"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



domingo, 27 de novembro de 2016



Espelho, espelho meu,
existe mulher mais na menopausa do que eu?

antecipando pedidos


Caro Papai Noel, 
não vou lhe pedir boneca, carrinho ou game porque não sou mais criança, e também não vou pedir paz no mundo porque já não acredito mais nisso. Mas ainda acredito no senhor, o que é miraculoso. Então lhe peço através desta humilde cartinha: será que neste Natal o senhor poderia harmonizar esta quantidade incrível de casais que se amam mas não se entendem?

Não sei se o senhor é casado, solteiro ou enrolado, mas deve entender um pouco dessas coisas, suas barbas brancas não surgiram do nada. O que acontece é o seguinte: João ama Maria e Maria ama João, mas o ciúme impede que eles vivam tranquilos (Maria está sempre desconfiada e pega muito no pé dele).
Carlos ama Regina e Regina ama Carlos, mas a diferença de idade deixa ela insegura (ela é 10 anos mais velha e não percebe que ele não dá a mínima pra isso). 
Suzana ama Flávio e Flávio ama Suzana, mas eles não demonstram este amor da mesma maneira (ela é mais cautelosa, nunca disse "eu te amo", e ele fica grilado). 
Vivian ama Marilia e Marilia ama Vivian, mas têm problemas para assumir a relação (uma saiu do armário e a outra esconde a homossexualidade da família). 
Jairo ama Luiza e Luiza ama Jairo, mas o sexo é traumático pra ele (Jairo se recusa a fazer terapia). 
Selma ama Renato e Renato ama Selma, mas ela parece desinteressada (só dá atenção aos filhos). 
Juca ama Andrea e Andrea ama Juca, mas eles brigam por qualquer coisinha (um é egocêntrico e o outro também, então já viu, né?)

Papai Noel, se eu fosse citar todos os exemplos, não caberia nesta minha coluna. Seria uma carta sem fim, e eu tenho outros textos pra escrever, o dever me chama. Então, meu bom velho, posso contar com o senhor? É só distribuir de casa em casa os seguintes presentes: positivismo, serenidade e consciência, para que o pessoal se lembre que desacertos fazem parte de todas as relações: ou enfrenta-se com bom humor ou então é melhor ficar sozinho. Mas taí uma coisa que ninguém acredita: que a solidão é a melhor opção.
Papai Noel, vê lá. Estou confiando nas suas barbas brancas. 


Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno 

(Salmo 139:23-24)

sábado, 26 de novembro de 2016


(...)
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.
(...)

[No caminho com Maiakóvski, de Eduardo Alves da Costa]

inclua-se onde couber


Como se sabe, na próxima terça-feira a Câmara dos Deputados poderá aprovar a seguinte pérola, enxertada no Projeto de Lei 4.850/2016, contra a corrupção (eu disse contra a corrupção): 
“Inclua-se onde couber: Art. X. Não será punível nas esferas penal, civil e eleitoral, doação contabilizada, não contabilizada ou não declarada, omitida ou ocultada de bens, valores ou serviços, para financiamento de atividade político-partidária ou eleitoral realizada até a data da publicação desta lei”.

O supracitado “Artigo X” não só anistiará o caixa 2 como ajudará a encobrir uma série de maracutaias sob o tapete mágico do “financiamento de atividade político-partidária ou eleitoral”. Será, usando as já clássicas palavras de Romero Jucá, um grande passo para “estancar a sangria” da Lava-Jato.

Vossas excelências querem anistia, deputados? Pois eu também quero. Ampla, geral e irrestrita. Já que é pra esculhambar, vamos esculhambar direito, pra todo mundo, não só pra vocês, vossas famílias e os empresários que deram dinheiro pra vocês e vossas famílias. Proponho abaixo, portanto, algumas outras emendas ao PL.

Inclua-se onde couber: Art. Y. Não serão puníveis nas esferas penal e civil atrasos com impostos, aluguéis, condomínio, escola, celular, crediário ou quaisquer outras contas em aberto até a data da publicação desta lei.

