"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



quarta-feira, 30 de junho de 2010




"E decidiu: vou viajar.
Porque não morri, porque é verão (inverno),
porque é tarde demais e eu quero ver,
rever, transver, milver tudo que não vi
e ainda mais do que já vi,
como um danado, quero ver feito Pessoa,
que também morreu sem encontrar.
Maldito e solitário,
decidiu ousado: vou viajar."

terça-feira, 29 de junho de 2010


Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
E uma gente que não viva só pra si

Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi

Por uns velhos vãos motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor

Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos a canção

Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos

                                                  (Universo no teu corpo - Taiguara)

E o amor... onde fica?


'O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.


O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.


O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.

Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.


Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.'


"Eu não quero perder
nada dos meu erros e acertos,

 
É com tropeços
que se aprende a ser grande!"

o bambu chinês


Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada.

Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu,
mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz,
que se estende vertical e horizontalmente pela terra
está sendo construída.

Um escritor americano escreveu:
"Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês".

Você trabalha, investe tempo, esforço,
faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento e,
às vezes não vê nada por semanas, meses ou anos.

Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando,
persistindo e nutrindo, o seu 5º ano chegará e,
com ele, virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava...



O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente
desistir de nossos projetos, de nossos sonhos...
especialmente no nosso trabalho, (que é sempre um grande projeto em nossas vidas).

Devemos sempre lembrar do bambu chinês,
para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.

E termos sempre dois hábitos:
Persistência e Paciência,
se quisermos alçançar nossos sonhos!
É preciso muita fibra para chegar às alturas e,
ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão.


''Segure a mão da criança que há dentro de você.
Para ela, nada é impossível.''

"Sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra,
seja no meio de um deserto, seja no meio das grandes cidades.
E quando estas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram,
todo passado e todo futuro perde qualquer importância,
e só existe aquele momento,
e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do sol
foram escritas pela mesma Mão.
A Mão que desperta o Amor,
e que fez uma alma gêmea para cada pessoa que trabalha,
descansa e busca tesouros debaixo do sol.
Porque sem isto
não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana..."

segunda-feira, 28 de junho de 2010

tomara

Para começarmos bem a semana... que será doce e de sol
(se Deus quiser)

Oremos:



Tomara que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas
não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol.
Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça,
e a respiração se fizer áspera demais,
a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele
com o carinho todo que ele merece.
Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo
nos reste sempre uma brecha qualquer,
 ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu.




"Tomara que os nossos enganos mais devastadores
não nos roubem o entusiasmo para semear de novo.
Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes,
descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança.
Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem
um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente.
Que o medo exista, porque ele existe,
mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor."


"Tomara que a gente não desista
de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades,
mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo,
não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria."



"Tomara que apesar dos apesares todos,
dos pesares todos,
a gente continue tendo valentia suficiente
para não abrir mão de se sentir feliz."

Tomara.

domingo, 27 de junho de 2010



"Indiferença: não merecer uma resposta.

Desprezo: não merecer nem a pergunta."

sábado, 26 de junho de 2010


Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem
Quando a noite vem

E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega, mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina, salta e te ilumina
Quando a noite vem

E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas mas no fundo gostas
Quando a noite vem

Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sente


(Tatuagem - Composição: Chico Buarque/Ruy Guerra)
 

"Diga o que quiser

Pense como puder

Mas algo fala em mim

E fala em prosa e verso.



E fique certo:



Com amor... o resto é tudo.

Sem amor... o tudo é resto."

         

O guardião do castelo


Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto.
O grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela.
O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:
- Assumirá o posto o primeiro monge que resolver
o problema que vou apresentar.
Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo,
e disse apenas:
- Aqui está o problema!

Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro.
O que representaria?
O que fazer?
Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e... ZAPT... destruiu tudo, com um só golpe.
Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:
- Você será o novo Guardião do Castelo.


Moral da História:
Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo.
Se for um problema, precisa ser eliminado.
Um problema é um problema.
Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.
Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes.
Espaço esse indispensável para recriar a vida.


Existe um provérbio oriental que diz: "Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar o chá fora, para, então, beber o vinho."

Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração.
O passado serve como lição, como experiência, como referência. Serve para ser relembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir o seu futuro.
Necessariamente nessa ordem!


(Roberto Shinyashiki)

sexta-feira, 25 de junho de 2010


Pactos

Acho que é isso.
Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar.

