"Ando no rastro dos poetas, porém descalça... Quero sentir as sensações que eles deixam por ai"



segunda-feira, 28 de março de 2011



Não acredito em cantadas. Acho um horror assobios tarados ou frases feitas - coisas típicas de homens desprovidos de massa encefálica ou que pensam alto com o penencéfalo.
Por isso sempre gostei de homens mais velhos. Eles, pelo menos, disfarçam melhor. (E isso já é um avanço incrível.)
É inevitável me sentir constrangida diante da inaptidão dos novinhos. O pior não são os tímidos confessos ou os atrapalhados evidentes que não sabem onde colocar as sílabas e muito menos as mãos (esses merecem as benesses do olhar bondoso por terem verdadeiramente tentado o seu melhor); os que mais me incomodam são os que pensam dominar arte e técnicas de deixar mulheres trôpegas de desejo, mas tudo o que conseguem são interlocutoras abismadas diante de tanta tagarelice inútil.
Confesso que sofro de uma incorrigível patologia, a TPT: timidez por terceiros.
Morro de vergonha pelo papelão dos outros. Por isso prefiro os coroas.

Coroas aprenderam a duras penas, com a prática, decepções e erros, a seduzir uma mulher. Antes disso, sabem o quanto a sedução é essencial. Sem ela a vida fica prática demais, direta demais, misteriosa de menos. Homens nunca deixam de sofrer de ereções involuntárias perante um quadril vasto e rebolante, mas os coroas sabem controlar a salivação para não causarem danos psicológicos irreversíveis a suas parceiras - eles já perceberam o quanto um olhar lascivo lançado para o lado deixa sua garota se sentindo mais pra baixo que estação de metrô.

Nunca liguei para bíceps torneados e fôlego de maratonista e não suporto a vaidade excessiva de machos que tenham nécessaire maiores que a minha. Troco facilmente uma barriga tanquinho pela habilidade raramente adquirida aos 20, conquistada lá pelos 30, e aprimorada depois dos 40, intitulada 'cumplicidade'.
O acúmulo dos anos de vida em um homem pode aumentar a quantidade de células adiposas na barriga, mas também aumenta a quantidade de informações necessárias para entender a alma feminina (pelo menos o mínimo necessário) e a paciência para lidar com suas idiossincrasias. E essa habilidade resulta em algo quase mágico: a vontade de estar com uma mulher por ter afinidades reais com ela, sonhos e gostos em comum, e não por ela ser um prêmio adormecido ao seu lado na cama, uma bunda marmórea a qual ele pode se gabar de ter apalpado.
Coroas já tiveram, pelo menos, mais tempo de deixarem de ser fúteis. Apesar de alguns não tomarem jeito nem assim...

Mas, acima de tudo, gosto de homens mais velhos por saberem usar a língua. Eles sacaram que ela é a responsável por elogios derretedores de gelo, conversas inesquecíveis, frases memoráveis e por transformar noites tediosas em momentos cheios de lembranças gemidas e úmidas.

Sabe qual a vantagem dos garotos? É que um dia eles serão quarentões e terão aquele charmoso ar grisalho de quem já não precisa provar (quase) nada para o mundo.
__________

A gente não sabe nem se vai acordar amanhã.
Imagina saber se vai continuar amando alguém.
Não tem como dar essa certeza.
A vida é tão incerta para a gente ficar procurando respostas para tudo.
Sem planos. Sem promessas. É melhor assim.
Você vai curtindo cada momento, não como se fosse o último, mas como único que é, porque nada se repete, e não dá para recuperar o que se perdeu.
Sem planos. Sem promessas. É melhor assim.
Não há sofrimentos tão grandes, quando não há promessas mirabolantes.
Ninguém cria expectativas em torno daquilo que não existiu.
Sentir é melhor que dar nomes aos sentimentos.
Deixar rolar, é o melhor que há para se fazer.
Se você promete que vai ser para sempre, e amanhã ou depois, muda de ideia, não vai ser possível o outro te perdoar.
Sem planos. Sem promessas. É melhor assim.
Deixa fluir. E vamos ver no que vai dar.
Sem planos. Sem promessas. Vamos nos aproveitar.
Aquilo que tiver que ser será.
 