Inclua-se onde couber: Art. Z. Não serão puníveis, nas esferas penal e civil, multas por excesso de velocidade, estacionamento proibido, desrespeito ao rodízio, racha, cavalo de pau ou atropelamento em série seguido de fuga realizados até a data da publicação desta lei.
Inclua-se onde couber: Art. ??. Não serão cobrados, nas bandeiras Visa, American Express, Diners ou Mastercard, os gastos efetuados com comida, bebida, vestuário, ouro, diamantes, passagens aéreas, carros de luxo, iates e pole-dancers realizados até a data da publicação desta lei.

Inclua-se onde couber: Art. µ. Não serão puníveis, nas esferas moral e estética, trocadilhos com pavê, peru, pernil, piadas com pum, fezes, urina, pegadinhas tipo chubaba, toca-aqui-deixa-que-eu-toco-sozinho e baleias-brancas realizadas até a data da publicação desta lei.

Inclua-se onde couber: Art. ß. Não serão contabilizadas nas esferas cardíaca, pulmonar, arterial ou hepática os excessos envolvendo churrasco, batata frita, leite condensado, cerveja, cigarro, sonho frito de doce de leite, Beyoncé na “Playlist” “corrida” do Spotify ou quaisquer outros entorpecentes consumidos até a data da publicação desta lei.

Inclua-se onde couber: Art. Ø. Não será punível nas esferas terrena, divina ou infernal, haver: desejado a mulher do próximo, invejado o próximo, abaixado a vista e fingido não ter visto um próximo não tão próximo assim vindo em sua direção, fechado rápido o elevador pra não ter que conversar com o próximo, saído da festa sem se despedir do próximo, insultado o próximo, chutado o próximo ou passado o próximo no multiprocessador até a data da publicação desta lei.

Ficam aqui minhas sugestões a todos os deputados que pretendem, na terça-feira, em nome de Deus, da ética e da família brasileira, votar a favor da anistia para o caixa 2. 

Espero que as ideias aqui contidas os ajudem a compreender o quão grotesca é essa emenda e os façam mudar de opinião – ou, então, que amassem esta crônica e a incluam onde couber.

Antonio Prata


Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam. 

(Hebreus 11:6)

sexta-feira, 25 de novembro de 2016


Meu limite estourou!
Meu limite estourou!
Meu limite estourou!

Eu nem queria mesmo... hehehehe!

quinta-feira, 24 de novembro de 2016


“O vento que venta aqui, é o mesmo, que venta lá, e volta pro mandingueiro a mandinga de quem mandinga...”

Elis Regina


“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente.
Porque eu, só por ter tido carinho, pensava que amar é fácil.”


Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também. 

Lucas 6:38

sexta-feira, 18 de novembro de 2016


#nem todos os presos são culpados, nem todos os culpados são presos

para o bom entendedor meia ausência basta


Quem sente vontade, faz saudade virar encontro, faz o cansaço virar amasso, faz dias frios mais quentes. Quem quer te ver, não vai se lamentar, vai vestir a roupa mais próxima e sair com sorriso mais sincero ao teu encontro.

Quem quer não adia, aparece. Quem quer te ver agora, não vai deixar pra amanhã, mesmo que a distância seja incalculável ou já seja tarde pra isso. Quem quer, não deixa pra depois o que pode ser feito agora. Quem quer ficar, fica sem que a gente precise implorar. Quem quer cuidar, simplesmente cuida. Quem quer, provavelmente não vai suportar a saudade, não vai poupar sentimento e entrega pra te ter.

Quem tem saudade do teu sorriso não se contenta só em ouvir a tua voz pelo celular, quem quer estar com você sentirá necessidade de te ver pra conversar sobre como foi o seu dia, sobre todas as coisas que te fez perder a cabeça e vai entender que é melhor te abraçar nos momentos mais difíceis do que te mandar um  fica bem” por mensagem. Quem quer te fazer bem, vai bater na tua porta com chocolates que comprou no meio do caminho pra tua casa e cervejas – é que o dinheiro era pouco e o vinho era caro. Quem quer realmente te ver, não esperará por um feriado ou por dias melhores que não tenham provas, nem muito trabalho pra fazer.