É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas,
um pacto de eternidade,
mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

"Conta pra mim de onde a gente se conhece.
De onde vem a sensação de que sempre esteve aqui,
quando eu sei que não estava.
Conta por que nada do que diz sobre você me parece novidade, como se eu estivesse lá,
nos lugares que relembra, quando eu sei que não estive.
Conta onde nasce essa familiaridade toda com os seus olhos.
Onde nasce a facilidade para ouvir a música de cada um dos seus sorrisos.
Onde nasce essa compreensão das coisas que revela quando cala.
Conta de onde vem a intuição da sua existência tanto tempo antes de nos encontrarmos.
Conta pra mim de onde a gente se conhece.
De onde vem o sentimento de que a sua história, absolutamente nova,
é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas,
apenas recordo trechos que esqueci.
Conta de onde vem a sensação de que nos conhecemos muito mais do que imaginamos.
De que ouvimos muito além do que dizemos.
De que as palavras, às vezes, são até desnecessárias.
Conta de onde vem essa vontade que parece tão antiga de que os pássaros
cantem perto da sua janela quando cada manhã acorda.
De onde vem essa prece que repito a cada noite, como se a fizesse desde sempre,
para que todo dia seu possa dormir em paz.
Conta pra mim de onde a gente se conhece.
De onde vem essa repentina admiração tão perene.
De onde vem o sentimento de que nossas almas dialogavam
muito antes dos nossos olhos se tocarem.
Conta por que tudo o que é precioso no seu mundo
me parece que já era também no meu.
De onde vem esse bem-querer assim tão fácil,
assim tão fluido, assim tão puro.
Conta de onde vem essa certeza de que, de alguma maneira,
a minha vida e a sua seguirão próximas,
como eu sinto que nunca deixaram de estar.
Conta pra mim por que, por mais que a gente viva,
o amor nos surpreende tanto toda vez que vem à tona."

“Não tenha medo da quantidade absurda de carinho que eu quero te fazer.
E de eu ser assim e falar tudo na lata.
E de eu não fazer charme quando simplesmente não tem como fazer.
E de eu te beijar como se a gente tivesse acabado de descobrir o beijo.
E de eu ter ido dormir com dor na alma o final de semana inteiro
por não saber o quanto posso te tocar.
Não tenha medo de eu ser assim tão agora.
E desse meu agora ser do tamanho do mundo.”

"Ele gosta dela. Não tem mais como fugir.

É, dá medo.

Ela deve estar com medo também.

Gostar é começar o inferno tudo de novo.

Mas ela, quem diria, escreve lá no texto que topa.

Topa começar tudo de novo."

 ...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

vença os medos


Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato.
Um mágico teve pena dele e o transformou em gato.
Mas aí ele ficou com medo de cão, por isso o mágico o transformou em pantera.
Então ele começou a temer os caçadores.

A essa altura o mágico desistiu.
Transformou-o em camundongo novamente e disse:
Nada que eu faça por você vai ajudá-lo,
porque você tem apenas a coragem de um camundongo.

É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto.
Mas saiba que coragem não é a ausência do medo,
é sim a capacidade de avançar, apesar do medo;
caminhar para frente e enfrentar as adversidades, vencendo os medos...

É isto que devemos fazer.
Não podemos nos derrotar, nos entregar por causa dos medos.
Assim, jamais chegaremos aos lugares que tanto almejamos em nossas vidas...
                                                                     

hoje eu tô ZEN...


Zen tolerância
Zen calma
Zen paciência
Zen saco


Não... não é TPM!
É reforma de casa!!!

É pedreiro, cimento, parede quebrada e
Poeira

Poeira
Poeira
Levantou poeira

Um caooooos, e...
♫ No meio de tudo, você ♪♪

Isso mesmo, Humberto. No meio de tudo: eu!!!
(tudo junto e misturado)

Ou fico louca ou viro santa.

E isso, com apenas 4 dias de bagunça.
Só Nossa Senhora da Bicicletinha pra me dar equilíbrio
para suportar o que ainda está por vir, ou então
“parar o mundo que eu quero descer”.
. . .

Desculpem o desabafo! Era necessário.
Amanhã é outro dia... prometo postar algo que preste.

Amém!!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A vida sem rodinhas


''Quando é que sabemos que estamos aptos a andar por nossa conta?
Lembro que nos momentos importantes da infância, e também nos desimportantes, meu pai estava sempre a postos empunhando uma máquina fotográfica.
A consequência disso?
A cada gaveta que eu abro aqui em casa, jorram fotos diversas, sem contar as que estão confinadas em álbuns e porta-retratos.
Dessas tantas, há uma pela qual tenho um carinho especial: é uma foto em que estou andando de bicicleta, aos 5 ou 6 anos de idade. Naquele dia eu andei sem rodinhas pela primeira vez.
Dei várias voltas sem cair, até que meu pai clicou o flagrante: a pirralha com a maior cara de vencedora, dona do campinho, se achando.
Eu realmente estava degustando aquela vitória.
Se a foto tivesse legenda, seria: Viu?