"Cada escolha que fazemos, decepcionamos alguém...
Só temos que ter cuidado para não decepcionar
as pessoas erradas!"

______________

"Você ainda vai me amar amanhã?
Para todo sempre, baby!"


(do filme Click)

Em “Click”, a trama toda gira em torno de um controle remoto universal... Na verdade um objeto desejado pelo personagem de Sandler, arquiteto ocupado que sempre que está em sua casa confunde-se ao manipular os diversos controles remotos que acionam a televisão, o aparelho de som, o ventilador de teto, o portão da garagem.

“Click” tem a intenção de nos fazer rir em vários momentos, mas quer ir além da piada escrachada, do riso debochado ou mesmo do sorriso amarelo que as comédias por vezes nos provocam.

Há uma preocupação evidente no roteiro de nos colocar em contato com situações que poderiam acontecer no cotidiano de qualquer um de nós. E o mais importante é que essas questões referem-se à forma como nos relacionamos com o tempo e com as pessoas, especialmente com aquelas pessoas que realmente nos são caras e muito especiais e que, tantas vezes, parecemos não perceber...

O personagem de Sandler persegue insistentemente o sucesso profissional. Não se trata, segundo o arquiteto vivido pelo ator, de chegar ao topo apenas por valorização pessoal, como uma forma de inflar o próprio ego, como acontece com tanta gente que conhecemos. O que ele busca realmente é valorização profissional e, como conseqüência disso, mais e melhores rendimentos.

Com isso, acredita poder dar a sua família o conforto e as benesses materiais que nunca teve e que seriam indispensáveis ao que ele pensa ser “qualidade de vida”. Sacrifica dessa maneira o tempo matando-se de trabalhar e estando ausente da vida familiar mesmo quando está em casa.

Isso significa que trabalhar e prosperar na carreira não são causas justas pelas quais devemos lutar? Não, em absoluto. Não é isso que o articulista que vos fala pretende fixar como idéia trabalhada no filme em questão. Seguindo a ótica do capitalismo que se estabeleceu no Planeta com todo o vigor a partir da Idade Moderna, não se deixa tão facilmente de lado a idéia de que “o trabalho enobrece o homem”.

O que o filme “Click” traz a tona é a preocupação que devemos ter quanto ao que nos move ao trabalho, a produção, ao sucesso em nossas carreiras... E é nesse ínterim que surge a imagem forte e consolidada da família (tão desgastada nessa nossa época em que tudo é descartável) como sendo o principal motivo de todo e qualquer trabalho que seja desenvolvido por alguém.

Você não tem tempo para seus filhos?
Já não dispensa a mesma atenção a seu cônjuge?
Liga pouco ou quase nunca para seus pais?
Esqueceu-se dos irmãos?
Não visita tios ou avós há um longo período?
E sempre se desculpa dizendo que não há tempo disponível para isso já que tem que se dedicar à carreira e ao sucesso dos empreendimentos em que está envolvido...
Está na hora de rever seus princípios e filosofia de vida antes que seja tarde demais...
“Click” nos faz pensar a respeito disso!

                                                              (João Luís de Almeida Machado – site Planeta Educação)

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.
Salmos 23:5-6

quinta-feira, 24 de março de 2011


Ode a bunda dura

Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura?
Pois então, mulheres assim são um um porre.
Pior: são brochantes.

Sou louca? Despeitada?
Então tá, mas posso provar a minha tese.
Quer ver?

• Escova toda manhã. A fulana acorda às seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão "Alisabel é que é legal".
Burra.

• Na moda: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS!
O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar "desarrumada"
nem enquanto tiver transando.
É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo
perante o espelho do quarto.
Credo.

