o queixo preguiçosamente em direção à tevê.

Sua pele é meu vício. Não resisto ao ópio confortável de sua fragrância, e desfaleço. Minha atenção na tela dura dez minutos. Ela pressente minha respiração pesada no cangote, e vira para conferir se dormi. Nesta hora, levanto as pálpebras assustado e finjo que continuo assistindo. Ela não acredita, está na cara de que me entreguei. Como conheço o filme de cor, repito o que aconteceu naquela cena e conquisto o direito da dúvida. Sofro mais vinte apagões antes dos letreiros finais.

De manhã, durante o café, enfrento o inquérito sobre a dissimulação.

— Não dormiu, né? Então me conte como o filme termina?

Descrevo as cenas com detalhes impressionantes, sutilezas, reprodução de diálogos. Convenço e fico solto para viver a impunidade de mais uma madrugada.