As rodinhas são uma base protetora para iniciantes, uma segurança para quem ainda não tem domínio da coisa. Que coisa? Qualquer coisa. Me corrija se eu estiver errada: a gente usa rodinhas até hoje.


Quando se escreve um livro, por exemplo, as rodinhas são a parte não ficional, o sentimento de verdade, vivido, com o qual a gente ampara a ficção.


Quando se tem um filho, as rodinhas são a herança da educação que nossos pais nos deram, a parte hereditária que, mesmo questionada, sustenta nossas primeiras decisões.


Quando nos apaixonamos, as rodinhas são a repetição de certos clichês, a apresentação dos nossos ideais e certezas, mesmo sabendo que em breve entraremos em terreno movediço, desconhecido.


Quando se aceita um emprego, as rodinhas são a nossa experiência anterior, o que facilita a arrancada, mas depois é preciso andar sozinho.


Sempre chega a hora de tirar as rodinhas. Medo e êxtase.


Viver sem elas torna tudo mais perigoso, vulnerável, e ao mesmo tempo, emocionante. Nos faz voltar a ser crianças: será que estou agindo certo, será que não estou indo rápido demais, ou lento demais?
Atenção: lento demais, cai.


É preciso saber viver sem um suporte contínuo, para que se possa firmar o próprio caráter. Quem não sai da barra da saia da mãe, nunca consegue se equilibrar sozinho. Quem não solta a mão do pai, não vira homem.


Não se trata de dispensar amor. Estamos falando de rodinhas, lembre. Apoio.


Quando é que sabemos que estamos aptos a andar por nossa conta?
Se o assunto é bicicleta, aos 5, aos 6, aos 7, até aos 10 anos, dependendo do ritmo e da estabilidade de cada um.


Quando se trata da vida, também depende. Mas usá-las para sempre te impedem de sentir o gostinho de conseguir, de vencer, de atingir suas metas por si só.

Te impedem de perguntar: “Viu?”


Permita que os outros vejam o quanto você pode.''


"Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples. Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano. Como o toque bom do sol quando pousa na pele. A solidão que é encontro. O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado. A lua quando o olhar é grande. A doçura contente de um cafuné sem pressa. O trabalho que nos erotiza. Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos nós que escrevemos. A força da areia molhada sob os pés descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir. A presença da intimidade legítima. A música que nos faz subir de oitava. A delicadeza desenhada de improviso. O banho bom que reinventa o corpo. O cheiro de terra. O cheiro de chuva. O cheiro do tempero do feijão da infância. O cheiro de quem se gosta. O acorde daquela risada que acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas. Todas, simples assim.


Tenho aprendido com o tempo que a mediocridade é um pântano habitado por medos famintos, ávidos por devorar o brilho dos olhos e a singularidade da alma. Que grande parte daquilo em que juramos acreditar pode ser somente crença alheia que a gente não passou a limpo. Que pode haver algum conforto no acordo tácito da hipocrisia, mas ele não faz a vida cantar. Que se não tivermos um olhar atento e generoso para os nossos sentimentos, podemos passar uma jornada inteira sem entrar em contato com o que realmente nos importa. Que aquilo que, de fato, nos importa, pode não importar a mais ninguém e isso não tem importância alguma. Que enquanto não nos conhecermos pelo menos um pouquinho, rabiscaremos cadernos e cadernos sem escrever coisa alguma que tenha significado para nós.


Tenho aprendido com o tempo que quando julgamos falamos mais de nós do que do outro. Que a maledicência acontece quando o coração está com mau hálito. Que o respeito é virtude das almas elegantes. Que a empatia nasce do contato íntimo com as nuances da nossa própria humanidade. Que entre o que o outro diz e o que ouvimos existem pontes ou abismos, construídos ou cavados pela história que é dele e pela história que é nossa. Que o egoísmo fala quando o medo abafa a voz do amor. Que a carência se revela quando a autoestima está machucada. Que a culpa é um veneno corrosivo que geralmente as pessoas não gostam de ingerir sozinhas. Que a sala de aula é a experiência particular e intransferível de cada um.