Quem quer te ver, não vai se lamentar, vai vestir a roupa mais próxima e sair com sorriso mais sincero ao teu encontro. Quem quer, não vai reservar um tempinho pra você ou um horário fixo pra te ver, vai te reservar a vida e vai te ensinar que quando a gente ama, a gente não mede esforços, a gente não quer o outro pra preencher aquele espaço que sobra na cama ou aquele tempo vago nos finais de semana. Quando a gente quer, a gente aceita o outro pra somar na vida, pra abrigar e torna-se abrigo, pra unir dois mundos.

Quem quer ficar, vai fechar os olhos em teu peito e permitir, sem medo, acordar só noutro dia. Quem quer, vai fazer corpo mole pra não levantar da cama e não sair da tua vida, vai roubar tuas manhãs, vai jogar os braços por cima de você e quando você perguntar se a posição da tua cabeça tá doendo nele, ele vai te responder que não. Quem quer ficar na tua vida, não pensará duas vezes antes de entrar. Ficará pro café da manhã e se possível pro jantar, é que o gosto do teu beijo vicia e ele seria burro em não prová-los ao máximo.

Quem quer ficar, vai encostar a cabeça em teu ombro e vai te deixar descobrir todos os medos e segredos, erros e defeitos, vai apertar a tua mão pra tentar te dizer algo em silêncio, e vai se despedir de você sem te tirar nada, te permitindo a liberdade e te deixando com aquela sensação de querer viver tudo e mais um pouco ao lado dela. Quem quer você, tem vontade de te repetir, de tomar todos os gostos com teu sabor, de provar todas as aventuras com você sem te dizer que precisa pensar, sem te dizer: “hoje não dá”, “deixa pra amanhã”, não tô a fim”. Porque quem quer, arruma um jeito. Quem não quer, arruma uma desculpa.

__Iandê Albuquerque


 “Se eu acalentasse o pecado no coração, o Senhor não me ouviria.” 

(Salmos 66:18)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016


“Quando nós investimos na benevolência,
é como dar adubo e água a uma planta,
porque ninguém resiste à bondade,
ainda que não admita.
A bondade é irresistível.”

(Haroldo Dutra Dias)

#Benevolência e bondade
Irresistível é ser bom!

“Aprendi também a não contar muito com os outros.
Na medida do possível, faço tudo só. Dá mais certo.”



“Um ser amado nunca é sepultado da mesma forma.
Cada um sepulta ao seu modo, na intensidade que
lhe é particular.
(...)
Uma mesma perda para muitos pesares e diferentes ausências.
Somos o que dela restou, uma espécie de continuidade,
um finito de corpos num infinito de saudade.”


“E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” 

1 João 2:17

quarta-feira, 16 de novembro de 2016


Edna St. Vincent Millay, sobre a morte:

“Não me resigno quando depositam corações amorosos na terra dura.
É assim, assim será para sempre: entram na escuridão os sábios e os encantadores.
Coroados de lírios e louros, lá se vão: mas eu não me conformo.
Na treva da tumba lá se vão, com seu olhar sincero, o riso, o amor;
vão docemente os belos, os ternos, os bondosos;
vão-se tranquilamente os inteligentes, os engraçados, os bravos.
Eu sei. Mas não aprovo. E não me conformo”.

#espero que, um dia, o câncer seja apenas um signo do zodíaco!


Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. 

1 Coríntios 1:27

sábado, 12 de novembro de 2016


Tem dias em que eu paro para analisar o que está ali à minha volta, quem caminha junto, ou quase, o que ando valorizando, em quem costumo prestar mais atenção. Chego a me surpreender com o tanto de coisas e de pessoas que guardo comigo sem função alguma, o tanto de energia que costumo gastar à toa, sem razão, e o quanto coloco em segundo plano justamente quem deveria se aninhar em meu coração durante as vinte e quatro horas dos dias.