• Sorriso incessante: ela mora na vila dos Smurfs?
Tá fazendo treinamento pra Hebe?
Sou antipática com orgulho - só sorrio para quem provoca meu sorriso.
Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro.
Coisa que, pra perfeitinha, não existe.
Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa, coitada.

• Bunda dura. As muito gostosas são muito chatas.
Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão.
Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você.
 Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.

Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps.
Que beleza de mulher. E você reparou naquela bunda?
Meu Deus!!!

Legal mesmo é mulher de verdade.
E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa.
Pode ter uns quilos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira.
Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo.
Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema).
Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade.

Preliminares


O mundo seria muito melhor se os homens só adquirissem o direito de ter "pau" depois de aprender todas as possibilidades eróticas da língua e dos dedos.
Antes de mais nada: essa não é uma crítica ao falo. De forma alguma.
Ele é útil, a gente usa e gosta. Bastante.
É realmente envaidecedor vê-lo reagindo aos nossos estímulos e se transformando de tímido e assustado em suntuoso e implacável.
Aliás, só uma coisa dá mais tesão numa mulher do que causar tesão: ser excitada.

E aqui entra a língua e os dedos. Literalmente. Esqueça o magnânimo priapo por uns instantes. Acredite se quiser, mas não somos uma seqüência de buracos dispostos ao seu bel-prazer (eles também servem ao nosso).

E é exatamente assim, bonecas infláveis, que nos sentimos quando não somos devidamente investigadas, quando tratadas feito pizza fria: comida às pressas.
Temos pele, cabelos, pernas, braços, virilha, uma série infindável de territórios pouquíssimos explorados pela maioria dos machos e, vou te contar, é uma delícia sentir a mão de um homem passando por nossas coxas infindável ultrapassando a barreira do elástico do sutiã, puxando de leve o cabelo perto do pescoço. Os dedos percorrendo a pele fininha do nosso seio, a língua tocando a orelha - mais do que o carinho em si, esses gestos traduzem a dedicação, o envolvimento com nosso corpo. E é aí que nos sentimos vistas, exploradas, únicas. E então nos invade a vontade incontrolável de virarmos a mais competente das devassas, utilizarmos sabiamente sua ereção e fazê-los (e a nós também, claro) gozar feito loucos.
O melhor círculo vicioso do universo.

Depois de vislumbrar a miríade de possibilidades que o encontro de dois corpos (inteiros) nos reserva, beira o impossível compreender qual o raciocínio tortuoso que leva um homem a resumir o sexo ao bate-estaca.

Não tiro o mérito da penetração porque, serei justa, é um momento crucial na transa. Se sexo fosse cardápio, meu pedido seria o combo número 1: língua + dedos + fala. A ausência de qualquer um dos itens causa a mesma sensação de ir ao Mc Donald's e não pedir refrigerante e batata frita: parece que nem estivemos lá.

Ser penetrada é crucial, gostoso, íntimo, invasor, impactante. Mas, se isso fosse suficiente pra satisfazer as mulheres, vocês teriam, há milênios, sido substituidos pelos pepinos.
MULHER QUE SE VIRE: Eles estão pouco se importando com o orgasmo feminino.
Se somos assim tão independentes, a gente que se resolva?
Se gostamos tanto de dedo e língua, por que não viramos lésbicas?
Ora, ora, que imaturo dizer essas besteiras.

Amigo, se você transa com a única intenção de botar pra dentro, sugiro que desista dessa coisa chata, repetitiva e reclamona chamada mulher e entregue-se sem culpa ao reino vegetal: bananeiras e mamão morno são ótimas opções: macios, molhadinhos, não conversam depois de transar, não pedem pra ficar abraçados, nem questionam seus sentimentos por eles.
Fácil e econômico.

A verdade é uma só: homem que não curte preliminares não gosta de mulher, gosta de buraco.
Sendo assim, que tal um tórrido momento a dois com uma estonteante mesa de sinuca?
Hein???