Tenho aprendido com o tempo coisas que somente com o tempo a gente começa a aprender. Que o encontro amoroso, para ser saudável, não deve implicar subtração: deve ser soma. Que há que se ter metas claras, mas também a sabedoria de não se transformar a vida numa sala de espera. Que a espontaneidade e a admiração são os adubos naturais que fazem as relações florescerem. Que olhar para o nosso medo, conversar com ele, enchê-lo de cuidado amoroso quando ele nos incomoda mais, levá-lo para passear e pegar sol, é um caminho bacana para evitar que ele nos contraia a alma.


Tenho aprendido que se nos olharmos mais nos olhos uns dos outros do que temos feito, talvez possamos nos compreender melhor, sem precisar de muitas palavras. Que uma coisa vale para todo mundo: apesar do que os gestos às vezes possam aparentar dizer, cada pessoa, com mais ou menos embaraço, carrega consigo um profundo anseio de amor. E, possivelmente, andará em círculo, cruzará desertos, experimentará fomes, elegerá algozes, posará de vítima para várias fotos, pulará de uma ilusão a outra, brincará de esconde-esconde com a vida, até descobrir onde o tempo todo ele está."

"Eu acredito.

Acredito no tempo.


O tempo é nosso amigo, nosso aliado,


não o inimigo que traz as rugas e a morte.


O tempo é que mostra o que


realmente valeu a pena, o tempo nos ensina a esperar,

o tempo apaga o efêmero e acaba com a dúvida."

terça-feira, 22 de junho de 2010


E Deus fez a mulher...
Houve harmonia no paraíso.
O diabo vendo isso, resolveu complicar...


Deus deu a mulher cabelos sedosos e esvoaçantes.
O diabo deu pontas duplas e ressecadas.


Deus deu a mulher seios firmes e bonitos.
O diabo os fez crescer e cair.


Deus deu a mulher um corpo esbelto e provocante.
O diabo inventou a celulite, as estrias e o culote.


Deus deu a mulher músculos perfeitos.
E o diabo os cobriu com lipoglicerídios.


Deus deu a mulher uma voz suave, doce e melodiosa.
O diabo a fez falar demais.


Deus deu a mulher um temperamento dócil.
E o diabo inventou a TPM.


Deus deu a mulher um andar elegante.
O diabo investiu no sapato de salto alto.


Então Deus deu a mulher infinita beleza interior.
E o diabo fez o homem perceber só o lado de fora.


Só pode haver uma explicação para isso:


O diabo é viado

                                               


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Posse(bilidades)


POSSUA:

Um coração que nunca endureça

Uma emoção que nunca pressione

Um toque que nunca magoe

Um carinho que nunca envelheça

Uma doçura que não estacione

Um coração que, por vezes, perdoe

Uma paixão que não enfraqueça

Um prazer que nunca relaxe

Um silêncio que nunca destoe

Uma verdade que nunca encareça

Um medo que não ameace

Uma tristeza que não amontoe

Uma amargura que não amanheça

Uma alegria que nunca entristeça

Uma fantasia que não voe

Uma felicidade que não empobreça

Um desejo que nunca se apague

E um amor que te abençoe…

                         - Blandinne -

Prioridades



Portas sempre abertas...

domingo, 20 de junho de 2010


"Se me esqueceres,

só uma coisa,

esquece-me bem

de

va

ga

ri

n


 

h


 

o."


"E tô achando bom, tô repetindo que bom, Deus,
que sou capaz de estar viva sem vampirizar ninguém,
que bom que sou forte, que bom que suporto,
que bom que sou criativa e
até me divirto e descubro a gota de mel no meio do fel.
Colei aquele "Eu Amo Você" no espelho.
É pra mim mesma".


"Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura...
Essa intimidade perfeita com o silêncio...
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado de pequenos absurdos,
essa capacidade de rir à toa.
Resta essa distração, essa disponibilidade,
essa vagueza de quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar, de transfigurar a realidade,
dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é,
(...) e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto,
esse eterno levantar-se depois de cada queda,
essa busca de equilíbrio no fio da navalha,
essa terrível coragem diante do grande medo,
e esse medo infantil de ter pequenas coragens."

sábado, 19 de junho de 2010


"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador (...) O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia." (Martha Medeiros)

Estive pensando hoje sobre o quanto a gente se permite amornar a vida. Quase conseguimos o emprego dos sonhos, faltaram dois pontos para passar naquele concurso, estivemos à beira de cometer uma loucura deliciosa por amor, perdemos três dos cinco quilos em excesso, compramos a casa que era quase igual a que desejávamos, saímos sempre cinco dos dez minutos necessários para não pegar fila no trânsito, demos um "quase perfeito" ao encontro romântico, enfim, aprendemos que quase nada sai como planejamos e nos conformamos com a pilha de frustrações que vamos acumulando nas quatro paredes que dividem conosco alegrias contidas e tristezas camufladas.