Não dá para sermos racionais o tempo todo, com todo mundo, ainda mais nesse ritmo alucinante que rege nossas vidas, porém, acabamos caindo no excesso oposto, absorvendo com prioridade tudo o que faz mal. Parece que as palavras mais rudes, os gestos mais mesquinhos, as atitudes menos decentes chegam até nós e não saem, ao passo que tudo o que envolve bondade e afetividade sincera passa rapidamente pela gente e vai embora.

E, quando a gente percebe que fica dando corda para quem não quer nada além de perturbar, para quem só sabe agredir, mesmo que com o olhar, para quem é maldoso, hipócrita e dissimulado, vem a impressão de que devemos ser muito bobos mesmo, ou temos a palavra trouxa estampada na testa. Não é possível que a gente vá sobreviver com mínima qualidade de vida, enquanto continuarmos dando ouvidos a quem só oferece desarmonia e desesperança.

Da mesma forma, caso nos prendamos somente ao que possuímos materialmente, caso nos prendamos às aparências, à necessidade de consumir, de ter mais e mais, de mostrar ao mundo que andamos de carro novo, moramos em condomínio de luxo, viajamos para hotéis nababescos, mais nos esqueceremos de alimentar as verdades imateriais de que se sustenta o nosso coração, a nossa essência. É assim que a gente se perde de quem importa e de nós mesmos.

Quem não sabe falar de outra coisa a não ser de dinheiro, investimentos, calorias e preenchimentos labiais, cansa demais a gente. E é exatamente esse tipo de pessoa que nos tornaremos, caso não consigamos nos afastar do apego exagerado aos bens e da atenção demasiada aos chatos de plantão. A gente entra em sintonia com aquilo que trazemos junto, com as energias em que focamos nossas forças, com os discursos que guardamos em nossos corações.

É preciso que, ao fim do dia, mantenhamos aqui dentro somente aquilo que nos tranquiliza e nos renova, ao som de uma boa música, degustando um bom vinho, degustando a vida, seja com alguém que valha a pena, seja com a nossa melhor companhia: nós mesmos.

Marcel Camargo

... olhos vigiam, olhos encantam, olhos conquistam, olhos desmentem 
e até perdoam sem precisar falar.


Mateus - 6:22 
“Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz.”

o Natal vem chegando...


Quero me encantar mais vezes. Admirar mais vezes. Compartilhar mais amor. 
Dançar com a vida com mais leveza, sem medo de pisarmos nos pés uma da outra. 

Quero fazer o meu coração arrepiar mais frequentemente de ternura diante de cada beleza revista ou inaugurada. 

Quero sair por aí de mãos dadas com a criança que me habita, sem tanta pressa. Brincar com ela mais amiúde. Fazer arte. Aprender com Deus a desenhar coisas bonitas no mundo. Colorir a minha vida com os tons mais contentes da minha caixa de lápis de cor. Devolver um brilho maior aos olhos, aos dias, aos sonhos, mesmo àqueles muito antigos, que, apesar do tempo, souberam conservar o seu viço. 

Quero sintonizar a minha frequência com a música da delicadeza. Do entusiasmo. Da fé. Da generosidade. Das trocas afetivas. Das alegrias que começam a florir dentro da gente.



Isaías 59:1-2 diz: “Vejam! O braço do Senhor não está tão curto que não possa salvar e o seu ouvido tão surdo que não possa ouvir. Mas as suas maldades separaram vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele e por isso ele não os ouvirá.”

sexta-feira, 11 de novembro de 2016


Quando você desliga um aparelho, liga uma criança.

os quatro fantasmas


Leiga, totalmente leiga em psicanálise, é o que eu sou. Mas interessada como se dela dependesse minha sobrevivência. Para saciar essa minha curiosidade, costumo ler alguns livros sobre o assunto, e outro dia, envolvida por um texto instigante - acho que da Viviane Mosé - me deparei com as quatro principais questões que assombram nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental. São elas:
1) Sabemos que vamos morrer.
2) Somos livres para viver como desejamos.
3) Nossa solidão é intrínseca.
4) A vida não tem sentido.

Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera. 

Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. 

Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trate de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal. Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Os arrogantes são os que menos conseguem conviver com a finitude, a liberdade, com a solidão e com a falta de sentido da vida. Eles se julgam imortais, eles querem ditar as regras para os outros, eles recusam o silêncio e não vivem sem os aplausos e holofotes, dos quais são patéticos dependentes. A arrogância e a falta de humor conduzem muita gente a um sofrimento que poderia ser bastante minimizado: bastaria que eles tivessem mais tolerância diante das incertezas.

Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora da nossa morte. Incerto é o nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De se relacionar. De fazer tentativas. O sentido disso tudo? Fazer parte. Simplesmente fazer parte.

Muitos têm uma dificuldade tremenda em aceitar essa transitoriedade. Por isso a psicoterapia é tão benéfica. Ela estende a mão e ajuda a domar nosso medo. Só convivendo com esses quatro fantasmas - finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida - é que conseguiremos atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada.


Uns celebram: “Deus salve a América!” 
Outros lamentam: “Deus, salve a América!”

A diferença é só uma vírgula!


“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; 
Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.”

Lamentações 3:22-23

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

desculpe,


Meu temperamento definido não me permite mais perder tempo com coitadices.”
À essa altura do campeonato, já não me permito mais investir tempo em olhos que choram sem lágrimas, em gente que busca a vampirização da energia do Outro, da estética do Outro, da postura do Outro, da vocação do Outro, da conquista afetiva do Outro.

Tenho verdadeiro horror dessa gente miseravelmente possessiva, que vê no Outro sempre alguém para andar de carona.
Que enxuga lágrimas para ser útil, já que não se permite ser leve e agradável.
Gente que não vibra por você e sim se regozija das suas dores, porque só através delas consegue se achar mais importante, já que sua vida vazia não lhe permite nada além de pequenices disfarçadas de felicidade.

Sinto muito.
Na minha vida não existe o quase.
Quase conseguiu, quase foi legal, quase teve boa intenção.
Quase para mim é muito pouco, e pouco para minha mim já passou do quase nada!

[ Cláudia Dornelles ]

sempre!!!



Investir no sossego do próprio coração é algo tão complexo por causa da sua simplicidade. Porque ser simples é uma das coisas que mais dificulta a nossa vida. Investir no sossego do próprio coração é não abrir uma brecha, que poderá virar uma represa, para alguém que não está disponível afetivamente. É prestar atenção nos sinais e indícios que a pessoa dá, logo nos primeiros encontros, do tamanho do sofrimento ou da alegria que ela poderá lhe proporcionar. É saber-se só em quaisquer situações, mesmo acompanhado, pois as consequências de nossas escolhas são absolutamente nossas.

Investir no sossego do nosso próprio coração é saber que aquilo que está doendo deverá ser extirpado e não manter apego ao sofrimento, por mais que o uso do bisturi cause quase a mesma dor. É proporcionar-se bons momentos divorciando-se de tantos lamentos. É não adiar sofrimento postergando decisões tão necessárias. É não se acomodar com a falta de excitação pelas coisas, pessoas, trabalho. É saber-se merecedor de experienciar um amor inteiro, intenso, extenso, imenso, verdadeiro... Recíproco! É aumentar, um pouquinho a cada dia, o seu tamanho. É ter a certeza e a confiança de que as coisas têm um encaixe, mas que é preciso deixar ir, ou ir ao encontro, ou conformar-se com o desencontro, ou esquecer, ou lembrar-se de outras coisas, ou relacionar-se de outra forma.

Investe no sossego do próprio coração quem não rumina o que machuca, quem não fica descascando a ferida impedindo que a mesma cicatrize, quem não se disponibiliza de maneira subserviente e em tempo integral ao ponto de ser desvalorizado ou descartável, quem não aceita menos do que merece: coisas pela metade. Investe no sossego do próprio coração quem sofre, grita, chora, mas cresce! Quem não se repete, quem se surpreende consigo mesmo, quem trabalha o desapego, quem se abre para as coisas que possuem mais calor e sensibilidade.