Beijo


Sem ele não há céu.
Não importa quanto se insista baseado na racionalização—sem ele, só restam justificativas.
Sem ele, o que poderia ser bom torna-se azedo.

Nada resiste.

Duas pessoas são capazes de passar por muito juntas: brigas, mortes, decepções, falta ou excesso de dinheiro, mas sem o beijo o que era um casal torna-se dois seres. Que podem, porventura, viver juntos e dizer que se amam, mas não tocam seus lábios, o que dirá de suas almas.

Eu vim para que possam ter vida - vida em sentido pleno.
João 10:10b

quarta-feira, 23 de março de 2011

hoje é dia de comemorar!!!


Faz um ano que nasceu o 'Nuvens de Algodão'.
Meio desajeitada e tímida publiquei meu primeiro post.

Quando criei este espaço, minha única intenção era reunir num só lugar as músicas, os textos, frases e pensamentos de escritores que eu amo e que "falam alto ao meu coração", mas com o decorrer dos dias, ele passou a ter uma importância enorme para mim.

Para mim, esse blog não é apenas um passatempo... ele funciona como terapia... é um companheiro que diversas vezes me salvou.
Me salvou nas noites de insônia.
Me salvou do ócio e do tédio.
Me salvou nos dias solitários e tristes.

Mas, o mais importante é que com o blog eu retomei o hábito da leitura.
Passei a ler diariamente e cada vez mais.
Cada 'nuvem' aqui é um texto, um poema ou uma crônica que li.

Sei que algumas pessoas gostam daqui.
Pessoas que entraram e ficaram nas nuvens comigo.

A vocês, eu agradeço por visitarem esse espaço tão modesto e tão meu, e desejo que ao saírem estejam sempre com o sentimento bom renovado... aquele sentimento de criança que não quer nunca deixar de ser...
... e com nuvens de felicidade pairando sobre vocês!!!


Que no próximo ano estejamos novamente juntos...
cheios de sonhos, esperança e fé.
Que as dificuldades sejam leves como algodão.
Que os problemas sejam passageiros como as nuvens.
Que quando a nuvem ‘chorar’, só faça brotar beleza no caminho.

Que seja doce, agora e sempre.

Amém!

PS: Agradeço em especial ao meu amado-idolatrado-salvesalve Neckyr,  que além de me ler diária e religiosamente, me dá apoio e incentivo sempre, e ao querido amigo Denis (meu 1º seguidor).

Ao meu grande incentivador


Por você vivo nas nuvens
Nuvens feitas de algodão

Por você cruzei o mundo
Fiz de tudo pra chamar sua atenção

Sem amor não vale a pena
É só seu meu coração
Tá escrito nas estrelas
O destino me pousou em suas mãos

(Nuvem de algodão - Exaltasamba)

"Meio bailarina, com sua paciência em esperar o amanhã para um movimento preciso.
Tem um jeito sereno de falar e a voz é tão diferente que a gente pensa que tá cantando, mas ela diz que não, que é implicância. 
Um pouco desconfiada.
Fala enrolado e rápido, às vezes é preciso falar um: ahm? só para tentar entender uma parte do que foi dito.
Meio fada, vive soltando seu pó mágico por aí. Espalhando doçuras, bondade e gentileza.
Tem um dom para a arte, para a arte de ser amiga, das melhores.
Tem tanta paciência que me causa impaciência.
Não xinga nem para fazer favor e passa horas vendo coisas retrôs.
Fica olhando sonhos em camadas, brancos, expostos nas vitrines da esperança.
Carrega uma varinha de condão com uma estrela na ponta, pronta para iluminar qualquer escuridão que possa vir por aí!
Com ela não existe tempo nublado, ela tem Sol do lado de dentro.
Carrega o mar no nome.
Não guarda rancor.
Sentimento ruim para ela é pano velho que merece ser guardado na gaveta do esquecimento. Esse pano depois serve para fazer uma colcha bem bonita, que traz nas linhas a recompensa do perdão.
Gosta de festa de aniversário e acho que esse ano nem ganhou uma.
Mas o que ela não sabe é que a festa e a comemoração estão é dentro da gente.
Bolo, doces e confetes são só detalhes da alegria.