O que nos leva a amornar a vida? É tão mais fácil, não é? Ser mais ou menos simpático para evitar falácias, dar um meio sorriso a mostrar indignação, um abraço frouxo, indolente a ter que se justificar pela repulsa que sentimos ao calor do outro. Por que ser inflamado, tenso, exaltado se a serenidade e o equilíbrio são tão mais afáveis? O problema é que essa droga de vida “mais ou menos” aborrece. As pessoas mornas cansam. O amor tépido enjoa. Essa falta de tesão por tudo enfastia.

O ano termina e tudo continua simetricamente inalterado: os dias sem cor, os meses sem brilho, até a forma como damos bom-dia e boa-noite (é exatamente igual). Percebemos também que o sorriso espontâneo deu lugar ao gesto forçado que dói para se desenhar no rosto, mas a gente não se preocupa com isso, pois a pessoa ao nosso lado, por sua vez, nos devolve com a mesma gentileza o desprazer em dividir aquele que foi o lugar de promessas e prazeres.

Quem se deixa entrar nesse processo conhece bem os sintomas de quando as coisas já não têm mais o que amornar. A verdade é que somos permissivos, acabamos deixando de olhar onde estagnamos e passamos a ver somente os defeitos de quem está conosco e, como num mecanismo de auto-defesa à própria incapacidade de reação, culpamos ainda mais o outro por nos encontrarmos impedidos de ir em busca de alguém que nos reacenda esse tesão pela vida e por todas as vicissitudes que ela apresenta. Ninguém quer viver sozinho, mas a solidão muitas vezes é maior quando, acompanhados, não nos enxergamos. E como pesa essa amarra que nos aprisiona o corpo e a mente, tornando-nos reféns da nossa própria sorte.

O fato é que nos calamos, chegando ao ponto de não termos mais o que falar; não existe linguagem que esclareça o que está indecifrável. Falta sensibilidade para perceber que nem tudo pode ser resolvido com uma ou duas conversas amistosas, talvez, nessa hora, seja o caso de apagar a luz e sussurrar uma ou duas palavras desconexas no ouvido, apenas para traduzir ou testar o que se sente e deixar aos gestos (que falam a linguagem do prazer) as possíveis respostas para acabar com a mornidão presente.

Mas, contrapondo a minha própria fala, eu não resistiria em levantar a seguinte possibilidade: - E se não estivermos esperando por respostas? E se o desejo interior, ainda que inconsciente, seja sair do tom pastel buscando o desconhecido? Mesmo que isso represente algo misterioso, disforme, obscuro, doloroso, cheio de incoerência e sem garantia de retorno à tepidez. Pode, sim, valer a pena.

Sabe-se lá de que maneira, de repente, a gente sente uma irritação por dentro, bradando por mudança. Talvez seja o caso de desequilibrar a balança e pender para o lado que parece mais atraente, que justifica o dormir e acordar com direito a abrir a janela e observar a paisagem sob outro enfoque, ou quem sabe nem abri-la, dando ao impulso a oportunidade de sair de casa e contemplar a paisagem livremente, com o vento remexendo os cabelos e a chuva fina batendo no rosto a descobrir uma nova face, sem a máscara da embriaguez passiva que nos põe cegos e surdos para os ecos inquietantes e multicoloridos da alma.

Ando mesmo com a garganta seca e as mãos suando frio na expectativa de que algo aconteça, seja um sorriso espontâneo ou uma lágrima pronta para se formar no canto esquerdo do meu olho. Eu preciso de febre, inquietação, de gosto de morango na boca, de uma ou duas aspirações que me puxem para a frente e me permitam olhar para dentro, percebendo até onde posso e quero ir.

Estou exausta de insipidez, falta, ausência, privação, carência. Não há mais tempo para esperar o entorno da estação. Sinto que é iminente me libertar das palavras vazias e da falta do calor que inflama, inebria, deixa o corpo suado de vida, de vontade de aquecer ao sol as cores neutras até enrubescerem. E nesse desespero resignado, adormecido, acabrunhado, que anda em círculos pela sala, eu possa me valer da coragem que anda escondida para, deliberadamente, escancaradamente, olhar-me no espelho e perceber que estou viva."

(Luciana P.)