Investir no sossego do próprio coração é coisa que não vem com a idade, mas com a ideia de que se pode vivenciar um momento de paz e repouso, é desocupar o peito para abrir espaço para o novo, é entregar-se ao desconhecido com inocência e totalidade, é não ter medo de pronunciar verdades, é ser honesto consigo, com o outro.


Romanos 10:13 diz: “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

não corte carboidratos de sua dieta, corte gente chata de sua vida


Teimamos, muitas vezes, em procurar somente no espelho aquilo que nos incomoda e entristece. Da mesma forma, acabamos nos culpando exclusivamente pela infelicidade sentida diariamente. No entanto, apesar de sermos responsáveis pelo que nos acontece, nem tudo depende somente de nós mesmos, ou seja, temos que atentar também para o tipo de gente que caminha ao nosso lado.

Filmes, artigos, livros e palestras nos ensinam a olhar para dentro de nós mesmos, para que tomemos as rédeas do rumo de nossas vidas e nos conscientizemos de que muito do que nos ocorre é consequência de nossa forma de agir. Com isso, às vezes nos esquecemos de lembrar que aquilo que está fora de nós também influencia a nossa caminhada, tendo poder, sim, sobre nossos humores.

É muito difícil levarmos a vida numa boa, ignorando o que à nossa volta é ruim e desagradável, como se fôssemos a única fonte de alegrias, como se aqui dentro houvesse uma força capaz de neutralizar o que acontece lá fora. Se o mundo carece de empatia, de solidariedade, de enxergar o próximo, imbuir-se de controle total sobre a própria vida, sem se importar com nosso entorno, soa, no mínimo, a egocentrismo.

Ficamos tão perdidos, que acabamos não sabendo mais onde procurar a felicidade, desviando-nos da essência que nos move, enquanto nos prendemos ao que aparentamos, à imagem física tão somente, uma vez que ela é mais palpável, está ali bem no nosso nariz. Assim, privamo-nos de prazeres frugais, para emagrecer e endurecer o corpo, sem perceber que cuidar do que está fora de nós também é essencial.

É preciso desintoxicar-se por dentro e por fora, cuidar do corpo - sem neuroses - e dos ambientes por onde transitamos, pois valorizar as coisas, os momentos e as pessoas certas nos tornará mais felizes e realizados. De nada adiantará malharmos por horas e comermos somente o que a dieta prescreve, caso saiamos da academia para uma vida superficial e rodeada de gente falsa e desagradável. Estaremos lindos por fora e em frangalhos por dentro.

Como tudo o mais nessa vida, é preciso equalizar as nossas atitudes e comportamentos, para que não exageremos além da conta no que somamos e no que restringimos. Quando priorizamos só o físico, quando ficamos muito indiferentes ao outro, quando transformamos comportamento em fixação, deixamos de lado muita coisa que poderia nos levar a sorrir mais e por mais tempo.

Comer uma barra de chocolate vez ou outra não mata ninguém, mas dar importância a gente chata e insuportável nos distanciará cada vez mais da serenidade desejável em nossas vidas.

__Marcel Camargo


“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.

Isaías 1:18

terça-feira, 8 de novembro de 2016



Às vezes, não há nenhum aviso. As coisas acontecem em segundos. Tudo muda. Você está vivo. Você está morto. E as coisas continuam. Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.

__Charles Bukowski

Realmente, de repente o nada!
Nunca existirá aviso, a mudança é rápida, a vida se transforma em morte e tudo se acaba. 
:(
As coisas continuarão sem você...
Se somos finos como uma folha de papel, escrevamos bem nossa história, sejamos bons atores, 
para que no final do espetáculo, sejamos aplaudidos.



“Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo,
mas com tamanha intensidade,
que se petrifica,
e nenhuma força jamais o resgata.”



O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado
e salva os de espírito abatido.

Salmos 34:18

sábado, 5 de novembro de 2016



O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? 

(Jeremias 17:9)