Hoje é o dia dela, que faz parte do grupo das minhas melhores amigas.
A vontade de abraçá-la é imensa e o desejo para que ela tenha uma vida cheia de ternura já tomou conta aqui. Tão difícil descrever amizade, ainda mais os amigos, que são a essência do sentimento.
Porque é fácil falar de quem não conhecemos, difícil mesmo é falar de quem a gente conhece e quer bem.
Te mando sonhos empacotados."

(Recebi esse texto da Fabí em um dos meus aniversários)

Tudo passa, o que queremos e o que não queremos que passe,
a tristeza e o alívio coabitam no espaço desta certeza.
Eu não tenho muitas respostas. O que eu tenho é fé.

A lembrança de que as perguntas mudam.
Um modo de acreditar que os tiquinhos de sol
possam sorrir o suficiente para desarmar
a sisudez nublada de alguns céus.
E uma vontade bonita, toda minha, de crescer.

Felicidade é um clarão que nos ajuda a suportar o escuro.

Relampeia, olhamos onde estão as coisas
e seguimos tateando com mais f a c i l i d a d e.

Divã


Às vezes tenho medo de coisas que nem sei dizer, mas a luz de dentro é forte e transforma meu medo em riso.
Tenho medo de gente ruim, mas a bondade que sou capaz de enxergar é mais forte que toda ruindade junta.
Tenho medo de perder minha família,
especialmente (o meu filho) e minha mãe.
Tenho medo de perder os meus amigos. Tenho medo de surtar.
Medo de doença grave (e de doença 'boba' também).
Tenho medo de chegar aos 40 anos e descobrir que não faço a menor ideia do que realmente me move.
Tenho medo de não chegar aos 40 anos.
Sou neurótica.
Sempre quero encontrar o príncipe desencantado, mas apesar disso, tenho medo de me apaixonar e mais ainda de que se apaixonem por mim.
A paixão aprisiona, mas talvez, só talvez, seja uma prisão necessária.
Tenho medo de bandidos. De andar sozinha à noite.
Tenho medo da solidão.
Tenho instantes no bolso que receio soltar por aí.
Medo de falar o que penso. Medo de não falar o que penso.
Arrependimento.
Duas doses para acalmar.
Desce mais água, por favor, que o calor de fora não condiz com o de dentro.
Aqui do outro lado da porta, tá fazendo um frio do caramba, e digo caramba só para não xingar.
Tenho medo de chorar em frente aos outros.
Perguntas e julgamentos.
Impaciência.
Tenho medo de esperar o que não virá, e que eu sei que não virá, mas não faço nada para mudar a situação.
Tenho medo da fome, das guerras.
Medo de dormir e acordar sem esperanças,
com 'um vazio que ninguém (pre) enche'.
Eu preciso das minhas esperanças renovadas todo santo dia,
esperanças embrulhadas para presente.
Tenho medo... Medo que sobra.
Mas tenho fé, das boas, das quentes, das certas e verdadeiras!
E peço à Deus todo dia: coragem, e que a coragem que Ele me dê seja sempre capaz de transcender meus medos para que eu acorde sorrindo mesmo em dias cinzentos, para que meus olhos brilhem mesmo com a visão turva...
Por que quando não se tem, só nos resta inventar.
Como as crianças inventam nuvens rosas? É sim, menina...
Exatamente como as crianças e suas invenções.
E as tais nuvens não existem, mesmo que em nossas imaginações?
É, acho que sim.
Imagino algo fora do comum e o medo já vai saindo de mansinho,
com mais medo ainda.
A coragem tomou forma, e tá armada para combater um a um destes intrusos.                                                                           

"Minha vida é uma enciclopédia,
cada ano um volume, cada dia uma página,
cada hora novo texto, cada minuto uma palavra,
e a cada segundo entre um sim e um não,
muda-se a história."
                                                                                        (Elanklever)    

“Grandes coisas fez o SENHOR por nós,
e por isso estamos alegres”
(Salmo 126.3)

terça-feira, 22 de março de 2011


''A parte do corpo masculino que mais me agrada anda meio desprezada.
É um canto ao qual só quem ama tem acesso e apenas quem não tem medo de sua própria vulnerabilidade usa. Visível para qualquer um, mas que quase ninguém nota.

Sexo não é a entrega máxima entre duas pessoas – se fosse, prostituição seria amor.
Intimidade não são dois corpos nus e cansados depois do sexo, não é compartir dívidas ou nomes na conta-corrente. Tampouco usar a mesma escova de dentes.
Não é traçar planos a longo prazo porque eles, a qualquer momento, podem ser levados embora como árvores num vendaval (tão fortes na teoria, tão frágeis na prática); não é saber de cor as respostas do outro, deixar de usar pimentão porque ele não gosta, jamais tocar aquela música que traz más lembranças.
Isso é vida a dois, que pode (infelizmente) ser vivida por semidesconhecidos.
A maior intimidade que um casal pode conquistar não requer nudez, gemidos ou penumbra. Ela fica disponível, esperando ser requisitada, exatamente no lugar que mais me atrai na solidez corpórea de um homem.

Não me apaixonei muito na vida apesar de as possibilidades de paixão terem sido fartas.
Foi só depois de terminados o ardor e o desespero atrelados a esse sentimento que compreendi o porquê de ter me perdido em outra pessoa em tão poucas ocasiões: só eles, esses poucos amores, me deram o que sempre precisei, perceberam que minha maior necessidade não tem vínculo algum com brilhantes elucubrações ou demonstrações de saber.
Só eles notaram ser essencial deixar essa pequena área sempre à disposição – quando os momentos difíceis me alcançavam (ou os muito bons), era sempre no resguardo desse canto que eu repousava minha aparente força, chorava de alegria, abandonava os medos.

A maior entrega se faz quando me aninho mansamente no espaço macio entre o pescoço e o peito dele e apenas fico, sem necessidade de palavras.
Intimidade é o momento no qual silencio a mente e o mundo e repouso a cabeça na parte mais fascinante do corpo masculino: o ombro do homem que amo.''

"O amor muda como as folhas das árvores no outono.
E, se eu for capaz de entender isto, serei capaz de amar."


(Emily Brönte)

Outono – Djavan

Um olhar uma luz ou um par de pérolas
Mesmo sendo azuis sou teu e te devo
Por essa riqueza
Uma boca que eu sei
Não porque me fala lindo
E sim, beija bem

Tudo é viável pra quem faz com prazer
Sedução, frenesi
Sinto você assim, sensual, árvore
Espécie escolhida, pra ser a mão do ouro
O outono traduzir viver o esplendor em si
Tua pele um bourbon me aquece como eu quero
Sweet home gostar é atual além de ser tão bom

Amor de outono


E no meio de um outono sofrido
Surgistes com o teu desejo de lobo
Teu andar de sol
Tua essência de anjo
Arrebatando meu inverno
E toda geleira instalada em meu coração.

Chegastes na hora exata
Minhalma por ti esperava.
Busquei nas campinas, vales, bares, noites estreladas,
tardes encantadas o canto do rouxinol.
Mas só havia silêncio, inverno e solidão.

No meu universo azul é que estavas
E na alegria de uma alvorada
Posso te contemplar então...
O amor mais profundo
Sonho de primavera
És, enfim: doce realidade
E a felicidade que me espera.

(Mariah Lacerda)
"Alegrem-se, moradores de Jerusalém, pois eu, o SENHOR,
o Deus de vocês, fiz grandes coisas.
Eu lhes dei chuvas no tempo certo, as do outono e as da primavera,
muita chuva, como no passado."
                                                    (Joel 2:23)

segunda-feira, 21 de março de 2011


“Não importa se a estação do ano muda…
Se o século vira, se o milênio é outro.
Se a idade aumenta…
Conserva a vontade de viver,
Não se chega a parte alguma sem ela.”

. . .


Bem vindo outono!
Que você venha com tudo e derrube não só as folhas das árvores... derrube também os sentimentos ruins, o medo, o ódio, o desamor.
Que suas tardes em tom sépia tragam inspiração aos casais que se amam, amor aos que ainda não o tem e esperança sempre à todos nós!

Ah... o outono!!!


Ah! O outono!!!
O caminho do meio, a média, a medida...
nem tão quente como o verão que passou, nem tão frio como o inverno que virá...

Ah! O outono!!!
Folhas amarelas, passagem da estação
o fim de uma etapa, o início do novo
e como a cada recomeço, é preciso antes "morrer" para então, renascer...

Ah! O outono!!!
Estação das frutas, da colheita
Símbolo da esperança em todo seu esplendor
o fruto que madura e cai no chão, que alimenta a terra
terra que nos alimentará e no futuro... nos abrigará

Ah! O outono!!!
Há quem diga que as estações do ano acontecem por causa da inclinação da terra em relação ao sol
eu digo que nossas estações acontecem por causa de nossa inclinação em relação à vida

Ah! O outono!!!
Dias mais curtos, mais frescos
Amarelos, cobres, alaranjados, marrons
cores vivas como a própria vida
Vida que "outonamente" renascerá.

(Carmem L. Vilanova)

"Não precisa dizer nada.
Seu silêncio é meu refúgio e você é minha madrugada fria de outono.
Seu sorriso me aquece e nada mais faz sentido sem esses segundos que parecem horas quando estou presa nos seus olhos.
Você já não pode ser o que eu quero.
Porque você é mais que isso.
Você é tudo o que eu queria merecer."

Quando as almas se enlaçam
O calor, se não o mesmo,
Se entranha;
Passam folhas, passam flores
Mas o tronco e as raízes
Permanecem,
Sobrevivem ao inverno
E florescem
Ao chegar
A primavera.

Amor que espera,
Amor que entende
Que aquece
Sem ser quente
Confortável, ternamente
Se afirma
Em valores permanentes
Na raiz do sentimento
E do tempo.

Amor de outono
Tão ameno,
Duradouro,
Tão dourado
E precioso
Vence o inverno,
A dor e a morte;
Amor eterno.

(Roberto Amorim – Amor de Outono)

Hai-Kai de outono


Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

...

Uma folha, ai,
melancolicamente
cai!

Amor de índio (Beto Guedes)


No inverno te proteger
no verão sair pra pescar
no outono te conhecer
primavera poder gostar
e no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto

O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser tudo

Tiago 5:7

Agora, quanto a vocês, queridos irmãos que estão esperando a volta do Senhor, sejam pacientes, como o lavrador que espera até o outono para que a sua preciosa colheita amadureça.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A única prova de amor


Não deixe pro dia seguinte. Não existo amanhã.
Eu só existo dentro dos seus olhos, da sua boca, dos seus braços



- Este texto poderia se chamar "Como entender uma mulher?". Mas ao final da leitura você terá descoberto que não é preciso uma resposta para esta pergunta.

"O amor não é prosa e nem poesia. Aquelas três palavras não me servem. São sonetos sem pele, versos que não ressoam, metáforas que não suam, frases que não cheiram. "Eu te amo" não diz nada, entende? Não escreva o que sentiria se acordasse comigo. Acorde comigo. Não imagine meu cheiro. Me cheire. Não fantasie meus gemidos. Me faça gemer. O amor só existe enquanto amar. Ação. Calor. Verbo. Presença. Milímetros. Hálito.

A antologia poética do Cummings nunca engravidou ninguém. Não é o refrão de "Sexual Healing" ou qualquer solo de guitarra que arrepia cada orifício das minhas costas ou empina os pelos da panturrilha ou me umedece o centrípeto das pernas. Não me elogie a quilômetros ou horas de mim, não digite meu nome, não me telefone no meio da noite, não me convide por webcam, não quero um e-mail seu. As frases, as confusões, as lágrimas são minhas. Você tem o corpo.

Eu transito pelo mundo. Pego carona em carros, desvio de pessoas, contemplo edifícios, sento em cafés, folheio revistas, acho rapazes bonitos, navego por horas na internet, leio mensagens em PowerPoint, troco fofocas. Meu físico ocupa percursos, espaços, tempos e ainda assim meus fragmentos voam pelo chão. Eu não sou uma flor, um tesouro, a aurora boreal. Sou só uma mulher, me trate como tal. Fui feita pra ser tocada, não compreendida, decifrada, poetizada.

Não sou tempestade. Sou abraço. Não sou química. Sou física. Não sou vento. Sou movimento. Não sou música. Sou reboladas. Meu corpo não é o paraíso, é um lugar. Faça de mim o seu lugar. More em mim ou seja meu vizinho. Caminhe com o áspero da sua língua em todas as minhas texturas, meus calcanhares, minhas coxas, minhas axilas, minhas nádegas, entre os dedos na minha mão, atrás da orelha, no couro cabeludo, no lábio inferior, embaixo dos seios.

Eu não preciso de um bilhete, eu preciso de uma massagem na cintura, nos pés, na barriga. Eu não quero flores vermelhas, quero você dizendo baixinho o quanto sou gostosa. Não pense em mim. Me coma. Não me pondere. Me atravesse. Não me console. Me acarinhe. Não me deseje. Me deslize. Não me descreva. Me aproveite. Não me leia. Me dance. Não me pergunte. Me invada. Não me solucione. Me enxugue. Não me controle. Me conduza.

Puxe meu quadril, morda meu queixo, bagunce meus cabelos, chupe meus joelhos, esfregue seu peito em minhas costas, lamba a planta do meu pé, toque minha lombar, cheire minha virilha, aperte minhas vértebras, me dê a mão, respire perto de mim, me faça rir, uma omelete, um cafuné no sofá. Não sou uma floresta intocada. Sou uma mulher novamente virgem minutos depois que sua mão me abandona. Deguste meus cheiros, fareje meus gostos, beije minhas cores.

Não ache que consegue me abrir, me comover, me prender com apenas três palavras. Não quero ler ou saber que você me ama. Quero sentir isso. Quero tomar banho com você, ser olhada com ternura, que você se confesse entre meu pescoço e meus seios. Peça meu colo, abra minhas pernas, penetre seu carinho, me cante, se importe comigo, ejacule seu querer sobre mim, escute meus medos, enrole minha franja, persiga meu gozar.

Não perca a chance, não deixe pro dia seguinte. Não existo amanhã. Eu só existo dentro dos seus olhos, da sua boca, dos seus braços, na ponta dos seus dedos. Esqueça tudo que leu e ouviu sobre mim. O tempo que demora pra me fazer um texto é o suficiente pra derramá-lo sobre mim. Não me descreva, não me entenda, não diga me amar. Me ame apenas. O corpo é a única prova de amor."

True...



"Em todo o tempo ama o amigo
e para a hora da angústia nasce o irmão"

                                                            Provérbios 17:17

quinta-feira, 17 de março de 2011

Um violão... uma música


'UM DIA, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era "a música em forma de mulher". A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam um mot d'esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor,
a pura verdade dos fatos.

O violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina — viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo — o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada, mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade;
e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada.
Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres-contrabaixo.

Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar, preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em benefício de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas,
como se dá com os contrabaixos.

Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer "passado na cara" por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.

Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d'amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado — contra o peito — lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.

Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seus tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei; um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem,
só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.'